MdG – Volume 5 – Capítulo 2 (Parte 4 de 10)

Matador de Goblins não se distraiu nem por um segundo; ele olhou em volta, falando rapidamente. — Onde estão os goblins? Quantos são? O que aconteceu com os outros aldeões?

— É, hum, eu… quer dizer, eu não… eu não sei… — Terror e lamento drenou a cor do rosto da garota, e ela balançou a cabeça. — Mas… todo mundo… eles se reuniram na praça da aldeia… Minha irmã mais velha, ela disse… ela disse para se esconder…

— Não gosto disso — cuspiu Matador de Goblins, preparando uma nova flecha de sua aljava. — Não gosto nada disso.

Seu sussurro continha um manancial de emoções. Sacerdotisa lhe deu um olhar observador, mas isso não a impediu de se ajoelhar em frente à menina.

— Está tudo bem — disse ela. — Vamos ajudar a sua irmã, tenho certeza disso.

— Sério?

— Sério! — Sacerdotisa bateu em seu próprio pequeno peito e deu um sorriso como uma flor desabrochando. Ela afagou suavemente a cabeça da garota que tremia, olhando em seus olhos enquanto lhe mostrava o símbolo da Mãe Terra. — Vê? Eu sirvo a deusa. E…

Sim, e.

Sacerdotisa balançou a cabeça. A garota seguiu seu olhar quando ela olhou para cima. A armadura imunda. O capacete de aparência barata. Um guerreiro humano.

— E Matador de Goblins nunca perderia para um goblin.

Matador de Goblins deu uma olhadela na garota e em Sacerdotisa, depois encarou a aldeia, onde sons de saques podiam ser ouvidos.

— O inimigo ainda não nos notou. Vamos lá.

— Esperem; existe perigo. — Lagarto Sacerdote apresentou sua perspectiva da situação soturnamente. — Goblins ou não, o inimigo parece ser organizado. Não podemos supor demais.

— Sua disposição de atacar em plena luz do dia sugere que pode haver tipos avançados de goblins com eles — disse Matador de Goblins.

Então, talvez eles não devessem deixar qualquer informação voltar ao ninho.

Depois de um momento, Matador de Goblins pegou as flechas, sugerindo matar aos poucos, e as devolveu às suas costas. Em troca, ele sacou a espada familiar com um tamanho estranho.

— Não quero arriscar que alguns deles escapem, mas vai ser difícil mantê-los encurralados na praça.

— Nesse caso, deixe que eu cuido da praça da cidade… pegar todos com magia. — Anão Xamã bateu em sua barriga como um tambor.

— Hmm — murmurou Matador de Goblins, rolando o cadáver do goblin de costas com seu pé.

Um couro bruto. Como arma, uma machadinha que deveria ter roubado de algum lugar. Sua cor estava boa; não mostrava sinais de fome.

— Depende da quantidade. — Matador de Goblins pegou a machadinha da mão do goblin, a colocando em seu quadril. Ele olhou para cima e viu Alta-Elfa Arqueira acenando do telhado. Suas orelhas longas estavam balançando; ela devia estava tentando perceber a situação pelo som.

— Há cinco ou seis deles na praça! — gritou ela de forma clara, e Matador de Goblins assentiu.

— Quantos na aldeia como um todo? Mesmo apenas o que consegue ver.

— Existem muitas sombras, por isso é difícil de contar. Mas diria não mais que vinte.

— Então essa é só uma unidade avançada — disse Matador de Goblins e começou rapidamente a formular uma estratégia.

Supondo que houvesse menos de vinte goblins, incluindo os três que mataram antes. Havia seis na praça. Isso significava que menos de catorze no perímetro, empenhados em pilhar. Era só um palpite, mas provavelmente não era descabido.

Face ao grande número de inimigos, dividir sua própria força era a coisa mais estúpida a se fazer, mas a situação era o que era.

— Vamos nos separar. Praça e perímetro.

— Nesse caso, vou ir para a praça com o mestre conjurador — Lagarto Sacerdote propôs.

— Muito bem. — Matador de Goblins assentiu.

Alta-Elfa Arqueira, que ouvira a conversa do seu local no telhado, falou sem tirar os olhos ou orelhas da aldeia. — Acho que vou dar apoio para você, anão!

— Parece bom, orelhuda! — Anão Xamã deu um gole em sua garrafa e limpou a boca em sua manopla, então bateu em sua barriga como um tambor. — Bem então, escamoso! Vamos?

Enquanto saía, Lagarto Sacerdote bateu forte no ombro de Matador de Goblins. — Lhe desejo sucesso na batalha, meu senhor Matador de Goblins.

— ……

Matador de Goblins não disse nada além de por fim assentir e começar a se mover. Seu andar era indiferente, mas seus passos não faziam som algum. Ele se aproximou do lado da casa, onde Sacerdotisa estava com a menina que salvaram.

— …A garota está bem?

