LAB – Capítulo 535

A arma de quem protege os seus

Já era crepúsculo quando Roland retornou ao castelo com os detalhes do duelo resolvidos.

— Você realmente acha que Maggie vai ganhar? — Rouxinol apareceu atrás de Roland no momento em que entrou no escritório.

— Você está realmente preocupada com isso? Você sabe que ela está aprendendo a atirar o tempo todo com Raio, e Raio é a sua aprendiz! — Roland a consolou — Ela é tão corajosa, mas tão corajosa que se atreveu a lutar com um demônio em sua personificação de besta demoníaca no momento crítico da exploração da Comunidade de Demônios da última vez. A única coisa com o que eu me preocupo é se ela será capaz de atirar em outra bruxa.

Maggie ficou mais assustada do que propriamente machucada, e Iffy não fez algo para condená-la à morte. No entanto, essa atitude desdenhosa em relação às bruxas não combatentes era uma bomba-relógio. Até que aprendesse essa lição de forma incisiva e se arrependesse completamente de seus erros, Roland não se atreveria a enviá-la para capturar os demônios.

A lição mais profunda seria a própria Maggie derrotando Iffy.

Sem dúvida, as armas de fogo aumentam significativamente a habilidade de bruxas auxiliares para se proteger e revidar. Para evitar uma morte acidental, Roland deliberadamente pediu a Soraya para produzir um carregador com munições de borracha. O projétil de metal foi substituído por um revestimento de camadas múltiplas. Isso suavizou a munição do interior para o exterior e impediria que entrasse no corpo humano, mas sem enfraquecer sua força total. Sua enorme energia cinética seria totalmente imposta ao corpo humano à medida que o projétil fosse gradualmente deformado, causando uma dor severa o suficiente para fazer com que o alvo perdesse qualquer habilidade de se defender. Foi por isso que esse tipo de munição era conhecido como a “bala quebra-defesa”.

— Eu irei vê-la. — Com um claro descontentamento em sua fala, Rouxinol desapareceu na névoa.

Roland suspirou gentilmente quando lembrou que ouviu o estalo de um revólver sendo destravado naquele momento. Ele teria chamado Nana se Iffy não afrouxasse Maggie como ele esperava.

Era óbvio que Maggie temia as bruxas da Associação Presa de Sangue, o que provava que elas estavam acostumadas a fazer essas coisas em Ilha Adormecida. Ao considerar Kara da Associação Cooperativa das Bruxas e depois os sentimentos de inferioridade que Evelyn e Lumen tinham quando chegaram inicialmente, ou até mesmo a Aliança das Bruxas há mais de 400 anos, não havia dúvida de que a ideia de que as bruxas combatentes eram mais nobres do que as outras era algo comum. Em outras palavras, as bruxas combatentes, mais capazes, certamente teriam mais poder quando oprimidas por inimigos de outros lugares.

No entanto, a força da pólvora e das armas de fogo é forte o suficiente para diminuir essa distância. — Roland refletiu. Tilly poderia acreditar e confiar nele ainda mais se ele pudesse mudar a forma de pensa de Iffy e Pluma.

— Você deve se lembrar que não há nada com o que se preocupar e você deve mirar e atirar diretamente nela até esvaziar o cartucho. Você precisa fazer com que ela chore as pitangas e se ajoelhe implorando por misericórdia. Você entendeu? — Raio gritou em voz alta — Mesmo se você estivesse usando munições normais, Nana ainda está aqui, pronta para qualquer acidente. Além disso, ainda tem o revestimento feito por Soraya. Você só vai conseguir ser livre se atirar nela!

— Uhum… — Maggie estava encostada na cama com o cabelo protegendo suas bochechas — Eu entendi.

— Não! — Raio pôs os longos cabelos brancos de Maggie para o lado e continuou — Você não quer atirar nela, não é? Escute bem, se você mostrar alguma piedade, eu nunca mais vou te levar para explorar. Um covarde nunca pode ser um explorador!

— Eu não sou… — Maggie ainda parecia estar relutante.

— Ela NÃO é uma covarde! — Outra voz veio detrás delas — Um covarde não se atreveria a lutar com um demônio. Além do mais, você salvou a minha vida. — Aparecendo da névoa, Rouxinol caminhou até a beira da cama e deu um peteleco forte na testa de Raio — Quem te ensinou a falar assim?!

Raio segurou a testa e depois fez uma careta.

— Só estou preocupada que Maggie fique com dó dela.

Depois suspirar profundamente, Rouxinol segurou as mãos de Maggie.

— Escute Maggie, isso não é só sobre você e ela. Sua Majestade sugeriu esse duelo com o propósito de fazer com que as bruxas da Associação Presa de Sangue mudem suas atitudes em relação às outras bruxas e se arrependam de seus erros. Você se lembra de Evelyn e Lumen? Há muitas bruxas que tiveram experiências parecidas com as delas lá em Ilha Adormecida. Se você puder ensinar uma lição a Iffy, você estará fazendo um favor a todas elas. — Depois de uma pausa, Rouxinol continuou — Então, você não está apenas lutando por si mesma. Você também está lutando para nos proteger, assim como você fez quando lutou contra o demônio da última vez.

— Humm… — Maggie assentiu gentilmente, piscando os olhos.

— E mais uma coisa. Sua Majestade Roland também prometeu que, se você ganhar, ele vai fazer um monte de churrasco com pimenta e sorvete durante uma semana só pra você, e você vai poder comer o quanto quiser!

