MdG – Volume 5 – Capítulo 3 (Parte 1 de 6)

Os aventureiros deixaram a aldeia ao amanhecer. Eles queriam chegar ao ninho o mais rapidamente possível, mas a noite pertencia aos goblins. Verdade, a “escuridão branca” reinava no dia e na noite aqui, mas não havia razão para proporcionar uma vantagem aos seus oponentes. Não houve qualquer objeção em deixar a cidade quando os níveis entre segurança e perigo estavam bastante equilibrados.

Nenhuma objeção quanto a isso, de qualquer forma…

— Ooooh… Está tão f-f-f-frio…! — choramingou Alta-Elfa Arqueira, com suas orelhas compridas tremendo enquanto caminhavam entre o monte de neve. Ela estava acostumada com a vida sob seus pés, mas sua primeira vez em uma montanha nevada continuava surpreendente.

Uma corda amarrava todos os membros do grupo juntos. Escalar o pico nevado não seria fácil. A neve branca e fofa cobrindo o chão era profunda e fria, e se alguém tivesse azar, seu pé poderia encontrar um lugar onde não existia nada além de um amontoado de neve solta. Havia locais com pedra pontiagudas caídas, onde um tropeço descuidado poderia custar a vida.

— Er… Ugh. Hum. É bastante…

— Você está bem…?

— Oh… Mas é claro…

Lagarto Sacerdote, que veio do Sul, se tornou ainda mais lento à medida que ficava mais frio. Ele assentiu para Sacerdotisa, que olhava para ele com preocupação, e enrolou a cauda. Anão Xamã agarrou a sua mão.

— Aguente aí um pouco mais. Estou usando Vento Favorável para manter a nevasca longe de nós. Poderia ser pior.

— Hmm. E sou muito grato. — Lagarto Sacerdote assentiu. — Meu senhor Matador de Goblins, qual é a situação?

— Sem problemas.

— Isso é reconfortante.

Matador de Goblins estava andando um pouco à frente de seus quatro companheiros. Ele olhou para o cume da montanha, comparando sua posição com o mapa em sua mão.

— Estamos quase lá.

Seja como for, a cena diante deles era nada inspiradora. Um buraco escuro marcava a paisagem branca da montanha. Resíduos estavam empilhados em um dos lados da entrada. Era certamente o tipo de lugar que monstros chamariam de casa.

Eles estavam todos agradecidos pela magia Vento Favorável de Anão Xamã, que reuniu a ajuda dos espíritos do vento para manter a nevasca afastada. Mesmo assim…

— Precisamos nos aquecer — disse o anão. — Eeei, Corta-barba! Tudo bem se eu acender uma fogueira?

— Por favor.

— Está bem.

Com a habilidade digna de um anão, ele pegou alguns galhos secos e os acertou com uma pederneira.

— Onde você achou isso? — perguntou Sacerdotisa.

— Sob a neve, e depois um pouco mais fundo. Seria bom se lembrar disso.

Eles se abrigaram em uma pequena caverna que cavaram da neve, então os goblins não veriam o fogo. O céu, cheio de nuvens, ainda estava um pouco escuro; o sol estava fraco e distante.

— O pôr-do-sol está próximo. Quando os nossos corpos relaxarem, vamos entrar. — Matador de Goblins afrouxou as correias de sua armadura e abaixou sua bolsa.

Sacerdotisa olhou para ele com surpresa; ela não se lembrava de ele remover sua armadura assim antes. — Tem certeza de que não tem problema ao fazer isso?

— Se eu não passar ao menos alguns minutos assim, meu corpo não vai relaxar.

Ele retirou suas manoplas, apertando suas mãos ásperas, mas pálidas, mecanicamente.

— Vocês devem esfregar seus braços e pernas — disse ele. — Se forem envenenados pelos espíritos de gelo, apodrecerão e cairão.

— Oh! — gritou Alta-Elfa Arqueira. Ela sabia tanto sobre espíritos quanto qualquer um deles, e talvez isso fez o pensamento ainda pior para ela. Com uma careta, ela começou a passar os dedos pelos seus membros.

— Seus pés também. Não se esqueçam.

— Ér, certo! — Sacerdotisa retirou suas botas e meias, e começou a esfregar seus dedos magros e pálidos. Suas meias a surpreenderam; estavam encharcadas e bem pesadas. Talvez fosse uma mistura de suor e neve derretida.

Deveria ter trazido um segundo par…

— Como está? — perguntou Matador de Goblins, olhando pra Lagarto Sacerdote. O rosto escamado do monge era tão difícil de se compreender quanto o de Matador de Goblins, mas por uma outra razão completamente diferente. Ainda assim, ficava claro o suficiente que ele estava praticamente congelando de frio.

Lagarto Sacerdote pegou um pouco de gelo de suas escamas. — H-hum. Bem, chegamos de qualquer maneira. Quem saberia que existia locais tão frios no mundo?

— Há outros locais ainda mais frio do que esse.

