MdG – Volume 3 – Capítulo 5 (Parte 3 de 5)

Comparado ao calmo e metódico Matador de Goblins, o estilo de luta de Lagarto Sacerdote era repleto de exaltação.

— Treze… hum-hum, ou melhor, catorze.

— Não. Quinze.

A luta durou apenas alguns momentos, com os goblins acabando como cadáveres cruelmente expostos.

Talvez não seja necessário dizer que nenhum goblin teve mais sorte do que aqueles que morreram instantaneamente na primeira saraivada de flechas gigantes.

— Hrg… Oh… — Alta-Elfa Arqueira empalideceu um pouco com a visão de onde ela empoleirava nas árvores, com suas flechas ponta-broto de prontidão.

Ela deveria ter disparado em quaisquer goblins que tentasse fugir, mas no fim não tinha sido necessário.

E mesmo assim, bem, isso…

— Já perdi a conta do número de vezes que me perguntei o que você estava pensando, Orcbolg…

— Isso é o que estou pensando.

— …Me poupe…

Alta-Elfa Arqueira desceu do seu galho, não fazendo som algum, nem dobrando folha ou grama.

Ela realmente mal conseguia suportar isso, no entanto. Em qualquer outra aventura, isso teria sido além dos limites.

— Essa armadilha é proibida para nada além de extermínio de goblins!

— Hrg…

— Bem, tudo tem seu tempo e lugar — propôs Anão Xamã, que tinha ficado esperando em silêncio na retaguarda com Sacerdotisa, em prol de conservar suas magias. Ele acariciou a barba com um murmuro pensativo, inspecionando a engenhoca que acabara de semear tal destruição.

A corda que parecia ser um alarme tinha sido conectada a um galho grosso nas proximidades. O galho tinha sido dobrado em um arco com as estacas afiadas no cume como javelinas. Quando a corda foi cortada, as estacas vieram voando.

— Uma armadilha simples. Mas, sobretudo, eficaz por tudo isso.

— Inicialmente era para jogo de caça.

A espada de Matador de Goblins agora tinha suportado tanto essa batalha quando a da Guilda, e ele a jogou fora sem hesitar.

— Onde aprendeu isso?

— Com minha irmã mais velha — disse ele brevemente, vasculhando pelos corpos. — Meu pai era um caçador. Ela aprendeu dele.

Ele pegou a melhor lâmina que encontrou, verificou o fio e então a embainhou.

— Requer um certo jeito. Os goblins nunca vão descobrir na primeira vez que verem.

— Embora precise de um bom local e tempo para preparar suas falhas. Então, meu senhor Matador de Goblins, o que faremos agora? — Lagarto Sacerdote sacudiu o sangue de sua lâmina presa, tocando a ponta do nariz com a língua.

— Tive uma ideia. — Matador de Goblins inclinou seu capacete um pouco. — …Já terminou?

— Ah, uh, sim! — assentiu Sacerdotisa, se levantando de onde estava rezando pelas almas dos mortos.

Haveria muitas mais mortes por vir. Não havia tempo para enterrar os corpos aqui e agora.

Mas Matador de Goblins, pelo menos, nunca interferiu com suas orações.

— O poder da Mãe Terra continua forte. Duvido que eles se tornem mortos-vivos nessa noite.

— Entendo… Ainda tem aquela ajuda ou seja lá o que você chama?

— Não — disse Sacerdotisa, balançando a cabeça. — Acho que deve ter sido apenas naquele momento.

— Entendi — murmurou Matador de Goblins e assentiu.

Ele aceitou tudo isso sem uma palavra de queixa.

Onde ela tinha se levantado, ele agora tinha se ajoelhado ao lado de um cadáver, pegando uma adaga goblin para seu próprio cinto. Ele procurou pela criatura por algo mais que pudesse ser usado, então olhou para Alta-Elfa Arqueira.

— O que foi?

— Vejamos… Me dê um minuto.

Ela fechou os olhos, com suas orelhas tremulando bem levemente.

Até mesmo Anão Xamã manteve a boca fechada, restando apenas o silêncio, ou melhor, o assobio do vento.

Então, houve o farfalhar da grama, a respiração dos animais. Insetos zumbindo e trovões estrondando. E…

— …O oeste. Está mais barulhento lá, então provavelmente é o próximo. O leste também.

— Entendi. E quanto aos outros?

— Estou um pouco preocupada com a colina ao sul, mesmo sendo distante… — Suas orelhas vibraram confiantemente. Ela cheirou, apanhando o odor no ar. — A chuva está chegando. Os trovões estão ficando mais alto.

— Hm — grunhiu Matador de Goblins, depois se virou para Lagarto Sacerdote e disse: — O que acha?

— …O tempo está do lado dos nossos inimigos essa noite. A chuva seria perfeita para se camuflarem. — Lagarto Sacerdote tocou seu nariz com a língua e soltou um silvo. — Temos de matar todos eles. Se mesmo um ou dois chegarem a cidade, a vitória é deles.

— Então devemos nos apressar — disse sem rodeios Matador de Goblins.

— Aquelas nuvens de tempestade… Estou com mau pressentimento — disse Sacerdotisa. Não foi o frio que fez seus ombros tremerem. — Elas têm a sensação de… Eu não sei. Caos. Algo anormal.

— Hmm…

A elfa do grupo, que estava em sintonia com todas as coisas naturais, e sua sacerdotisa, que servia a deusa da terra, estavam ansiosas.

