MdG – Volume 2 – Capítulo 8 (Parte 4 de 4)

— Matador de Goblins! Aí está você!

Sacerdotisa parou. Ela tinha certeza que reconhecia essa voz espirituosa, mas ela certamente não esperava em ouvi-la.

Ela olhou para cima para ver um aventureiro de aparência durona em uma armadura azul, carregando uma lança; era Lanceiro.

— Que ideia foi essa, chamar um cara por carta…? Vou contar sobre você para Garota da Guilda!

— Contar a ela o quê?

— Que você e essa garota estavam tendo um encontrozinho!

— Estávamos fazendo compras.

Matador de Goblins esbarrou em Lanceiro, que tinha vindo com pleno vigor, tal como o fez na terra natal.

Próxima, Sacerdotisa ficou ligeiramente vermelha e rapidamente se recompôs, embora não houvesse razão.

— Heh, heh, heh-heh.

Bruxa, que tinha os membros bem formados, seguia Lanceiro tão fielmente quanto uma sombra. Seus olhos caíram sobre Sacerdotisa, depois se fecharam um pouco, sedutoramente. Sacerdotisa se viu engolindo em seco.

— Ah, hum…

— Você me parece, bem. Isso é, bom.

— Ah, sim, senhora.

Sacerdotisa se levantou apressadamente do banco e curvou a cabeça, depois a ergueu para endireitar sua mitra.

Ela achava Bruxa uma mulher impressionante e era relutante em se envergonhar na frente da conjuradora. Ela limpou a garganta discretamente.

— Hum-hum… E… O que traz vocês aqui? Vocês têm trabalho aqui também?

— Sim, trabalho. Isso está, bastante, correto.

Um risinho. Sua resposta, como a sua risada, parecia envolta de fumaça. Sacerdotisa não estava certa se a conjuradora estava brincando com ela.

Bruxa tirou um cachimbo longo de algum lugar ou outro com um abanar de mão, e o acendeu com um murmúrio de “Inflammarae”.

Um aroma doce flutuou dele. Envolta pelo aroma, Bruxa disse “anda”, e deu a Lanceiro um tapinha no ombro.

— …Tsc.

Lanceiro continuou a olhar para Matador de Goblins, e depois de um tempo, ele deu um estalo forte com a língua.

— Escute.

— Hmm.

— Céus. Eu não sou o teu rapaz de entregas, entendeu? Você me fez vir até aqui para te trazer isso…

Ele deu a Matador de Goblins um saco de linho com alguma coisa dentro o estufando. Parecia pesado.

Matador de Goblins o colocou cuidadosamente em sua bolsa. Seu capacete se virou para Lanceiro, e ele disse indiferentemente: — Desculpe. Obrigado pela ajuda.

— …Hrg.

— Eu te pedi porque você é o aventureiro mais tranquilo e confiável que conheço.

— …Hrrrrgg…!!

— Heh, heh, heh-heh.

Bruxa pareceu incapaz de conter sua risada, e Lanceiro olhou furiosamente para ela.

Naturalmente, Bruxa não se preocupou, e o olhar a ela não surtiu efeito.

— …Precisa de mais algumas pessoas? Talvez sejamos capazes de ajudar… por uma recompensa, obviamente.

— Não. Daremos um jeito.

Sacerdotisa olhou para Bruxa e corou um pouco.

Desde sua batalha contra os goblins, as duas conjuradoras pareciam ter conseguido se entender de certa forma.

— Enfim, eles não têm coisa assim por aqui? Compre localmente!

— Não posso usar a variedade local. — Isso era vergonha, arrependimento, ou os dois? Matador de Goblins balançou a cabeça com a queixa de Lanceiro. — Não é bom o suficiente.

— Que seja. — Lanceiro deu de ombros, se esforçando em expressar aborrecimento e desinteresse simultaneamente. — Para que vai usar isso, afinal?

— Eu acho que você sabe.

O sorriso de Sacerdotisa aumentou. Sim, é claro. Ele sempre tinha apenas uma coisa em mente. Na verdade, era isso que a preocupava às vezes, o que a fazia incapaz de o deixar sozinho……

— Extermínio de goblins.

Ele era um caso perdido.

Assim, Sacerdotisa e Matador de Goblins se separaram de Lanceiro e Bruxa, terminando suas compras e seguindo de volta. O longo dia de verão estava lentamente avançando ao crepúsculo, com o pôr-do-sol vermelho projetando sombras longas. Mesmo na silhueta exagerada, Sacerdotisa só alcançava até seus ombros.

