MdG – Volume 5 – Capítulo 1

— Foi por ali!

Uma voz, clara como um sino, pôde ser ouvida mesmo entre a nevasca que engolia o campo de batalha.

Ela veio de uma jovem com olhos azuis brilhantes e duas tranças em seu belo cabelo ondulado cor-de-mel. Ela era uma aventureira, mas a nobreza que exibida não seria tampouco inadequada em uma festa luxuosa.

Seu rosto, o qual poderia ter sido coberto com maquiagem em algum momento de sua vida, agora escorria com suor de ansiedade apesar da neve circundante. Um corselete protegia seu peito generoso, enquanto a armadura de couro envolvia uma cintura tão fina que não precisava de um espartilho.

Uma espada prateada cintilava em sua mão, uma valiosa relíquia de família. Era feita de alumínio, leve e afiada, forjada por um martelo rápido e certeiro contra uma joia vermelha.

Impulso, impulso, bloqueio. Ela repetiria os movimentos que aprendera, de novo e de novo, e o inimigo não teria qualquer hipótese de chegar perto dela.

Ao lado dela, uma guerreira mergulhava na batalha, falando grosseiramente, mas com uma sutileza de afeto.

— Eu sei! Só tome cuidado para não escorregar e cair!

— Nossa! Não sou uma desastrada assim!

Isso ainda não estava claro. A guerreira só usava uma armadura fina, e orelhas pontudas saia por debaixo de seu cabelo da cor de folhas no outono.

A meio-elfa brandia sua espada fina; ela cintilava enquanto a guerreira se movia com passos de uma dançarina. A outra garota, Esgrimista Nobre, espantara um inimigo, e ela não perderia a abertura que o medo do inimigo lhes concedeu.

— ORARARARAG?!

— GAROARARA?!

Primeiro uma, depois duas das pequenas e feias criaturas morreram, com sangue sujo esguichando de seus peitos e vísceras expostas ao ar livre.

Em todo o mundo, provavelmente não existia nem uma única pessoa que não reconheceria esses monstros. Que-Não-Rezam com pele verde-escura, dentes tortos e a inteligência de crianças cruéis. O monstro mais fraco caminhando pela terra: goblins.

Eles eram visíveis aqui e ali pela nevasca, rosnando ou babando. Eles não usavam nada além de peles de animais sobre seus corpos; não era claro se isso era porque o frio não os incomodava ou porque não conheciam nenhuma maneira melhor para se aquecerem. Como armas eles levavam apenas machados de pedra ou clavas, juntamente com algumas lanças rústicas feitas de ossos.

Ainda assim, eles não faziam nenhum movimento para fugirem das aventureiras. Os goblins não sentiam nada além de hostilidade, ódio e luxúria por elas.

— Eles são tão patéticos, é quase engraçado — disse Esgrimista Nobre com um pequeno bufo fofo.

— Heh-heh! Bom trabalho, garotas!

Uma voz veio de algum lugar, soando facilmente inalterado pela neve que açoitava.

O tom vívido e quase inocente trouxe uma carranca à meio-elfa.

— Não estamos aqui para conversar! Mãos à obra!

— Pode deixar.

Sem nenhum sinal ou som de aviso, uma adaga surgiu, se afundando no espaço entre as costelas de um goblin.

Uma punhalada pelas costas, em cheio no coração. Os olhos da criatura se arregalaram, e então morreu.

O cadáver se moveu com um pequeno pontapé por trás; ele caiu para a frente, revelando um batedor rhea diminuto. Ele se apoiou no corpo e retirou a adaga que enfiou.

Mas, por mais estúpidos que os goblins pudessem ser, nem mesmo eles ignorariam uma oportunidade dessas.

— Hrgh?!

— GORBBB!!

— GROOOB!!

Os monstros se aproximaram, confiando sua força aos seus números, agitando suas clavas. Dando um grito alto, o batedor rhea saltou para trás.