— Pruu! — Os olhos de Maggie de repente se iluminaram.

No dia seguinte, além dos guardas responsáveis pela limpeza do local, havia mais de dez bruxas em pé no gramado do lado de fora da muralha da cidade. Elas estavam centradas em torno de Roland, alegremente desejando o melhor para Maggie.

— Eu não vou torcer por você. — Pluma murmurou — E mesmo se fizesse, você não daria bola mesmo!

— Você não precisa fazer isso. — Iffy zombou enquanto caminhava lentamente para o campo central dividido, e olhou inexpressiva para Maggie, que já estava à sua frente.

Maggie estava praticamente coberta pelos seus longos cabelos brancos.

Se uma vitória fosse decidida pela quantidade de pessoas que torcem por você, a Igreja já teria unificado todo o continente. — Iffy pensou e disse:

— Não é tarde demais para você desistir. Eu acredito que você não quer desapontar Sua Majestade.

— Eu nunca vou desistir, pruu!

Iffy ficou ligeiramente atordoada. Desde quando esta ave ousava falar tão cheia de si diante dela?

— É sério isso? Então prepare-se para cair do céu em uma gaiola como uma cadela!

— Você não pode me prender. — Maggie levantou a cabeça e respondeu — A única que pode me pegar no céu é Raio!

No momento em que o apito tocou, Iffy correu direto em direção à Maggie. Ela tinha certeza de que Maggie não poderia derrotar uma pessoa com treinamento de combate como ela, mesmo se Maggie fosse uma Extraordinária e estivesse com a ajuda do poder de uma Pedra da Retaliação Divina. Sua Majestade Roland julgara erroneamente a capacidade de combate das bruxas combatentes.

Nós não confiamos somente em nosso poder mágico para lutar, não, nossos corpos também são uma arma mortal! — Iffy pensou.

Em virtude da extraordinária aptidão física e capacidade de restauração, as bruxas sempre poderiam exercer um treinamento mais duro. Iffy estava confiante de que poderia fazer seu oponente jogar a toalha em dez movimentos, mesmo que fosse um cavaleiro armado até os dentes.

Com suas asas se espalhando rapidamente, Maggie se transformou em um pássaro azul e voou para o céu rapidamente.

— Então é esse o truque do qual você está tão confiante? — Iffy estendeu os braços na direção em que Maggie escapou, mas seu poder mágico não a alcançou — Isso aqui é um duelo. Você acha que tem algum lugar para fugir?

Voando mais e mais alto, o passarinho logo desapareceu. Apenas uma série de chilreados foram ouvidos.

Franzindo a testa, Iffy olhou para o céu e, de repente, uma sombra ligeiramente discernível na direção do sol nascente apareceu em sua visão.

Ela vai me desferir um ataque inesperado escondida sob a luz do sol? — Iffy não pode deixar de zombar. Isso poderia ter sido uma boa ideia, mas mesmo com os olhos cobertos, ela ainda era capaz de sentir qualquer objeto a dez passos usando seu poder mágico. Essa era uma habilidade derivada que Iffy despertou quando se tornou uma adulta.

Além disso, que mal poderia fazer a ela um passarinho do tamanho de um punho? Para vencer, seu oponente inevitavelmente teria que se transformar naquele monstro feroz novamente!

Enquanto esperava Maggie retornar, a terra de repente escureceu enquanto uma nuvem protegia a luz do sol. Então Iffy viu um pássaro caindo do céu.

Parece que a sorte não sorriu para essa maldita, afinal! — Iffy estendeu as mãos sem hesitação. A vitória logo seria dela!

Mas não havia nada… Iffy só sentiu o seu próprio poder mágico. Ela não sentiu nenhum sinal de Maggie, que ela estava esperando que apareceria rapidamente em seu alcance.

Maggie havia parado abruptamente de se mover a 20 passos de distância de Iffy!

Para a surpresa de Iffy, Maggie estava em sua forma humana no ar e sacou um pequeno cano prateado do bolso.

Ela enlouqueceu? — Iffy pensou.

Apesar de não ter asas, Maggie não caiu diretamente no chão. Seus longos cabelos brancos estavam erguidos e abertos em forma de asa, permitindo que ela descesse devagar. Enquanto isso, o cano cuspiu uma bola de fogo com um estrondo alto!

Iffy sentiu claramente que algo havia invadido a área de alcance de seu poder mágico, mas não poderia ter sido Maggie, tampouco um virote, uma flecha ou uma pedra. Ela só percebeu o que ocorreu quando fez sua gaiola mágica desaparecer, olhou para baixo e viu que sua barriga foi severamente atingida por algo como um martelo, e depois foram suas coxas e panturrilhas. O som alto soou continuamente junto com o respingo da lama no chão. Iffy não conseguiu emitir nenhum som devido à dor intensa e seus pés, aparentemente quebrados, já estavam incapazes de sustentar seu corpo.

Iffy caiu no chão e abraçou sua barriga, toda encolhida no chão. Sua consciência já estava ficando enevoada.

Vagamente, ela viu uma silhueta branca descendo do céu na frente dela. Com um último esforço, ela até tentou abrir as mãos, mas a magia não respondia mais ao seu chamado.

— Você perdeu, pruu.

Estas foram as últimas palavras que Iffy ouviu antes de desmaiar.

JZanin
Professor de Química, mestre em Ensino de Ciências, jogador de RPG sem tempo e Deodoro Aliguieri nos tempos vagos que não existem mais. ~Strong alone, stronger together!~

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