MdG – Volume 3 – Capítulo 4 (Parte 2 de 7)

Matador de Goblins e Garota da Guilda chegaram ao fim da rua principal e caminharam pela margem do rio, onde ela olhou rio cima e rio abaixo.

Os borbulho do rio, o splash de peixe saltando, os barcos circundando pela água, nada disso parecia chamar a atenção dele.

— Hmm, isso não é adorável?

Garota da Guilda fechou os olhos enquanto a brisa fria do outono beijava suas bochechas.

Então ela se segurou no parapeito da ponte e se inclinou sobre a água tanto quanto podia.

— Você vai cair. — Para ela, o comentário brusco era uma simples evidência de que ele estava prestando atenção nela.

— Estou bem — disse ela, se virando de volta.

Com as mãos se apoiando no parapeito, ela arqueou as costas e voltou para a ponte.

Seu cabelo trançado dançou quando o vento o apanhou.

— Esse rio deve ir até o mar.

— Sim — disse ele. — Começa nas montanhas.

— Mas não é como a cidade da água. O que você achou daquele lugar?

— As ruas eram confusas — disse sem emoção Matador de Goblins. — Bom para defesa, mas problemático para se ir algum lugar.

— Você também quer dizer que é melhor ter cuidado com goblins não entrarem nessa cidade.

— Sim. — Matador de Goblins assentiu. — Exatamente.

Então…

— Oh.

Só por um segundo, Garota da Guilda encontrou os olhos de um turista em um barco passando debaixo da ponte.

Uma garota adorável com lindos cabelos dourados e bochechas pálidas tingida de vermelho-claro.

Ela não estava usando sua armadura dourada habitual. Hoje ela estava ostentando um vestido azul-marinho.

Ao lado dela estava um homem grande com uma expressão severa e um tanto confusa em seu rosto. A mulher deveria ser Cavaleira.

— …Hee-hee.

A cavaleira colocou o dedo em frente à boca e olhou para Garota da Guilda como se exigindo que isso permanecesse em segredo. Garota da Guilda não pôde deixar de rir ao ver a aventureira se comportar como qualquer outra garota jovem de sua idade.

Sim. Sim, é claro. Nosso segredo.

Ela pensava que todos já estavam bem cientes da situação, mas seus lábios ficaram selados.

Parecia estar indo bem com os dois. Isso é o que importa. Bem, me pergunto o que todos pensam de nós.

— Diga, Sr. Matador de Goblins. — Ela se afastou do corrimão e puxou seu braço. — Para onde vamos agora?

— Hmm…

Com um som gutural curto, ele partiu com seu modo de andar habitual, com Garota da Guilda atrás dele com o peito estufado orgulhosamente.

Aqui e ali, ele mudou as direções aparentemente por capricho, mas ele andava com tanta confiança que ela presumia que ele tinha algo em mente.

Ela estava apreciando o mero mistério de onde estavam indo, o que fariam lá.

Ele parou mais tarde em várias curvas na estrada, onde eles foram para uma rua movimentada.

— Ah, é aqui que estão todos os artistas, não é?

Artistas de todos os tipos com todas as fantasias que se possa imaginar proclamavam sua arte para todos ouvirem.

Os transeuntes sorriam, desfrutavam dos shows, aplaudiam e deixavam uma gorjeta, ou ignoravam todo espetáculo e continuavam caminhando.

Um músico rhea persuadia miados de um gato em seus braços, mesmo enquanto fazia malabarismos com um punhado de bolas. Uma entusiasmada canção sem sentido saia de sua boca.

A vida é uma jogada de dado

Jogue-os dias após dia

E sempre é um e um

Alguém disse       sorte é justa

Nada muda até o dia da sua morte

Rir ou chorar, é tudo a mesma coisa

Um e um aparece hoje de novo

Oh       um e um       um e um!

Mostre-me seis e seis amanhã!

 

Garota da Guilda ouvia a canção enquanto eles passavam, então observou seu companheiro.

— Qual é a sua jogada hoje, Sr. Matador de Goblins?

— Não sei — disse ele. — Ainda não.

— Hm… — Garota da Guilda tocou o dedo refletidamente contra seus lábios. An-ham. Certo.

