MdG – Volume 4 – Capítulo 6 (Parte 4 de 6)

— Tenho que admitir, não pensei que fosse aceitar.

— Porque não havia missões de goblincídio.

Assim, os três aventureiros se encontravam na frente da torre. Lanceiro e Matador de Goblins, com Guerreiro de Armadura Pesada como líder.

Um grupo composto de um guerreiro humano, um segundo guerreiro humano e um terceiro guerreiro humano. Isso traria um sorriso irônico a qualquer rosto. Embora esses tipos de grupos não fossem incomuns, por pura necessidade.

— E precisava de dinheiro.

— Principalmente por extermínio de goblins, presumo? — riu Lanceiro.

Mas Matador de Goblins respondeu “não” e balançou a cabeça. — Não por isso. Mas é urgente.

— Dependendo de quanto precisa, posso te emprestar um pouco — disse Guerreiro de Armadura Pesada, sem tirar os olhos da torre na frente deles. — Acho que você não morreria.

— Agradeço, mas não, obrigado.

— Você que sabe. — Guerreiro de Armadura Pesada respondeu com um aceno e Matador de Goblins começou a vasculhar sua bolsa de itens. A primeira coisa que sua procura resultou foi um monte de pitões e um martelo pequeno.

— E eu já tenho uma dívida para pagar.

— Dívida? Que seja! — Lanceiro franziu a testa e estalou a língua irritado. — Somos aventureiros! Terminaremos essa missão, considere essa dívida paga.

— Entendi.

— De qualquer modo, você literalmente só tratou comigo uma única bebida depois daquilo. Você ainda me deve!

— Isso é o oposto do que acabou de dizer — disse Guerreiro de Armadura Pesada exasperado, mal ouvindo os dois.

Matador de Goblins retirou um rolo de corda e pôs no ombro.

— Eu prometi te recompensar com uma bebida. E eu fiz.

— Hrrrgh! — Lanceiro não teve qualquer resposta para a réplica de Matador de Goblins. Guerreiro de Armadura Pesada teve de se esforçar para segurar um sorriso.

Resmungando furiosamente “hrmph, hrmph” e estalando a língua, Lanceiro deu a parede algumas batidas experimentais. — …E-enfim, essa parede parece terrivelmente sólida. Tem certeza de que conseguirá fixar seu equipamento de escalada nela?

Havia algum truque para funcionar, mas os outros dois também não se sentiriam atraídos com isso. A torre fora criada em uma ou duas noites. Obviamente não era feita de materiais normais.

— Aqui, me dê eles.

— Claro. — Matador de Goblins passou os pitões e o martelo para a mão estendida.

Guerreiro de Armadura Pesada os pegou, dando a um dos ganchos um bom golpe com o martelo, depois ele grunhiu:

— É. É bastante duro.

A parede da torre reluzente nem sequer arranhou.

De repente, Guerreiro de Armadura Pesada começou a remover suas luvas e braceletes. Ele enfiou o equipamento em sua mochila e trocou por uma garrafa cheia de um líquido vermelho. Ele sacou a rolha e tomou. Provavelmente uma poção de força. Ele guardou o frasco vazio, depois pegou uma espada de uma mão e um anel com um rubi brilhante.

— Hum! Um anel com um encantamento de impulso físico? — disse Lanceiro com interesse.

Não era surpresa que Guerreiro de Armadura Pesada tinha uma espada mágica. Armas mágicas eram raras, mas poderia se esperar de um ranque Prata ter pelo menos uma delas.

— Normalmente uso minhas Braçadeiras do Mestre de Armas Excepcional e minhas luvas mágicas, então não preciso disso com frequência. — Guerreiro de Armadura Pesada pôs a espada em sua cintura e segurou o pitão com a mão que estava o anel. Dessa vez ele grunhiu “hmph!” e o levou contra a parede.

— Dê uma olhada, Matador de Goblins. Isso é equipamento de primeira classe para você.

Por que está se gabando? Guerreiro de Armadura Pesada parecia querer perguntar.

Lanceiro o ignorou. — Por que você não mantem uma ou duas espadas encantadas consigo? Não quer parecer legal?

— Não tenho interesse em espadas mágicas, mas tenho um anel.

— Ah, é?

— Ele permite respirar debaixo d’água — disse Matador de Goblins brevemente. — Mesmo que os goblins roubassem, não faria mal.

— Para que eles iriam querer isso? Espera um pouco… você supõe que será roubado?

