LAB – Capítulo 490

O verdadeiro alvo

Ao chegar na Taverna do Ovelha, o grupo prontamente obteve o endereço de Maans por meio de inquérito.

— Deixem que dê uma olhada primeiro. Vocês entram pela porta da frente depois. Vera, fique de olho em Raio e Maggie. Não as deixe entrar. — Rouxinol entrou em sua névoa e desapareceu depois dar as ordens. Em seu mundo preto e branco, as linhas que construíram tudo começaram a torcer e distorcer. Ela logo localizou uma rachadura invisível a olho nu e deslizou através da parede sem esforço.

A casa do homem era tão humilde quanto a de Pazim. Parecia que Maans estava na miséria desde que perdera o emprego como patrulheiro. Rouxinol podia ver claramente, então ela sabia que não havia Pedra da Retaliação Divina nas proximidades. Ela logo viu seu alvo no quarto. O homem estava dormindo embaixo do cobertor. Seu casaco pendia ao lado da cama com manchas de sangue ainda nas mangas.

Rouxinol voltou para a sala de estar para abrir a porta. A polícia invadiu o local. Eles empurraram Maans, que acabara de acordar com um sobressalto, e o amarraram de volta à cama.

— Quem são vocês? Me larga! — Ele gritou com horror.

— Você está preso por vários assassinatos! — Rene o silenciou com dois tapas fortes no rosto — Como você se atreve a conspirar contra Sua Alteza” Seria até mesmo misericordioso ter você enforcado no portão da cidade!

— Não, não fui eu…

— Não foi você? — Os tapas de Rene se transformaram em socos e depois de alguns sons abafados, Maans ofegou de dor, sua boca cheia de sangue e o dente da frente caindo — Nós vimos você assassinar Pazim na noite passada. Você acha que acreditaremos em suas desculpas esfarrapadas? Você usou Água-dos-sonhos para que ele desmaiasse! Então, você o estrangulou até a morte antes de cortar sua garganta, assim evitaria que o sangue dele espirrassem em você, não é? Você se acha muito inteligente né?

Maans não disse uma palavra, mas seus olhos estavam cheios de choque e terror.

— Quem te deu a ordem de matar ratos se candidatando a empregos? Quem te instruiu a desenhar uma coroa e uma cruz com sangue na cena do crime? — Rouxinol pegou uma garrafa de vidro da mesa de cabeceira, estava cheia com um líquido azul claro — Água-dos-sonhos não é barata, e não é fácil consegui-la agora que as gangues foram erradicadas.

— Eu…

— Nós podemos evitar que você vá pra forca se cuspir toda a verdade agora, maldito! — Rene apertou as mãos dele — Caso contrário, eu vou fazer você compreender as consequências de enfurecer um nobre.

Rouxinol não parou a ameaça de Rene, mesmo sabendo que a o Conde da Família Alce estava mentindo. Como Sua Alteza dissera, a segurança era a principal prioridade, e qualquer um que representasse uma ameaça a ela deveria ser punido severamente.

Maans hesitou, então recebeu mais socos.

O cavaleiro, que havia recebido treinamento profissional de combate, acertou-o entre o abdômen e as costelas com a quantidade certa de força para infligir uma dor excruciante, mas não o suficiente para causar a morte.

— Misericórdia! Misericórdia! Perdão, meu senhor! Era um cara do centro da cidade, foi ele quem me disse para fazer isso! Ele vai me pagar quatro peças de ouro para cada pessoa que eu matar. Ele disse que fazendo isso, as pessoas iriam ter rancor da polícia e achar que esses caras de uniformes negros são incapazes de proteger o povo. Desta forma, a gente ia conseguir formar a patrulha de novo!

Maans entrou em estado de choque. Ele não era uma pessoa de mente forte. Uma pessoa que permanecesse firme em seu espírito nunca escolheria ser um patrulheiro e se beneficiaria de roubos e pilhagens, e certamente não tiraria quatro vidas por algumas peças de ouro. Rouxinol acreditava que ele provavelmente nunca esperou ser rastreado pelo Ministério da Justiça logo após cometer o crime, e definitivamente nunca pensou que ele seria encontrado em uma cidade de mais de 20.000 pessoas em apenas quatro dias.

Maans confessou tudo com lágrimas, espalhando sangue e ranho em toda a sua roupa.

— Eu não sei como ele me encontrou. Nosso primeiro encontro foi em uma taverna. Ele me entregou a garrafa com Água-dos-sonhos e me disse que, contanto que eu fizesse o que ele me pedisse, eu receberia uma grande quantia de dinheiro. Eu não tinha nenhuma poupança na época, e a polícia havia rejeitado minha inscrição. Eu estava me amargo e ressentido de tudo. Então, eu concordei.

— O departamento de polícia nunca vai contratar um babaca como você. — Rene disse cuspindo no chão.

— Você sabe quem é o cara? Sabe o nome dele? — Rouxinol questionou.

— Não sei.

— Você está mentindo.

— Eu realmente não sei!

Rouxinol olhou para Rene, que imediatamente pegou a dica e deu mais alguns socos.

