MdG – Volume 5 – Capítulo 2 (Parte 8 de 10)

Ele corria como uma lebre assustada; quase escorregando e tropeçando, ficando cada vez menor ao longe.

Mas, só por um momento.

— Pixies, pixies, rápido e depressa! Sem guloseimas para vocês; travessuras é o que preciso!

Anão Xamã entoou a magia Vincular, e uma corda se envolveu como uma cobra ao redor do goblin que fugia. Ela o pegou ao redor das pernas e o jogou no chão.

Essa era toda a abertura que Alta-Elfa Arqueira precisava. — Pensou que deixaríamos você se safar?! — Com um movimento drástico o bastante como o de um pintor, ela puxou o grande arco das costas e saltou. Do barril para a parede e então para o ar, ela deu salto após salto, apontando em seu alvo.

— Então era vinte…!

Foi então que Matador de Goblins sacou uma flecha de sua própria aljava. — Não o mate! Queremos que ele leve o veneno para a casa e o espalhe.

Alta-Elfa Arqueira levantou a mão e pegou a flecha no ar em um movimento acrobático. Instantes depois, a flecha assobiou, parecendo um feixe de luz. A elfa pousou no chão ao mesmo tempo em que, ao longe, o goblin tombou. Como ela havia carregado, puxado e disparado o arco nesse tempo, ninguém sabia. Era realmente uma habilidade tão avançada que parecia magia.

— Está feliz agora? — Ela colocou seu arco de carvalho de volta nas costas quando pousou.

— Sim. Mas… — Matador de Goblins estava quase resmungando consigo mesmo, com o olhar fixado no goblin ao longe. Ele retirara a haste de seu ombro, cortou a corda em suas pernas e estava correndo de novo. Ele ia para o norte, em direção a montanha nevada de onde um vento gelado soprava.

— …ainda não acabou.

Isso era algo que o grupo todo sabia bem.

Os goblins haviam reunido os aldeões na praça porque queriam saquear; eles reuniram os espólios na praça também. E ainda assim, eles não tocaram nas mulheres. Isso significava que eles planejavam levá-las de volta para seu ninho. Os vinte goblins que atacaram a aldeia eram apenas uma unidade avançada. Existiam mais delas, embora não houvesse como saber se iriam lançar um novo ataque ou simplesmente se retirar.

Matador de Goblins concluiu seus cálculos e disse sua conclusão sem relutância:

— Assim que nossas magias tiverem sido repostas, vamos iniciar o ataque.

Ele se ajoelhou diante do chefe da aldeia sentado no chão, depois olhou em seus olhos. O rosto do chefe estava contraído só de pensar em outra batalha, mas Matador de Goblins só disse: — Gostaria de solicitar preparativos para um ataque noturno, bem como um lugar para descansar uma noite. Se importa?

— O-o quê? N-não mesmo! Se pudermos fazer alguma coisa para ajudar, é só me avisar…

— Então me fale sobre o grupo de aventureiros que veio antes de nós. E vocês possuem algum rastreador nessa aldeia?

— S-sim, temos. Apenas um… Ele é jovem, mas está aqui.

— Preciso conhecer a geografia da montanha. Preciso de um mapa, mesmo que simples.

O chefe estava assentindo avidamente, mas então ele pareceu pensar em algo, e um sorriso obsequioso veio ao rosto. — Ah, mas… No que toca a uma recompensa, não podemos…

— Os goblins são mais importantes — disse categoricamente Matador de Goblins. Ignorando o líder atordoado, ele ficou olhando para as montanhas ao norte. Em algum lugar por trás do véu das nuvens, o sol já havia se posto atrás dos picos e o vento feroz carregava traços da noite.

— Tão logo tudo estiver pronto, iremos e os mataremos.

Felizmente, considerando tudo, o estrago à aldeia foi mínimo. Claro que houve aqueles que foram feridos ou mortos lutando contra os goblins. Algumas casas foram incendiadas, outras quebradas; naturalmente. Mas os aventureiros chegaram antes do saque ou as mulheres capturadas serem levados para o ninho. Então talvez fosse o melhor. Ou ao menos, assim pensava Sacerdotisa.

E mesmo assim… e mesmo assim, ela não conseguia bem aceitar isso como o melhor resultado possível, ela pensou, enquanto olhava para o cemitério da aldeia.

Quando terminaram de cuidar dos feridos, ela, a garota médica, e Lagarto Sacerdote tiveram que lidar com os enterros.

