MdG – Volume 2 – Capítulo 10 (Parte 4 de 5)

O campeão furioso, esqueceu convenientemente que ele fora conhecido por usar seus aliados como escudos em pessoa. Ele estava frustrado pelo aventureiro não parar e lutar, lembrando dos próprios goblins usando gás venenoso.

Goblins são estúpidos, repetiu para si mesmo Matador de Goblins, mas não são tolos.

Em outras palavras, eles não eram tolos, mas não eram prudentes. E uma pessoa imprudente balançando sua espada é fácil de se tirar vantagem.

Afinal, eles iriam falhar usando sua melhor arma.

Então, Matador de Goblins correu diretamente pelo campo de batalha, com o campeão o seguindo por detrás.

— Se Orcbolg estiver atraindo ele para longe…!

Alta-Elfa Arqueira não estava apenas esperando e observando.

Ela subiu no altar, chutando os goblins pelo caminho com suas pernas longas e belas. Ela deu um estalo com a língua.

Como ela odiava usar flechas dos goblins.

— Caramba, não acredito nisso! — disse ela, meio com raiva. Suas orelhas se contorciam enquanto lia o vento e mandava suas flechas voando.

Ela não estava, é claro, visando o campeão, mas sim a multidão de goblins.

— GROB?! GOORB?!

Mesmo uma flecha rústica pode perfurar um corpo, tirar uma vida. Os goblins caiam como a chuva em uma tempestade, mas seus números eram imensos.

Anão Xamã enfiou seu machado na cabeça de mais um, sua barba querida estava coberta de respingos de sangue.

— Ho, orelhuda! Não consegue disparar mais que isso?

— Calado, anão! Se quer ver resultados, me traga flechas melhores!

— Posso lhe oferecer algumas pedras boas?

— Esqueça!

E eles discutiram. Essa era suas brincadeiras habituais, ou eles estavam fazendo de propósito? Quando eles não pudessem mais lançar farpas verbais um ao outro, então isso seria verdadeiramente o fim. Assim era com a maioria dos aventureiros.

Mesmo Sacerdotisa estava com o rosto vermelho-vivo enquanto forçava seu cajado.

— Hn… Hnnnn…!

Seus braços tremiam e ela mordia os lábios enquanto forçava todo seu peso corporal na batalha contra o espelho. Era tudo o que a pequena garota humana com seu corpo delicado poderia fazer.

O homem-lagarto destemido, por sua vez, não poupava nenhum pouco da sua força no seu esforço corajoso.

— Vamos… lá… só mais um… empurrão…!

Ainda imbuído com a bênção do seu antepassado, o temível naga, seus esforços estavam no ponto máximo. Com a respiração chiando entre suas presas, cada parte dele desde suas garras até sua cauda tinha se tornado o próprio poder.

Craaaaaaaaacccccc!

Com um ruído tremendo, o espelho sagrado finalmente sucumbiu à força bruta.

A coisa grande repousou nas mãos de Lagarto Sacerdote, juntamente com um pedaço da parede.

— Matador… de Goblins… senhor!

Sacerdotisa o chamou. Seu fôlego veio em suspiros irregulares; sua voz estava fraca e cansada.

Matador de Goblins olhou para trás, deu um chute no campeão desenfreado e saiu correndo.

— Coloque o espelho voltado para cima! Depois fiquem debaixo dele!

— Entendido!

Com um grunhido, Lagarto Sacerdote deslizou o espelho por cima do altar, como um teto. Ele sabia que tudo dependia desse momento.

Ele ficou de joelhos e apoiou o espelho em seus ombros, sem sequer tremer.

— Ele está vindo!

Apoiando do outro lado estava o leal Guerreiro Dragãodente.

— ORARARAG!!

O campeão goblin deu um golpe poderoso.

Embora os goblins não percebessem o que estava acontecendo exatamente, estava claro que alguma coisa estava acontecendo.

A clava do campeão se conectou com vários goblins, que não tiveram nenhum segundo para desviar, espirrando seus cérebros pela sala.

