MdG – Volume 3 – Capítulo 1 (Parte 4 de 8)

— Ele não usa palavras suficientes! De forma alguma! Sempre! — Alta-Elfa Arqueira bateu na mesa com sua caneca. — Entendi. Isso é verdade? É verdade. Goblins, goblins, goblins… Já chega!

Suas orelhas se moviam para cima e para baixo, refletindo seu copo de vinho agitado.

Seu rosto, normalmente quase translúcido, estava vermelho-vivo enquanto seus olhos começaram a se revirar.

Era um estado impróprio para um alto-elfo, ou seja, ela estava bêbada.

A noite tinha caído. Apesar de se situar em uma cidade fronteiriça, a taverna da Guilda dos Aventureiros era bem frequentada.

A maioria dos clientes tinham acabado de terminar um trabalho ou estavam se preparando para começar um, e gritos apaixonados para louvar os caídos ou animar os feridos intercalavam o barulho.

Posto isso, Alta-Elfa Arqueira e a fumaça de raiva que surgia de suas orelhas não mereciam atenção. Mas, se o clima do bar e a sua embriaguez fossem bem juntos, era outra questão.

Lanceiro — nessa altura um rosto familiar — deu um gole em sua caneca imensa de ale e disse: — Você está chateada com isso agora? Há quanto tempo o conhece?

— Quando eu pergunto se ele tem planos, não me importo se ele diz “Goblins”. — Ela não estava chateada. Alta-Elfa Arqueira assentiu a alguém, embora ninguém estivesse realmente lá. — Ele é Orcbolg, certo? Fico feliz em ignorar isso. Mas! — Ela bateu sua caneca de novo, derramando o vinho que deixou uma mancha vermelha em seu peito. — Essa não é a resposta que espero quando peço um pouco de ajuda!

— Em outras palavras — disse Lanceiro, arrastando uma tigela de nozes para longe de Alta-Elfa Arqueira — ele te deixou.

— Não!

Ela bateu com a caneca, embora dessa vez colocou toda sua força nisso e levantou um verdadeiro tsunami de vinho do copo. Lanceiro se abaixou para evitar a espuma voadora.

Alta-Elfa Arqueira contraiu os lábios e fez um som de desgosto, porventura, lamentando o desperdício.

— Esse é o problema com vocês humanos. Vocês são tão bons em fazer de tudo por uma coisa!

— Mas ele te rejeitou por sua pequena aventura, não foi, moça?

— Calado, anão!

Ela balançou o copo para ele. Mas graças a sua altura ínfima, ela só acertou o ar.

Talvez porque a sua mira era ruim, apesar de ser tanto uma elfa quanto uma arqueira; ou talvez porque ela estava podre de bêbada.

Anão Xamã estava tão vermelho quanto sempre. Apalpando sua barba branca, ele disse com enorme seriedade: — Se me perguntasse, eu diria que você deveria se oferecer para ajudá-lo.

— Se eu estiver sempre fazendo isso, ele vai começar a pensar que eu quero ajudá-lo.

— E não está?

— Não!

Ela se sentou mal-humorada e resmungou para si mesma.

Goblins isso, goblins aquilo. Suje sua roupa! Não olhe para os meus itens! Todas as vezes…

Anão Xamã meramente balançou a cabeça com um chilique.

— Nunca vi alguém ficar tão bêbada com um único copo de vinho. Pelo menos ela é devagar com as moedas.

— Não é o máximo relaxar de vez em quando?

A última observação veio de Lagarto Sacerdote, que estava dando mordidas alegremente em uma rodela inteira de queijo. A visão disso tomava dele a seriedade que normalmente acompanhava um clérigo lagarto.

— Néctar! Doce néctar! Se todo o mundo tivesse uma cama e uma refeição tão boa quanto essa, não haveria mais guerras.

— Isso e vinho, talvez. E então lutaríamos sobre o que comer com eles.

— Nada é fácil no mundo material.

Lagarto Sacerdote pareceu ponderar sobre as suas palavras, com seus olhos vagueando pela taverna.

— Dessa vez, meu senhor Matador de Goblins foi sozinho com nossa querida sacerdotisa. Talvez alguns se sintam ameaçados com isso.

— Há, muitas, rivais, não? — disse uma mulher voluptuosa saboreando elegantemente seu vinho, Bruxa tinha um sorriso fraco.

