MdG – Volume 3 – Capítulo 4 (Parte 4 de 7)

— Balões de papel.

— Sim. Achei que eles seriam lindos daqui. — A resposta de Garota da Guilda às duas palavras de Matador de Goblins soou bastante satisfeita. — Já que eu conseguiria finalmente fazer isso, queria te convidar.

— …Entendi.

Matador de Goblins olhou para cidade abaixo e exalou calmamente.

Os pontos dourados de luzes já estavam longe, e no brilho laranja das velas, a cidade ficou incomparavelmente bonita.

Estava cheia de criações dos humanos.

Casas e edifícios feitos de pedra, a roupa das pessoas nas ruas, seus risos aumentando.

Eles acenderam as velas de suas lanternas, com o papel inflando antes de levar as partículas de luz para o céu.

O olhar de Matador de Goblins seguia sua ascensão da cidade abaixo no ar da noite.

Ele sabia que o ar quente subia e era por isso que as lanternas voavam. Isso era tudo. Sem magia ou milagres envolvidos. Eventualmente, a chama iria terminar e as lanternas cairiam de volta ao chão.

— Sr. Matador de Goblins, você…?

Garota da Guilda abriu a boca para dizer alguma coisa, mas naquele momento…

Riiing.

Um sino soou, repercutindo pelo silêncio da noite.

Se as lanternas eram estrelas em um riacho, esse era o borbulhar da água.

Riiing, riiing, riiing, riiing.

O som repetia em um ritmo fixo, um ritual sagrado para purificar a área.

Garota da Guilda procurou pela origem. Vinha da praça, onde uma multidão de lanternas estava subindo pelo ar.

Pessoas estavam espremidas na praça, sentados em torno de um palco redondo.

Ela avistou uma lança familiar e um chapéu pontiagudo na multidão e riu.

Oh, já deu a hora?

Dias bonitos, dias festivos, dias comemorativos. Esses dias também pertenciam aos deuses.

Eles eram dias de agradecimento às colheitas e um outono frutífero, bem como a súplica para passagem segura durante o inverno.

Petições que eles faziam, naturalmente, à toda-compassiva Mãe Terra.

Logo, alguém apareceu na praça em meio às fogueiras para encarnar essas esperanças.

Uma jovem toda vestida de branco emergiu graciosamente, uma donzela de santuário. Não…

 

— Ó deuses que se reúnem à mesa das estrelas…

 

Era Sacerdotisa.

Ela estava vestida de forma muito diferente. Sua roupa se parecia com algum tipo de traje de batalha, mesmo assim mostrava uma boa quantidade de sua pele.

Seus ombros e decote, barriga e costas, suas coxas, tudo revelava sua pele pálida e pura.

 

— …pelos pontos dos dados do destino e acaso…

 

Seu rubor sugeria que ela estava envergonhada por ser vista assim, mas ainda assim ela girou seu mangual baseado em uma relíquia sagrada.

A Mãe Terra era a deusa da abundância, a governante do amor e por vezes até uma deidade da guerra.

E essas eram as vestimentas de sua sacerdotisa.

Então, na verdade, não era nada de que fosse preciso ter vergonha.

 

— Ó Mãe Terra, vos suplicamos…

 

Sacerdotisa agitou seu grande mangual com as duas mãos, com as chamas se refletindo em suas gotas de suor no rosto.

Sempre que a relíquia — originalmente uma ferramenta de colheita — cortava o ar, deixava uma trilha branca e o toque de um sino.

Uma dança dos deuses, pelos deuses e para os deuses. Uma exibição sagrada.

 

— Como a sua vontade, seja a minha vontade…

 

Matador de Goblins lembrou dela murmurando: Tenho praticado.

Ela tinha falado do seu novo equipamento. Ela ficara com tanta pressa para ir à oficina.

Ela devia ter ficado treinando para que pudesse manejar aquele mangual e ido à loja para preparar essa roupa.

Ele tinha finalmente compreendido o sorriso travesso de sua companheira elfa.

 

— Ofereço esse corpo, incansavelmente, inesitantemente…

 

Sua oração soava através da praça, pelas casas, até a torre de guarda.

Ele tinha certeza de que os deuses podiam ouvi-la de onde repousavam no céu.

A esperança era para que os seus dados pudessem rolar mesmo que só um pouco mais favoravelmente.

Oh       um e um       um e um!

Mostre-me seis e seis amanhã!

Onde ele tinha ouvido essas palavras?

