LAB – Capítulo 611

Protegido

Danny constantemente mirava e atirava até que o clip estivesse vazio. Outros dois escudos grandes caíram. Danny não desperdiçaria suas balas nos guerreiros do Exército de Julgamento. Com aquelas armaduras finas, eles pareciam gloriosos, mas não conseguiriam suportar um único tiro de pederneira. O Lorde Machado de Ferro disse uma vez que o Exército da Punição Divina era um inimigo assustador, pois qualquer um de seus guerreiros poderia lutar contra dez, mas ao mesmo tempo, eles eram escassos e difíceis de treinar, por isso valia a pena caçá-los.

O motivo pelo qual ele não gostava dos atiradores de metralhadora era porque esses caras eram muito arrogantes e desperdiçavam muita bala.

Durante os únicos dois exercícios de treinamento, um pelotão de metralhadora atirou centenas de vezes em uma única hora, o que fez até mesmo Machado de Ferro ter uma dor no coração. Mas ao checar os buracos de bala, somente cerca de cem balas acertaram o alvo. Danny achava que isso era um total desperdício de balas.

Claro, ele também entendia a importância da metralhadora Mark I. Se houvesse um enxame de inimigos, ela seria a mais apropriada. Mas em termos de eficiência, os atiradores especiais eram muito mais notáveis.

Uma bala para um inimigo.

Isso fazia parte do seu treinamento rigoroso.

Danny puxou o clip e recarregou o rifle habilmente. Assim que estava prestes a se levantar e voltar a atirar, ele ouviu alguém ofegando atrás dele. Olhando para trás, ele viu Malt.

— Droga! Eu não te disse pra ficar lá? — Ele gritou com Malt. — Você violou uma ordem militar!

— O Lorde Brian disse que um soldado nunca deve abandonar o posto, exceto em casos especiais, então o senhor também violou uma ordem militar. — Ao dizer isso, Malt limpou o suor da testa. — Como seu protetor, devo ficar ao seu lado!

— … — Segurando o impulso de espancar o moleque, Danny pegou algumas balas de seu bolso e as jogou na frente de Malt. — Encha o clip e fique abaixado aí!

— Sim, capitão! — O rapaz prestou continência e disse com um sorriso.

Depois que Danny matou cinco inimigos, houve algumas mudanças na tropa da Igreja.

O comandante da Igreja provavelmente chegou à conclusão de que não conseguiriam chegar às trincheiras se continuassem avançando desse jeito, então ele mudou a tática. O Exército da Punição Divina abandonou seus grandes escudos e avançaram em direção às trincheiras. Eles se moviam tão rápido que até mesmo cavalos seriam ultrapassados por eles. Eles se aproximavam mais e mais.

Os disparos dos rifles de repetição e das metralhadoras soaram ao mesmo tempo.

De repente, foi como se uma névoa de sangue aparecesse na frente de Danny. A poeira que se levantou do chão foi ainda mais densa que a da vez que os canhões bombardearam. Parecia que havia uma mão invisível que derrubava todos os inimigos que se aproximavam. Ao deparar-se com tamanha força, a velocidade de avanço do inimigo diminuiu grandemente. Qualquer um tocado por essa força invisível era esmigalhado em pedaços, com sangue espirrando para todo lado.

Um Guerreiro da Punição Divina continuou correndo mesmo depois que um de seus braços foi penetrado por uma bala. Quando Danny mirou com seu rifle na direção dele, uma saraivada de tiros de metralhadora atravessou o corpo do inimigo. Sangue azul jorrou dos inúmeros buracos no peito do Guerreiro da Punição Divina, e suas costelas foram totalmente dilaceradas.

Mas mesmo com tudo isso, ele ainda conseguiu dar três ou quatro passos à frente antes de cair no chão devido à inércia.

— Cuidado, Capitão! — Malt gritou de repente.

Danny ficou chocado. Ao virar a cabeça, ele viu outro Guerreiro da Punição Divina sair da nuvem de poeira enquanto segurava uma lança na posição de ataque.

Então o guerreiro atirou a lança na direção de Danny com toda força.

Fui muito descuidado. Eu me foquei tanto em eliminar os inimigos que acabei atraindo a atenção deles. Um caçador não deve se expor por tanto tempo na frente da presa. — Danny pensou.

