MdG – Volume 5 – Capítulo 2 (Parte 3 de 10)

— Não deixe isso te incomodar. É certamente um costume de meu senhor Matador de Goblins.

— Verdade, não é como se tivéssemos alguma ilusão sobre como Corta-barba pensa. — Anão Xamã pegou a garrafa de seu quadril e agitou o vinho para evitar o congelamento. Vinho de fogo podia praticamente queimar; isso foi o suficiente para trazer o cheiro de álcool no ar.

Alta-Elfa Arqueira se engasgou discretamente, apertando o nariz com uma das mãos e balançando o odor com a outra. Anão Xamã limpou algumas gotas da barba.

— Ainda não possuímos resposta para a nossa preocupação original — disse ele.

— Preocupação original? — perguntou Matador de Goblins. — Qual é?

— Não tem como a garota estar ilesa.

— Está falando das chances da garota raptada ainda estar viva.

— Correto. — Ele olhou para Matador de Goblins e esfregou mais energicamente a sua barba. — Eles estão aptos a comê-la, não estão? Caso contrário, terão apenas mais uma boca para alimentar. Eles não possuem qualquer razão para a deixar viver durante o inverno.

— O inverno é longo — disse Matador de Goblins, assentindo. Ele disse friamente: — Eles desejarão algo para passar o tempo.

Não muito depois, eles notaram uma coluna de fumaça subindo da aldeia na base da montanha.

— Orcbolg…!

Alta-Elfa Arqueira foi a primeira a falar, com as orelhas se contraindo.

Seguindo a estrada, não muito longe, um pouco de fumaça subia. Porventura era de alguém fazendo comida? Não.

— Goblins?

— Uma aldeia. Fogo. Fumaça. O cheiro de queimado. Ruído, gritos… Parece provável!

— Então são goblins.

Matador de Goblins assentiu em resposta, e sem um momento de hesitação, ele pegou o pequeno arco em suas costas. Agora movendo-se rapidamente, ele pegou a corda com uma mão hábil, então ajustou uma flecha e puxou.

Ninguém teve que dar a ordem: o grupo inteiro seguiu atrás dele de imediato. Os goblins que atacavam a aldeia estavam obcecados no roubo; eles não destacaram nenhum sentinela e tampouco sabiam sobre os aventureiros que se aproximavam.

Como é que o grupo puniria os goblins por lhes dar estupidamente essa vantagem?

— Matador de Goblins, senhor — disse seriamente Sacerdotisa, a despeito do rosto tenso de nervosismo e respirar profundamente — devo preparar meus milagres…?

— Faça.

— Certo!

Sacerdotisa já era aventureira por um ano. Verdade, tudo o que fizera foi matar goblins, mas a densidade de suas aventuras era muito maior do que a maioria dos novatos. Essa foi a razão pela qual não tinha que perguntar qual milagre preparar, mas sim se ela deveria se preparar. Ela, afinal, conhecia Matador de Goblins a mais tempo do que qualquer outro membro do grupo.

— Ó Mãe Terra, abundante em misericórdia, pelo poder da terra conceda segurança para nós que somos fracos.

Ela segurou seu cajado de monge no peito e rezou à sua deusa. Foi uma atividade intensa o suficiente para consumir parte de sua alma. Um verdadeiro milagre, um que permitia sua consciência tocar a dos deuses nos céus.

Uma luz tênue, mas pura, desceu do céu, abraçando Matador de Goblins e Lagarto Sacerdote. Esse era o milagre Proteção, que salvara Matador de Goblins e os outros em diversos momentos de crise.

Lagarto Sacerdote correu, esmagando o chão, e entrecerrando os olhos enquanto a fosforescência o cercava.

— Hmm! Sua Mãe Terra é realmente capaz de milagres. Se ela fosse uma naga, talvez eu me convertesse para seu culto. Então…

Ele já havia acabado sua oração para seus terríveis antepassados, os nagas, e uma presa polida como uma lâmina estava em sua mão. Lagarto Sacerdote possuía agilidade o bastante para investir no inimigo a qualquer momento. Agora ele olhava suspeitosamente para a aldeia e gritou: — Meu senhor Matador de Goblins, devemos atacar os goblins ou proteger os aldeões?

Ele respondeu calmamente: — Ambos, é claro.

Alta-Elfa Arqueira deu um suspiro, admirada. Ela olhava cada centímetro à frente enquanto corria, com arco em mãos.

