MdG – Volume 5 – Capítulo 2 (Parte 10 de 10)

— A situação não parece boa — disse Matador de Goblins. Ele estava em frente a uma lareira crepitante na taverna da aldeia. O segundo andar era uma pousada, as quais eram típicas de tais lugares.

O calor do fogo preenchia o edifício de troncos, com as sombras dos troféus na parede dançando à luz do fogo. Os aventureiros, de volta aos seus respectivos relaxamentos, se sentavam ao redor de uma grande mesa com copos cheios até a borda de hidromel.

A curandeira e sua irmã, juntamente com quase todos na aldeia, instaram seus socorristas descansarem em suas respectivas habitações, mas Matador de Goblins recusara.

— Vamos todos pagar por um lugar na pousada. Divididos, não podemos responder rapidamente o que quer que aconteça.

Sacerdotisa ficou ligeiramente perplexa com a onda de alívio que sentiu quando ele disse isso.

No momento, os aldeões rodeavam os aventureiros à distância. Eles estavam meio ansiosos e meios curiosos. Alguns também olhavam as mulheres do grupo com interesse indevido. Sacerdotisa se movia desconfortavelmente sob seus olhares de soslaio.

Acho que é uma pequena benção que não haja ninguém que pareça ser um problema sério…

— Acham que… eles não nos querem aqui? — perguntou ela, olhando para a comida na mesa.

Batatas cozidas, batatas normais, batatas e mais batatas… Tudo em oferta eram batatas. Sacerdotisa, é claro, de forma alguma esperava luxo. Ela estava acostumada com comida humilde. E sim, era inverno; havia neve no chão e seria necessário conservar provisões. Mesmo assim… nada além de batatas?

— Nem — disse Anão Xamã balançando a cabeça. — Pelo que ouvi, os últimos aventureiros que passaram compraram todos os suprimentos.

— Tudo?

— Disseram que precisavam para matar goblins, se é que dá para acreditar nisso. — Anão Xamã apoiou o queixo nas mãos.

— Ha-haa! Acredito… — A cauda de Lagarto Sacerdote balançou ao longo do chão como se dissesse que não era deles julgar. — É dito que se deve atrair os goblins antes de se poder matar. Um pouco de coerção, sabe. Talvez precisassem mesmo desses suprimentos…?

Hmm. Sacerdotisa colocou o dedo nos lábios enquanto pensava, com seu cabelo se agitando como uma onda quando inclinou a cabeça. Era claro a quem levar uma questão como essa.

Era necessário?

— Depende da hora, do lugar e das circunstâncias — respondeu categoricamente seu especialista em goblincídio. — Vez ou outra, encontrará tribos errantes sem ninho. A perseguição pode levar bastante tempo.

— Mas tempo é algo que não temos, certo? — disse Alta-Elfa Arqueira, lambendo alegremente o hidromel. Suas bochechas já estavam um pouco vermelhas; o banho poderia ter algo a ver com isso, mas era principalmente o álcool. — Não sabemos o que está no ninho e não sabemos quantos deles há. Além disso, existe a possibilidade de os aventureiros ainda estarem vivos.

— Só tivemos sorte de os aldeões não terem sido levados. Quem sabe se conseguíssemos tê-los ajudado a tempo?

Matador de Goblins assentiu, depois desenrolou uma folha de pele de carneiro. — Não podemos esperar até que a doença das flechas se torne fatal, mas eles podem estar um pouco enfraquecidos essa hora. — No papel havia um mapa simples da rota da aldeia até a montanha; ele pediu ao caçador local para fazê-lo. Algumas observações rabiscadas pareciam ter sido adicionadas pelo próprio Matador de Goblins. — De acordo com seu armadilheiro, esse é o local mais provável para um ninho de goblin.

— É, mas… — Alta-Elfa Arqueira passou o dedo pelo mapa, mensurando a distância entre a aldeia e a caverna. — Se nenhum aldeão foi sequestrado, por que não vamos logo?

