MdG – Volume 1 – Capítulo 5 (Parte 2 de 4)

— Ai-ai…

Sozinha. Ela se sentava perto da parede, em uma cadeira no canto que parecia ser guardada para ele. Suas mãos envolviam uma xícara de chá que Garota da Guilda trouxera.

Ele provavelmente só queria o que era melhor para ela. Ela ergueu o copo até os lábios.

— Ahh… — suspirou ela quando um calor se espalhou pelo seu corpo. Sacerdotisa reconheceu essa sensação como o efeito de uma poção de estâmina.

Era uma especialidade de Garota da Guilda adicionar isso ao chá. Era maravilhoso para o corpo cansado de Sacerdotisa.

Eu estou o atrapalhando?

Ele era ranque prata, ela apenas porcelana. Mesmo apesar dessa diferença, ela não pensava que fosse um fardo para ele, mesmo assim…

Sacerdotisa esfregou os olhos. Suas pálpebras estavam pesadas.

Ela podia ouvir o balbuciar dos aventureiros de toda a guilda. Estava lotada como todos os dias. Algo atraiu sua audição, palavras que ela não conseguia entender bem. Ela bocejou.

— Ei! E aí!

— O quu…? — Quando ela ouviu a voz uma segunda vez, Sacerdotisa despertou abruptamente, se endireitando às pressas.

De pé na frente dela havia um jovem que parecia de alguma forma nervoso, também ranque porcelana.

Ele era um guerreiro novato que ela viu antes. Ao lado dele estava uma garota, uma aprendiz de clériga. Em seu pescoço estava pendurado a balança e a espada, os símbolos do Deus Supremo, que supervisionava a lei e a justiça.

— Você… digo, você é a garota que trabalha com ele, certo?

— Com… quem?

— Você sabe, aquele cara. Ele está sempre com aquele capacete? — disse a clériga com uma voz aguda.

— Ah — disse Sacerdotisa, com sua perplexidade evaporando. — Está falando do Sr. Matador de Goblins?

— Sim, ele mesmo! Ei… — Guerreiro abaixou repentinamente a voz e olhou em volta pavorosamente. — Você também é ranque porcelana. Que tal vir conosco?

Sacerdotisa prendeu o fôlego, calada. Uma torrente de emoções assolou dentro dela, ameaçando dividir seu coração em dois.

Ela apertou os punhos e fez recuar a investida violenta. Foi apenas um segundo antes dela balançar lentamente a cabeça.

— Não. Obrigada, mas não.

— Mas ele é um esquisitão! Que tipo de ranque prata não caça nada além de goblins? — perguntou Guerreiro Novato, franzindo a testa. Qualquer ranque prata normal iria atrás de coisas maiores.

— É — disse Sacerdotisa Aprendiz, examinando o salão com preocupação. — E arrastar uma novata também. Sabia que algumas pessoas pensam que você é prisioneira dele? — Está tudo bem com você?

— Até ouvi que o motivo pelo qual ele sai para caçar goblins por si mesmo é algo… estranho. Entende o que quero dizer?

— Olha, isso não é…! — A voz de Sacerdotisa aumentou reflexivamente.

— Então, pessoal. Nada de intimidação. — Suas emoções coletivas foram acalmadas por uma voz suave e doce que surgiu subitamente. Quando ela havia chegado? Há quanto tempo ela esteve lá? Bruxa, com seu corpo sensual e uma insígnia de prata no pescoço, estava parada bem ao lado deles.

— M-mas não estávamos…

— Isso, será o suficiente. Vão, para lá, tudo bem?

Guerreiro Novato parecia estar pronto para continuar discutindo um pouco mais, mas Sacerdotisa Aprendiz o pegou pela manga e o levou embora.

Bruxa deu a Sacerdotisa um olhar simpático e disse com um sorriso: — Me deixe, lidar com eles, sim?

Isso foi o suficiente. A clériga e o guerreiro disseram “Vamos sair daqui!”, aparentemente ao mesmo tempo, e com um olhar ansioso em Sacerdotisa, eles saíram.

Sacerdotisa se sentou na cadeira, com a xícara de chá nas mãos. Bruxa se sentou lentamente na cadeira ao lado dela, quase se debruçando no assento.

— Então. Você é, a garota que anda junto, com ele, certo?

— Ah, sim, senhora, tenho a honra de o acompanhar. — Sacerdotisa assentiu firmemente, colocando as mãos juntas com a xícara de chá nos joelhos.

— O acompanha, hein? — disse Bruxa significativamente. Sacerdotisa lhe deu um olhar intrigado. Bruxa ignorou. — Deve ser, bastante, difícil. Ele não nota muito, não é…?

Sacerdotisa lhe deu um olhar intrigado novamente. — Hum, eu… Ele…

— Por outro lado, parece, que você não é muito melhor.

Sacerdotisa fez um gesto apologético de vergonha, mas Bruxa a olhou carinhosamente. Ela pegou um cachimbo longo de metal e colocou elegantemente algumas folhas nele.

— Posso? …Inflammarae. — Sem esperar por uma resposta, Bruxa tocou o cachimbo com o dedo. Uma fumaça aromática e rosada logo saiu.

