LAB – Capítulo 643

Como Fazer uma Fortuna

Na manhã seguinte, Roland abriu os olhos assim que o primeiro raio de sol iluminou a sala de estar.

O canto das cigarras soava do lado de fora da janela.

Agora ele havia confirmado que dormir no Mundo dos Sonhos não o levaria de volta à realidade. E isso queria dizer que ele poderia “descansar durante o sono”.

Embora isso soasse um pouco estranho… Quem ligava? O que importava era que funcionava.

Bocejando, ele se levantou do sofá. Quando ele estava prestes a ir para a cozinha preparar o café, ele ouviu o grito de Zero vindo de seu quarto.

Após um momento, ela apareceu na porta com o rosto vermelho. Ela apontou para Roland e gaguejou:

— Ontem, Eu… Você…

— Eu dormi no sofá ontem à noite. — Roland deu de ombros. — Você está suada e suja. Eu certamente não dormiria com você.

A garotinha aproximou o nariz da axila e deu uma fungada. Ao fazer isso, o rosto dela ficou ainda mais vermelho, criando um contraste com o seu cabelo branco. Rapidamente, ela correu para o quarto dela, pegou algumas roupas limpas e foi direto para o banheiro.

Logo veio o som de chuveiro ligado no banheiro.

Quando ela saiu do banho, Roland já havia terminado de preparar o café da manhã.

O café da manhã de hoje era muito mais agradável do que o habitual. Bacon frito, ovo com pimenta e sal, peixe seco assado e um prato de uvas frescas.

Claro, todos esses ingredientes haviam sido retirados do que ele pegou do fragmento de memória de Zero, atrás da porta de ferro.

— Você comprou carne? — Zero perguntou, surpresa; o cabelo dela estava enrolado numa toalha. Roland conseguiu ver a garganta dela se movendo levemente, aparentemente engolindo.

— Sim, eu comprei um monte de coisa ontem e coloquei na geladeira. — Roland deu um hashi para ela. — Eu consegui um trabalho.

— Sério? — Ela perguntou com uma voz animada, parecendo ter esquecido do que havia acabado de acontecer.

— Sim. Logo, logo eles vão me pagar. — Roland riu. — Por isso comprei toda essa comida para celebrarmos.

A garotinha ficou aliviada.

— Eu pensei que você havia chegado no fundo do poço e feito algo irreparável.

O que ela quer dizer com “algo irreparável”? — Ele pensou. — Ela realmente achou que eu iria roubar? Eh… Bem… Roubo não parece algo muito complicado no Mundo dos Sonhos.

— Então a razão pela qual você desmaiou ontem foi por ter ficado muito tempo debaixo do sol procurando emprego?

— Provavelmente… — Ele disse enquanto jogava uma uva na boca. — Em resumo, não precisamos mais nos preocupar com dinheiro.

— Você é tão fraco. — Zero franziu os lábios e disse. — Sempre fazendo com que eu fique preocupada.

Roland quase engasgou com a uva quando ouviu o que Zero disse.

— Você fala como se ficasse preocupada comigo 24 horas por dia.

— Uh… — Isso a fez ficar em silêncio. Após um momento, ela encarou Roland. — Você desperdiçou ingredientes ao fazer esse café da manhã. Pra que adicionar sal no bacon, sendo que o bacon já é salgado?

Parece que ela é muito boa em mudar o tópico da conversa. — Roland pensou enquanto pegava um pedaço de bacon e colocava na boca.

— Pra mim a quantidade de sal tá ótima. O único defeito que você pode apontar são as pontas que não ficaram fritas o suficiente.

— Na próxima vez, deixe essa tarefa pra mim. — Zero implicou, mas rapidamente devorou a comida no prato. Em seguida, ela pegou a mochila e já estava prestes a sair. — Pode deixar os pratos na pia. Quando eu voltar, vou lavar eles junto com os pratos que a gente sujar na janta.

— Espere. — Roland a parou e perguntou: — Você sabe de algum lugar que venda livros de segunda mão por aqui por perto?

Desta vez ele havia ficado no Mundo dos Sonhos por três dias seguidos antes de voltar ao Mundo Real. Quando ele acordou na Cidade de Primavera Eterna, o sol já brilhava no alto do céu.

Parecia que o fluxo de tempo no Mundo dos Sonhos era oito vezes mais rápido que no Mundo Real, o que significava que uma noite no Mundo Real equivalia a dois dias no Mundo dos Sonhos. Além disso, se ele adiasse sua saída para o terceiro dia, as pessoas pensariam apenas que ele acordou um pouco mais tarde que o habitual.

A primeira coisa que Roland quis fazer após acordar foi encontrar uma moeda de ouro e amassá-la.

Mas acabou que a moeda de ouro não entortou nem um pouquinho, e seus dedos doeram bastante.

Roland suspirou frente ao fato de que o poder inexplicável parecia existir somente no Mundo dos Sonhos, como esperado. Ele colocou a moeda de ouro de volta no seu bolso, vestiu um casaco e se sentou em frente à mesa de seu quarto.

