MdG – Volume 1 – Capítulo 5 (Parte 4 de 4)

Inspira, expira. Ele parou por apenas um segundo. Então Matador de Goblins desceu rapidamente as escadas e foi diretamente à recepção. A palavra que pronunciou foi a mesma que sempre estava em seus lábios:

— Goblins.

— Então eles vieram para lhe oferecer uma missão! — Garota da Guilda olhou intensamente por cima do trabalho dela.

Lanceiro estalou a língua nas proximidades. Ele esteve apenas tentando falar com Garota da Guilda.

— Que tipo de missão é? Vou fazer um registro.

— Aquele homem-lagarto lhe dará os detalhes. Estou saindo. Mas preciso de dinheiro. Me dê a recompensa da última missão.

— Hmm… Mas você não fez seu relatório ainda… Bem, acho que para você podemos fazer uma exceção, Sr. Matador de Goblins. — Ela acrescentou: — Só entre nós. — Ela assinou um pedaço de papel e pegou uma bolsa de couro de um cofre. Uma recompensa que pode não ser suficiente para compensar até mesmo um grupo de ranque porcelana, mas seria uma soma bastante justa se você assumisse toda a aventura sozinho. Matador de Goblins poderia se apoiar nos pagamentos das missões de goblins justamente porque trabalhava sozinho.

Ele pegou o monte de moedas sujas — recolhidas meticulosamente pelos habitantes de alguma aldeia empobrecida — e despejou metade em sua bolsa.

— Dê o resto a ela.

— Claro. E-espere, você está sozinho? Ela não…?

— Eu vou deixá-la descansar.

Isso foi tudo que ele disse a Garota da Guilda mistificada antes de se afastar.

Lanceiro lançou a Matador de Goblins um olhar sujo enquanto passava.

— Quem ele pensa que é, afinal?

Mas Matador de Goblins não ouviu o sussurro irônico. Não importava. Ele tinha muito a pensar.

Enquanto andava, ele estava calculando mentalmente seus suprimentos restantes. Ele teria que comprar cordas, cunhas, óleo, antídotos, poções e vários outros consumíveis. Uma vez que ele saísse da guilda, ele teria que ir a algum lugar para abastecer as provisões também. Ele precisava de energia. O equipamento de campismo não era problema. Contanto que fosse sozinho, o menor dos confortos seria suficiente. Assumindo que o pergaminho estivesse correto…

— Sr. Matador de Goblins!

Quando estava prestes a sair pela porta, ele ouviu passos leves correndo atrás dele. Ele bufou.

— Hum, isso… isso era uma missão, certo?

Era Sacerdotisa.

Sua cadeira não estava muito longe da porta, mas a corrida parecia ter a cansado. Ela estava arfando e seu rosto vermelho.

— Sim — disse ele. — Extermínio de goblins.

— Isso foi… o que pensei. — Sacerdotisa deu um sorriso resignado. Ela mal conseguia acompanhar o imprevisível ir e vir. Não obstante, ela segurou seu cajado de monge entusiasmada. — Então me deixe…

— Não. — Matador de Goblins a cortou friamente. — Irei sozinho.

— O quê?! — Sacerdotisa ergueu a voz com as palavras calmas de Matador de Goblins.

Todos os olhares ainda no salão se voltaram na direção deles com o quase grito dela. Alguns murmuraram: “Ah, é Matador de Goblins” e desviaram o olhar novamente.

Mas Sacerdotisa olhou diretamente para ele, lançando suas palavras. Ele não iria sozinho. Ela não se importava se ele sempre voltasse. Ele não iria.

— Pelo menos… pelo menos você poderia falar comigo antes de se decidir…

Matador de Goblins inclinou a cabeça com uma expressão de completa perplexidade.

— Não estou?

Sacerdotisa piscou.

— Eu… eu acho que estamos conversando, sim…

— Acredito que estamos.

— Ahh… — Quem poderia a culpar pelo suspiro que escapou nesse momento?

— Mas isso não significa muita coisa se eu não tiver nenhuma escolha no assunto, afinal.

— Não tem?

Ele realmente não tem jeito.

— Eu vou com você. — Ela declarou corajosamente, sem hesitar.

Do outro lado de sua viseira, Matador de Goblins olhou para ela. Seu capacete sujo e maltratado se refletiu no seu olhar.

— Eu não posso o deixar — disse ela.

Seus olhos se encontraram. Ambos ficaram em silêncio por um longo momento.

— …Faça o que quiser. — Por fim, Matador de Goblins deu um suspiro. Ele pareceu um pouco irritado.

Mas Sacerdotisa segurou seu cajado com as duas mãos. Seu sorriso era como uma flor desabrochando.

— Obrigada, eu vou.

— Então vá pegar sua recompensa primeiro.

— Certo! Espere aqui um instante… Ei, e o nosso relatório?

— Podemos o fazer mais tarde.

— Tudo bem!

Matador de Goblins ficou perto da porta e esperou enquanto Sacerdotisa saía correndo. Desde o desembarque, rostos incomuns a observavam. Alta-Elfa Arqueira, Anão Xamã e Lagarto Sacerdote olharam uns para os outros. Alguém soltou um pequeno suspiro.

— Mesmo nós podemos ver o que está acontecendo aqui. Essa garota tem potencial. — O anão foi o primeiro a descer as escadas, acariciando sua barba.

— Longe de mim propor uma missão e se recusar a prosseguir com ela. — O homem-lagarto veio depois com um aceno firme, juntando as mãos para a elfa. Ele desceu as escadas com um passo de cada vez, com a cauda balançando de um lado ao outro.

A arqueira estava em silêncio, sem palavras.

Orcbolg, o aventureiro goblincida, estava aqui diante de seus olhos, mas ele não era nada como tinha imaginado. Ela não conseguia compreender seu estilo de vida. Ele era estranho para ela.

O que, você vai deixar um pequeno choque te parar agora?

A elfa riu. Ela não deixara a floresta procurando exatamente isso?

Ela verificou o arco e depois o segurou em seu ombro.

— Sinceramente, não acha que deveria respeitar os mais velhos?

Dizendo isso, ela desceu as escadas com passos leves.

Veja, grupos são muitas vezes formados de maneiras bem inesperadas.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

12 Comentários

        1. Obrigada irmãozinho! Não esqueça de felicitar sua mãe, namorada, avós…

          Pois é, será que tem mais alguma irma aqui?

  1. Muita experiência com Goblin e pouca com mulher da nisso. Mulheres são mais mortais que um exército de goblins.

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
error: O conteúdo deste site está protegido!