LAB – Capítulo 617

A Rosa da Serra do Vento Congelante

Iffy silenciosamente ouviu Tilly explicar toda a história por trás da fundação da Associação Presas de Sangue, assim como as verdadeiras intenções de Heidi Morgan. Ao ouvir que Annie foi dada para os nobres, ela sentiu seu coração apertar bastante.

— Heidi… Onde ela está agora?

— Ela recebeu a devida punição. A morte. — Cinzas, que estava ao lado de Tilly, respondeu. — A subordinada dela, Celeste, também seguiu o mesmo caminho.

— Oh… Obrigada. — Iffy disse suavemente.

Ela afrouxou os punhos involuntariamente e de repente se sentiu perdida.

Embora aqueles que foram responsáveis por tudo isso já tivessem recebido o que mereciam, ela não se sentia tranquila. Agora que não havia mais vingança para buscar, ela se sentia sem rumo. Além disso, como a única pessoa envolvida que não foi punida, ela se sentia ainda mais culpada.

— Espero que você possa ajudar Ilha Adormecida a trilhar o caminho correto novamente. — Tilly disse após um período de silêncio. — Assim como você, as outras integrantes da Associação Presas de Sangue também foram enganadas e traídas por Heidi. Elas não merecem ser envolvidas nisso, nem discriminadas. Embora as bruxas combatentes tenham desprezado, abusado e se aproveitado das bruxas assistentes, não seria correto fazer o mesmo com elas em troca.

Iffy assentiu com a cabeça sem muita hesitação e disse:

— Eu estou disposta a ajudá-la, Lady Tilly.

Tilly pareceu um pouco surpresa, como se ela não esperasse uma resposta tão imediata de Iffy.

— É ótimo que você esteja disposta.

— O que devo fazer?

— Fale com as outras integrantes da Associação Presas de Sangue sobre a sua história com Annie. Eu contarei a todas sobre o crime de Heidi. — Tilly respondeu. — Depois que a Igreja for completamente eliminada, enviarei algumas pessoas para o Reino de Coração de Lobo para encontrar as bruxas aprisionadas pelos nobres. Se elas ainda estiverem vivas, Roland irá resgatá-las.

— Entendo.

Ela estava determinada a fazer qualquer coisa que pudesse aliviar o seu pecado.

— Você está… bem? — Tilly de repente se inclinou e acariciou a bochecha de Iffy. Iffy imediatamente sentiu uma sensação calorosa se espalhar pelo seu rosto.

— Estou bem. — Ela piscou os olhos algumas vezes. — Eu só estou me sentindo… um pouco cansada.

Tilly olhou para ela silenciosamente por um bom tempo.

— Não se sobrecarregue demais, e tente não se preocupar muito. Tenha um bom descanso.

Iffy só se deitou na cama quando não ouviu mais os passos de Tilly e Cinzas.

— Eu não estou chorando. É apenas uma reação natural do meu corpo. — Ela disse para si mesma.

Não era tristeza nem covardia.

Era simplesmente uma prova de que ela sentia falta de Annie.

Lágrimas rolaram continuamente pelo seu rosto.

Roland estava sentado em frente à sua mesa de escritório, lendo o relatório estatístico de evacuação entregue pelo Departamento de Conselho. Já fazia um bom tempo que ele não lia sob a luz de lamparina e, por isso, ele se sentia um pouco incomodado. Na Cidade de Primavera Eterna, ele havia conseguido aproximar a civilização da modernidade, mas agora na Vila do Vale Profundo, ele sentiu que tudo estava de volta à “idade das cavernas”.

Não havia chuveiros, sabão perfumado, nem luz elétrica… Esse lugar se parecia com Vila Fronteiriça no início, quando ele chegou a este mundo. A industrialização havia acabado de florescer na Região Oeste. Ele ainda tinha muito trabalho para fazer até que máquinas de vapor e caldeiras se tornassem comuns por todo o reino.

Roland colocou o relatório na mesa. Assim que ele foi esfregar os olhos, um par de mãos invisíveis tocaram sua testa e começaram a massageá-la suavemente.

— Obrigado. — Ele inclinou a cabeça e falou antes de voltar a ler o relatório.

