MdG – Volume 4 – Capítulo 9 (Parte 2 de 5)

— Elfos só ficam escondido em suas florestas, ignorando tudo e a todos… e ainda por cima são avarentos!

— Vou te mostrar a verdade sobre os elfos!

Alta-Elfa Arqueira ronronou como um gato e se lançou contra a soldada com cara de cachorro. A mesa caiu com o impacto, copos de vinho voaram e pratos viraram. Os bêbados que se reuniam na taverna abriram caminho para a cena familiar e começaram a fazer apostas.

— Meu dinheiro vai para a elfa. — Não, na felpubro. — Mas elfos são muito frágeis. — É, mas felpubros são bastante estúpidos…

— …Que problemático. — Oof, essa doeu. Anão Xamã deu de ombros para seu tio, que esfregava a cabeça e gemia.

— Bastante incomum, para um elfo.

— …Se importaria se teu companheiro fosse alguém como ela?

— Hmm, bom. Não creio que os alto-arrogantes do reino élfico escolheria alguém tão imprudente…

Enquanto murmurava, Anão Xamã esticou a mão em um prato. Ele pegou uma mão cheia de feijões secos, não obstante do vinho espirrado sobre eles, os colocou na boca e mastigou ruidosamente.

Ao lado dele, seu tio deu um suspiro. — Eles já fizeram a sua escolha — disse ele. — E escolheram ela.

— O que disse?

— Olhe para a descrição pessoal.

Seu tio pegou um pedaço de papel amassado de sua bolsa e entregou. Anão Xamã o abriu com os dedos grossos e ágeis, depois segurou no alto e olhou para a luta.

— Ahh… essa tábua…?

Se os elfos altivos a escolheram, não havia razões para duvidar de suas habilidades.

Os elfos eram ressentidos com os anões, mas ao mesmo tempo, eles odiavam mais do que qualquer coisa que os anões se ressentiam com eles.

Mas essa é só uma garotinha, ou eu sou um barril.

Ela estava gritando insultos para a soldada com focinho de cachorro, as duas puxavam o cabelo — e pelo — uma da outra. Os elfos não consideravam exatamente a idade insignificante, mas ele se perguntava se ela tinha pelo menos cem anos de idade.

— Ainda assim… — Com mais ou menos dez anos (ou cem), essa era a elfa que iria ser sua companheira de viagem. — …Acho que quebraríamos alguma coisa tentando tirá-la dessa luta.

Enquanto afagava a barba e considerava o que fazer, os olhos de Anão Xamã foram atraídos para a porta da taverna.

Uma sombra enorme se aproximava.

Era enorme. Grande como uma rocha. Seus movimentos amplos eram tão grandes quanto suas mandíbulas.

Mas então, de onde eram essas roupas? Ah, sim. Do sul nemoroso.

O homem-lagarto deu uma olhada no bafafá e revirou os olhos. Ele entrou na taverna com um andar arrastado e foi para o balcão, alheio ao olhar dos que o rodeavam. Ele não tentou se sentar na cadeira, talvez devido ao seu tamanho enorme ou por causa da cauda que arrastava.

— Mil desculpas, mas gostaria de esperar por alguém. Como não sei quando chegarão, talvez fique esperando por um tempo.

Sua voz era rígida como uma pedra. Era impressionante como a língua longa dentro de suas mandíbulas exercia a língua comum tão facilmente.

— Uh, claro — disse o dono da taverna com um aceno desajeitado.

O lagarto respondeu “esplêndido”, também assentindo. — Aguardo um anão e um elfo. Se algum de seus aventureiros se encaixar nessa descrição, talvez possa me avisar.

Ouvindo isso, Anão Xamã olhou para seu tio, que disse calmamente: — Ouvi que um homem-lagarto nos emprestaria sua força. — Parecia que ele mesmo não conseguia acreditar nisso.

— Como agora, querido tio? Não conhece seu rosto?

— Mesmo que eles me dessem uma descrição, não conseguiria distinguir um homem-lagarto de outro.

— Imagino que não.

Os homens-lagarto, que se proclamavam descendentes dos temíveis nagas que saíram do mar, eram os guerreiros mais poderosos encontrados no mundo.

Eles eram oponentes que faziam o sangue gelar. Eles matavam seus inimigos, massacravam, comiam seus corações. Alguns os desprezavam como bárbaros, e havia de fato — então era dito — que alguns se aliavam com as forças do Caos.

