MdG – Volume 4 – Capítulo 9 (Parte 3 de 5)

Lagarto Sacerdote deu um “hmm” e acenou com a cabeça seriamente. — Poderíamos talvez considerar nossas despesas com comida serem separadas da recompensa nessa missão?

— Mas é claro — disse Anão Xamã dando um puxão em sua barba e sorrindo. — Vamos mandar a conta para meu honorável tio.

— Agradeço imensamente — disse Lagarto Sacerdote, depois abriu amplamente as mandíbulas e as enfiou em um pedaço de carne com osso que estava na mesa.

Alta-Elfa Arqueira observou eles, ainda estufando um pouco as bochechas. — Então — murmurou ela — qual é o trabalho? Não que ainda não tenha ouvido o básico.

— Ah, sim, sobre isso. — Anão Xamã assentiu, pegou um copo e bebeu. Então usou o recipiente vazio para empurrar de lado alguns pratos e abrir espaço para si. — Você sabe sobre a batalha que está acontecendo na Capital com o Senhor Demônio ou seja lá o quê?

Foi uma pergunta retórica. Ele pegou um pergaminho de sua bolsa e abriu na mesa. Fora desenhado com pigmentos de casca. A imagem abstrata, porém precisa, o assinalava como um mapa élfico. Ele representava uma construção antiga, bem no meio de uma terra devastada.

— Um conselho de guerra estava prestes a ser convocado, mas então descobriram que havia um grupo de goblins vivendo bem atrás dela.

— Um ninho de goblin, não é assim que se chama?

— Sim, e um bastante grande também.

Aqui. Alta-Elfa Arqueira olhou para onde Anão Xamã estava apontando e pestanejou. Ela olhou para o símbolo no antigo edifício no meio da terra devastada, depois para a floresta enorme não muito longe dela.

— Ei… essa é a minha casa!

— Hm. Isso explicaria por que você está aqui…

Lagarto Sacerdote mordiscou mais carne do osso, mastigou várias vezes e engoliu antes de falar.

— …É isso que chamam de política?

— Sim. — Anão Xamã assentiu com firmeza. Bem, isso era uma bela confusão. Um dos seus membros estava aqui para satisfazer a honra de alguém. Ele sentia problemas à frente. — Meu tio pode pensar que é insensato, mas não podemos deixar os humanos sentados enquanto nossos exércitos são os únicos que se mobilizam.

— E nem rheas e felpubros?

As orelhas de Alta-Elfa Arqueira se contraíram com a menção do povo fera. A soldada com rosto de cachorro que ela estivera brigando fora subjugada por um oficial superior que veio correndo. Enquanto o oficial puxava o rosto grande da soldada, a elfa se perguntava se tal tratamento era uma ocorrência diária, ou se o povo cachorro simplesmente, pela sua natureza, achava difícil ir contra seus superiores.

Em todo o caso, a cidade da água era uma cidade linda, mas eles não se sentiam ameaçados.

— Acho que não podemos esperar mais do que alguns voluntários deles.

Havia rheas individuais de grande coragem, mas isso não se estendia aos seus clãs ou seus administradores. No fundo, eles adoravam a paz e a tranquilidade, e não tinham qualquer interesse em nada que não dissesse respeito a sua terra natal diretamente.

Os felpubros eram felpubros; eles eram tão diversificados que era difícil unir todos eles rapidamente atrás de qualquer causa. Quando se juntavam, dependendo de qual tribo assumia a liderança, as coisas podiam dar muito bem ou muito mal. Isso era verdade mesmo quanto ao despertar do Senhor Demônio e a guerra posterior contra todos os que possuíam palavras do continente. Claro, se o perigo aumentasse demais, eles iriam se unir e se insurgiriam por si mesmos…

— Nosso outro problema é: precisamos que um humano se junte a nós.

— Ah! Conheço um muito bom. — Alta-Elfa Arqueira tirou os olhos do mapa. Ela esticou seu dedo indicador longo e fino, fazendo um círculo no ar. — Ele se chama Orcbolg. Um guerreiro que mata goblins na fronteira.

— O que, você quer dizer Corta-barba?

— Correto. Vocês anões podem não saber, mas nesse momento, há uma canção muito popular sobre ele se espalhando.

Ela na verdade não sabia se a canção era popular ou não, mas ela precisava de uma chance para parecer inteligente.

 

O Rei Goblin perdeu a cabeça para um Golpe Crítico dos mais terríveis!

Um azul escaldante, o aço de Matador de Goblins cintila no fogo.

Assim, o plano repugnante do Rei chegava ao seu fim apropriado, e a adorável princesa alcançou seu salvador, seu amigo.

Mas ele é Matador de Goblins! Em nenhum lugar ele permanece, mas jurou vagar, não deve ter outro ao seu lado.

Fora apenas o ar ao seu alcance que a grata donzela encontrou… o herói tinha partido, sim, sem olhar para trás.

 

Quando terminou de cantarolar a melodia, ela fez um barulho orgulhosa e estufou o pequeno peito.

— Você não sabe porque estava vivendo literalmente em uma caverna. Isso é anões para você.