Quando Barov não estava por perto, Sir Eltek assumia a função de assistente de Roland. Ele era excelente em calcular as estatísticas e preparar relatórios, e era quase tão bom quanto os funcionários da prefeitura, que recebiam treinamento especializado.

— Quantas pessoas estão dispostas a irem para a Região Oeste?

— Pelo menos setenta por cento, Vossa Majestade. — Eltek respondeu. — A Serra do Vento Congelante não é um lugar bom para viver. Eu perguntei ao Duque sobre isso, e ele me disse que se não fosse pelo propósito de monitorar a Igreja, não haveria uma vila naquele lugar. Os trinta por cento restantes são em maioria pessoas que possuem suas próprias fazendas ou negócios na Região Norte.

— Ótimo. Você já pode começar a fase de planejamento. Não deixe que os navios retornem vazios. Leve com eles um certo número de pessoas toda vez que embarcarem de volta à Região Oeste, assim eles poderão chegar mais cedo na Cidade de Primavera Eterna.

— Mas e quanto ao Duque Calvin…

— Eu conversarei com ele depois. — Roland bebeu um gole de chá. — De qualquer forma, depois dessa guerra, não haverá mais a necessidade de termos um posto na Serra do Vento Congelante, mesmo se vencermos ou per… MuummMummMuummm

— Algo de errado, Vossa Majestade? — Eltek perguntou.

— Na… Nada. — Quando ele foi dizer “mesmo se vencermos ou perdermos”, Rouxinol rapidamente cobriu sua boca para que ele não falasse a palavra “perdermos”. — Enfim, só faça o que eu disse e tudo ficará bem.

— Sim, Vossa Majestade.

Assim que Eltek estava prestes a sair, um membro da Guarda Pessoal, Sean, abriu a porta e entrou.

— Vossa Majestade, tem uma mulher do lado de fora do castelo que deseja vê-lo. Ao ser parada pelos guardas, ela se ajoelhou no chão e disse que não sairia de lá até que conseguisse falar com o senhor.

— Agora? — Ele subconscientemente deu uma olhada pela janela. Toda a vila estava escura e quieta.

— Sim, parece que ela escolheu vir a este horário de propósito. Eu já vi ela antes, durante o dia. Na verdade, duas vezes. Ela ficava olhando para o castelo de longe, e parece que agora tomou coragem. Quanto ao motivo da vinda dela… — Sean parou por um momento e hesitou. — Ela alega ser uma Senhora Wimbledon.

Após ouvir isso, Roland quase engasgou com a própria saliva.

— Impossível! — Pelo que ele sabia, o Quarto Príncipe nunca esteve na Região Norte antes.

Quando a mulher entrou na sala do lorde, Roland ficou impressionado.

O visual geral dela não era particularmente notável, mas as características faciais dela possuíam um charme peculiar. Seu corpo pequeno e magro tinha um toque inexplicável de firmeza e gentileza. Resumindo, ela passava a sensação de ser uma dona de casa muito capaz. A sujeira em seu longo vestido destacava ainda mais essa mistura de feminilidade e força.

— Vossa Majestade. — A mulher prestou uma reverência. — Sou Olivia da Serra do Vento Congelante e presto-lhe respeito.

— Posso saber o que você quer dizer com “Senhora Wimbledon”? — Roland foi direto ao ponto. — Eu ouvi de meu guarda que você deliberadamente esperou até tarde da noite para entrar no castelo. Você está ciente das consequências de usar indevidamente o nome dos “Wimbledon”?

— Perdoe-me, Vossa Majestade. Mas se eu não fizesse isso, o senhor nunca estaria disposto a me ver. — Ela cerrou os dentes. — Eu realmente não sou a esposa de seu irmão mais velho, mas nós nos amávamos muito.

Como esperado, era só uma mentir… Espera aí… O que ela disse? Meu irmão mais velho?

— Você se refere a Timothy?

Ela balançou a cabeça, negando.

— Gerald?

O rosto de Olivia ficou vermelho, e ela imediatamente se ajoelhou no chão.

— Eu sei que Gerald planejava assumir o trono, mas agora ele está morto… Vossa Majestade, o senhor pode me ajudar no lugar dele? Eu imploro!

Kabum
Engenheiro Mecânico. Soteropolitano.

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