— Ó Mãe Terra, abundante em misericórdia, por favor, com sua venerada mão, guie as almas desses que deixaram este mundo.

Com seu cajado de monge em mãos, ela murmurou sua oração, fazendo o sinal sagrado quando cada corpo era colocado no solo e coberto com terra.

Essa era a coisa mais óbvia a fazer, ainda que não existisse um risco dos corpos se tornarem mortos-vivos se fossem deixados expostos. Se os vivos falhassem em dizer adeus aos mortos, como poderia continuar com as suas vidas? Esses enterros eram mais necessários para os vivos do que eram para os mortos.

Desde que os mortos estivessem entre aqueles que possuíam palavras, suas almas seriam designadas ao deus que cada um deles acreditavam. Assim, o mundo continuaria girando.

— Duvido que um ataque virá hoje à noite, apesar de não possuir certeza — disse Matador de Goblins, após ter deixado os aldeões completar os enterros. — Você deve estar exausta. Descanse.

Como sempre, sua fala não tolerava argumento; e, ainda assim, Sacerdotisa ao menos entendia que essa era a sua forma de mostrar preocupação. Mesmo que ela ainda o achava uma pessoa bem irremediável.

Não importava quantas vezes ela o repreendesse, ele nunca aprendia. De fato, se ela tivesse recusado, ele não teria ouvido. Então ela achou que seria melhor apenas concordar com ele, apesar de um pouco de irritação.

— Ahh… Ufa.

Ela disse isso porque estava nesse momento relaxando em um banho quente. Ela expirou, a respiração parecia vir de todos os lugares de seu corpo, com cada músculo relaxando.

Ela estava em uma terma. A montanha nevada nas proximidades, parecia ter sido outrora um vulcão, e os espíritos do fogo ainda aqueciam a água através da terra (ou algo assim).

A terma ficava sob um telhado suspenso, rodeado por rochas enquanto o vapor flutuava suavemente. O familiar ícone da Deidade da Bacia presidia a água de banho. Mas retratava dois rostos, possivelmente porque era um banho misto aberto para homens e mulheres. Por essa razão, Sacerdotisa se enrolara cuidadosamente em uma toalha.

Quando ela se posicionou na água turva, contudo, seu corpo, até há pouco rígido de frio, pareceu derreter. Ela não pôde impedir o gemido relaxado escapar.

— Mmmmm…

Alta-Elfa Arqueira, ao que parecia, era outro assunto. Seu corpo magro, sem qualquer cobertura, parecia tão fino quanto a de qualquer fada. Contudo, ela continuava a andar ao redor da borda do banho, parecendo um coelho assustado. Ela apertaria os punhos, determinada, então, hesitantemente, mergulharia o dedão do pé na água antes de saltar para trás.

— Oooh… Ohh… Tem certeza disso? — Ela parecia uma criança que não queria tomar banho; na verdade, ela parecia tal como as clérigas mais jovens que Sacerdotisa conhecia, o que trouxe um sorriso ao seu rosto.

— Estou te dizendo, está tudo bem. É só uma fonte com um pouco de água quente.

— É um lugar onde os espíritos da água, terra, fogo e neve se juntam. Isso realmente não te incomoda…?

— Deveria? Acho que é maravilhoso…

— Hummm…

O olhar de Alta-Elfa Arqueira se movia entre si e Sacerdotisa, e suas orelhas se contorcia de incerteza. Depois de um tempo, ela mordeu seus lábios repentinamente, e…

— I-iaaaah!

— Oooi!

…tudo além dela voou da piscina, provocando um esguicho que acertou Sacerdotisa.

— Pff! Pff! — Alta-Elfa Arqueira, que se afundou até o topo da cabeça, emergiu parecendo um gato encharcado, cuspindo e retirando água de seu cabelo. Por fim, ela olhou para Sacerdotisa com uma expressão de surpresa e então deu um suspiro.

— …Hum. Essa água está quente. É bem… agradável.

— Céus! Não é isso que estava tentando te dizer? …E você não deveria saltar nela.

— Sinto muito por isso. Estava com bastante medo de fazer de outra forma.

— …Hee-hee.

— …Ha-ha-ha!

Elas olharam uma para a outra, ambas ensopadas da cabeça aos pés, e desataram a rir alegremente.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

3 Comentários

  1. Esses Goblins estão parecendo excelentes demais, será que deixaram o outro entrar mesmo ferido ou apenas o mataram para garantir?

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