Ela furtou um pouco de comida do prato de Lanceiro enquanto os olhos dela se viravam significativamente para o lado.

— Tenho certeza que não sei do que está falando — disse Garota da Guilda com uma risada.

Ela ainda estava com o uniforme, embora seu horário de trabalho tivesse terminado. Talvez ela só parou na taverna antes de ir para casa. Suas bochechas estavam vermelhas pela bebida.

— Meu, quão… despreocupada.

— Não, não exatamente. — Garota da Guilda brincou com o copo na mão, esperando os distrair um pouco. Enquanto ela o girava delicadamente, ondas em miniatura percorriam o vinho. — Só estou… esperando minha oportunidade.

— Esperando… por cinco anos, não?

Não havia nada que Garota da Guilda pudesse dizer. Ela apenas tomou um gole do copo com uma expressão ilegível.

Quando ela foi designada para a filial da Guilda nessa cidade, ele foi um dos aventureiros colocados sob sua responsabilidade.

Como ela poderia deixar de notá-lo enquanto ele fazia aquilo que tinha de ser feito?

Ela o via quando ele partia, depois esperava pelo seu regresso. Não havia nada dramático nisso, sem dúvida, mas…

Os sentimentos e afetos das pessoas também se construíam nessa espécie de cotidiano.

Embora nesse aspecto, eu também compreendo a abordagem desse homem.

Ela olhou para Lanceiro, a quem Bruxa interrompia toda vez que tentava dizer alguma coisa. Até Garota da Guilda podia dizer que ele estava claramente dando em cima dela.

Ele era bastante bonito, extrovertido e gentil com as mulheres. A única falha nesse diamante era sua tendência em flertar.

Ele era inteligente, forte, bondoso e animado. Ele fazia um bom dinheiro, e embora pudesse ser um pouco indisciplinado, ele não chegava a ser insuportável. Objetivamente falando, ele parecia um homem decente. Garota da Guilda não tinha especificamente antipatia por Lanceiro. Salvo as vezes em que ele costumava gozar de Matador de Goblins.

Mas, bem, ela não se apaixonava por cada homem meio decente que via. Nem era obrigada a responder da mesma forma só porque alguém tinha se apaixonado por ela.

— Hmm.

Mas talvez, ela pensava, isso a tornava uma rival no amor.

Costuma se dizer que a amizade das mulheres é instável, mas Garota da Guilda não tinha tanta certeza.

O membro do grupo de Lanceiro, Bruxa, estava sentada sem seu chapéu característico, mas com um sorriso inescrutável.

— Isso, é muito, complicado.

— Para nós duas.

As duas mulheres trocaram um sorriso irônico, depois assentiram amigavelmente uma a outra. O homem não pareceu notar.

— Parece que tem havido uma enorme quantidade de missões relacionadas a demônios, tendo em conta que o Deus Demônio deveria ter sido derrotado. — Lanceiro tomou um gole de ale, talvez finalmente endireitado por Bruxa. — O que está acontecendo?

Talvez ela pudesse conversar com ele sobre isso. Garota da Guilda se sentiu um pouco mal por ele, mas aventuras era um tema seguro.

— Meus superiores parecem achar que os nossos heróis deixaram passar alguns dos caras maus.

— Acho que só lidar com os inimigos do alto escalão não significa que todo mundo poderá voltar para casa. — Lanceiro pegou uma noz e a colocou na boca, mastigando ruidosamente. — Demônios são perigosos.

— Eles podem se disfarçar de humanos, entre outros estratagemas. Eles não são fáceis de lidar. — Lagarto Sacerdote assentiu severamente para Lanceiro, juntando as suas palmas em um gesto estranho. — Fiquei muito grato por sua ajuda a esse respeito.

— Não fale disso! Havia uma missão, e eu a peguei. — Ele ignorou a gratidão de Lagarto Sacerdote. — E quando a sua aventura funciona como um encontro, também não é ruim.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

6 Comentários

  1. Gostei do autor mostrar os amigos do MdG na calmaria antes de uma possível tormenta que vem para o MdG e a Sacerdotisa.

  2. Velho esse autor deve ter algum problema com nomes, ele não deu nome em nenhum só personagem da obra até agora kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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