Lanceiro estava pressionando suas têmporas, mas o capacete de aço assentiu e disse: — É claro. Mas não iria caber no dedo de um goblin.

— Você devia aprender que não importa o que diga a essa cara, é tudo inútil. — Guerreiro de Armadura Pesada estava mostrando um sorriso enquanto agarrava o pitão e se erguia. — Ei, vocês dois vão me pagar pela poção, não é? Nós dividimos a recompensa em três partes, menos o custo.

E então, se segurando no lugar com apenas um dos braços, ele pegou outro pitão e continuou escalando. Ele não estava exatamente velocíssimo, mas parecia muito bem. Ele estava, afinal, de armadura completa e carregando uma espada larga nas costas. Isso não exigia pouca força física.

— Sem problema.

— Sim, claro.

Matador de Goblins respondeu com espontaneidade, e Lanceiro não manifestou qualquer objeção particular. A maioria dos aventureiros sabia manter qualquer disputa sobre a recompensa na taverna. Não importava quão valioso fosse um item, se você guardasse ao custo de sua vida.

Matador de Goblins agarrou os pitões e começou a subir após Guerreiro de Armadura Pesada, enquanto atrás dele Lanceiro deu um estalo com a língua. — Então eu sou o traseiro, hum?

Matador de Goblins parou no meio da escalada, olhando para trás com uma das mãos ainda no pitão.

— Prefere passar na minha frente?

— Tanque primeiro, batedor depois. Mas tudo bem, então vamos continuar subindo.

— Entendi.

Ele agarrou, subiu, agarrou o pitão seguinte, colocou o pé sobre o anterior e assim ele ficou outro nível acima. O que restava era simplesmente repetir o processo. Sem olhar para cima, sem olhar para baixo. Observando cautelosamente apenas à esquerda e à direita.

Todos eram aventureiros relativamente experientes, e tinham pontos de apoio para as mãos e pés. Se eles estivessem muito preocupados com o vento, que ficava mais forte quanto mais subiam, não poderiam ter contemplado a escalada da parede externa.

O problema era que o vento não era a única coisa que poderia machucá-los.

Matador de Goblins, verificando a esquerda e a direita como seu batedor, gritou: — Ei. — Ele continuou: — A oeste. Três deles. Alados. Não goblins.

— Então nos encontraram… Que cor são?

— Cinza.

— Sabia — disse Guerreiro de Armadura Pesada, assentindo com a resposta. — Eles são gárgulas, sem dúvida.

— Gárgulas… Humm — suspirou Matador de Goblins. — Então é assim que são.

— Há uma chance de eles serem demônios de pedra. Perto de oitenta e noventa por cento, é.

Elas eram demônios alados tão escuros quanto as cinzas no canto de uma lareira.

Ou assim poderia se pensar à primeira vista. Tais eram os monstros de pedra, gárgulas. Uma vez destinadas a vigiar lugares sagrados, gárgulas, também eram agora Que-Não-Rezam. Possivelmente era os seus corpos terríveis e distorcidos que tinham, ao longo dos anos, conduzido elas ao Caos.

Uma pessoa não pensaria que um pouco de bater de asas poderia manter uma estátua no ar, mas essas criaturas podiam voar. Ainda assim eram feitas de pedra, as tornando inimigos temíveis.

— Nunca viu mesmo uma? Elas aparecem em ruínas às vezes.

— Algumas vezes. — Matador de Goblins virou lentamente a cabeça de um lado ao outro. — Mas não sabia que eram gárgulas.

— Seja como for, elas descem rápido. — O sorriso de Lanceiro foi tão feroz quanto o de um tubarão. Os monstros voavam agora — literalmente — em seu campo de visão.

Elas estavam rodopiando preguiçosamente ao redor do topo da torre, provavelmente a vigiando. Agora elas estavam descendo em pânico, provavelmente elas não esperavam que alguém tentasse escalar a parede. Elas não estavam longe, mas os aventureiros não pareciam muito assustados ou mostravam qualquer sinal de estar ficando.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

11 Comentários

  1. Obrigado pelo capítulo.

    O Goblin Slayer foi convencido tão facilmente, acho que na situação dele qualquer um era kkkk

    1. Ele tem um grupo agora, não tem mais a folga que tinha antes com dinheiro todo pra ele auhauhauhahuauhauhauh xD

  2. Vamos ver como eles vão reagir a esse ataque das gárgulas enquanto estão escalando…

    PS: “A oeste. Três deles. Alados. Não goblins.” É engraçado como o MdG classificar os monstros kkkkk

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