Saltando para trás, Matador de Goblins atacou com uma lança que ele tinha pego de um inimigo. A lâmina fez vários dedos do campeão girar no ar, induzindo um rugido retumbante.

— GARAOR?!

— Impacto Pétreo! Um grandão, subindo!

— Subindo?! …Estou nele!

Houve um instante de surpresa por parte de Anão Xamã, mas ele sabia que não podia hesitar.

Ele pegou um punhado de barro da sua bolsa. Soprando enquanto a enrolava, ele gritou.

— Saiam, seus gnomos, é hora de trabalhar, não se atrevam a fugir de seu dever, um pouco de pó pode não causar choque, mas mil fazem uma bela rocha!

Ele lançou a bola de terra no ar tão forte quanto pôde, e ela se tornou um pedregulho enorme perante seus olhos…

— Luz!

— Certo!

Não se distraindo nem por um instante com a visão, Sacerdotisa respondeu imediatamente, às suas palavras, à sua confiança.

Ela sabia que era por essa razão pela qual estava aqui, e isso a deixava tão orgulhosa que ela achava que seu pequeno peito poderia explodir.

Ela deu tudo de si na oração que conectava sua alma aos deuses no céu.

— Ó Mãe Terra, abundante em misericórdia, conceda tua luz sagrada para nós que estamos perdidos na escuridão…!

Foi uma oração humilde, oferecida por uma donzela frágil ao custo da energia da sua própria alma.

Como poderia a toda-compassiva Mãe Terra proceder de outra forma senão conceder Luz Sagrada?

— GORORB?!

Uma explosão de sol!

Do cajado de Sacerdotisa (recém-saído do trabalho de uma alavanca), uma luz calcinante preencheu o lugar. Deve ter havido provavelmente mais luz no interior dessas ruínas do que ela tinha visto alguma vez em todas as suas eras de existência.

Os goblins gritaram como se tivessem sido queimados, agarrando seus rostos e tropeçando para trás. Suas retinas tinham sido queimadas. E Matador de Goblins, embora tivesse coberto seu rosto imediatamente, tinha sofrido o mesmo.

— …Hr…

— Orcbolg, por aqui!

Mas, mesmo assim, ele podia ouvir uma voz clara apesar da escuridão branca.

Alta-Elfa Arqueira — ela que possuía habilidades para além de qualquer patrulheira — estendeu a mão para ele.

— Desculpa.

— Não importa! Não que eu tenha ideia do que está pensando.

Com sua orientação, ele deu um, dois, três passos.

Ela saltou graciosamente, e Matador de Goblins se impulsionou para subir no altar.

A cauda de Lagarto Sacerdote se estendeu, puxando Matador de Goblins em segurança sob o espelho.

Matador de Goblins gritou: — Controle de Queda, leve o para baixo!

— Hrrf, é claro! Saiam, seus gnomos, e o deixe ir! Aí vem ele, cuidado aí em baixo! Vire esses baldes de cabeça para baixo… esvazie todos eles sobre o chão!

— …Vai servir… — murmurou Matador de Goblins. Ele se virou, apoiado pela cauda de Lagarto Sacerdote.

Com sua mão direita, ele segurou firmemente a de Sacerdotisa. Sua mão estava tremendo suavemente.

Alta-Elfa Arqueira continuou agarrada a sua mão esquerda, com força o suficiente para machucar mesmo pela sua luva de couro.

Anão Xamã lhe deu uma palmadinha cordial nas costas. Mesmo agora, com seu espírito esgotado, ele estava tão alegre como sempre.

Matador de Goblins tomou um vislumbre dos goblins com seus olhos queimados pela luz. Eles gritavam de confusão, medo, dor, ganância e ódio; eles se debatiam inutilmente.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

7 Comentários

  1. Obrigado por trazer mais uma parte.
    PS:
    {Do cajado da Sacerdotisa (recém-saída do trabalho de uma alavanca), uma luz calcinante preencheu “a” lugar. Deve ter havido provavelmente mais luz no interior dessas ruínas que ela tinha visto alguma vez em todas as suas eras de existência.}
    Ali seria “o lugar” não?

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