MdG – Volume 3 – Capítulo 1 (Parte 8 de 8)

Matador de Goblins podia sentir o calor das mãos de Vaqueira através de sua armadura. Agarrando-se a essa sensação, ele seguiu atrás dela.

Ela olhou para ele de soslaio.

— A propósito…

— O quê?

— Sabe o que a flor-do-imperador simboliza na linguagem das flores?

— Linguagem das flores? — repetiu Matador de Goblins, como se nunca tivesse ouvido a expressão antes. — Não, não sei.

— Bem, então acho que devia descobrir.

Ela soou muito parecida com uma criança tentando imitar um adulto.

Vaqueira riu e sorriu deliberadamente, balançando levemente seu dedo indicador.

— Para mim, acho que te cai bem.

— …Vou me lembrar disso.

Matador de Goblins assentiu, e Vaqueira respondeu com uma espécie de “Hmm” de afirmação.

Toco no assunto?

Vaqueira havia conseguido quebrar o gelo.

Despeito do seu capacete, ele não era difícil de se decifrar. Ainda assim, ele poderia ser surpreendentemente teimoso, então ela teria de usar a cabeça.

— …O festival está chegando… já é depois de amanhã.

— Sim, é. — Ele assentiu assiduamente. — Eu fui convidado.

— Guah?! — Uma exclamação estranha escapou dela.

— O que foi?

— Não, eu… uh, digo… Quem te convidou? E o que você disse?

— A recepcionista da Guilda. Acho que você a conhece.

Vaqueira assentiu.

Garota da Guilda. Elegante, competente e atenciosa. Uma jovem madura.

— Não tive motivos para recusá-la. Eu perguntei a todo mundo se queriam vir junto, mas parece que todos têm planos.

Vaqueira parou de andar de repente.

— …O que foi?

— Ah… Ahh-ha-ha-ha-ha-ha!

Com sua mão livre, ela brincou com seus cabelos para o distrair.

Gah. Ela me passou a perna…

Entendendo ou não o que ela estava pensando, Matador de Goblins repetiu desapaixonadamente: — O quê?

— …Ahh, não é nada. — Vaqueira balançou lentamente a cabeça.

Não… Não é nada demais. Não é?

Então ela não tinha conseguido o que queria.

Ela não estava certa de que deveria dar voz aos seus pensamentos agora, mas eram apenas palavras, certo?

— Eu só… eu estava esperando ver o festival com você, também. Só isso.

— Estava?

— É.

Ela assentiu, assim eles ficaram em silêncio de novo.

Antes que percebessem, os ladrilhos tinham dado lugar a uma estrada de terra, e eles saíram pelo grande portão principal.

Na primavera, essa colina se preenchia com margaridas. Era onde os aventureiros travaram a batalha com os goblins. Agora, com a aproximação do inverno, tudo o que restava eram as pastagens e seus próprios passos barulhento.

Escutando atentamente, ele podia ouvir o bzzz, bzzz fraco dos insetos, e a respiração da sua velha amiga ao lado.

Havia ficado mais frio, mas não o suficiente para que suas respirações esfumaçassem.

— …Ei.

— O quê?

— Que horas é o seu encontro?

— Meio-dia.

As luzes cintilando da fazenda estava aparecendo ao longe.

Matador de Goblins manteve seus olhos — seu elmo, na verdade — em frente enquanto respondia calmamente.

— Ah — sussurrou Vaqueira, movendo sua mão trêmula ao peito. — Então… Posso te convidar para ir pela manhã?

— Sim.

— O qu…?

Ela esteve prestes a retrair tal pedido atrevido, e agora tudo que podia fazer era ficar a olhar fixamente.

O capacete encardido se misturava tão bem com a escuridão que ela mal conseguia dizer onde acabava o aço e onde a noite começava.

Tal e qual ela não conseguia dizer bem se ele estava sendo sincero.

Ele era fácil o bastante de entender, mas… não estava ela projetando seus próprios desejos em suas palavras?

Vaqueira engoliu em seco. Ela desejou que sua voz não tremulasse.

— S-sério?

— Por que eu mentiria?

Não havia nenhum indício em sua voz.

Claro que ele não era o tipo de homem que diria uma mentira tão estúpida. Ela sabia disso.

— Mas, isso… Você tem certeza…?

— Não é essa a questão. — Ele desconsiderou facilmente sua pergunta preocupada. — Você me convidou.

— Ah… Então… você não se importa?

— Não me importo.

— Iupi!

Vaqueira não poderia ser culpada pela exclamação animada depois da resposta objetiva dele.

Ela pulou no ar, seu peito generoso balançou e girou na frente dele.

— Muito bem, é um encontro! A manhã do festival.

— Sim. — Afligido, Matador de Goblins inclinou a cabeça, perplexo. — Isso te fez tão feliz?

— Que pergunta!

Vaqueira lhe lembrou com um sorriso enorme o que ele já deveria ter percebido.

— Já passaram quase dez anos desde que fui em um festival com você!

— Tem?

— Tem sim.

— …Entendi. — Matador de Goblins balançou a cabeça com a maior seriedade. — Não tinha notado.

Eles podiam sentir, mesmo que pouco, o cheiro de creme fervendo. Vaqueira havia deixado os lacticínios cozinhando quando pensou que estava pronto, indo se encontrar com ele sobre o pretexto de um recado.

A casa agora estava bem na frente deles.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

7 Comentários

  1. A coragem e a atitude dela é de se admirar, mesmo ela estando em desvantagem e com a possibilidade de uma rejeição.

  2. Agora eu entendi tudo, vai dar mo treta isso certeza, a garota da guilda vai ver os dois juntos e vau gerar mo mal entendido aposto que isso vai acontecer e eu inocente feliz que a garota da guilda iria conseguir um encontro com esse cabeça oca

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