Antes que ele pudesse reagir, Malt o empurrou. Ambos caíram no chão da trincheira. Ao mesmo tempo, um barulho alto soou acima de suas cabeças.

Danny sentiu uma dor vindo da parte de trás de sua cabeça, e seu corpo foi completamente coberto por terra.

Danny sentiu que o som dos disparos de repente começou a ficar mais fraco, ao mesmo tempo em que um zumbido insuportável ecoava em seus ouvidos.

Após um longo tempo, Danny recuperou seus sentidos. Ao tocar a parte de trás de sua cabeça, ele sentiu algo molhado e pegajoso. — Eu devo ter batido a cabeça em algo duro quando caí no chão. E já que eu consigo me manter consciente, não deve ser nada sério.

Com sua visão turva, ele viu um colega de equipe se aproximar dele.

— Você está bem?

Danny ouviu vagamente o que o homem disse. Ele conseguiu acenar com a mão, sinalizando que estava bem.

— Me ajude aqui. Temos duas pessoas feridas. — O colega de equipe disse.

Rapidamente, Danny e Malt foram cercados por mais colegas de equipe e retirados de baixo do amontoado de terra.

Naquele momento, Danny notou que a lança de antes havia destruído a quina da trincheira, criando um buraco grande no formato de uma tigela. A lança não havia passado por cima de sua cabeça, mas sim atravessado a quina e penetrado na parede de trás da trincheira. O monte de terra que havia caído por cima deles tinha vindo da quina que fora destruída pela lança.

Quando ele olhou para Malt, seu coração de repente apertou.

Ele viu que havia um grande ferimento no braço de Malt. O braço dele estava quase separado do corpo, com apenas alguns pedaços de pele ligando ao ombro.

A lança não foi atirada em vão. Ela atingiu Malt.

Os colegas de equipe voltaram para a batalha, deixando um soldado para tomar conta de Malt. Todos os soldados do Primeiro Exército sabiam que contanto que um soldado ferido pudesse sobreviver até o final da batalha, a Senhorita Nana poderia curá-los completamente. Portanto, estancamento de sangue e uso de curativos eram cursos obrigatórios no Primeiro Exército. O soldado pegou sua adaga e cortou fora o braço de Malt, depois ele passou uma erva no ferimento e fez um curativo.

Após sofrer esse tratamento, Malt acordou de seu estado de inconsciência, gemendo um pouco.

— Permaneça deitado. Você não vai morrer. — O Soldado o confortou.

— Onde tá o Ca-Capitão Danny?

— Estou aqui. — Danny cerrou os dentes e se arrastou para chegar ao lado de Malt. — Por que você fez aquilo por mim?

— Porque eu sou seu protetor. É Cla-Claro que eu te protegeria. — A boca de Malt abriu lentamente e fechou. — E aí? Como fui? Cumpri meu dever, não foi?

Danny de repente sentiu uma culpa indescritível invadir seu coração.

— Claro… Você agiu muito bem.

— Sério? — Malt sorriu com dificuldade. — E ainda de brinde, eu po-poderei me encontrar com a Senhorita Nana.

— Isso mesmo. Vocês dois poderão se encontrar com ela. — O soldado olhou para Danny. — Você pode tomar conta dele, não é? Eu preciso retornar ao meu posto.

— Sim, eu posso… Obrigado. — Danny disse com um aceno de cabeça.

Depois que o soldado foi embora, Danny lentamente pegou seu rifle do chão e se levantou com dificuldade.

— Eu ainda posso lutar.

O inimigo pagará com sangue por tudo isso. — Danny pensou.

Contudo, o exército da Igreja que se aproximava havia desaparecido. Em meio a uma densa nuvem de poeira, os inimigos recuavam em pânico, e somente suas costas poderiam ser vagamente vistas.

Os soldados do Primeiro Exército explodiram em comemoração.

Eles haviam ganhado.

Kabum
Engenheiro Mecânico. Soteropolitano.

4 Comentários

  1. Se com 300 mutantes eles conseguiram chegar perto o suficiente pra acertar um alvo, imagina quando a batalha real começar. Facil nao será, fácil não será…

  2. Danny não ficou no seu posto, decidiu avançar por conta própria, colocando seu parceiro em risco

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