MdG – Volume 4 – Capítulo 10 (Parte 4 de 4)

Ele passou pela Guilda — ainda movimentada — então saiu pelo portão e seguiu a estrada. As luas gêmeas e as estrelas entre elas conspiravam para silenciar a sensação de escuridão. O vento agitava a vegetação rasteira, oferecendo um frescor agradável.

Ele caminhava silenciosamente pela estrada com seu passo habitual.

E então, ao longe, ele viu um único ponto de luz. Por sua vez, no mesmo lugar de sempre. Ele chegou onde ele conseguia ver a luz da fazenda.

Matador de Goblins acelerou o ritmo ligeiramente. Ele passou pelo muro de pedra que ele e o dono da fazenda construíram juntos e passou pela cerca que ele consertou, até a porta.

Após respirar fundo, Matador de Goblins parou diante de uma porta velha de madeira, mas não a abriu imediatamente. Antes, ele vasculhou sua bolsa de itens em sua cintura, pegando um saco estufado de peças de ouro. Tinha um bom peso na mão. Ele soltou a corda e verificou o conteúdo. Estava tudo em ordem. Ele guardou. Seu capacete de aço se moveu para a direita, então para a esquerda. Por fim, ele moveu seu olhar para o céu.

— Bom — sussurrou ele baixinho, depois pôs a mão na maçaneta. Ele girou e abriu a porta.

Juntamente com o ranger da porta veio um calor relaxante e um aroma doce. Assim que ele percebeu que era alguma coisa cozida com leite, a garota que estava na cozinha se virou.

— Ufa! Você ficou fora bastante tempo. — Ela piscou de surpresa, limpando as mãos no avental e correndo pela cozinha.

Ele fechou a porta atrás de si, entrando na casa com passos calculados. Ela olhou para ele e viu a cesta que carregava ao seu lado.

— O que há com o milho? Parece ótimo!

— Um presente — disse ele, colocando a cesta na mesa.

— Ah, é? — disse ela, mexendo a panela grande. Sem olhar para ele, depois acrescentou: — Não em cima da mesa.

— Hrm.

— Coloque em uma cadeira.

— Onde está o seu tio?

— Ele disse que tinha uma reunião hoje. Vai chegar tarde.

— Muito bem, então. — Ele puxou uma cadeira fazendo ruído e pôs a cesta. O monte de milho ficou lá orgulhosamente, como se fosse o convidado de honra. Ele deu um grunhido e assentiu.

Enquanto isso, ela estava correndo por toda a cozinha. — Só um minuto, está bem? Estará pronto em breve.

— Tudo bem — disse ele. Ele foi até a cadeira e colocou a mão atrás das costas.

— Hum? — Ela olhou sobre os ombros quando ele não mostrou sinais de se sentar como costumava fazer. Ela o viu parado próximo da cadeira, em silêncio.

Hmm… Secando as mãos no avental, ela largou o fogo e foi ao seu lado. Normalmente é melhor para mim ver o que há quando ele fica assim.

— O que foi? — Ela se inclinou para frente, como se estivesse tentando vislumbrar o rosto dele.

Aquele capacete familiar. Ele escondia sua expressão, e ainda assim, ela tinha uma boa ideia do que estava debaixo dele agora.

— Hm. — Ele ficou calado por um momento antes de finalmente dizer “nada”. Depois de mais algum tempo ele disse: — Antes de comermos…

— Sim?

— …tem uma coisa que quero te dar.

Pouco a pouco as palavras deixaram sua boca, e então ele mexeu sua bolsa de itens. Ele pegou o saco de peças de ouro que verificou mais cedo. O saco balançou quando ele colocou na mesa.

Ela piscou, surpreendida. — O que é isso? Pensei que já tivesse pagado o aluguel desse mês.

— Não é o aluguel. — Ele falou ainda mais cruamente do que o habitual. — Feliz aniversário.

— Oh! — Ela juntou as mãos. Ele estava certo. Ela esteve tão ocupada que tinha esquecido completamente disso.

Amanhã é meu décimo nono aniversário.

— Eu não sabia o que te dar, então achei que isso seria melhor — disse ele, empurrando o saco em direção a ela. Poderia ter sido mais problemático do que o normal o embrulhar, mesmo assim, era uma bolsa de couro sem decoração, excepcionalmente simples. E ela estava cheio de dinheiro. Como um presente de aniversário, não era muito bom.

— Sabe, você… — Várias expressões passaram pelo rosto de Vaqueira, todas difíceis de se entender. Ela deveria estar zangada? Chateada? Aborrecida, ou triste? Finalmente ela pôs um sorriso estupefato. — …não tem jeito.

Ela abraçou a bolsa de moedas em seu peito assim como uma criança faria com uma boneca nova.

— Você age como se não soubesse de nada, e então quando acho que você sabe de uma coisa ou outra… acontece que você não sabia mesmo de nada.

— Hrm…

— Se não tiver certeza do que comprar, me leve junto. Podemos escolher algo juntos.

Isso é o que realmente quero.

Ele grunhiu suavemente com as palavras dela, depois acenou lentamente com seu capacete para cima e para baixo. — …Eu entendi.

— Essa resposta não inspira confiança. Vou lhe agradecer… mais uma vez quando escolhermos meu presente. — Ela riu, percebendo que estava lhe dando sermões, e afagou suas costas. — Estou com grandes expectativas com o festival da colheita, está bem? Ela estava sorrindo. Ela não parecia estar esperando muita coisa.

Então ela não o levou muito a sério quando ele disse “vou pensar sobre isso”.

— Claro, claro. Enfim, sente-se. O jantar está pronto, vamos comer!

Então ela colocou as mãos no ombro dele, grande pela armadura, e o guiou para a cadeira. Ela foi de volta à cozinha, mas se virou quando um pensamento cruzou sua cabeça.

— Ah, é, esqueci de uma coisa importante. — Ela fez com que lhe desse o sorriso mais brilhante que pudesse. — Bem-vindo de volta!

— Obrigado — assentiu ele, se movendo calmamente na cadeira. — Estou de volta.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

15 Comentários

  1. Então ele tava pensando no aniversário dela que ela nem tinha se lembrado? Me surpreendeu pra caramba agora, MdG, me surpreendeu legal xD

  2. Olha só, ele precisava de dinheiro para o presente dela e como não sabia o que dar, deu o dinheiro mesmo hauahuahauhua

    1. O mais importante: ele fez missões não relacionadas a goblins para fazer dinheiro para dar para a cremosa. What a gentleman!

  3. Esse capítulo foi muito bom, principalmente por mostra o desenvolvimento do MdG, que por sinal, surpreendeu muito. ^^

  4. Obrigado pela conclusão da tradução do volume 4.

    Primeiro agradando a Sacerdotisa e agora a Vaqueira?
    O Goblin Slayer não perde tempo mesmo kkkk

  5. Por isso não gosto de harem, o autor faz todas as personagens criarem sentimentos pelo cara e sempre favorece uma entre ela . Ahh vá 🙄

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