 

— Lhe oferecemos essa oração…

 

Ela não estava exatamente possuída, mas ela aproximou mais o panteão.

É claro, se ela tivesse realmente usado o milagre Chamar Deus, certamente sua alma mortal não teria suportado.

Mas mesmo a imitação do milagre era preciso apenas um gesto, uma respiração, um som, para fazer os fundamentos parecerem santos.

A noite não pertencia às pessoas. Pertencia aos monstros e caos. E goblins.

 

— Ó formidável, Ó eterno, Ó vasto, Ó profundo amor…

 

Ela deu um grande passo de dança e seus trajes rodaram, revelando seus quadris.

Sua respiração intensificada esfumaçava e gotículas de suor voavam de cima dela.

Seus olhos lacrimejavam; seus lábios tremiam. Seu pequeno peito se erguia com cada respiração.

Mesmo assim ela não exalava nenhum erotismo, apenas santidade.

 

— E que seja assim sobre seu tabuleiro…

 

— …Eu nunca relaxei — sussurrou Matador de Goblins enquanto seguia a forma dela com seus olhos.

— O qu…?

As palavras vieram do nada. Garota da Guilda não sabia se estava mais surpresa ou confusa.

Levou um instante para perceber que ele estava respondendo sua pergunta de mais cedo.

— Não importa quanto eu faça, não importa quantos eu mate. Tudo o que eu ganho é uma chance de vencer. — Não importa o quanto seus companheiros e amigos o apoiavam, o encorajavam e lutavam ao lado dele. — E uma oportunidade de vitória não é uma vitória.

Não havia como ser.

O espectro da derrota estava sempre presente. Ele nunca poderia fugir da sombra que o tinha criado.

Certamente não quando essa sombra tinha uma forma concreta e poderia o atacar.

— É por isso que não fiz uma lanterna.

Para preparar. Para estar pronto contra os goblins. Para lutar.

Para se cobrir contra aquele 0,01 por cento enquanto tinha 99,99 por cento de certeza de que poderia vencer.

Ele concluiu que por tudo isso, ele não poderia poupar sua atenção para qualquer outra coisa.

Ele sabia.

Ele sabia que o que levava as lanternas voando para o céu era apenas um fenômeno natural. Que quando as velas esgotassem, elas iriam cair na terra como nada mais que lixo.

Matador de Goblins sabia disso.

Mas…

— Os balões de papel guiam as almas dos mortos — sussurrou ele com um pouco de arrependimento. — Gostaria de saber se eles conseguiram regressar em segurança.

De quem ele estava falando? Ou o quê? Como ele se sentia agora?

Garota da Guilda não podia dizer. Ela não sabia.

Mesmo assim ela disse “Tenho a certeza que sim” e sorriu.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

16 Comentários

      1. Apesar dos pensamentos dele ser “simples”(segundo seus companheiros), é verdade que os sentimentos dele ainda é um enigma kkkk

  1. Obrigado pelo capítulo.

    A apresentação da Sacerdotisa com essa música estranha quer dizer alguma coisa…, Estou esquecendo de algo importante?

    E o Goblin Slayer como sempre surpreendendo, seja lutando ou pensando kkk

  2. Siiiiiiiiiiim! Consegui acompanhar, agora eu posso comentar com vocês.

    Man cadê a elfa arqueira nessa parada, acho que ela tá escondendo esse sentimento pelo mdg mais espero que ela faça sua jogada logo e tome a ofensiva pois o coração dele é disputadissimo!!!

    Nenhuma supera a elfinha

    1. Já chegou declarando que é do Team Alta-Elfa?! Cuidado a maioria gosta da Vaqueira e da Garota da Guilda kkkkk

      E sobre a Alta-Elfa Arqueira aposto que ela ainda nem entendi seus sentimentos…

      PS: E como é disputado!!!

      1. Kkkk impossível a elfa é perfeita pra ele, só faltei dançar samba quando a elfa pegou na mão dele.

        Tira esse capacete logo pra elfa se dereter, só ele fazer isso que é tiro e queda

        1. Cuidado com o coração caso eles saem em um encontro kkk

          Se ele tira esse capacete é tiro e queda para qualquer uma kkkk

          1. Aaa se eles sai em um encontro sou capaz de ter um AVC!!!

            Fico pensando eles jantando e tals aí ele tira o elmo pooowwww acerto crítico no coração da minha arqueirinha.

            (Se bem que ele tirar o elmo é quase impossível)

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