Mesmo enquanto avaliava a situação por si mesmo, Matador de Goblins disse a Lagarto Sacerdote: — O que você acha?

— …Não muito bom, receio. — O lagarto era um sacerdote guerreiro veterano, e seu discernimento carregava o poder da autoridade. — Não ouço o ressoar de espadas. Isso quer dizer que a batalha terminou; agora eles estão focados em roubar.

— Se acreditam que venceram, isso os tornará vulneráveis. Não sabemos a força deles, mas…

Mas isso era normal para esse grupo. Matador de Goblins não hesitou.

— Vamos pela frente.

— Guerreiros Dragãodente?

— Não. Explicarei por que depois. — Então Matador de Goblins acelerou o passo. Sacerdotisa estava completamente ocupada tentando acompanhar, enquanto Anão Xamã fortaleceu sua determinação, correndo o mais rápido que podia.

Matador de Goblins não era de enganar. Se dissesse que iria explicar, então iria. Foi por esse motivo que nenhum dos membros do grupo se opuseram. De qualquer forma, não havia tempo para discutir. Seu grupo não possuía um líder em si, mas quando se tratava de lutar com goblins, quem mais iriam seguir?

— Não usem poções. Mas não se segurem com suas magias.

— Vocês entenderam! — A resposta veio de seu conjurador, Anão Xamã. — Presumo que cabe a mim que magias usar? — Enquanto ele corria o mais rápido que suas perninhas conseguiam, o anão já alcançava sua bolsa e fuçava atrás de catalisadores.

Mesmo que fossem um grande número de inimigos, as chances de alguém conseguir usar magia eram pequenas; e não só porque lidavam com goblins. Era simplesmente assim que o mundo funciona. O fato de que três de seus cinco membros de grupo serem conjuradores era um sinal de quão abençoado eles eram.

— Sim, deixarei com vocês. — Matador de Goblins assentiu, então olhou para Alta-Elfa Arqueira. — Encontre um lugar alto e veja o que está acontecendo. Você será nosso apoio.

— Parece bom. — Ela deu um sorriso de satisfação parecido com um gato feliz. Com um movimento elegante, ela preparou seu arco grande e pôs uma flecha.

Tudo estava pronto. Mantendo os olhos em frente enquanto avançavam, Matador de Goblins disse: — Primeiro, um.

Uma flecha voou silenciosamente pelo ar, se enfiando na base do crânio de um goblin que estava recostado na entrada da vila.

— ORAAG?!

O goblin com morte cerebral avançou, mas não ficou claro se algum de seus companheiros notou.

— N-nããão!! Me… me ajude!! Mana! Irmãzona!!

Naquele momento, eles estavam ocupados arrastando uma garota de um barril onde estava se escondendo. Ela gritava e chutava, mas eles a agarraram pelo cabelo; os goblins não pareciam ter entendido ainda a situação.

No mesmo instante que o primeiro goblin caiu morto, flechas ponta-broto começaram a cair como chuva, adentrando olhos e pescoços.

— Ei, Orcbolg! Não é justo começar cedo! — Alta-Elfa Arqueira, com os lábios contraídos, ofereceu quase tantas queixas quanto flechas. Quando ela abatera os goblins, ela saltou, de barril, pilar, ao telhado. Foi um feito que apenas seria possível para um elfo, nascido e criado nas árvores, uma demonstração incrível de acrobacia.

— O quê? Hã…? — A aldeã encarava, incrédula.

Quando Matador de Goblins foi até ela, ele disse sucintamente: — Somos aventureiros.

A garota ainda era jovem; ela dificilmente seria mais velha que dez anos. Suas roupas eram simples, mas feitas de pele; ela estava claramente bem cuidada. Quando viu a insígnia de prata que estava ao redor do pescoço de Matador de Goblins, seus olhos se encheram de lágrimas.

Prata. Isso significava um aventureiro do terceiro ranque. O ranque de um aventureiro representava suas capacidades, assim como o quanto de bem social ele fizera. Era a forma mais importante de identificação na fronteira.

Matador de Goblins não se distraiu nem por um segundo; ele olhou em volta, falando rapidamente. — Onde estão os goblins? Quantos são? O que aconteceu com os outros aldeões?

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

3 Comentários

  1. Se você quer ser o MVP da aventura, não chame o Matador de Goblins para um Goblincidio ou ele será o MVP huahauhauhuh

  2. Finalmente começou o extermínio de goblins!
    Quero ver qual estratégia o MdG está escondendo…

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