MdG – Volume 4 – Capítulo 3 (Parte 1 de 5)

— Olá, bem-vindo!

— Opa. Traga-nos três ales e duas águas com limão para começar!

— Certamente!

— E, hum… é, bolinhos de chuva será suficiente. Para cinco!

— Com certeza! — respondeu intensamente a garçonete, olhando de relance para o aventureiro com a espada de duas mãos em suas costas e anotando o número que ele estava fazendo com os dedos.

Qualquer taverna estaria animada no começo da noite, mas na taverna da Guilda dos Aventureiros, isso era diferente. Havia pessoas relaxando após uma aventura onde lutaram por suas vidas. Outros poderiam ficar, finalmente, mais à vontade quando amigos regressavam de muito longe.

Alguns clientes eram aventureiros de longe, começando com uma refeição agora que chegaram nessa cidade.

A felpubro ou garota-fera garçonete corria de um lugar para outro, ela adorava essa atmosfera. A sensação de que estava ajudando pessoas a motivava mais do que seu salário.

Enquanto seu cabelo longo cuidadosamente amarrado balançava como uma cauda (sua verdadeira cauda estava debaixo da saia), ela gritava para a cozinha:

— Três ales, duas águas com limão e cinco pratos de bolinhos de chuva!

— Pode deixar. Bom, grande pedido… torna tudo mais fácil para mim!

Um rhea rechonchudo de meia-idade se movia constantemente para lá e para cá pela cozinha pequenina.

Panelas e frigideiras, facas e espetos, conchas e rolos de massa. Ele trabalhava com o fogo e os utensílios de cozinha como mágica, e a comida estava pronta sem nenhuma demora.

Um molho levemente doce cobria o frango e peixe dourados em óleo. Eles eram crocantes e quente por fora, e quando você os mordia, o suco fluía na boca. As felpubros não eram as únicas cheirando o ar com aroma fragrante.

— Aqui está. Entregue-o!

— Sim, senhor!

Quando se tratava de cozinhar, não havia raça tão talentosa quanto os rheas.

Claro, eu adicionei meu pequeno toque!

Seus pequenos toques além da enorme habilidade do cozinheiro faziam deles, essencialmente, heróis da comida incomparáveis.

Ela tirou um pouco de ale de um barril, espremeu um limão sobre um pouco da água e o pedido estava pronto.

Ela sapateava com a refeição em uma bandeja para onde o grupo já estava sentado à mesa esperando ansiosamente.

Talvez eles não quisessem esperar para ir para casa tirar suas armaduras, pois cada membro do grupo tinha retirado algum do seu equipamento. Os membros da linha de frente, todavia mantinham suas espadas onde poderiam pegá-las a qualquer momento, o que demonstrava sua longa experiência.

— Obrigado por esperarem! Três ales, duas águas com limão e bolinhos de chuva para cinco!

O guerreiro de armadura leve meio-elfo que era responsável pelas finanças do grupo deu a ela algumas peças de prata.

— Obrigado. Ah, e vinho tinto para mim.

— Claro, eu sei!

A garçonete pegou as moedas com as mãos carnudas e as colocou no bolso do avental. Eles deram um pouco mais do que a quantidade da conta, talvez estivessem incluindo atenciosamente uma gorjeta. Embora era também possível que ele fosse só um mulherengo.

— Veja, quando se vai a uma taverna, você deveria começar com ale, não é? — disse uma cavaleira como se não pudesse acreditar no que ouviu. Ela repousou o queixo nas mãos.

— Lá vai a nossa Senhora Cavaleira dizendo tudo o que quiser de novo…  sempre boa e fiel à Ordem!

— Bem, obviamente. Está até escrito nas Escrituras do Deus Supremo — disse Cavaleira como se não pudesse acreditar, estufando o peito.

Guerreiro de Armadura Leve pressionou a mão na fonte como se estivesse evitando uma dor de cabeça e suspirou profundamente.

— Crianças, não cresçam para ser como ela, tudo bem?

— Simssenhor!

— Mas ela parece tão legal quando está toda arrumada, no entanto…

Garoto Batedor ergueu a mão como confirmação, enquanto Druidesa deu um suspiro perturbado.

Cavaleira estufou as bochechas irritada.

— Do que está falando? Eu sempre pareço legal.