— ……

Ela olhou distraidamente para ele; ou o capacete que escondia sua expressão.

Será que algum dia vou o alcançar?

A insígnia que balançava ao redor do seu próprio pescoço era Obsidiana. O nono ranque. Muito distante do seu Prata.

Ele era chamado de Matador de Goblins por causa dos goblins que ele sempre lutava. Tinha passado meses desde que ela tinha o conhecido. Havia algumas coisas que ela entendia agora, mas havia outras que não. E havia algumas coisas que ele lhe tinha ensinado, e outras não.

— …Ah.

Saindo do seu devaneio, ela percebeu que eles já tinham chegado ao seu destino.

O borbulhar da água era bastante alto agora, e quando ela olhou para cima, lá estava o Templo da Lei.

E três aventureiros totalmente equipados.

Um sorriso se espalhou pelo rosto de Sacerdotisa. No pôr-do-sol, parecia uma rosa desabrochando.

— Pessoal! Conseguiram voltar!

— Pode acreditar que sim! Céus, isso foi difícil! — Alta-Elfa Arqueira acenou, parecendo cansada, mas despreocupada. — Quando voltamos à superfície, vocês não tinham retornado ainda. Então…

— Obviamente, estávamos conversando sobre à possibilidade de ir encontrá-los. — Ao lado dela, Anão Xamã afagava sua barba branca e esbofeteou sua barriga saliente. — Bem, tivemos alguns problemas. Nos deixem contar durante o jantar.

— Espere ai, anão! Falar sobre trabalho na hora das refeições não é permitido! Não pode!

— Ah, tudo é “não permitido” com você! Como pretende arranjar um homem desse jeito?

— Tsc…!

Alta-Elfa Arqueira entendeu o que ele quis dizer com isso, e suas orelhas se esticaram.

Anão Xamã, é claro, tinha uma resposta pronta, e em pouco tempo eles estavam lá como sempre.

— Céus. É sempre bom ver vocês dois se dando tão bem.

Quando eles tinham se conhecidos, Sacerdotisa tinha tentado parar essas discussões, mas agora ela estava acostumada com elas.

Matador de Goblins deu uma olhada para suas brincadeiras animadas, mas logo desviou o olhar.

— Me diga. Sobre esses problemas? …Eles envolveram goblins?

— Receio que não seja uma história boa para ser contada enquanto estamos aqui parados. — Lagarto Sacerdote fez um barulho com a garganta e bateu a cauda no chão. — Realizemos um conselho dentro do Templo.

— Bem, nesse caso… — veio Sacerdotisa com uma ideia. Ela passou o pacote que estava segurando para Lagarto Sacerdote, que estendeu a mão para o pegar. Ele incluía seu equipamento pessoal, juntamente com provisões para todo o grupo. Todos eles iriam dar uma olhada nele juntos. — Eu faço o jantar dessa noite. Conversamos depois disso.

— Não tenho nenhuma objeção. Meu senhor Matador de Goblins?

— Também não me importo — veio a resposta desapaixonada.

Sacerdotisa contraiu os lábios. Esse era o momento da verdade.

— Está bem, Matador de Goblins, senhor. Durante o jantar, você tem de falar sobre algo além de goblins.

— Hr…

— Ha! Ha! Ha! Ha! — Lagarto Sacerdote revirou os olhos alegremente, e tocou o seu nariz com a língua. — Devemos respeitar os pedidos dos seus companheiros de viagem. Venham, vocês dois, vamos entrar.

Alta-Elfa Arqueira e Anão Xamã ficaram em silêncio quando ele sibilou para eles… como sempre.

Lagarto Sacerdote os liderou bem de perto para entrar. Sacerdotisa foi em seguida, mas:

— …?

— ……………

Ela percebeu repentinamente que Matador de Goblins, próximo a ela, parou onde estava.

Nas sombras longas feitas pelo sol carmesim, ele ficou sozinho. Ele parecia uma criança cujos amigos tinham ido para casa enquanto ele estava preso em seus jogos.

Sacerdotisa não sabia o que trouxe a imagem a sua mente.

— Matador de Goblins, senhor? Vamos?

— …Sim… — murmurou ele quando ela o chamou. — Hmm.

— Companheiros. — Ele revirou a palavra estranha em sua boca. — …Suponho que sim.

Então, Matador de Goblins e Sacerdotisa seguiram lentamente atrás deles, os seus companheiros.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

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