LAB – Capítulo 613

Interrogatório

— Suspensão sem direito a salário e uma detenção de quinze dias se nenhum dano foi causado; demissão e trazê-lo para o seu julgamento, se danos foram causados, Vossa Majestade. — Machado de Ferro respondeu imediatamente.

— Correto. Você memorizou bem. As normas têm que ser obedecidas. — Já que ainda não havia um tribunal militar no momento, sobrava para Roland ter que julgar os casos sérios de má conduta do exército. A infração de Danny aparentemente não era tão séria a ponto de precisar de um julgamento seu. — Por estarmos diante de uma grande guerra, faremos ele cumprir cinco dias de detenção aqui, e o resto ele cumprirá na Cidade de Primavera Eterna.

— Sim, Vossa Majestade.

— Não se preocupe com a reação dos soldados. Isso servirá como um bom exemplo e dirá a todos que eles estarão sujeitos à punição se quebrarem as regras, independentemente do quão grande seja a contribuição deles para o exército. — Roland parou por um momento e então continuou. — Claro, não nos esqueceremos do que Danny fez pelo exército. Se alguém algum dia perguntar, diga-o que eu tenho meus próprios planos.

Na verdade, Roland sabia que ele também foi em parte responsável por tamanho desvio de conduta. Embora ele tivesse criado uma unidade especial de tiro composta por cinquenta pessoas, ele não havia separado os snipers experientes e talentosos dos outros soldados do Batalhão de Fuzileiros. Ele simplesmente ordenou que todos servissem como flancos e atirassem de longe com seus rifles de repetição, tendo como propósito deter os inimigos que tentassem entrar sorrateiramente nos bunkers de metralhadora.

Danny, contudo, agiu como um sniper profissional. Ele escolheu sua posição e atirou baseado na lógica de eliminar os inimigos que representavam maiores perigos. Roland havia pensado em formar especificamente um time de snipers, e tal time teria requisitos rigorosos para armas, munição e principalmente para seus membros integrantes. Ele tinha que, ao mesmo tempo, ficar de olho nos snipers para garantir que cada um deles fosse proativo e produtivo.

Talvez, ele teria que fazer alguns ajustes nesta unidade especial de tiro depois que a guerra contra a Igreja terminasse.

— A propósito, Vossa Majestade, os comandantes capturados da Igreja revelaram uma… informação particular. — Machado de Ferro escolheu cuidadosamente suas palavras. — A informação é sobre o Exército da Punição Divina.

— O que é?

— Eles disseram que os membros do Exército da Punição Divina não conseguem lutar por conta própria. Eles podem apenas realizar missões simples ordenadas pelo Condutor.

Roland se virou.

— Sério? Algo mais? — Cinzas já havia contado isso a ele, e foi por esse motivo que ele havia ousado levar seu exército para o norte e provocar a Igreja. Se os Guerreiros da Punição Divina pudessem lutar de forma independente, somente alguns deles seriam mais que o suficiente para causar distúrbios por todo o reino e trazê-lo muitos problemas.

— O Condutor pode ser uma pessoa normal ou uma bruxa pura, e não pode ser substituído. — Machado de Ferro relembrou. — Cada novo membro do Exército da Punição Divina participará de uma cerimônia para jurar lealdade. Um dos cativos admitiu que ele já participou de uma dessas cerimônias antes.

Roland imediatamente falou:

— Me leve para onde eles estão. E também traga Agatha.

Roland se encontrou com os quatro cativos, que estavam separadamente confinados na masmorra do castelo.

A Vila do Vale Profundo era no geral agradavelmente fresco acima do nível do solo. Sua parte subterrânea, contudo, era muito fria e úmida. Todos os quatro estavam vendados e com as mãos amarradas atrás das costas. Embora nenhum ferimento pudesse ser visto em seus corpos, eles estavam todos tremendo. Aparentemente, Machado de Ferro havia usado algum tipo de interrogatório único neles, que poucas pessoas poderiam suportar por um dia.

Ainda assim, os fiéis da Igreja não eram prisioneiros comuns. A fé ardente deles os havia tornado extremamente fortes.

— Somente os dois da direita estão dispostos a falar. — Machado de Ferro disse com um tom baixo. — Um deles é um Chefe de Justiça da Igreja, e o outro é um padre da Cidade Sagrada. Os outros dois se recusam a dizer qualquer coisa. Claro, eles não sabem que os amigos deles já confessaram.