— Uma coisa boa para dizer vindo de alguém que fica escondido em sua floresta.

Anão Xamã lhe deu um olhar austero enquanto ela balançava as orelhas de autossatisfação.

Suponho que apenas metade dessa canção é verdade. Esse sempre era o melhor parecer a se ter sobre as melodias de um bardo.

— Mas, ahh, ahem.

Essa elfa de orelhas longas deveria ser uma patrulheira ou uma batedora. O homem-lagarto era um sacerdote… uma espécie de monge-guerreiro, muito provavelmente. Ele mesmo sabia magia, é claro, e ele também entendia de como manejar uma arma. Mas eles não tinham combatentes o suficiente.

Ele não podia ter certeza até que visse o homem, mas esse era alguém que tinha uma música escrita sobre ele. Era razoável presumir que ele tivesse uma boa quantidade de habilidade.

— …Está bom o bastante.

— A recompensa será dividida igualmente, então. Também estamos acordados em assumir que meu senhor Matador de Goblins se juntará a nós?

Lagarto Sacerdote olhou revirando os olhos para o grupo. Tanto Anão Xamã quanto Alta-Elfa Arqueira concordaram.

Com isso, o homem-lagarto disse “então vamos planejar” e tocou a ponta do nariz com a língua.

— Primeiro essa cidade — disse Anão Xamã, lançando os olhos no mapa. — Em que cidade disse que ele estava?

— Bem, hum, eu perguntei ao bardo, e… — O dedo pálido de Alta-Elfa Arqueira passou pelo mapa élfico. Por fim, ela encontrou a cidade fronteiriça, e bateu no local com a unha bem-cuidada. — Talvez por aqui?

— Isso não está muito longe. Porém… mesmo assim. — Lagarto Sacerdote parecia extremamente sério enquanto olhava o mapa. — Estamos à procura de frustrar os planos de nosso inimigo. Creio que possamos assumir que isso provocará uma retaliação.

— Hum? Podemos ser atacados no meio de uma aventurar, você quer dizer?

— Vamos resolver isso agora para evitar essa possibilidade. Antes que eles tenham a chance de consolidar suas forças.

— Deixe tudo conosco! — Bop. Alta-Elfa Arqueira formou um punho e bateu com fervor em seu pequeno peito. — O destino do mundo está por um fio? É aí que os aventureiros fazem o seu melhor!

— Ei, então — disse Anão Xamã, arregalando os olhos. — Sabe que isso não é uma brincadeira, não é?

— Claro que sim. Eu não sei quanto aos anões, mas os elfos sempre usaram seus arcos para manter o mundo seguro.

— Oh-ho. Não me diga. — Os olhos do conjurador se alargaram só um pouco; ele deu um puxão na abarba e suspirou. — Então esse seu peito de tábua não interfere em nada quando atira de arco?

— Tábua?

— É rígido… e liso.

— Ora, seu…!

A vergonha e a raiva enviaram sangue para as bochechas da arqueira. Houve um barulho quando ela se levantou da cadeira e colocou as mãos na mesa enquanto se inclinava.

— Mas que coragem! Isso quando vocês anões… uhh, hum… — Ela ficou ali, com sua boca abrindo e fechando. Suas orelhas balançavam para cima e para baixo, e a ponta de seu dedo traçou um caminho sem objetivo no ar. — C-certo! Essas barrigas! Seus estômagos fariam um tambor parecer pequeno!

— Quero que saiba que dizemos que é ser solidamente constituído! Um anão prefere esse tipo de corpo… — Anão Xamã se cortou sugestivamente, depois olhou de soslaio para a elfa. — …Independentemente do que vocês elfos devam gostar.

Alta-Elfa Arqueira não poderia deixar de notar o olhar em seu peito. Ela cruzou os braços bufando deliberadamente, deixando seu desgosto evidente.

— Sempre soube que anões tinham um sendo de beleza distorcido!

— Quem é que vem comprar os nossos trabalhos em metal? Ah, certo. Elfos.

— E daí?!

E eles começaram a discutir. As outras pessoas na taverna observaram essa rivalidade antiga entre as raças desenrolar diante de seus olhos. Mas, a atmosfera logo mudou. Brigas e discussões vendiam às dúzias.

— Cinco pratas no anão!

— Uma peça de ouro na elfa!

— Vamos, garota!

— Espanque bem ela, velhote!

Lagarto Sacerdote balançou a cabeça e suspirou. Depois deu um grande sibilo. Com o sentimento avassalador de um réptil na caça, os dois aventureiros calaram a boca. Lagarto Sacerdote assentiu.

— Hm.

Ótimo.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

3 Comentários

  1. Obrigado pelo capítulo.

    Isso que é ter controle da situação, o Lagarto Sacerdote fez os dois pararem sem muito esforço kkkkk

  2. Apesar de acabarem de se conhecer, o Lagarto Sacerdote já demostra um papel de líder…

  3. Achei que, quando eles se encontraram com o Matador de Goblins, eles já se conheciam a muito tempo… Parece que não fazia tanto tempo assim hauahuahuhauahu

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