— Vou te dizer uma coisa, miserável, essa senhora aqui é uma bruxa. Ela pode dizer se você está mentindo ou não. Você é realmente muito idiota em achar que pode mentir na cara dura! Não teste nossa paciência!

— Não, meu senhor, eu só estou… não tenho certeza. — Maans disse chorando e falando fino — Porque ele nunca me disse nada, nem seu nome nem de onde era!

— O que você quis dizer com não tenho certeza?

— Eu também fiquei meio de cara, já que ele não parece um nobre e estava pagando tanto assim. Quando nos conhecemos há alguns dias, eu poderia dizer que ele estava com pressa e seu traje parecia um pouco estranho também, porque ele estava com um casaco em cima de outro casaco! — Maans ofegou — Mas ele parecia usar um uniforme por dentro, e eu também vi um emblema em forma de uma pétala em seu colarinho.

— O emblema de uma pétala? — Rouxinol e Rene trocaram um olhar — Esse não é o emblema da Família Madressilva?

— É por isso que não tenho certeza. Todo mundo sabe que os Hulls apoiam o Lorde, e eles nunca conspirariam contra Lorde Wimbledon. — Maans disse, abaixando a cabeça.

— Não pode ser Petrov, deve ser outra pessoa. — Rene disse com firmeza — Como eles se encontram diariamente, por que não montar uma armadilha para pegar o cara?

Este parecia ser o único caminho viável. Eles prenderiam o homem quando Maans se encontrasse com ele e “pedisse sua compensação”. Até lá, tudo seria esclarecido. Rouxinol assentiu, mas ainda sentia que algo estava errado, uma peça estava faltando nesse quebra-cabeças.

Maans não mentiu, ele disse a verdade. Então, por que estou sentindo que há algo de errado? — Rouxinol pensou.

— Rouxinol, vocês estão bem? — Raio gritou do lado de fora.

— A reunião deve estar terminando, pruu! Nós temos que voltar agora, pruu!

Rouxinol pediu a Raio, Maggie e Vera que esperassem do lado de fora por causa de toda violência que poderia ocorrer durante a prisão. Um flash cruzou sua mente quando ela ouviu a palavra “reunião” de Maggie.

Roland está agora em uma reunião com os nobres, discutindo os detalhes do estabelecimento de uma nova Prefeitura! Isso significava que não há um único guarda com ele para protegê-lo, e o mais próximo estaria do lado de fora do salão. — Rouxinol pensou — Se essa pessoa for realmente um membro da Família Madressilva, ele poderia ir direto para o castelo e entrar no salão no primeiro andar sem levantar qualquer suspeita, embora fosse proibido de acessar o segundo e terceiro andares, que eram exclusivos de Roland.

No entanto, ela estava longe do Príncipe Roland neste exato momento!

— Raio! — Rouxinol não teve tempo de explicar para Rene e Maans, ela saiu correndo da sala e agarrou os ombros de Raio, gritando — Leve-me de volta para o castelo agora! Sua Alteza pode estar em perigo!

— Hã? Okay! Aguente firme. — Raio ficou muito surpresa, mas ela levantou voo com Rouxinol nas costas ao mesmo tempo. Ela não fez nenhuma pergunta desnecessária e voou direto para o castelo. Raio sabia que ao carregar alguém, ela voava baixo, mas ainda manteve uma velocidade de cerca de 100 quilômetros por hora. Levaria apenas meio minuto para chegar ao castelo.

Rouxinol esperava que estivesse errada, mas sentiu seu terror crescer enquanto perscrutava mais detalhadamente os detalhes. Os assassinatos começaram há três dias, exatamente quando a carta de ajuda de Petrov chegou em Vila Fronteiriça. Se o propósito real desse homem era distrair todo mundo com vários casos de assassinato e colocar Roland em uma posição indefesa e vulnerável, seria o pior cenário possível.

Quando elas estavam perto do castelo, Rouxinol adentrou em sua névoa e entrou no salão ainda no ar. Seu coração quase saiu pela boca quando viu a sala de reunião em um caos. Os nobres pareciam estar petrificados e todos estavam de pé junto à parede murmurando. Os guardas estavam bloqueando a cena. O assento do anfitrião, no final da longa mesa, onde deveria estar o Príncipe Roland, estava desocupado. Um homem estava deitado no chão. Rouxinol não sabia dizer se estava vivo ou não, mas podia ver que seu corpo estava coberto pela cortina preta criada pela Pedra da Retaliação Divina.

JZanin
Professor de Química, mestre em Ensino de Ciências, jogador de RPG sem tempo e Deodoro Aliguieri nos tempos vagos que não existem mais. ~Strong alone, stronger together!~

4 Comentários

  1. …ela voava baixo, mas ainda manteve uma velocidade de cerca de 100 quilômetro por hora. Levaria apenas meio minuto para chegar ao castelo.
    60x=(100*0,05)/60=0,083 ou seja a distancia que estava era de 83 metros?

    1. Na vdd, o resultado é 833 metros, o que é uma distância razoável se elas voarem em linha reta em direção ao castelo na área cancioneira. E mesmo assim, isso é só estimativa… Ela poderia ter voado 120 k/m em média num tempo de 40 segundos, ou mais, fazendo uma viagem de mais de um quilômetro.

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