Roland pretendia copiar o conhecimento que ele readquirira no Mundo dos Sonhos enquanto sua memória ainda estava clara. Isso incluía as partes que faltavam de cada matéria básica, e também os designs detalhados de alguns equipamentos industriais de grande porte.

Ele havia feito o melhor que podia nos três dias que havia passado no Mundo dos Sonhos. A venda dos bens que ele roubou do fragmento de memória de Zero foi um sucesso. Na internet, ele conseguiu encontrar um fórum que anunciava a venda de bens de segunda mão, e lá ele postou fotos das armaduras, espadas e bestas, dizendo que possuía réplicas dessas peças medievais e que as venderia por um preço bem baixo. Poucas horas depois, alguns compradores, que foram atraídos pelos preços ridiculamente baixos e pelos detalhes impressionantes, começaram a entrar em contato com ele.

No final, as armaduras, que custavam 500 yuan cada, e as bestas e espadas, que custavam 100 yuan cada, foram todas vendidas. Os preços eram incrivelmente baixos aos olhos das outras pessoas, mas já que Roland não havia gastado nada na aquisição desses bens, ele não ficou incomodado ao vendê-los a preços tão baratos. Contudo, ele não esperava que as moedas de ouro fossem extremamente difíceis de vender. O banco só aceitava negociar ouro de maneira formal e registrada, independentemente de serem barras de ouro ou joias em ouro.

Roland também não conseguiu vendê-las para uma joalheria que havia nas proximidades, já que eles só aceitavam comprar de volta os acessórios que vendiam, e os clientes também teriam que pagar uma taxa adicional. Um dos vendedores foi bondoso o suficiente para dar-lhe o endereço de um penhorista que comprava ouro não identificado por metade do preço de mercado. Quando Roland lembrou que ele só tinha poucas moedas de ouro com uma textura bem inferior à do ouro maciço, ele simplesmente jogou todas elas dentro do guarda-roupa.

Ele decidiu que iria se focar mais na venda de armaduras e espadas do que perder seu tempo tentando vender ouro.

Com dinheiro na mão, ele imediatamente passou numa livraria perto do apartamento e comprou todos os livros didáticos que ele já havia lido. Aqueles que ele nunca havia lido estavam completamente vazios, exceto pela capa. Obviamente, o Mundo dos Sonhos não excedia o limite de memória e conhecimento de seu criador: Roland.

Entretanto, no Mundo Moderno, ele tinha o costume de pesquisar detalhadamente sobre várias coisas na internet. E agora ele poderia obter qualquer resposta detalhada para qualquer design que ele já tinha visto antes na web; ele poderia acessar até mesmo as informações que ele havia dado apenas uma olhada rápida.

Além dos livros que eram essenciais para impulsionar a tecnologia da Cidade de Primavera Eterna, Roland também comprou dois conjuntos novos de roupa para Zero, e um kit de acampamento de inverno para ele mesmo. Como resultado, ele gastou todo o dinheiro que havia acabado de ganhar.

Roland ainda conseguia lembrar o quão chocada Zero ficou quando recebeu as roupas novas. Ela tentou negar os presentes várias vezes, mas no final aceitou. Esse comportamento de Zero era totalmente diferente do de qualquer garota normal da idade dela, que não faria cerimônias na hora de receber algum presente. Ao conversar com ela, Roland soube do porquê ela agia assim. Estranhamente, esta era a primeira vez que Zero recebia um presente, que também era algo que ela nunca sonhava em ganhar, pois os pais dela sempre batiam nela em casa.

Como criador do Mundo dos Sonhos, Roland se sentiu um pouco culpado por isso.

Roland ficou ocupado até meio-dia quando Rouxinol apareceu silenciosamente no quarto.

— Você ainda não desceu para tomar o café da manhã?

— Não… — Roland disse sem tirar os olhos dos papéis. — Por favor, pegue pra mim. Eu vou tomar café aqui mesmo no quarto.

— Você ficou fazendo isso durante a manhã toda? — Rouxinol disse enquanto, surpresa, pesava a pilha de papéis em cima da mesa. — Como que você teve tantas ideias em tão pouco tempo?

— Elas sempre estiveram em minha mente. Eu só tinha esquecido delas temporariamente. — Roland flexionou o pulso, que doía. — Dê uma olhada. O que você acha?

— Descreva o campo eletromagnético em… um certo modelo matemático de volume… usando a forma de uma… integral? — Rouxinol colocou a mão na testa e disse: — Vossa Majestade, eu me sinto um pouco tonta. Vou trazer seu café da manhã primeiro.

Roland não pôde deixar de sorrir antes de dizer:

— Tá bom.

— A propósito, você não tem que ir ao seu escritório hoje? — Quando Rouxinol estava prestes a sair, ela olhou para Roland e perguntou.

— Por quê?

— Barov quer falar com você. Ele disse que chegou duas cartas para você ler pessoalmente.

Kabum
Engenheiro Mecânico. Soteropolitano.

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