Talvez devessem presumir que isso era uma magia lançada por um goblin xamã, ou por aquele por trás dos ataques goblins.

Matador de Goblins, por sua vez, nunca tinha visto um goblin com tal poder. Mas isso não era garantia de que um não existisse.

Eles teriam que levantar hipótese, planejar e teriam que vencer.

Seus pensamentos foram interrompidos quando uma mão aberta o atingiu com força nas costas.

— E agora o que, não precisa ser tão sério, Corta-barba! — Foi Anão Xamã. A baixa estatura dos anões desmentia sua força física, e esse deu a Matador de Goblins outra palmada nas costas. — Não estamos jogando o mesmo jogo que eles! Só faça o que sempre faz.

Matador de Goblins assentiu.

— …Certo.

A verdade era que não havia muito tempo para pensar, de qualquer forma.

Eles eram poucos e seus inimigos uma legião.

Eles teriam de ser rápidos, sutis e precisos se quisessem ter alguma hipótese de vitória.

Era apenas a presença dos membros de seu grupo que o impediu de admitir derrota. Isso era algo que ele não tinha ideia de como retribuir.

Ele não fazia ideia, mas se eles solicitassem uma aventura, então ele iria em uma aventura.

Mesmo que eles o proibissem de usar suas armadilhas por algum motivo, bem, ele tinha muitas outras táticas.

— Do leste e o oeste, não é? Eles estão tentando um ataque em pinça. — Matador de Goblins se levantou. — Nós vamos detê-los.

Correndo o risco de entregar o resto da história, é exatamente isso que eles fizeram.

O trovão soou de cima e os insetos exclamaram de seus lugares escondidos na grama.

Os goblins se aproximando pela floresta do oeste pararam quando viram as luzes da cidade.

Eles podiam ver formas humanoides.

Algo estava pressionado contra as árvores ao longo da estrada, como se tivesse pensando que estava escondido.

Mas o capacete era óbvio demais. Não havia como confundir. Isso era algum tipo de aventureiro.

O goblin os liderando — não por qualquer desejo pessoal ou ambição — fez um sinal de “espere”.

Ele apontou para um subordinado, depois colocou a lança que segurava nas mãos da criatura. Vá golpear aquela sombra.

— GRBB.

— GOOB!

O subordinado balançou a cabeça ferozmente; seu líder o respondeu com um tapa na cara e um pontapé no traseiro.

O goblin agora segurando a arma, se aproximou lentamente e pavorosamente.

Não houve movimento. O goblin engoliu em seco.

Ele ergueu a lança rustica e apunhalou o melhor que pôde.

Foi um bom golpe, nos padrões goblin. Certamente o suficiente para tirar uma vida.

A lâmina acertou alguma coisa com um baque.

Ao mesmo tempo, a silhueta se inclinou e depois caiu sem fazer barulho.

Os goblins eram criaturas simples. Satisfeitos com os resultados, eles partiram de novo.

Então eles não notaram até que fosse tarde demais.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

29 Comentários

  1. É como disseram! O Lagarto Sacerdote é maníaco por lutas, o que eu acho bem legal da parte dele kkkk

    E enquanto todos dormem tranquilamente depois do festival, o MdG e seu grupo arriscam a vida para salvar a cidade pelas sombras…

      1. Eu acho que sim, pelo menos essa luta vai, porque esse capítulo já tá acabando (tá na parte 3 de 5) e não tem mais espaço para enrolação, mas acho que no próximo capítulo quando eles forem luta contra o comandante desses goblins(não vou citar o nome e nem colocar na tag de spoiler, se quiser ver é só ir nas ilustrações, lá tá melhor do que eu comenta aqui kk) aí sim eles podem ser reconhecidos por derrota um inimigo “mais perigoso que goblins”…

  2. Obrigado pelo capítulo.

    Os goblins são altamente estúpidos com um grande bônus adicional de suicídio kkk

    1. Isso seria uma ótima hora para aquela frase do mdg “os goblins não são brilhantes mais também não são tolos”

      O que será que faríamos se existissemos no mundo do mdg

      1. O eu atual com a mentalidade do nosso mundo (mundo verdadeiro, real etc) tentaria virá um mago guerreiro ou algo relacionado a administração, mas se eu nascesse naquele mundo(sem nenhuma memória ou noção do nosso), iria depender da situação da minha família (se é rica ou pobre).

        E claro eu mataria goblins!! kkk

          1. Hehehe nussa, a primeira coisa que eu ia fazer é perguntar onde o mdg tá pra garota da guilda kkkk já pensou? Dois estranhos perguntando pelo mdg?

          2. Acredito que dois homens com armaduras baratas gritando por goblins Seja mais… surpreendente kkkk

        1. A única diferença era que eu iria ser um espadachim já que a magia é bem limitada…

  3. O mdg está sentindo gratidão, então ele não vai pensar duas vezes em aceitar um pedido da elfa de se aventurar e também não vai poder usar armadilhas (mas conhecemos o mdg).

    Agora galera estava eu em um de meus devaneios e pensei, já pensou um goblin salvando o mdg (kkkkk eu sei eu sou doido) mais para pra pensar isso seria uma reviravolta emocionante, sei lá pode ser um goblin diferente kkkkk (o mdg ia me matar), isso ia ser emocionante de ser ver.

    Eu sei eu sei sem café pra mim.

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