MdG – Volume 3 – Capítulo 2 (Parte 5 de 10)

— Oh, ei, você voltou. Céus, quanto tempo leva para comprar um item? — disse Guerreiro de Armadura Pesada, descansando seu queixo nas mãos. Cavaleira corou furiosamente.

— A-ah, silêncio. Há vários tipos de coisas para se considerar…

Meio-Elfo Guerreiro saltou alegremente. — Então, até a nossa amada Cavaleira quer parecer elegante para o festival!

— Uau, sério?! Oh, isso é ótimo. Me pergunto também se deveria usar um vestido ou algo parecido — disse Druidesa, envolvendo suas bochechas com a mão. Mas, Garoto Batedor brincou com ela friamente.

— Querendo parecer elegante, hein, mana? …Bem, pelo menos você é bonita por dentro.

— O-o que você disse?!

— Ei, fale baixo, não grite!

O grupo de Guerreiro de Armadura Pesada estava bastante encantado em discutir sobre o festival. Perto deles, Guerreiro Novato e Sacerdotisa Aprendiz pareciam desinteressados.

— Você só vai ficar com suas vestes votivas? Eu esperava te ver com suas roupas de ritual…

— Cuidado, ou te deixo estirado.

— É, mas quero dizer, é um festival

— ……B-bem, acho que talvez eu possa… me arrumar um pouco…

— Sério?! Ooo!

— Ei, não faça disso grande coisa, está me envergonhando!

Os outros aventureiros estavam da mesma forma. Todos cheios de entusiasmo com as festividades por vir. Nenhuma única pessoa parecia estar não ansiosa por isso.

— …Quase nenhuma — murmurou Matador de Goblins dentro de seu capacete, enquanto seu olhar se encontrou com um aventureiro sentado no canto. O jovem usava um sobretudo preto, quase audaciosamente, e observava os aventureiros com um olhar reluzente.

Não era estranho. Ambição era necessária para ter sucesso nesse tipo de trabalho.

Matador de Goblins começou a andar lentamente, observando todo mundo de sua visão periférica.

Havia sempre muitas coisas em que pensar. Sempre muita poucas pistas.

E muito a se fazer, pensou ele…

— Hmm

— Oh!

Sacerdotisa veio frenética do lado de fora e tudo mais, e quase se chocou com ele. Ela se ajeitou e agarrou sua mitra.

— Ah, hum, ah, M-Matador de Goblins, senhor! — Suas bochechas coraram diante de seus olhos, embora ele não tivesse ideia do que ela estava envergonhada. Ele praticamente esperava que fumaça saísse das orelhas dela enquanto inclinava sua cabeça.

— Você foi capaz de dormir ontem à noite?

— S-sim. Estou bem.

Talvez estivesse só sendo paranoico. Os olhos de Sacerdotisa se moviam de um lugar ao outro ansiosamente.

— Hmm — grunhiu levemente Matador de Goblins. — Quero dar isso a você antes que me esqueça.

— Oh!

Matador de Goblins passou sua bolsa de moedas, e Sacerdotisa pegou com ambas as mãos para evitar deixar cair. O embrulho ressoou discretamente enquanto ela agarrava ele ao seu peito modesto.

— De ontem.

— Obr-obrigada…

Ela guardou o dinheiro da recompensa cuidadosamente, mas seus pensamentos pareciam estar em outro lugar. Seu olhar se mantinha na oficina.

Matador de Goblins ficou quieto por um momento antes de perguntar categoricamente: — Precisa de equipamentos novos?

— Oh! Hum…

Ele parecia ter adivinhado corretamente.

Agora toda a sua cabeça girou, se movendo para frente e para trás, entre Matador de Goblins e a oficina. Ele não conseguia entender o que poderia estar a incomodando.

— Precisa de conselho?

— N… — A voz de Sacerdotisa chiou. — N-não, não… preciso. Estou muito… bem… obrigada!

— Entendi.

Ele deixou as coisas assim, passando por ela.

Para ele, pelo menos, tudo isso era perfeitamente natural. A gargalhada do velho por detrás dele nem sequer provocou um olhar para trás. Talvez o sênior estivesse interessado na garota.

Isso não era — ou deveria ter sido — uma coisa ruim.

Diz-se que o período antes de um festival é o próprio festival.

Quando saiu na cidade, ele ouviu martelos batendo em madeira, estandartes balançando, a brisa soprando.