Não sabendo como funcionava a instituição e hierarquia da Igreja, Roland perguntou:

— Quem participou da cerimônia onde os Guerreiros da Punição Divina juraram lealdade? Leve-o para a sala de interrogatório.

O carcereiro rapidamente arrastou o padre para uma pequena sala logo à frente. Machado de Ferro derramou um balde de água gelada na cabeça do homem, acordando-o.

— Farat, eu quero que você responda a algumas perguntas.

Ele começou a falar fracamente enquanto tremia:

— Eu já disse… tudo o que eu sei. Por favor, me mate agora. — A voz do padre estava fraca e sem vida, como se ele estivesse em grande agonia.

— Fale sobre a cerimônia dos Guerreiros da Punição Divina.

Farat não respondeu.

— Escute. Essa é a última parte do interrogatório. — Machado de Ferro se agachou e sussurrou no ouvido de Farat. — Eu vou “te libertar dessa dor” assim que você responder a todas as perguntas.

Levou um bom tempo para que o padre falasse.

— A cerimônia… normalmente acontece na Torre de Babel, e quem participa são os Guerreiros da Punição Divina, o papa e os Condutores escolhidos. Todos… devem ficar em completo silêncio durante o processo. Até mesmo o menor ruído arruinará toda a cerimônia.

— Por que isso? — Roland questionou.

— Porque novos guerreiros reconhecerão os Condutores deles pelo som.

— O primeiro som que eles ouvem?

— Pode ser mais de um. — Farat ofegou. — Os Condutores escolhidos lerão um cântico juntos. Os Guerreiros da Punição Divina aceitarão todas as vozes durante esse período.

— E quanto a você? Você também é um Condutor?

— Eu sou responsável… por um grupo, um grupo de dez Guerreiros da Punição Divina.

— Mas esses dez também seguirão as ordens emitidas pelo seu superior, correto?

O padre assentiu com a cabeça.

— Todos os Guerreiros da Punição Divina deverão obedecer às ordens do Sumo Pontífice.

Então é assim que funciona. — Roland pensou. Antes ele pensava que eles controlavam esse exército inconsciente por telepatia ou via ondas cerebrais, mas na verdade eles controlavam por sons. Para ele, esse método era desnecessariamente complexo e menos eficiente. Não apenas as ondas sonoras perdiam força facilmente no ar, como também havia uma grande chance de emitir ordens contraditórias ou equivocadas. Qualquer um dos problemas causaria confusão no Exército da Punição Divina.

— Você disse antes que os Condutores não podem ser substituídos. E se os Guerreiros da Punição Divina perderem todos os Condutores? O que acontece? — Agatha de repente venturou-se.

Ao ouvir que era a voz de uma dama, Farat ficou atônito.

— Responda! — Machado de Ferro pegou mais um balde de água gelada.

— Eu… não sei.

— Você está mentindo. — Roland imediatamente recebeu o sinal de Rouxinol. — É melhor que você não teste nossa paciência, ou então ficará aqui por mais quinze dias.

O padre cerrou os dentes e finalmente disse:

— Eles… Eles fogem para as Terras Selvagens. Isso é tudo o que eu sei.

— Terras Selvagens? — Agatha ficou surpresa.

— É só um boato… Normalmente, quando isso acontece, eles são detidos imediatamente por outros guerreiros. Mas… — Ele hesitou por um momento —, é dito que alguns Guerreiros da Punição Divina, que não foram detidos corretamente, fugiram para as Terras Selvagens há muitos anos e permaneceram lá desde então.

— Você sabe como os Guerreiros da Punição Divina são convertidos?

— Bem… Só o Sumo Pontífice pode realizar a cerimônia. Nós não sabemos…

— Quando o papa se aposenta, como que ele passa a autoridade de controlar todo o Exército da Punição Divina para o próxima papa?

— Eu… Eu não sei… — Gotas de suor começaram a aparecer na testa do padre.

— Quatrocentos anos atrás, como a Igreja foi fundada?

— Você já ouviu falar do nome ‘Alice’? E quanto à Aliança ou Taquila?

O padre não soube responder a nenhuma pergunta que Agatha fez.

— Ele realmente não sabe. Vamos. Não precisamos mais continuar com esse interrogatório. — Após receber a confirmação de Rouxinol, Roland disse.

Quando os três estavam prestes a sair da masmorra, Machado de Ferro os alcançou e perguntou:

— Vossa Majestade, o que devo fazer com esses cativos da Igreja?

— Faça o que você prometeu antes.

Kabum
Engenheiro Mecânico. Soteropolitano.

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