— Inacreditável!

Ele bem poderia acreditar nos rumores de que seus antepassados foram aniquilados por um congelamento profundo.

Rindo discretamente do lagarto, Anão Xamã alcançou sua bolsa e pegou uma jarra de vinho de fogo e copos para todo o grupo. Ele começou a servir.

— Tome, aqui está um pouco de vinho, beba. Vai aquecer suas entranhas.

— Maravilhoso. Hmm, sabe bem o que fazer, Mestre Conjurador.

— Ah, pare com isso, está me envergonhando. Tomem, um pouco para vocês.

— O-obrigada — disse Sacerdotisa.

— Obrigada. — Alta-Elfa Arqueira.

— Agradeço. — Matador de Goblins.

Cada um começou a dar golinhos em suas bebidas. Eles só estavam buscando um pouco de calor; seria contraproducente ficar bêbados.

Sem aviso e sem razão perceptível, Alta-Elfa Arqueira trouxe a conversa sobre Lagarto Sacerdote. — Ei, não nos disse que o seu objetivo consistia em elevar seu ranque e se tornar um dragão?

O corpo enorme do lagarto estava encolhido o mais perto possível do fogo, e a bolsa de provisões estava em sua mão. Talvez estivesse com fome, ou talvez ele só quisesse desfrutar um pouquinho do queijo que agora pegava.

Lagarto Sacerdote não tentou esconder o que estava fazendo, mas concordou significativamente.

— De fato; apesar de tudo.

— Um dragão que ama queijo, hã? — Ele tomou outro gole de seu copo em mãos e riu.

— É melhor para o mundo do que uma serpe que busque tesouros ou sacrifícios de donzelas — disse Anão Xamã.

— Ao menos ele não precisa se preocupar com alguém tentando matá-lo. Posso pegar um pedaço disso?

— Claro que pode.

Eles estavam a uma curta distância de um ninho de goblins, ainda congelando apesar do fogo, mas Alta-Elfa Arqueira estava se sentindo um pouco mais quente e de bom humor. Ela usou uma adaga de obsidiana para cortar um pedaço do queijo que Lagarto Sacerdote lhe ofereceu, e então o jogou na boca.

A comida daquela fazenda estava deliciosa, como sempre. Suas orelhas balançaram alegremente.

— Me diga a verdade. Garotas realmente tem gosto assim tão bom para os dragões? Ou é algum tipo de ritual ou algo parecido?

— Uma boa pergunta. Talvez quando me tornar um dragão, irei entender.

— Você está… Digo, você não tem nenhuma dúvida de que vai conseguir se tornar um dragão? — perguntou Sacerdotisa, bebendo hesitantemente seu vinho. Um pequeno suspiro escapou de seus lábios. — Quero dizer… cuspir fogo e voar pelo céu… talvez sejam coisas que conseguiria fazer com milagres?

— Heh-heh-heh! É assim que os velhos descrevem dragões, está bem? — Anão Xamã já havia terminado um copo e se servia um segundo. — Mas não pode acreditar na maior parte do que os velhos dizem.

— Mas na minha cidade natal residia um dragão grande e terrível que se tornou um esqueleto. E se macacos podem se tornar humanos, certamente lagartos…

Sacerdotisa sorriu ligeiramente com esse murmúrio sério de Lagarto Sacerdote. Cada pessoa possuía a sua própria fé.

— Ah, isso mesmo! — disse Alta-Elfa Arqueira de repente, estalando seus dedos longos. — Quando se tornar um dragão, vai ser imortal, não é? Eu vou ir te visitar!

— Oh-ho.

— Digo, estamos falando de pelo menos mil anos, certo? Você vai ficar super entediado. Vai ficar louco sem amigos para te ajudar a passar o tempo.

Ela disse com seriedade que estimava que ao menos 60 por cento dos dragões enlouquecidos do mundo só estavam procurando algo para fazer.

Lagarto Sacerdote assentiu como reconhecimento. Então tentou imaginar como seria quando se tornasse um dragão.

— Um dragão que fala das aventuras de Matador de Goblins. Um visitado por uma alta-elfa.

— E… um que gosta de queijo — acrescentou Alta-Elfa Arqueira.

Isso fez Lagarto Sacerdote revirar os olhos alegremente. — Isso parece bastante agradável.

— Não é?

— Mas chega desse assunto. Mil anos se passarão a seu tempo, e temos que atentar ao que está vindo agora. — Lagarto Sacerdote se virou para olhar para Matador de Goblins — Meu senhor Matador de Goblins, como vamos atacá-los?

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

3 Comentários

    1. “Eu tenho gostos peculiares”= vo te chama de goblin e invadir sua caverna kkkkkl, declp lee seu comentario e veio isso na minha cabeça

  1. Pq sera que o GS nao aprendeu nenhum milagre ou feitiço, eu gostaria que a tal “visao dps goblins” fosse um intimidar, ia ser interecante

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