MdG – Volume 4 – Capítulo 1 (Parte 1 de 8)

A lâmina medíocre cortou o miasma com um vuum, e um rato gigante gordo e roliço veio voando para cima deles.

— Uoepa!

Seus dentes frontais largos e sujos eram afiados, e seu hálito fedorento invocava imagens da morte prematura dos aventureiros.

Pressionado, o rapaz cambaleou para trás, batendo na criatura com seu escudo redondo bem usado.

— GYURI?!

O rato caiu no chão dando um grito, mas se levantou rapidamente de novo. Sem danos.

Guerreiro Novato sacudiu o braço esquerdo que ficou dormente com o impacto, apesar do escudo, e tentou recuperar o equilíbrio.

— Qual é? Por que não revida?

— Meu braço todo está doendo!

Atrás dele, Sacerdotisa Aprendiz o admoestou com sua voz nasalada e estridente. Ela segurava uma combinação de espada-e-balança em uma das mãos e um lampião na outra, enquanto fechava a cara.

O esgoto tinha a um fedor asqueroso que chegava a dar ânsia. Mesmo manter o nariz tampado não ajudava.

O chão escorregadio. A água residual correndo nas proximidades. Os ratos gigantes que com uma mordida causava muito mais do que uma simples dor. Os vermes que se contorciam por toda parte.

Tudo isso não era diferente do normal. Mas ainda assim deixava Guerreiro Novato à beira das lágrimas.

Um dia aqui embaixo, uma peça de ouro no bolso, dizem eles.

Assim era se atingisse sua cota. E era uma importante fonte de receita para sustento.

Todavia, os aventureiros não deviam lidar pelo menos com goblins ou algo assim…?

— Cuidado, tonto, aí vem ele!

— …?!

O grito de sua amiga trouxe sua atenção de volta, e ele deu um bom impulso com a espada sem sequer olhar para o alvo.

— GYAARU?!?!

Ele perfurou pelo, carne e coração. A sensação foi desagradável.

Seguiu-se um jato de líquido quente que respingou em todo o rosto do rapaz.

Ele se apoiou no pedaço moribundo de carne e gritou:

— H-hrgg…?!

Quando ele o empurrou de sua espada, o rato caiu no chão ainda se contorcendo.

A poça negra de sangue aos seus pés escorreu por todo o chão, ensopando suas botas.

— Ei, você está bem? Ele te mordeu?

— N-não, estou bem.

— …………Está bem.

Sacerdotisa Aprendiz deu o seu melhor para mostrar indiferença, ainda assim, ela correu até Guerreiro Novato. Sem se importar com seu manto branco, ela limpou o sangue em sua bochecha e alguns espalhado em seus dedos.

— Não entrou em seus olhos, entrou? E na boca?

— Ugh. Um pouco.

— O que estava fazendo? Caramba.

Com um resmungo exasperado, ela pegou um antídoto da bolsa de itens que carregava.

Guerreiro Novato estava cuspindo sangue e lavando a boca com o cantil. Ele bebeu gratamente o antídoto amargo.

Ambos ainda eram ranques Porcelana. Para eles, o milagre Cura para curar veneno não passava de um sonho como uma armadura de placas completa ou um conjunto de malha.

Mesmo assim, eles não podiam ser subestimados, como atesta o antigo monstro, agora uma massa inerte no chão.

O rato estava ocupado com algo: um cadáver de trapos. As cavidades oculares vazias e as maçãs do rosto arruinadas da figura sugeriam um mendigo, mas em volta da garganta roída estava uma insígnia.

Sacerdotisa Aprendiz pegou a insígnia de cor porcelana, enrolou cuidadosamente em um lenço e colocou em sua bolsa.

A pobre garota — eles souberam que era uma garota pela identificação da insígnia — não usou nenhuma armadura. Ela havia adentrado os esgotos com nada além de suas roupas e um bastão, e os ratos, muito provavelmente, a comeram.

— …Ugh — disse Guerreiro Novato. — Eles voltaram.

— Não fique tão triste. Esse é o nosso trabalho, não é?

Talvez tenha sido a morte de seus parentes que o atraiu, ou simplesmente o cheiro de sangue, mas outro rato apareceu das profundezas do esgoto.

