MdG – Volume 3 – Capítulo 3 (Parte 5 de 5)

— Bebida? — perguntou Matador de Goblins a Vaqueira.

— Claro, obrigada.

Ela pegou o copo gelado de sua mão. Era água com limão e mel.

Esse arrepio refrescante, pensou ela, não havia mudada em dez anos.

— Ah, é — disse ela, fingindo que tinha acabado de pensar em algo enquanto via de soslaio as crianças arremessarem com determinação as bolinhas. — Já que você quem me deu, por que não coloca em mim? O anel.

— Aonde?

Ele olhou atentamente para os dedos dela, de seu polegar ao mindinho.

— Digo… meu dedo anelar — disse ela, começando a se arrepender de ter dito alguma coisa. — …O que acha?

— De qual mão?

— Como assim, qual? A…

A mão esquerda.

Ela balançou a cabeça, de certa forma incapaz de dizer as palavras.

— Di…

Ela respirou e revistou seu bolso, pegando o anel com a mão esquerda.

— Mão direita… por favor.

— Está bem.

E então ele colocou o anel no dedo dela sem qualquer cerimônia.

Ela ergueu a mão ao sol, e o a anel brilhou intensamente.

Bem, acho que vou ter de tirar quando trabalhar.

Mas, pelo menos durante o festival ela poderia deixá-lo.

Com o sabor agridoce da limonada em sua boca, Vaqueira decidiu ter toda a diversão que pudesse.

Agora, vamos deixar a estátua do sapo do lado de fora da porta e seguir o comerciante de dentro enquanto ele vai à taverna para mais limonada.

— Não vou meter o meu nariz onde não é chamado, mas… — Lagarto Sacerdote mordiscou suntuosamente uma salsicha frita coberta com uma grande quantidade de queijo. Não era rude na cultura dos lagartos falar enquanto aproveitava sua comida. — Me pergunto se vai dar certo… É claro, eu certamente espero.

— Ahh, as coisas nesse mundo mudam para melhor de oito a nove em cada dez vezes — disse Anão Xamã, batendo em sua barriga como um tambor enquanto dava um gole em sua bebida forte e proclamava: — Está tudo bem! — Ele olhou para o lado com um sorriso serelepe enquanto dizia: — Estou mais preocupado com…

A última pessoa à mesa, Alta-Elfa Arqueira, olhava como se estivesse caçando uma presa.

— Grrr…

— Por que está gemendo, Orelhuda?

— Porquê! — Ela bateu na mesa, apontando para fora da taverna enquanto suas orelhas sacudiam. — Eu tentei aquilo antes e não consegui acertar uma!

— Isso só quer dizer que disparar e lançar são coisas diferentes.

— Isso não é justo! Sou uma alta-elfa! Somos descendentes dos deuses!

Então ela tomou um gole desesperado de sua limonada.

Ela havia mandado embora uma peça de bronze atrás de outra e ainda acabou por ter de comprar sua própria bebida. Era a limonada mais amarga que já havia tomado.

— Bem, é assim que o mundo funciona. Minha senhora Patrulheira e meu senhor Matador de Goblins têm diferentes aptidões.

O tom de Lagarto Sacerdote sugeria como se estivesse falando com uma criança. E Anão Xamã ficou muito feliz em adicionar sua opinião.

— Certeza de que não está apenas chateada por perder para Corta-barba?

Sniiiiff… N-não estou chateada.

Lagarto Sacerdote sibilou com divertimento enquanto Alta-Elfa Arqueira dizia as palavras entre os dentes.

— …Oh, espere um segundo.

A elfa sacudiu repentinamente suas orelhas de surpresa, levantando a cabeça e se virando para a janela.

— Alguma coisa errada, minha senhora Patrulheira?

— Olhe. Estão se movendo.

Ela estava certa. Os dois estavam deixando o jogo de bolas.

Vaqueira se movia pesarosamente, enquanto Matador de Goblins caminhava tão ousadamente quanto sempre.

— Hum, eles estão falando… “Diga olá a Garota da Guilda por mim” e “Sim”.

Ele não consegue pensar em nada mais amigável para dizer?

Alta-Elfa Arqueira estufou as bochechas de desagrado, brincando com seu copo de limonada, agora coberto de gotículas de água.

Anão Xamã afagou a barba, aparentemente entretido com isso.

— Não consigo pensar em um uso mais estúpido para as orelhas de um elfo.

— Ah? Você não entende nada sobre a cultura humana, anão? — Alta-Elfa Arqueira lhe deu um sorriso confiante e incomum, com suas orelhas eretas. — Se você pode fazer coisas bobas, isso mostra que dispõe de recursos suficientes para se dar ao luxo.

— Me parece como a desculpa de uma pessoa que ficou tão envolvida no que estava fazendo que ela se esqueceu de sua bolsa em algum lugar.

— Isso não tem nada a ver.

— É por isso que odeio elfos! Sempre tentando esconder seus problemas.

— Palavras fortes enquanto anões só conseguem pensar em dinheiro!

E os dois amigos acabaram de novo em uma de suas discussões habituais.

Lagarto Sacerdote os observava com prazer, batendo a cauda no chão. Ele acenou para uma garçonete nas proximidades.

— Com licença, Senhorita Empregada!

— Sim, senhor!

A resposta atenciosa veio de uma felpubro; uma garota fera. Suas mãos, pés e orelhas eram as de um animal. Ela correu até ele.

— Nossa. — Naturalmente, os olhos de Lagarto Sacerdote se alargaram um pouco quando ele reconheceu a garota que ficou ali, rindo.

— Me perdoe, mas você não é uma das garotas da Guilda?

— Ah, sim! Estou trabalhando em dois empregos. — Garota Felpubro escondeu seu sorriso com a bandeja, mas não conseguiu ocultar sua risada. — Olhe ao redor. Todos estão tão ocupados hoje, eles pedirão toda a ajuda possível.

— Sim, estou vendo. Ainda bem que essa maré alta parece estar levantando seu barco também. — Lagarto Sacerdote assentiu atentamente, usando uma de suas garras afiadas para indicar o cardápio na parede. — Peço mais duas ou três de suas salsichas fritas. E se puder garantir que o queijo esteja especialmente abundante…

— Claro, claro. A propósito, se quiser, também temos salsichas com ervas.

— Oh, ervas, você disse?

— E outras com cartilagem…

— Com certeza!

— Mais algumas recheadas com queijo!

— Oh, deuses!

Não era preciso dizer que seus olhos nunca haviam brilhado tanto.

Assim, a hora do almoço passou tranquilamente.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

9 Comentários

  1. E chegamos ao clímax do capítulo, a Vaqueira quase conseguiu (mais sorte na próxima vez kkk).
    E Alta-Elfa Arqueira não tá chateada só por ter pedido para o MdG no lançamento, tem mais coisas aí, igual o Anão disse…

  2. Se ela tivesse um pouco mais de coragem, ele teria colocado o anel onde ela realmente queira e nem teria percebido ahuahauhauhau
    PS:— Digo… meu dedo anelar — disse ela, começando a se arrepender de [ter digo] alguma coisa. Seria ter “dito” ali não?

    1. Sério do jeito que ele é, talvez até tivesse assumido a responsabilidade quando descobrisse o real significado kkkk

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