MdG – Volume 4 – Capítulo 5 (Parte 4 de 5)

Os olhos de Sacerdotisa podiam ser vistos dentro da viseira, ainda parecendo inocentes a despeito do equipamento. Pelo ligeiro rubor em suas bochechas, ela parecia estranhamente envergonhada.

— Heh-heh… Acho… acho que é bem pesado…  E torna difícil de respirar…

— Isso porque ele é um capacete completo. É mais do que natural, o visor é bem justo.

Com a observação do garoto aprendiz, Sacerdotisa lutou para afrouxar os parafusos, e então o visor se levantou.

— Ufa!

Vaqueira riu do aparente suspiro involuntário de alívio, e o rosto de Sacerdotisa ficou ainda mais vermelho.

— Is-isso não é motivo para rir…!

— Ahh-ha-ha-ha-ha! Desculpe, desculpe. Bem, sou a próxima.

Sacerdotisa retirou o capacete e depois a balaclava. Quando Vaqueira os pegou e estava próxima de colocá-los, ela sentiu um aroma doce e fraco de suor.

Hum?

Era — não perfume — mas como ela naturalmente cheirava? Que inveja! Com esse pensamento, ela colocou o capacete.

— N-nossa… Bem apertado aqui.

— É, não é?

Pelas grades finas do visor, o mundo era escuro, estreito e sinistro. Ela respirou fundo e soltou, sua visão se instabilizou quando o fez.

Esse é o mundo que ele vê?

O que ela, Sacerdotisa e seus outros companheiros pareciam para ele? Como seus rostos pareciam?

— Consigo mais ou menos imaginar, mas…

— O quê?

— Hm. Não é meio injusto ele poder ver nossos rostos, mas não podemos ver o seu?

— Ahh — disse Sacerdotisa concordando e rindo. — É verdade.

— Não que eu ache que ele tente esconder intencionalmente… Hup!

Ela assentiu quando o garoto aprendiz disse: “O coloque de volta onde achou, está bem?”.  Ela devolveu o capacete e a balaclava para a estante.

Ela suspirou, e seu peito balançou enquanto alongava o pescoço de um lado ao outro. Ela não se achava que estava em má forma, mesmo assim, a armadura deixou definitivamente seus ombros duros.

Hummm… — Diga…

— Sim?

— Já que estamos aqui… — Vaqueira sorria como uma criança com uma brincadeira em mente. — Por que não provamos aquela armadura?

Sacerdotisa olhou para onde ela estava apontando e rapidamente baixou a cabeça, corando.

— Ahh, cara! Meu país já era!

— Que pena… Bem, isso não é muito engraçado.

— Aquele dragão é muito forte! Não tenho o equipamento nem habilidades para lidar com ele.

— Mas você vai encontrar um jeito. Não é isso o que faz você um ranque Prata?

Depois de olhar atentamente os produtos na oficina, as duas se voltaram para a taverna e viram uma coisa estranha.

Já se passara do meio-dia, mas ainda não era o fim da tarde, e não havia muitos clientes na taverna da Guilda. Aliás, eles pareciam estar se preparando. As cadeiras estavam colocadas nas mesas e as empregadas varriam um canto do chão.

Inspetora, Garota da Guilda e Alta-Elfa Arqueira estavam sentadas em uma mesa com cartas espalhadas sobre. Elas faziam uma companhia estranha, mas não deixava de ser uma.

— O que estão fazendo…? — perguntou Sacerdotisa hesitantemente, pestanejando enquanto olhava para a mesa.

Ela ainda parecia um pouco nervosa e não fora capaz de se acalmar; ela ajeitou sua roupa levemente desarrumada.

— Ah, isso é um jogo de mesa — respondeu Garota da Guilda, olhando sobre os ombros para Sacerdotisa. Ela também não estava usando seu uniforme, mas sim roupas pessoais. Ela emitia uma imagem arrumada e elegante.

Pensando consigo mesma: Ela está bonita, Vaqueira voltou seus olhos para a mesa. Havia, de fato, um tabuleiro de jogo com várias peças, cartas e dados.

— Eu o encontrei ontem enquanto organizava alguns papeis velhos, então pensamos em testar…

— Mas que dragão! É tão forte! — choramingou Alta-Elfa Arqueira, com seu peito pressionado na mesa.