— Você teve um encontro com uma garota de manhã e outra de tarde. — Ela franziu os lábios com o som ligeiramente rude disso. — Acho que a sua sorte é muito boa, não?

— É?

— Hu-hum.

— É mesmo?

— Com certeza.

A garganta de Matador de Goblins vibrou com um hmm evasivo. Não ficou claro se ele entendeu o ponto ou não.

Céus…

Qualquer um que agisse assim pareceriam irritantemente indeciso.

Mas esse não era o tipo de pessoa que ele era.

Se ele fosse algum aventureiro farrista, ela nunca teria o convidado dessa forma.

— Céus…

Ela repetiu deliberadamente seu aborrecimento em voz alta, mas no furor da multidão não chegou a ele.

Matador de Goblins, por sua vez, vistoriava a rua dos artistas.

Ele olhou para um ato onde um incompetente estava lançando faca e supostamente provocava risos. Mas ele perdeu o interesse imediatamente e passou para a próxima coisa.

A próxima coisa era um homem com um sobretudo.

Seu corpo inteiro estava coberto de roupa e ele fazia movimentos estranhos e amplos com seus braços…

— Ah…!

No instante seguinte, um dragão minúsculo apareceu em sua palma.

Nem tinha Garota da Guilda acabado de fazer um som de surpresa e o dragão foi coberto por um ovo. O homem cobriu o ovo com as duas mãos e ele cresceu se tornando uma pomba. O pássaro voou das mãos dele, mas seus dedos brilharam e o pássaro se transformou em uma nuvem de fumaça azul.

O homem puxou a fumaça como se fosse uma corda, transformando isso agilmente em uma espada longa. Ele segurou a arma com sucesso antes de colocá-la em sua boca.

Garota da Guilda ficou mais do que feliz em aplaudir seu ilusionismo.

— Isso é incrível, não é? Não sabia que alguém era tão bom nisso.

— Entendi — disse Matador de Goblins, com seus olhos não deixando o mágico.

Garota da Guilda ficou um pouco confusa, tendo em conta que ele não parecia nem um pouco surpreso com qualquer um dos truques.

Bem, não era exatamente confusão, isso chamou sua atenção de certa forma, despertando sua curiosidade.

No trabalho, ela não poderia perguntar muito sobre isso.

Mas felizmente, esse era um momento a sós entre eles. Ela aproveitou a chance.

— Você gosta de espetáculos assim?

— Sim. — Matador de Goblins assentiu e apontou para o homem, cujo dedos ainda estavam esfumaçando um pouco. — Ele nos distrai com seus gestos, depois executa seus truques.

— Eles dizem que isso é o básico em ilusionismo.

— Sim. E quando o público percebe que os gestos são apenas para exibição, então você faz desses movimentos a chave do seu próximo truque — disse Matador de Goblins. — É uma boa tática psicológica e bom treinamento.

Então ele balançou seu capacete e olhou para ela. Seu tom foi direto como sempre. Mas…

— …Fui enganado.

Caramba, esse cara…

Garota da Guilda deu um pequeno suspiro.

Ele era sério, teimoso, estranho e socialmente desajeitado.

Ela havia entendido tudo isso sobre ele desde que se conheceram.

Quer dizer, há cinco anos, desde que ela veio a essa cidade como uma empregada recém-formada com dezoito.

Mas Garota da Guilda só conhecia ele como um aventureiro.

Ela não conhecia o que estava sob — ou atrás — dessa personalidade, seu eu verdadeiro.

Mas o mesmo era para ele.

Ela sempre agiu como uma recepcionista adequada com ele.

— Humm, então agora…

Uma tática psicológica. Isso é o que ele havia dito. Está bem, então. Vou lhe mostrar um pouco de minha própria tática.

— …Há um lugar onde eu gostaria de ir. Tudo bem?


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

9 Comentários

  1. A Garota da Guilda vai partir para o ataque direto na próxima parte?!
    E essa música? kkk

  2. Obrigado pelo capítulo.

    O Goblin Slayer foi enganado? kkk
    A Garota da Guilda finalmente vai mostrar sua “tática”.

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