MdG – Volume 4 – Capítulo 6 (Parte 2 de 6)

Havia uma gama interminável de lugares para se aventurar no mundo. Ruínas das batalhas da Era dos Deuses eram numerosas, e ainda mais na fronteira. Independente se eles seguissem a Ordem ou o Caos, nações floresciam e depois declinavam, e o ciclo continuava com outra nação surgindo. Em consequência, encontrar uma ou duas ruínas novas não era nada especial. Mas quando ruínas apareciam um dia depois de quando não estavam antes, era outra história.

Foi supostamente uma caravana mercante que descobrira a torre de marfim se erguendo de resíduos. A floresta que estava lá em sua viagem de ida desaparecera, substituída pela torre branca que os contemplava de cima.

Naturalmente, sua surpresa foi tremenda, mas não tiveram tempo para ficar olhando, eles foram atacados por criaturas com formas humanas e asas de morcegos.

Demônios! Aqueles agentes horríveis do Caos! Aqueles Personagens Que-Não-Rezam!

Os comerciantes fugiram, e por meio da Guilda dos Aventureiros, seus relatórios foram enviados ao próprio rei. O rei poderia ter enviado o exército para exterminar a ameaça e o assunto teria sido resolvido. Se as coisas fossem simples assim.

Mandar o exército exigia homens e dinheiro. Nesse caso, os homens eram cidadãos normais e o dinheiro eram impostos. Os impostos poderiam subir no ano seguinte. E parentes, membros da família, amigos e vizinhos poderiam morrer cumprindo seu dever como soldados. Os cidadãos achavam isso intolerável e criariam apenas ressentimento.

E também havia o dragão para vigiar que vivia no vulcão e outros problemas como partidários do Senhor Demônio que ainda ameaçava a área. Enviar o exército significaria haver menos pessoas para participar nessas outras questões.

E se a torre fosse uma isca, uma distração, e então? Verdade, demônios estavam se reunindo lá, mesmo assim, era só uma torre no meio de um terreno baldio. Talvez algum mago doentio tivesse construído. Não podia ser dito ainda se era uma ameaça para o país ou ao mundo. Não havia razão para os militares se envolverem.

Poder-se-ia perguntar, então, para que serviam os militares. Estarem prontos contra uma invasão das forças do Caos, é claro. Na recente batalha culminante entre o novo herói ranque Platina e o Senhor Demônio, eles estiveram nas linhas de batalha. As baixas foram elevadas. Muitos morreram, muitos ficaram feridos. Eles não estavam em condições de ir imediatamente para a próxima escaramuça ou grande batalha.

Mais do que tudo, uma estratégia simples dizia que tentar enfiar um exército em uma ruína ou uma caverna era uma boa forma de destruí-lo. Unidades militares eram feitas para lutar em planície aberta contra unidades inimigas, não para entrar em espaços fechados que nem mesmo cavalos podiam entrar.

Ruínas e cavernas tinham monstros que ameaçavam as aldeias pioneiras. Como o exército poderia ser despachado para todos eles de uma só vez? Era precisamente devido ao rei e os nobres serem um bom rei e bons nobres que não podiam utilizar suas forças tão levianamente.

— Mas essa questão também não será ignorada.

O jovem rei, visitando sua amiga pela primeira vez em muito tempo, suspirou profundamente.

O lugar era mesclado de raios solares suaves, cheio de tranquilidade e silêncio verdadeiro.

A vida vegetal era cuidadosamente tratada, as flores perfumadas. Os pilares brancos no bosque pareciam ser árvores enormes. O correr de um riacho, que parecia vir de nenhum lugar em especial, era relaxante aos seus nervos desgastados.

— O que acha que devo fazer?

— Meu Deus.

Eles estavam em um jardim na parte mais profunda do Templo. Sua sacerdotisa deu um sorriso elegante e inclinou a cabeça. Seus lindos cabelos dourados fluíram como mel, caindo sobre seu peito vasto.

— Uma interessante mudança de ideia para alguém que deu as costas quando estávamos lidando com os goblins.

— Você tem de entender, embora possa ter sido uma tragédia pessoal, em uma visão geral, era trivial.

O rei falou sucintamente, depois sacudiu a mão como se para afastar as palavras.

A maneira como se acomodou no banco que fora preparado para ele era ao mesmo tempo rude e ainda assim gracioso. Era isso o que chamavam de realeza? Ou orientação aristocrática? O que quer que fosse, ele se movia como alguém que entendia desde o nascimento.

— E alguns goblins podem ser lidados facilmente por um grupo de aventureiros.

— …Sim. Tem razão.

Isso era um simples fato.

Goblins eram perigosos, e se eles o derrotassem, “tragédia” era a palavra exata para o que se esperava.