Aventureiros não eram os únicos que viviam nessa cidade fronteiriça. Mulheres jovens vasculhavam os estoques de lojas, decorados para as celebrações, pensando no que fazer em relação as suas roupas. Crianças corriam pelas ruas amplas, pensando, sem dúvida, como gastariam seus trocados. Seria bastante fácil para seus planos se revelarem ao verem um brinquedo em uma vitrine.

Vegetais cortados estranhamente estavam secando à beira da estrada, aguardando a hora de serem tecidos em lanternas. Mais carroças e carruagens do que o habitual percorria as ruas.

Uma abundância de alimentos e roupas estavam à venda, e visitantes também não estavam escassos. Era apenas natural com um festival chegando.

Essa área ainda era a fronteira, sempre atacada por monstros, ameaçada por Deuses Demônios e sob seu ordenamento. Assim, era compreensível que, pelo menos, na época do festival, todos queriam se divertir tanto quanto pudessem.

— Hmm.

Matador de Goblins lançou um olhar em tudo isso, então, seguiu pela rua atrás do edifício da Guilda.

A luz do sol brilhava na diagonal, muito mais fraca que no verão. O sol pairava no alto do céu, mas a brisa fresca fazia parecer como a primavera.

O cheiro de algo grelhado flutuava da galeria da Guilda.

De fato, vestígios de fumaça de cozinha estavam subindo de muitas das casas na cidade. Era hora do almoço.

Então, é por isso que aquelas crianças estavam correndo.

Os campos de treino estavam vazios. Qualquer aventureiro em uma missão já havia partido, e o resto provavelmente não era tão dedicado ao seu treinamento a ponto de perder o almoço.

Perfeito.

Ele abaixou a cabeça uma vez e foi para um canto dos campos, onde se sentou à sombra de uma árvore.

Depois ele abaixou a pá e desamarrou o embrulho ligado a ela, estabelecendo uma loja rapidamente.

Estacas, madeira, arame, corda, etc… Uma variedade de itens, muitos deles sem relações com aventuras.

Depois de sacar sua espada curta, ele começou imediatamente seu trabalho.

Ele raspava as estacas em pontas incrivelmente afiadas, batia elas na madeira e as angulava. Então ele amarrava a corda em torno de tudo isso de uma forma estranha.

Seus movimentos eram espadaúdos, mas precisos, entretanto, o que quer que ele estivesse fazendo parecia perigoso demais para ser de uso diário.

Se Alta-Elfa Arqueira estivesse ali ela teria, sem dúvida, vibrado suas orelhas de curiosidade. Sacerdotisa teria perguntado vacilantemente o que ele tramava.

Mas, não foi nenhuma delas que o chamou enquanto ele ficava lá, absorvido em seu trabalho.

— Oh!

— Ho ho!

Duas vozes muito intrigadas. Matador de Goblins levantou brevemente seu capacete.

Um homem em forma de barril, e outro alto e magro. Anão Xamã e Lagarto Sacerdote, dois de seus companheiros.

Suas sombras — uma alta, outra baixa — se sobrepuseram com a de Matador de Goblins debaixo da árvore.

— Ah, meu senhor Matador de Goblins. Mais um belo dia hoje. — Lagarto Sacerdote juntou suas mãos em um gesto estranho, contumaz por olhar para Matador de Goblins. — Esperamos que o tempo para o festival de amanhã seja tão agradável quanto esse.

— Sim. — Matador de Goblins assentiu sem pausar com seu trabalho. — Espero que seja ensolarado.

— Concordo, concordo. — Lagarto Sacerdote bateu no chão com a cauda. Ao lado dele, Anão Xamã acariciava seu queixo.

— Não somos trabalhadores árduos. O que você tem aí?

— Estou preparando uma coisa.

Matador de Goblins teve poucas palavras para o anão, que analisava o aparato com a mão ainda em sua barba.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

10 Comentários

  1. Finalmente a Sacerdotisa vai fazer algum movimento(ataque?) durante o festival ?

    E o MdG está fazendo novas armas(?), tenho quase certeza que sim…

      1. Creio que vai ser algo bem discreto (diferente da Vaqueira e da Garota da Guilda) durante o festival.
        Talvez eu esteja vendo coisas onde não tem, e isso deve ser efeito das obras de romances que eu deixei acumula para ler nesses últimos dias kkkk

    1. Se ela vai fazer algum movimento durante o festival eu não sei, mas possivelmente a atitude dela nessa parte tem algo have com aquele interlúdio…

  2. Obrigado pelo Capítulo.

    O Goblin Slayer já iniciou sua preparação? Só não sei para o que, mas parece que ele já está adivinhando que algo vai acontecer…

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