— Sim. Acho que ela está um pouco menos assustada agora… — Sacerdotisa deu um sorriso otimista. Atrás dela, a garota estava deitada no chão, dormindo. Aventureiros vieram, e ela lhes contou sobre sua irmã; porventura ela precisava dar um tempo à consciência depois de tudo.

— O que devemos fazer…?

— Não temos mais tempo para se preocupar com ela.

— Oh… — Mas antes que pudesse dizer algo mais, uma mão bruta e enluvada pegou a garota. Matador de Goblins a colocou no barril próximo. Depois pegou um cobertor de sua bolsa e colocou sobre ela. Ela não estava exatamente segura, mas esse foi o lugar que sua irmã mais velha escolhera. Talvez a ajudasse a relaxar.

Onde estava a Mãe Terra e o Deus Supremo para que não respondessem as preces de uma menina?

— …Isso vai ter que servir — murmurou Matador de Goblins.

— Certo — disse Sacerdotisa com um aceno. Sua mão direita segurou o cajado de monge, mas a esquerda vagou pelo ar, até que a colocou vacilantemente nas costas de Matador de Goblins. — Tenho certeza… de que não há problema.

— …Sim. — Matador de Goblins assentiu. Então ele reforçou a mão na espada, ergueu o escudo e olhou para frente. A aldeia estava queimando e existia goblins para matar. — Vamos.

— Sim, senhor! — respondeu Sacerdotisa sem hesitação enquanto segurava seu cajado com as duas mãos. Ela não se oporia a qualquer coisa que ele a pedisse para fazer. Afinal de contas, ele era a pessoas que lhe salvou a vida.

Ela estava perfeitamente ciente de que suas capacidades ainda não eram grandes, e que ainda era terrivelmente inexperiente. Mas, mesmo assim…

— Não se preocupe. Vou cuidar da retaguarda!

Assim, a batalha começou.

Matador de Goblins e Sacerdotisa passaram como sombras ao longe de um caminho nevado repleto de troncos e casas. O sol, espreitando intermitentemente através das nuvens, já havia começado a se pôr, e logo seria crepúsculo. A hora dos goblins. Essa aldeia não possuía muito tempo sobrando.

Sacerdotisa engoliu o ar enquanto corria. — Nunca lutei… em uma aldeia antes…

— Não existem tantos obstáculos como em uma caverna. Observe as sombras e tenha cuidado com ataques de cima. — Ainda enquanto falava, Matador de Goblins levantou sua espada e arremessou. Ela voou pelo ar, perfurando o peito de um goblin que subira em um telhado.

— ORAAG?!

A criatura gritou e tombou no chão. Matador de Goblins pegou uma machadinha do cinto. Um movimento de seu pulso era mais forte do que uma espada de uma mão. Ele a enfiou no crânio do goblin que se retorcia.

— GAAROROROOOOOOORG?!

Ele deu um longe e sufocado último suspiro. Matador de Goblins pareceu satisfeito com o som. Nada mal.

— Esse é o quarto.

— Dado que existem seis na praça, isso quer dizer menos de dez sobrando, não é?

Sacerdotisa fechou os olhos com força, oferecendo uma oração à Mãe Terra para que o pequeno demônio não perdesse o curso no caminho para o além.

Todos os seres mortais morriam uma e única vez; nisso, todos eram os mesmos. A morte era a coisa mais gentil e mais igualitária nesse mundo.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

6 Comentários

    1. Possivelmente está aguardando no ninho, apesar de ser o goblin mais forte e inteligente que o MdG e outros enfrentarão(não é spoiler, isso já está escrito na sinopse do volume kkkk), ainda assim ele é um goblin, então ele deve está no ninho relaxando enquanto os outros goblins fazem o trabalho para ele.

  1. Por essa eu não esperava, o MdG tendo que reformular o plano em plena batalha!
    Esses goblins parece que vão dá um pouco de trabalho (ou não kkk).

    PS: Nada melhor que ler um capítulo de Matador de Goblins depois de assistir o anime(apesar das censuras).

    1. Não achei o desenho animado ruim, apesar de mudarem algumas coisas e cortarem outras. Foi melhor do que eu esperava. Mas, só foi o primeiro episódio (aquele que tem que ser bom para fazer as pessoas quererem ver os seguintes), resta ver o resto agora…

      1. Concordo, a estréia dele foi até boa(pelo menos melhor que a maioria), teve até uma excelente trilha sonora(na minha opinião).
        Tirando as partes censuradas que já era algo normal que iria acontecer, esse primeiro episódio entregou “tudo” aquilo que ele tinha prometido.

        No geral se eu não conhecesse o Mangá e a Light Nível, ainda assim eu iria acompanhar a história depois desse primeiro episódio, pois ele vendeu e entregou aquilo que vinha prometendo. Agora como tu disseste só “resta ver o resto agora…” ^^

  2. A evolução que a sarcedotisa teve é notável, está mais confiante mas ainda se mantém bondosa, o desenvolvimento dela está sendo bem legal.

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