MdG – Volume 4 – Capítulo 8 (Parte 3 de 3)

Quando elas abriram a tampa da caixa, encontraram vários livros velhos de velino, juntamente com um grupo de peões e dados enfiados cuidadosamente. Alta-Elfa Arqueira pegou um dos bonecos na mão e examinou. Ele tinha uma base circular: um cavaleiro usando armadura azul de placa. Talvez fosse feito de metal, pois pesava. Esse boneco segurava um estandarte com um símbolo ômega, brandia uma boa lâmina de aço e gritava pelo fim do Caos. Um paladino, sem dúvida.

— Isso é um belo artesanato.

— Há um monte de cenários também. Desde salvar o mundo, e bem, matar goblins.

Alta-Elfa Arqueira riu com as palavras matar goblins. Suas orelhas balançaram alegremente.

— Aposto que acabaria mal bem rápido se fizéssemos Orcbolg jogá-lo… Ei, posso te fazer uma pergunta?

— O quê?

— Qual é o sentido disso?

Garota da Guilda foi deixada pestanejando com a pergunta súbita. Alta-Elfa Arqueira viu sua confusão e balançou as mãos freneticamente.

— Desculpe, não interprete errado. Quero dizer literalmente.

— Ah, entendi… Hmm. — Perdida em pensamentos, Garota da Guilda parecia bastante com a mesma de sempre, apesar de estar sem uniforme. — Acho que você pode usá-lo para determinar o seu papel e ações antes de prosseguir em uma aventura, de certa forma.

A pausa mental fez Alta-Elfa Arqueira dar um risinho e Garota da Guilda coçar a bochecha.

— Mas eu nunca fiz isso antes — disse a elfa.

— É preciso esforço e tempo, e é claro que precisa de jogadores suficientes. Além disso, muita gente não consegue ler.

— Hmm…

Ela acrescentou que, embora o jogo estivesse disponível, era raramente usado.

Isso era compreensível para Alta-Elfa Arqueira. Ela colocou o paladino cuidadosamente de volta na caixa. — Tenho certeza de que não seria o suficiente para garantir uma aventura tranquila.

— De fato. É completamente diferente da realidade, isso é certo.

Enquanto falava, Garota da Guilda esticou a mão de novo até a caixa e pegou uma peça. Era aparentemente um guerreiro de armadura leve, usando armadura de couro e segurando uma adaga em prontidão. Possivelmente um batedor.

— Mas talvez… seja o suficiente. — Ela tocou seu rosto suavemente com o dedo, sorrindo timidamente. — Você poderia dar as boas-vindas aos aventureiros que salvaram o mundo. Não é bem uma fantasia ou um sonho… — Ela falou discretamente, quase como se escondendo algum embaraço.

Eu entendo. A garota elfa balançou suas orelhas longas suavemente e sorriu. Ela podia entender. Embora estivesse no lado a ser bem-vinda em vez de dar boas-vindas.

— Ei, me ensine a jogar — disse ela, retirando o paladino da caixa.

É. Eu gosto do rosto dela.

— Apenas veja. Eu salvarei todos os mundos que você quiser!

E então Alta-Elfa Arqueira procedeu em falha. Não só ela não derrotou o mago imortal, como ela sequer chegou ao mausoléu labiríntico. Achar a entrada repleta de miasma do túmulo não era para heróis imaturos.

Salvar o mundo se revelou uma tarefa hercúlea, mesmo quando o mundo era um jogo de tabuleiro.

— Ahh, cara! Que horrível!

A taverna a noite era barulhenta, e assim ninguém ouviu a exclamação de Alta-Elfa Arqueira. Às vezes aventuras iam bem, às vezes não. Às vezes a melhor coisa a se fazer era ignorar alguém.

— Eu juro que havia algo errado lá! Como pode um dragão vir batendo asas do céu?!

— Isso era o que estava nos materiais, então é assim que as coisas aconteceram.

Quando a elfa se esticou sobre a mesa e bateu na madeira, Garota da Guilda respondeu com um sorriso desajeitado.

Depois disso, o mundo fora extremamente destruído várias vezes. Apesar da inclusão de Inspetora, bem como Sacerdotisa e Vaqueira que apareceram no bar, a paz no mundo parecia um objetivo distante.

— “Assim que as coisas aconteceram”? Inaceitável. — A elfa de dois mil anos fez beicinho como uma criança.

— Você acha?

— Sim, acho que poderíamos ter feito algo mais. Tenho certeza — queixou-se ela, agitando seu copo cheio de vinho tinto.

— Talvez sim — disse Garota da Guilda assentindo com moderação, puxando a comida das gotas de vinho que espirravam na mesa. — Parte do interessante nos jogos de mesa é ver o que as pessoas inventam.

E ela tinha que admitir que o cenário fora um pouco exagerado.

Com essas palavras, Alta-Elfa Arqueira virou a cabeça na mesa para encarar Garota da Guilda.

— …Na verdade, não acha que é meio que um desperdício?

— Desperdício?

— Ou… indulgente. Vocês mal vivem cem anos, não é?

Não obstante do necromante ocasional.

Alta-Elfa Arqueira mexeu suas orelhas, fazendo um círculo no ar com a ponta do dedo.

— Usar esse tempo escasso se preocupando com o futuro… parece um desperdício.

— Está dizendo que devíamos aproveitar o momento? — perguntou Garota da Guilda, suas tranças deslizaram quando inclinou a cabeça.

— É — respondeu Alta-Elfa Arqueira com uma risada. — É o privilégio dos mortais rir ou chorar, ficar com raiva ou fazer alvoroço sobre o que aconteceu hoje. Se preocupar com o que acontece em cem ou duzentos anos… isso é coisa nossa.

— Não sei.

— Um alto-elfo disse isso. Deve ser verdade!

A resposta de Alta-Elfa Arqueira foi acompanhada de uma fungada orgulhosa enquanto estufava com confiança seu peito pequeno. Ela estava longe se ser a imagem de um alto-elfo nobre instando um humano a ser mais ponderado. Mas a verdade era que ela mesma sentia que precisava de tudo o que tinha para resolver o que estava bem na sua frente dia após dia.

Garota da Guilda riu, e um sorriso veio ao seu rosto, não aquele sorriso artificial, mas um completamente natural. Ao ver isso, Alta-Elfa Arqueira, muito satisfeita com o que conseguira, entrecerrou os olhos como um gato e sorriu.

— Bem, já que estamos aqui… Com licença!

— Sim!

Com Garota da Guilda ainda sorrindo, ela chamou Garçonete Felpubro e pediu outra garrafa de vinho. Ela não era hedonista, mas isso era especial. Por que não beber algo bom?

Ela estourou a rolha, apreciando o aroma do álcool, então despejou com generosidade no copo de Garota da Guilda e ao seu mesmo. Alta-Elfa Arqueira pegou seu copo, com os olhos brilhando como se nunca tivesse visto um antes, e Garota da Guilda fez o mesmo.

— …Muito bem. Aqui está pela aventura fracassada de hoje.

— Um fracasso que não vou esquecer mesmo que viva cem anos!

Saúde! Seus copos tilintaram com som musical.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

4 Comentários

  1. Sempre que possível, algum aventureiro faz menção a um dragão, será que o MdG vai encontrar um deles lá pra frente? Espero que sim kkkk

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