— Eu sei. Um desperdício estúpido de uma palavra de poder, não é? — Bruxa deu uma risada espontânea com Sacerdotisa perplexa. — E você… Quantos milagres, você pode usar…?

— Hum, eu tinha dois até recentemente; agora tenho quatro. No entanto, só posso rezar cerca de três vezes…

— Uma ranque porcelana, com quatro milagres. Meu, você é muito brilhante.

— Oh, obri-obrigada… — Sacerdotisa curvou a cabeça, fazendo seu corpo pequeno parecer ainda menor. O sorriso de Bruxa não vacilou.

— Sabe, ele uma vez, fez um pedido muito estranho, para mim, também.

— Quê…? — Sacerdotisa olhou de repente para o rosto de Bruxa.

Bruxa inclinou a cabeça tentadoramente. — Eu sei, o que está pensando — disse ela, provocantemente.

— N-não, não estou…!

— Ele queria uma ajudinha, com um pergaminho. Então eu sei quão, difícil é, para… o acompanhar.

— Não, eu… Ele… Bem, um pouco. Ele é ranque prata, depois de tudo. — Ela fez uma careta levemente cansada. Quando assentiu, ela viu a xícara de chá ainda em suas mãos. Olhando para o fundo do copo através do líquido marrom translúcido, as palavras pareciam cair de seus lábios como água:

— E-eu mal consigo acompanhar ele… E e-eu não sou nada além de problemas para ele…

— E ele é tão, bom no que faz, não é? — Bruxa respirou forte e soltou um anel de fumaça. Ele flutuou preguiçosamente até Sacerdotisa e se dissolveu em sua bochecha. Ela tossiu violentamente. Bruxa se desculpou com uma risada.

— Esse é o resultado, que vem com anos, e mais anos, caçando goblins, sem descanso. — Ele está léguas à frente de uma garota ranque porcelana. Bruxa girou seu cachimbo refletidamente. — Matar goblins certamente, faz mais bem para o mundo, do que alguém que caça uma presa maior… mas não são nada bons nisso. — Seu cachimbo apontava para os aventureiros circulando na guilda.

Em algum lugar no saguão, as orelhas de Lanceiro arderam. Bruxa estreitou os olhos e olhou para a multidão.

— Isso não quer dizer, que uma fixação, por goblins seja… absolutamente, saudável.

Sacerdotisa estava em silêncio.

— Na capital, por exemplo, não há fim para os demônios. Há monstros, por todo lado, nesse mundo.

Bem, obviamente. Se não houvesse, os aventureiros não seriam tão ubíquos, não importa quantas ruínas abandonadas pudesse haver. Mas, com ameaças de todos os tipos pipocando em todos os lugares, só os militares não poderiam manter as coisas sob controle. Seu papel deveria ser lidar com os países vizinhos, deuses das trevas ou necromantes. Goblins eram claramente uma ameaça. Mas eles não eram os únicos.

— Se você quiser… ajudar outra pessoa. Você pode fazer isso, mesmo com, aquelas duas crianças de antes, por exemplo.

— É que… Eu poderia, mas… — Sacerdotisa estava ficando nervosa outra vez. Ela se inclinou para a frente na cadeira, mas não conseguiu falar mais nada. Ela se perdeu com um murmúrio incoerente.

— Hee-hee. Existem, tantos, caminhos, não? E nenhuma, certeza. É difícil de fato… — Ela deu um tapinha na cabeça de Sacerdotisa que se recompunha. — Desculpa. — Sacerdotisa achou a fumaça perfumada estranhamente calmante.

— Pelo menos… se você quiser, o acompanhar, deixe, que seja sua própria decisão.

Se me permite dizer isso.

Com isso, Bruxa se levantou com o mesmo movimento furtivo de quando se sentou.

— Ah…

— Até, logo. Eu acredito que você tem, um encontro… me perdoe, uma aventura… com ele. — E com um ligeiro aceno com a mão, ela se afastou com os quadris balançando, desaparecendo na multidão.

— Minha própria decisão…?

Sozinha outra vez, Sacerdotisa moveu suavemente a xícara de chá em suas mãos.

O calor que ela sentia momentos antes havia desaparecido.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

11 Comentários

    1. Opa, obrigado pela correção. Quaisquer outros erros que consiga identificar, pode mandar bala nos comentários!

  1. Francamente gosto muito da Sacerdotisa. Espero que o autor não seja fã do tio Martin, não quero ver a garota morta kkkk
    Pelo menos um fim razoável, não necessariamente conto de fadas, pode ser só razoável mesmo

    E se fosse pro Matador estar com alguém, caso isso venha a acontecer, mesmo sendo pedofilia, fica com a Sacerdotisa, por favor hahaahaha

      1. Suhauahahahhahshs
        Pode dizer que e trote, sou não kkkk
        E só que de todas as personagens até então, é a que mais gostei.
        Não tem como não gostar dela kkk

        Tio Martin, tira o olho, se encostar nela vou te encher de porrada seu veio sacana que não termina os livros :/

  2. Não deve entrar muitos novos personagens né, pq ficar chamando todo mundo pela classe uma hora vai ficar confuso kkk

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