Apesar disso, esse estava presumivelmente do lado da Ordem.

Mesmo assim…

— Ahh, e uma refeição, se puder fazer a gentileza. — O lagarto sacerdote levantou o dedo escamoso. Ele continuou de pé no balcão; provavelmente a sua cauda atrapalhou quando tentou se sentar. Quando seus olhos giraram e suas mandíbulas abriram, sua observação pareceu alegre. — Lamentavelmente, eu não trago dinheiro, por isso gostaria de retribuir com trabalho; lavando pratos ou cortando lenha. Não se importa?

Anão Xamã riu de repente. Tomou um gole de vinho, bateu em sua barriga e deu uma boa e bela risada. Ele riu até que o lagarto sacerdote virou seu longo pescoço para olhar de uma forma estranha, e então o anão deu outro gole no  vinho.

— Ei, Escamoso! — chamou ele o homem-lagarto. Ele tossiu, depois limpou o vinho de sua barba com a mão. — Vê aquela garota orelhuda lutando ali? Pegue ela pela nuca e traga até aqui, pode ser?

Anão Xamã riu tranquilamente, apontando para a elfa, que estava se balançando em cima da felpubro, alheia aos acontecimentos ao seu redor. No momento, a felpubro a pegou pelos cabelos e rolava com ela para uma nova posição. Mãos, pés e unhas se moviam por todo o lugar. Sua dignidade élfica desaparecera. Ela agora era apenas uma criança brigando.

— Faça isso e eu te recompensarei com todo o vinho e carne que quiser.

— Oh-ho! — A cauda de Lagarto Sacerdote acertou o chão com uma poderosa bofetada. O dono da taverna franziu a testa; tal como o tio de Anão Xamã. — Muito bem, então irei. Me considere agradecido. Ah, virtude gera virtude.

Imediatamente Lagarto Sacerdote, cauda e tudo mais, saltou para a luta com uma velocidade que desmentia seu tamanho. Ao lado de Anão Xamã, sorrindo para a anarquia na taverna, seu tio gemeu. Ele parecia ter uma dor de estômago. Nem mesmo um bocado de vinho não parecia lhe fazer bem.

Por fim, o homem que fora um quebra-escudos no exército anão por mais de dez anos, disse: — …Se me dá licença, voltarei para minha unidade. — Ele deixou um punhado de peças de ouro na mesa e pulou instavelmente da cadeira construída para a altura de um humano.

Ele não conseguia decidir se era sensato deixar o destino de sua raça nas mãos desse grupo; incluindo seu sobrinho.

Oh, às ordens dos deuses…

Enquanto ele se afastava da taverna, a cabeço do velho quebra-escudos foi preenchida com o som de dados rolando.

— …Quecêquer?

Seu cabelo estava bagunçado, suas roupas sujas, suas bochechas um pouco inchadas, e ela estava de costas para ele com uma expressão de desgosto. Anão Xamã acabou por dar um sorriso alegre com o primeiro som da boca da alta-elfa.

— Quem, eu? Pensei que podíamos falar de trabalho. — Ele sorriu e esfregou as mãos grossas, fsh-fsh-fsh.

Se ela pudesse se sentar de frente para mim como uma adulta, eu poderia achar que ela estivesse me ouvindo.

As brigas nessa taverna deveriam ser tão comuns quanto pão e manteiga, porque o ambiente já havia relaxado de novo, e as conversas e brincadeiras voltaram à vida.

A felpubro bastante machucada estava sentada em um canto, parecia infeliz e estava rasgando um pedaço de carne. Com a luta sendo extinguida, os antigos apostadores logo se acomodaram de volta.

— Hum. Nesse caso, tem algo de extrema importância que devo perguntar primeiro.

A ordem restaurada na taverna foi em parte graças à rápida intervenção do homem-lagarto, que agora usava um barril de vinho no lugar de uma cadeira. Fora uma bela visão vê-lo pegar a elfa e a felpubro pela nuca e separá-las, mas também foi um resultado que ninguém apostara. Assim, só o agente de apostas teve lucro, e o rhea deu voltas pelo bar balançando alegremente seu vinho.

— E o que é, Escamoso?

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

4 Comentários

  1. Quem ver o Lagarto Sacerdote sendo educado, nem imagina que ele é um maníaco por luta kkkk

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