— Acredito que sei o que os aventureiros anteriores planejavam. — O olhar coletivo do local se fixou em Matador de Goblins. Ele pegou uma batata frita e colocou na boca. Seu capacete se moveu um pouco, emitindo sons de mastigar e engolir. — A curandeira me disse que o grupo comprou madeira juntamente com seus outros suprimentos.

— Madeira? — perguntou Anão Xamã. — Mas eles podiam… não, calma, não me diga, eu consigo. — Ele deu um gole no hidromel, ignorando o olhar que a elfa lhe deu quando ele limpou várias gotas de barba.

O velho anão sábio grunhiu consigo mesmo, e momentos depois ele estalou os dedos e disse: — Ah! Agora eu sei! Não é lenha, então não era para encher o ninho de fumaça. Estavam se preparando para alguma coisa. E trouxeram comida. Significando…

— Sim — disse Matador de Goblins como se fosse a coisa mais natural do mundo. — Eles queriam deixá-los esfomeados.

Houve um crac audível do fogo. Por algum tempo, ninguém falou nada. Lagarto Sacerdote pegou um atiçador e bateu desatentamente na lenha. Houve outro ruído quando a madeira se dividiu em dois, com faíscas voando.

— Mas então, os inimigos eram muitos e eles poucos — disse ele.

— Essa tática tem a sua utilidade — disse Matador de Goblins calmamente. — Mas não quando se está tentando exterminar um grande número de inimigos em sua própria terra.

Sacerdotisa imaginou a cena, e seu corpo se enrijeceu. O terror de enfrentar goblins esfomeados por dias a fio.

Não acho que conseguiria suportar.

Então Sacerdotisa pensou nos aldeões. Como eles pediram aos aventureiros para pararem os goblins de roubar a comida deles, e esse grupo que decidiu usar uma tática que utilizava as provisões de toda a cidade.

— Não podemos preparar sequer uma espada, uma poção ou uma provisão de alimentos por nossa conta. — Glub. Matador de Goblins tomou um gole do hidromel sem sequer ter removido o capacete. — E aventureiros sem suprimentos estão mortos até ao anoitecer.

— Orcbolg, talvez possa pensar em outra coisa dessa vez.

— Estou tentando.

Glub, glub. Mais hidromel.

Seus quatro companheiros observavam isso com o menor dos sorrisos em seus rostos. Eles sabiam que esse grupo nunca teria sido formado se esse homem não fosse exatamente do jeito que era.

— E meu senhor Matador de Goblins — disse Lagarto Sacerdote, que já estava acostumado com o papel de assessor militar. — Que estratégia está pensando?

— Nenhuma em particular. — Ele parecia estranhamente relaxado.

Eles não tinham ideia de como o ninho estava estabelecido ou quantos inimigos havia lá. Sem saber se os outros aventureiros ainda estavam vivos, eles não podiam simplesmente destruir o ninho sem rodeios. E já que os goblins atacaram uma vez, eles certamente viriam uma segunda e uma terceira vez.

Desse modo, só existia uma estratégia possível.

— Faremos uma operação relâmpago.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

8 Comentários

  1. Quantos capitulos tem esse volume, e tem previsao do intervalo de tempo que leva entre vc traduzir eles??

    1. Seja bem-vindo à alcateia, @vinciussc:disqus.

      Esse volume possui 7 capítulos e 2 interlúdios. A previsão é de aproximadamente 3 meses para mais. Depende de eu fazer algum especial, que creio não fazer. Esse é o último volume traduzido oficialmente para o inglês, então o ritmo vai se manter normal até o fim do mesmo. Podendo eu terminar próximo ao lançamento do sexto para o inglês.

      Resumindo: estou tendo em conta que quero evitar tempos longos sem capítulos de Matador de Goblins quando terminar esse volume, podendo demorar o lançamento do próximo em inglês.

      1. Ok obg pelo trabalho li os outros capitulos na manha e tarde de ontem, e me r u uma deprecao quando o ultimo que li tinha saido a 7 horas…kkk

  2. Me interessar saber qual estratégia ele vai usar, pois se os aventureiros estiverem vivos( pelo menos um deve está, de acordo com a sinopse) o MdG não vai poder utilizar suas armadilhas “pouco ortodoxo” contra os goblins…

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