— Gah! Ainda nem tomou um gole e já parece bêbada. — Guerreiro de Armadura Pesada fez um gesto de “silêncio” como se estivesse repreendendo um bebê, depois levantou a caneca de ale. — Agora temos que brindar! Voltamos de uma aventura. Comam e bebam quanto quiser, crianças!

— Uooh! Carne! Carne!

Garoto Batedor e Cavaleira deram um grito de alegria e se jogaram na comida e bebida. Seus companheiros os observaram com uma pequena irritação, mas se prepararam para sua própria refeição também.

— Casa finalmente…

— Estamos. Bom, trabalho, hoje?

— Pode apostar! Bom trabalho.

Com um tilintar do sino em cima da porta, os próximos a entrar era um homem forte e robusto com uma lança, e uma mulher bela e voluptuosa.

Lanceiro e Bruxa se sentaram em seus lugares, com os rostos ruborizados com a satisfação de um trabalho feito.

— Ei, senhorita! Gostaríamos de fazer um pedido!

— Sim, senhor! Bem-vindos de volta! — Garçonete Felpubro se apressou para a mesa enquanto Lanceiro levantava a mão languidamente no ar. — O que vão querer?

— Para mim… Deixe-me, ver. Vinho tinto e, pato, salteado. Pode conseguir, esses?

— Para mim… Coxa de boi, com osso e bem grelhada. E licor de maçã.

— Ah, maçãs… — murmurou Bruxa, entrecerrando os olhos. Seus lábios se abriram ligeiramente com o pequeno desejo, mas se fecharam imediatamente outra vez.

Lanceiro deu de ombros indiferentemente. — Quer um pouco?

— Não, prec…

— Coloque um par de maçãs assadas então. Quero uma também.

— …Hrrrm.

— Pode deixar, já está anotado.

Apesar das aparências, elas podem realmente ser bem bonitas. Essa foi a impressão que Garçonete Felpubro recebeu de Bruxa, que estava sentada contraindo os lábios como uma menina.

Ou é porque ele está aqui?

— Diga, senhorita? — disse Lanceiro.

— Sim?

— Garota da Guilda ainda está aqui?

Lá se foi a impressão delas.

Garçonete Felpubro viu sua força a deixando, mas se manteve firme perante Lanceiro, que estava com uma expressão séria.

Ela empurrou sua franga para o lado e deu um suspiro. Ela tinha certeza de que Garota da Guilda ainda estava trabalhando. A garçonete sabia muito bem até que horas ela ficava às vezes.

— …Sim, parece que ela ainda está aqui.

— Simmm!

Bruxa e Garçonete Felpubro observaram sem entusiasmo Lanceiro quando ele fez um punho e comemorou.

Céus, e quando ele tem uma mulher linda bem ao lado… era um comentário para se manter consigo mesma.

Era assunto de todos por quem eles se apaixonavam.

E ainda assim, pensar que esse aventureiro “mais forte da fronteira”, alguém cuja habilidade com a lança poderia deixar os Cavaleiros da Capital envergonhados, seria assim…

Ele pareceria mais legal se ficasse de boca fechada.

Ela se sentiu um pouco desconfortável ao considerar que, porventura, se descobrisse a verdadeira razão de todos se tornarem aventureiros, seria uma desilusão tão grande quanto essa.

Bem, acho que ele é fácil de se fazer amizade, ao menos.

Isso era indubitavelmente melhor do que ser distante, não é? Com esse pensamento, Garçonete Felpubro correu em direção a cozinha.

— Vinho tinto, pato salteado, coxa de boi com osso bem passada, licor de maçã. E duas maçãs grelhadas!

— Pode deixar! Leve as bebidas primeiro!

— Simssenhor!

Chef Rhea gritou com uma voz que desmentia seu tamanho diminuto. Garçonete Felpubro respondeu com um grito para igualar.

Quando ela trouxe as duas bebidas, eles deram um sorriso, um “obrigado” e entregaram a ela o dinheiro.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

7 Comentários

  1. Obrigado pelo capítulo.

    Eu não lembrava mais dela, se é que eu pelo menos soubesse da existência dela até agora kkk

    Agora quero ver é quando o Goblin Slayer chegar para ver qual será a reação dela.

  2. O Lanceiro se apaixonou tão profundamente pela Garota da Guilda que não consegue perceber os sentimentos da Bruxa.
    Pelo jeito vai ser só “Friendzone” tanto para Bruxa como para o Lanceiro kkkkkk

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