MdG – Volume 3 – Capítulo 2 (Parte 10 de 10)

Envolta de seu casaco, a mulher semicerrou os olhos duvidosamente.

— Você… mata goblins…?

— Sim. — Matador de Goblins respondeu.

— …Parece loucura.

— Entendo.

A lâmina que ele tinha afastado deslizou de volta, procurando seu pescoço.

Ela levantou a corrente com a insígnia de prata que estava pendurada ali.

— Uma insígnia prata… Aventureiro ranque Prata?

— Aparentemente — disse Matador de Goblins com um aceno — a Guilda me reconheceu como tal.

— …Entendi.

A espada recuou como um sopro de vento e retornou a sua bainha com um clic.

A suavidade absoluta do movimento sugeria que era uma aventureira de alto ranque. Certamente no mínimo Cobre, imaginou Matador de Goblins.

— Parece que fui um pouco precipitada. Peço desculpas.

— Não, tudo bem.

— Pensei que fosse um morto-vivo ou algo assim…

A mulher parecia desajeitada enquanto se desculpava, mas seu tom suavizou.

Matador de Goblins balançou a cabeça suavemente. Particularmente não importava para ele.

O problema era…

— Ei, não tenho dito para você não fazer isso?

Naquele momento uma voz, brilhante como o nascer do sol, veio por trás dela.

— Ela tira as piores conclusões sobre todo mundo. Não se preocupe, eu parei ela.

— O fato é que ele era suspeito.

A próxima voz era fria como gelo. Duas pessoas novas.

Com um ruído, a grama se separou, revelando um aventureiro baixo também com um sobretudo.

Seria fácil confundir essa pessoa com um rhea, mas elas carregavam uma espada de tamanho completo em seu quadril.

Elas deveriam ser humanas. Uma rhea não teria força para brandir essa espada.

A outra pessoa carregava um cajado grande e estava mais bem vestida que as outras duas. Obviamente, uma usuária de magia de alguma espécie.

E todas elas, a julgar pelas vozes, eram mulheres. Grupos composto inteiramente de mulheres eram relativamente raros.

— Então, que se passa? Estou curiosa — perguntou a espadachim diminuta.

Antes que Matador de Goblins pudesse dizer algo, ela deu um par de passos ligeiros em frente.

Com um passo tão alegre quanto sua pergunta, ela encurtou o espaço entre eles como se estivesse em um passeio.

— Hum… — murmurou Matador de Goblins, e após um momento de consideração, deu sua resposta.

— Estou tomando precauções.

— Precauções? Hmm… — Ela espreitou Matador de Goblins, depois disse indiferentemente: — Equipamento estranho você tem…

— É?

— Ah, desculpe. Não tenho a intenção de zombar de você. Só acho que é engraçado.

Sua voz era tão animada que Matador de Goblins podia dizer que ela estava sorrindo sob seu capuz.

Não obstante, seu esclarecimento não evocou qualquer reação dele. Ele não fazia ideia do que poderia ser divertido sobre sua armadura de couro nojenta e capacete de aparência barata, ou sua espada e escudo.

Mas enquanto as mulheres o avaliavam, ele também o fazia, em contrapartida.

Elas não eram da multidão local de aventureiros. E elas não eram goblins… disso, ao menos, ele tinha certeza.

— …Não acho que ele está envolvido. Mais provável.

Depois de um tempo, a aventureira com o cajado falou com seu tom frígido.

— Francamente, mal consigo acreditar que alguém tão estranho exista.

— Acho… que sim. Reconheço que ele esconde seu rosto e pele, mas concordo que isso parece um pouco demais.

A resposta veio da primeira mulher. Com sua espada ainda na bainha, ela continuou com um tom estranhamente prepotente: — Eu vi a diferença em nossas habilidades. Ele não será um problema.

— Acha? Se você diz, acho que deve ser verdade.

A garota, que havia inclinado a cabeça enquanto suas companheiras discutiam, terminou batendo as palmas.

— Bem, senhor, desculpe o incômodo.

— Está tudo bem. — Matador de Goblins balançou ligeiramente a cabeça, depois colocou a carga no chão. — Vocês vieram ver o festival?

— Hã? Ah, hum, bem… Acho que sim. É bem aqui perto, não é?

— Sim. — Matador de Goblins assentiu. — Essa é a cidade que realizará o festival da colheita. — Então, depois de pensar um momento, ele acrescentou: — Se precisarem de uma pousada, consiga uma logo.

— Oh, nossa. Certo. Entendi. Já é muito tarde agora. É melhor irmos andando. Desculpe! — acrescentou ela uma última vez, e partiu com ânimo leve.

As outras duas se recompuseram apressadamente enquanto ela se afastava cada vez mais.

— Argh, ela sempre…! Nós devemos ir, então. Peço desculpas pelos problemas.

— Sinto muito.

As outras duas seguiram a garota que partia, desaparecendo como sombras.

Matador de Goblins, agora sozinho, só murmurou “Hm”.

Ele tinha colocado uma pedra pequena onde a espadachim baixa havia estado há um momento.

Como ele se recordava, era exatamente o lugar onde tinha cavado e ocultado um buraco.

A maneira como ela andava era treinamento marcial, magia ou simplesmente sorte? Ele não sabia.

E por falar em coisas que ele não sabia, ele não pôde determinar porque as mulheres haviam usado essa trilha e não a estrada principal.

— ……

Mas pensar nisso não trouxe nenhuma resposta, então ele simplesmente descartou a questão.

Elas eram quase que certamente apenas aventureiras que provinham de outro lugar para ver o festival.

E elas não eram goblins. Isso era o suficiente.

Mesmo assim, ele tinha certeza de que pessoas não passariam por essa área…

— …Terei que escolher meus locais com mais cuidado.

Havia muito a se fazer.

E ele sempre sabia o que devia ser feito.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

9 Comentários

    1. Isso é um mal de quase todos os personagens da obra. E sim, eu também espero que elas ainda se arrependerão por esse julgamento precoce kkk

  1. Obrigado pela conclusão de mais um capítulo.

    Então era realmente um mal-entendido, mas pensar que elas julgaram um livro(Goblin Slayer) pela capa(Armadura do Goblin Slayer), deixar um gostinho ruim na boca.

    PS: Mesmo os personagens reclamando da armadura do Goblin Slayer de ser simples e suja ainda acho ela bem legal kkkkk

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