— Não se distraia no campo de batalha, já! — Uma figura pequena, mas robusta, o empurrou e passou para protegê-lo. O anão usava um hábito de monge e parecia uma rocha. Sua arma preferida era um martelo de guerra. O bloco de metal esmagou impiedosamente o crânio de um goblin, mandando cérebro voando por toda a parte e libertando a pequena alma desagradável da criatura para o além.

— Bem, sinto muito, Senhor Monge!

— Não foi nada — respondeu de forma inexpressiva o anão, limpando um olho de seu martelo. — Ei, conjuradores. Ainda temos um ou dois ali perto.

— Claro. Consigo ver eles perfeitamente bem.

A resposta veio de um mago de meia-idade vestido com as vestes de um branco puríssimo. O humano possuía um sorriso estranho no rosto enquanto passava a mão na testa como se sugerisse sua sabedoria abundante. Uma mão emergiu de sua veste, formando rapidamente um sinal, enquanto brandia seu cajado com um gesto hábil.

— Minha querida garota nobre, talvez pudesse me dar uma mão?

— Muito bem! — Esgrimista Nobre estufou o peito e assentiu. Em seu adorável dedo estava um anel que brilhava com uma joia, e ela e o mago disseram palavras de verdadeiro poder em conjunto:

Sagitta… quelta… raedius! Acerte em cheio, flecha!

Tonitrus… oriens… iacta! Ascenda e descenda, trovão!

As palavras oprimiram a própria lógica do mundo, e as duas magias gêmeas assaltaram os goblins: o Projétil Mágico do mago enviou voando diversas flechas sobrenaturais, enquanto a magia Raio de Esgrimista Nobre veio abaixo sobre eles com um estrondo, transformando neve em vapor.

Depois disso, os únicos goblins que permaneceram estavam cheios de buracos ou fritos como uma batata frita. O chão fora revelado pelo ataque, mas a neve continuou caindo sem misericórdia. Seria apenas questão de tempo até que a terra fosse coberta novamente.

— Bem, acho que é isso — disse a guerreira meio-elfa, sacudindo o sangue da espada e embainhando.

Batedor Rhea assobiou. — Você não está de bom humor.

— Não sei dizer se estou muito feliz com você abaixando a guarda — disse Monge Anão de forma reprovadora, mas o mago interrompeu: — Ah, magias curam todos os males. Acabou tudo bem no final.

O grupo, tendo sobrevivido com êxito a um encontro aleatório com um grupo de goblins, se felicitaram mais uma vez por sua proeza em batalha. Eles cooperaram bem, e ninguém ficara machucado. Verdade, eles recorreram a algumas magias, mesmo assim, uma vitória perfeita.

Os olhos dos aventureiros cintilaram com uma paixão que parecia tanto esperança quanto ambição. Atrás deles estava a aldeia do norte e todos os seus moradores, que vivia sob ameaça de monstros. À frente deles estava a montanha, perigosa e severa, mas majestosamente branca e coberta de neve ainda assim. Em algum lugar em sua encosta havia a entrada para uma caverna subterrânea.

Não importava se tivessem que lutar com goblins. Na verdade, era ainda mais motivo para ir. Se extermínio de goblins não fosse uma aventura, o que seria?

— É, não se preocupem — disse audaciosamente Esgrimista Nobre, com seus cabelos se balançando ao vento. Ela se virou para seus companheiros e anunciou: — Eu tenho um plano!

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

4 Comentários

  1. Esse grupo está bem equilibrado, mas ao mesmo tempo parecem meio despreparados para enfrentar esses goblins…

    “Se extermínio de goblins não fosse uma aventura, o que seria?” A Alta-Elfa Arqueira pensar diferente kkkk

    PS: Já prevejo uma nova heroína para o “harém” do MdG.

  2. Mais personagens para a história!
    Fico impressionado como o autor consegue fazer a gente se importar com as personagens sem realmente dar um nome à elas hauhauahuahu

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