— Se não fosse forte, não seria um dragão. Eu entendo o que quer dizer, mas tenha calma — disse Inspetora (também usando roupas pessoais) com um sorriso. Presumivelmente, a peça vermelha de dragão localizada no meio da mesa era a serpe em questão. E as peças caídas ao lado dela eram todos aventureiros que morreram a desafiando.

— Então, como se sente? — perguntou Alta-Elfa Arqueira, girando a cabeça para Sacerdotisa.

— Ah, tudo bem — assentiu Sacerdotisa envergonhada. — Está quase acabando agora.

— Legal — disse Alta-Elfa Arqueira, acenando para ela. — Nesse caso, me ajude aqui. Não tenho mais aventureiro o suficiente.

— Existem… aventureiros… nesse jogo de mesa? — Vaqueira inclinou a cabeça de perplexidade. Quase fazia sentido, mas ela não conseguia juntar bem as peças.

— Para simplificar — disse Garota da Guilda — você finge ser um aventureiro. Embora existam muitas regras e tal.

— Finge ser um aventureiro? — murmurou Vaqueira, ruminando a ideia. — Então você, tipo, mata goblins e coisas assim?

— Claro. Alguns um pouco mais básico existem, onde você é como um aventureiro de verdade vasculhando uma caverna. — Garota da Guilda tocou uma das peças de metal, talvez um guerreiro de armadura leve maltrapilho ou um ladrão, e sorriu. Até onde Vaqueira podia ver, a peça não usava capacete. Ela ficou ligeiramente desapontada.

— Esse é de uma perspectiva de um nível mais elevado, onde a questão é como proteger o mundo do perigo.

— Você tem que pegar armas e armaduras lendárias, e garantir que suas habilidades são boas antes do dragão acordar — resmungou Alta-Elfa Arqueira, erguendo bruscamente a cabeça e abaixando as orelhas. — Mas não temos mãos o bastante ou tempo suficiente.

— Você também pode pegar missões da aldeia, coletar equipamentos e combater o dragão… — Inspetora contou as funções nos dedos, assentindo consigo mesma. Ela parecia cheia de confiança apesar de ter perdido a batalha, o que a fez parecer tonta ao invés de segura. — Pode lhe dar o gostinho de gerenciar uma Guilda dos Aventureiros, onde você tem que fazer tudo.

— Não sabia que havia jogos assim — disse Vaqueira, enquanto estendia a mão com grande interesse e pegava uma peça que parecia um cavaleiro de armadura e capacete.

Ele parecia um pouco mais esfarrapado, ou pelo menos, seu equipamento parecia mais barato, mas que belo cavaleiro. Nada mal.

— Isso é completamente novo para mim…

Em sua mente, “jogos” eram principalmente limitados aos que você marcava pontos com combinações de cartas. Entretenimentos similares podiam incluir escutar canções, jogar dados e talvez competir se houvesse um festival.

Garota da Guilda riu, observando-a olhar para as peças e o tabuleiro.

— Quer tentar?

— Hã? Posso?

— Claro — disse Garota da Guilda, assentindo e quase fechando os olhos com a forma que o rosto de Vaqueira se iluminou. — Não é fácil apenas esperar lá sem fazer nada, é?

— Hmm. — Vaqueira deu um murmúrio. Não havia como superar essa garota. Acho que é o que chamam de mulher adulta.

Independentemente de estar ciente dos pensamentos de Vaqueira, Garota da Guilda continuou sorrindo.

— Vamos, adoraríamos ter mais aventureiros. Não seja tímida!

— Hum, certo, então com licença… Que tal vir comigo? Já que está aqui…

— Ah, tudo bem!

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

5 Comentários

    1. Bem, tem imagem, mas lá não é só as duas, talvez seja depois disso auhauhauhauhauha
      Ou não, só vi quando começou o volume

      1. Provável que seja depois, já que tem as quatro juntas naquela linda ilustração colorida kkk

  1. Esse jogo de tabuleiro é igual ao que os deuses desse mundo usam(aparece no capítulo 15 do mangá, se não me engano kkk) para “controlar” o destino das pessoas…

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