Mas goblins continuavam sendo os monstros mais fracos, e eles não eram os únicos contra os quais a perda significava um destino cruel. Você poderia ser comido por um dragão, dissolvido por um limo ou feito em pedaços por um golem…

O que em última análise o aguardava era a mesma coisa que encontraria quando os goblins tivessem acabado de brincar com você: a morte. Quer fosse devido à falta de força física, habilidade ou simplesmente azar, não havia futuro para aqueles que não pudessem derrotar goblins.

— Como Vossa Majestade é muito gentil…

Uma música cômica veio dos lábios entreabertos da mulher:

 

Uma vez um rei tão gentil e justo

Para tomar da população seus impostos

Água ele deu a um rio furioso

E aos conselhos municipais sempre ajudou

Enfiou os conselheiros na cama

E cada esfomeado alimentou

Ele fez seus soldados mostrarem coragem

E heróis enviou para buracos de goblins:

A Capital logo era uma festa para trolls.

 

O rei franziu a testa ao ouvir uma música que zombava da nobreza, e ela riu como uma garota.

— Não é esse o momento de recorrer aos aventureiros, Vossa Majestade?

— Realmente, pode ser…

O rei colocou a mão na testa, a esfregando como que para aliviar um músculo tenso, e assentiu. Ele pensava que terminaria assim.

O exército não era adequado para caçar monstros. Assim eles dariam status a esses malandros, dariam recompensas, eles iriam enviar os aventureiros. Era isso que mantinha o mundo girando. Eles fariam isso de novo agora. Os aventureiros não eram especialistas em caçar monstros, afinal?

— Os mercadores disseram que foram atacados por demônios, mas não sabemos ao certo o que foi responsável.

O rei balançou a cabeça como se para frisar que não existiam provas, depois se acomodou brutamente na sua cadeira.

Mal poderia um rei se sentar em um trono dessa forma. Ele fechou os olhos, respirando o ar refrescante do jardim à vontade do seu coração.

— Duvido muito que comerciantes possam diferenciar um demônio de uma gárgula.

— É uma torre de conjurador maligno, não é? — A mulher que era a mestre desse templo deu uma risada e murmurou “Nossa, que assustador”, como se não fosse problema dela.

O rei ergueu a cabeça apenas o suficiente para olhar para seus olhos tampados, mas não deu nenhuma resposta. Era assim que ela iria alfinetá-lo por ignorar o incidente com goblins. A capacidade para aceitar cordialmente os ressentimentos de suas políticas era, supunha ele, a marca de um rei. Deixe-os o chamar de incompetente, se quisessem.

— Isso é certamente mais perigoso que goblins. Mas não é nada comparado aos Deuses Demônios.

— Verdade, de fato.

— Parece que algum necromante ao sul encontrou uma tumba antiga. — O rei se recostou bem na cadeira, quase como se estivesse dizendo que o assunto o entediava. A cadeira fez um rangido. — Um exército dos mortos! Isso não me dá o luxo para lidar com goblins ou uma torre solitária.

— Heh-heh. Quão cansado você deve estar. — Ao falar, a mulher deixou suas coxas aparecerem pela bainha do vestido, como se as exibindo.

— Status é uma coisa difícil — murmurou o rei. — Sequer posso encontrar meus amigos sem um pretexto.

— Tal é a posição — sussurrou a mulher. — Tudo muda, o que você poder ver e o que não pode.

— Perdi a capacidade de dizer que eu e meus amigos deveriam simplesmente lidar com isso com nossas espadas, como fazíamos antigamente. — O rei suspirou, parecendo ponderar sobre uma memória dos tempos passados. — Não consigo deixar de pensar que as coisas eram mais fáceis quando eu era um único senhor desafiando labirintos por conta própria.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

8 Comentários

  1. Eu pensei que esse volume fosse só de histórias extras que não seriam muito interessantes em comparação com os outros três volumes anteriores, mas até que tem algumas delas bem interessantes.

    Quero ver como vai se desenvolve esse capítulo, principalmente por ter o MdG caçando demônios!

    1. Creio eu que ele vá se adaptar, porque os padrões de goblins e demônios são totalmente diferentes.

      1. Tenho certeza que ele vai, mas acho que ele ainda vai usar algumas daquelas estratégias dele(aquelas que a Alta-Elfa não deixar ele usar kkk).

        1. Não são goblins e ela não ta presente (pelo menos não parece), então acho que ão há nada o impedindo auhahuauhauha XD

  2. Passei um tempo sem ler e quando retorno a leitura o Goblin Slayer está em uma missão para mata demônios!

    Será essa a fase de transição para ele se tornar um Demon Slayer? kkkk

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