LAB – Capítulo 602

Estrela do Mau Presságio

Com as mãos tremendo, o Astrólogo Estrela da Dispersão sabia que este não era o melhor momento para tornar pública esta notícia.

“Quando a estrela escarlate, ou a Lua Sangrenta, incidir, o mundo enfrentará um desastre além da redenção.”

Ele entendia o significado desta profecia.

Respirando fundo, o astrólogo chefe levantou a cabeça cuidadosamente, temendo esbarrar no equipamento e perder a localização dessa estrela.

Embora ele pudesse achar a posição da estrela novamente com seus olhos fechados.

— Anote aí. Leste, Área 3. Início de Verão. Entre o Hexagrama e a Estrela Ardente.

— Certo. — Yun respondeu, pegando seu caderninho de anotações, e então desenhou um círculo na posição correspondente. Isso significava que outra estrela havia sido incluída no mapa estelar. — Qual é o nome da estrela? — Ele perguntou.

— Sem nome por enquanto.

— Mestre? — Yun ficou um pouco surpreso e disse.

— Apenas faça como eu disse. Não quero nomeá-la agora. Além disso, quero que você chame todos os astrólogos do observatório aqui e peça para os aprendizes irem embora… AGORA! — Estrela da Dispersão ordenou.

— Farei imediatamente. — Assustado com o grito de Estrela da Dispersão, Yun saiu correndo para chamar os outros astrólogos.

Que as divindades do céu nos abençoem! — Estrela da Dispersão pensou.

Rapidamente, todos os astrólogos se reuniram ao redor do astrólogo chefe.

Eles pareciam ter percebido algo pela expressão séria no rosto de Estrela da Dispersão. O rumor sobre a Estrela da Extinção não era mais um segredo entre os astrólogos desde o dia em que Roland visitou a Associação de Astrologia. O jovem rei sugeriu que o astrólogo chefe mostrasse a placa de ouro patrimonial[1] para os outros astrólogos, pois isso lhes faria sentir a responsabilidade e a honra que era trabalhar na astrologia, encorajando-os a dar tudo de si na observação de estrelas. Naquela época, Estrela da Dispersão meio que sentiu que Sua Majestade estava fazendo pouco caso do juízo final.

— Chefe Astrólogo… Você…

— Eu encontrei a estrela escarlate. — Estrela da Dispersão assentiu com a cabeça e disse.

Todos os astrólogos ficaram abismados com essas palavras.

— Mas não tenho certeza se é de fato um ponto de luz ou somente uma ilusão minha… Tal fenômeno é comum na observação de estrelas, então… — Estrela da Dispersão balançou as mãos e disse.

— Então você quer que nós confirmemos? — Estrela do Vazio disse.

— Exato. — Estrela da Dispersão assentiu com a cabeça e disse. — E vamos começar por você.

Uma hora depois, oito astrólogos concluíram suas respectivas observações. Para testar se o problema estava no equipamento, os telescópios foram trocados duas vezes, e eles até mesmo usaram o antigo astrólabo[2].

Todos os astrólogos notaram uma luz fraca e avermelhada em qualquer telescópio que usavam, menos no astrólabo.

Talvez uma visão embaçada ou uma ilusão poderiam fazer com que uma pessoa enxergasse errado, mas era impossível acontecer isso com oito astrólogos de vez.

A Astróloga Estrela Rosada, que tinha a melhor visão da Associação de Astrologia, afirmou que ela havia conseguido enxergar a forma de uma estrela por trás daquele brilho avermelhado.

Não havia mais dúvida sobre a existência da “estrela escarlate”.

Subsequentemente, um momento raro de silêncio dominou a Estação Astrológica.

Esta era uma benção ou uma punição das divindades? Era um questionamento que ficava. O que Estrela da Dispersão tinha certeza era que todos os esforços dos astrólogos, desde o dia em que se juntaram à Associação de Astrologia, tinham como único objetivo encontrar a Estrela da Extinção, que anunciava o infortúnio e o desastre. No entanto, agora que a encontraram, tudo o que eles sentiam era medo.

O trabalho duro deles valeu a pena. Saber do desastre de antemão poderia salvar dezenas de milhares de vidas. Este seria o momento em que a Associação de Astrologia superaria totalmente a Oficina de Alquimia. A importância de tal evento não poderia ser estimada por moedas de ouro. O alerta deles, contudo, seria o equivalente à maldição mais cruel até certo ponto.

A previsão do dia do juízo final seria uma imensa responsabilidade para esses astrólogos.

— O que devemos fazer agora? — Alguém perguntou.

— Sob circunstâncias normais, deveríamos informar ao rei.

— Você quer dizer o Príncipe Roland Wimbledon? Ele acreditará em nós?

— A estrela não desaparecerá mesmo que ele não acredite em nós.

— Não! Eu digo, será que ele acreditará na profecia da Estrela da Extinção?

— De qualquer forma, devemos tentar. Foi ele, afinal, que entregou esses equipamentos para a Estação Astrológica. Seria impossível ele torcer o nariz para as nossas palavras.

— Quem sabe? Ele era conhecido por ser muito teimoso na Cidade Real de Castelo Cinza.