A criatura era maior que um bebê e sua sombra tremulava na luz do lampião.

— Precisamos da orelha para provar que o matamos — disse Sacerdotisa Aprendiz. — Depressa, corte antes que seja devorado!

— A orelha? Eu?

— Só faça!

— Você poderia agir um pouco mais preocupada comigo, sabe…

Mesmo enquanto murmurava, o garoto pegou o cabo de sua espada, ainda presa na carcaça do rato, e lhe deu um puxão.

— …Hã?

Não saía.

Por mais que ele puxasse a espada alojada firmemente na carne, ela se recusava a ceder.

Ele se apoiou para se esforçar contra o corpo  — agora estranhamente macio após sua morte violenta — mas sem sucesso.

E enquanto ele ficava lá se esforçando, um dos ratos vivos, com os olhos brilhando intensamente, estava se aproximando cada vez mais.

— N-não…! — sussurrou ele. — E-espere um pouco…!

— Lá vem ele! Faça alguma coisa, imbecil, está se aproximando!

— U-uoepa!

Foi coisa de um instante.

Guerreiro Novato tombou para trás para evitar as mandíbulas do rato, caindo em uma poça de resíduos. A comida estragada ou seja lá o que fosse o cobriu, mas era melhor do que ser mordido e arriscar uma infecção. Um acerto crítico daqueles dentes e sua garganta poderia ser arrancada.

— GURUUURRRU…!

O rato gigante rosnou, balançando a cauda de um lado para o outro, ameaçando Guerreiro Novato. Provavelmente via o garoto desarmado e a garotinha mantendo distância cuidadosamente atrás dele como simples comida. Ele olhou para eles enquanto um pouco de saliva escorria de sua boca, a imagem viva da fome. Obviamente não tinha a intenção de deixá-los escapar.

É claro, se corressem, os aventureiros tampouco conseguiriam comer, ainda que por razões mais indiretas.

— Ahhh, merda! — Sacerdotisa Aprendiz deu um estalo descortês com a língua.

Ratos gigantes… Ratos gigantes espalham doenças, são sujos e um está nos atacando agora, e eles são inimigos da Ordem… inimigos da Ordem!

Ela parecia tentar se lembrar de tudo isso enquanto erguia alto a espada-e-balança e a luz começou a se formar em sua volta. Ela se tornou uma espada de raio.

— Senhor do julgamento, príncipe da espada, portador da balança, exiba aqui o seu poder!

E então Punição Sagrada, qual ela convocou dos deuses, perfurou o rato com sua lâmina.

Emitindo um fio de fumaça e cheiro de carne queimada, o rato gigante voou antes de quicar e rolar, morto.

O garoto franziu os lábios fazendo um som de desgosto enquanto a garota soltava um suspiro de alívio.

— Que sorte a tua. Os deuses tornam tudo agradável e fácil, não é?

— Ora, me poupe. Você sabe que só posso exortá-los uma vez por dia. — Sacerdotisa Aprendiz olhou feio para Guerreiro Novato com sua demonstração de desrespeito. — De qualquer forma, se apresse e pegue sua espada. Quero recolher essas orelhas e ir para casa tomar um longo banho.

— Sim, claro.

Guerreiro Novato se aproximou hesitantemente do corpo do primeiro rato, e dessa vez ele usou toda a sua força para extrair sua espada.

Então…


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

9 Comentários

  1. Aí eu fiquei viajando na maionese aqui… E se tivesse um cara que só matasse ratos? Kkkkkkkk matador de ratos kkkkKkkkkkkk ele iria fazer uma ótima dupla com o mdg kkkkkk

  2. Ah eu vi o manga com a historia deles ai, eu na expectativa do que iria vir kkkkk mas bom que vou saber oque rola depois daqui alguns capitulos!

      1. Sim, eu acabei lendo um dia desses o mangá.
        Achei legal eles terem adaptado esse volume da light novel (vol 4) em um novo spin-off, só não gostei da arte que ficou um pouco a desejar em comparação com os outros dois mangás ( não se pode ter tudo kkk).
        De resto acho que a adaptação foi até “fiel”.

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