— Ele teria fechado a Associação de Astrologia se fosse tão teimoso como os boatos dizem.

— Parem! Apenas mantenham sigilo sobre a notícia da estrela escarlate, precisamos de mais alguns dias para observar. — Estrela da Dispersão levantou suas mãos e interrompeu a discussão.

Após olhar para cada um dos astrólogos, Estrela da Dispersão disse:

— A informação que temos ainda é muito pouca. Precisamos saber sobre a órbita operacional da estrela escarlate, assim como a velocidade e a data aproximada da chegada dela. Quanto mais informações obtivermos, mais convincente pareceremos. Entenderam?

— Como desejar, Chefe Astrólogo. — Todos os astrólogos se curvaram e disseram.

Estrela da Dispersão sentiu que a estrela escarlate havia ficado ainda mais misteriosa após uma semana de observação.

Ela não estava se movendo.

Todas as estrelas se moviam inevitavelmente. Com o passar cíclico dos anos, elas mudariam gradualmente de posição. Às vezes, as estrelas que poderiam ser vistas na linha do horizonte, com o tempo, subiriam ao alto do céu; outras vezes, elas desapareceriam de vista após a meia-noite. Tais movimentos eram normais. Caso contrário, a afirmação sobre as órbitas não teria lógica.

Contudo, nenhum sinal de movimento da Estrela da Extinção foi captado nesta primeira semana.

O Hexagrama se curvou levemente nestes sete dias. Com a chegada do outono, as seis linhas transversais se tornariam seis linhas verticais, e a estrela escarlate se afastaria do centro entre o Hexagrama e a Estrela Ardente.

Porém, Estrela da Dispersão percebeu que a estrela escarlate não estava se movendo, como se ela estivesse fixada no céu.

Já que ela não se movia, era impossível que a estrela escarlate se aproximasse dos Quatro Reinos.

Como revelava a profecia, a Estrela da Extinção incidiria sobre o mundo. Em outras palavras, o desastre só aconteceria quando todas as pessoas pudessem ver a estrela a olho nu. Por acaso isso queria dizer que o dia do juízo final nunca aconteceria?

Além disso, o brilho da estrela escarlate estava mudando.

Essa afirmação foi feita pela Astróloga Estrela Rosada, cujo caderninho de anotações havia revelado que o brilho da estrela escarlate estava aumentando gradualmente.

Quando a Astróloga Estrela Rosada notou esse fenômeno pela primeira vez, Estrela da Dispersão não havia levado isso a sério, dado a estabilidade das estrelas. Uma estrela não mudaria sua forma ou brilho, como era o caso da lua. No sétimo dia, contudo, o Astrólogo Estrela do Céu Brilhante, que havia acabado de se recuperar de uma enfermidade, notou o mesmo fenômeno na estrela escarlate. Já que a Astróloga Estrela Rosada e o Astrólogo Estrela do Céu Brilhante eram as duas pessoas que tinham as melhores visões entre os astrólogos da Associação de Astrologia, seus pontos de vista haviam finalmente chamado a atenção de Estrela da Dispersão.

Após uma discussão acalorada à noite, o palpite da Astróloga Estrela Rosada fez com que todos os outros astrólogos estremecessem de medo.

— De acordo com a profecia, o que marca a chegada da Estrela da Extinção é o fato de que todos poderão vê-la a olho nu. Isso me leva ao seguinte questionamento: ainda que ela permaneça imóvel, poderá a luz dela chegar até nós? Será que esse brilho crescente dela um dia ultrapassará a de Fósforo e iluminará o céu?

As palavras dela se impregnaram na mente de Estrela da Dispersão.

Havia algumas estrelas no céu cujo brilho poderia igualar-se ao de uma lua crescente, podendo ser vista claramente numa noite de céu limpo.

Mas e se a cor da estrela fosse bastante incomum? Uma cor avermelhada?

A resposta era clara.

— Eu vou escrever uma carta para Sua Majestade Roland agora, espero que não seja tarde demais. — O chefe astrólogo disse com gotas de suor caindo de seu rosto.

[1] – Sabe aquela placa patrimonial de seu colégio? É basicamente aquilo dali. Normalmente é uma placa que homenageia uma instituição ou pessoa.

[2] – São os antigos telescópios que eles usavam.

Kabum
Engenheiro Mecânico. Soteropolitano.

6 Comentários

  1. ué se o brilho está aumentando e ela não se move é por que ela ta vindo exatamente em direção a terra, isso é obvio são umas antas mesmo!
    um exemplo é um carro vindo em sua direção em linha reta, quanto mais proximo mais forte será o brilho dos farois!

    1. Pensei a msm coisa mas quando estrelas se aproximam o brilho tende à ficar mais azulado, e quando se afastam tende ao vermelho, não sei se eles sabem disso e foi por isso que eles não presumiram q ela está se aproximando, ou foi por eles serem burros msm pq, o “fenômeno” de uma fonte de luz ficar mais intensa quanto mais se aproxima é extremamente óbvio

  2. pode ser que esse planeta que o Roland esta seja a terra num futuro bem bem distante, e que o que tem na linha mar seja uma batleship escondida.

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