OPV – V2 – Capítulo 13

 

Eu disse às pessoas que estavam se preparando para a festa aonde eu estava indo e fui procurar por Menel. Ele parecia ter deixado suas coisas aqui, então era improvável que tivesse ido longe.

Eu não conseguia ver fadas, mas a teoria dos feiticeiros afirmava que todas as coisas do mundo eram feitas a partir das Palavras. Lendo as Palavras e Sinais difíceis de interpretar que representavam as árvores e o solo, caminhei pela floresta, de alguma forma conseguindo seguir sua trilha.

Absorvi o cheiro da floresta seca de inverno. Algumas das árvores ao meu redor estavam despojadas como esqueletos castigados pelo tempo, enquanto outras eram verdes e perenes. O céu estava vermelho brilhante no oeste; o sol estava a caminho de se pôr. O vento frio assoviava entre as árvores. Estava começando a ficar muito escuro.

Lumen. — Fiz a lâmina da Lua Pálida brilhar suavemente.

Não era uma boa ideia agir de maneira descuidada. Houve apenas um ataque de demônios e bestas. Eles poderiam pular em mim de qualquer lugar. Eu não tinha intenção de baixar minha guarda.

Permanecendo alerta para o que me cercava, andei passo a passo pela floresta e, enquanto andava, pensei em Menel.

Ele estava bem? Perguntei-me. A partida de Marple deve tê-lo acertado muito forte. Colocando-me em sua posição, pensei que provavelmente era como se eu tivesse perdido Sanguinário ou Maria em um incidente repentino.

Expressar isso dessa maneira me deu uma nova apreciação de como deveria ser difícil para ele. Eu não podia imaginar que alguém como eu, que só havia conhecido Menel há alguns dias, pudesse fazer qualquer coisa por ele em um tempo como aquele. Talvez o que ele realmente precisasse fosse algum tempo sozinho para pensar sobre as coisas, e o que eu estava fazendo era apenas uma intromissão indesejada. Mas mesmo assim…

— Posso te pedir para cuidar desse garoto bobo?

Com certeza foi um pedido, então eu provavelmente tinha o dever de pelo menos ficar de olho nele. Se ele dissesse que não me queria ali, então eu teria que me virar e sair desanimado. Afinal, até poucos dias atrás, eu era um garoto protegido que nunca tinha visto outra pessoa viva em sua vida. Eu tinha zero pontos de experiência em interação social, então quando parti para o mundo, eu estava preparado desde o começo quando tudo desse errado.

Enquanto caminhava confiantemente pensando que, se eu me fizesse de bobo, poderia simplesmente me arrepender depois, cheguei a um declive ascendente. Eu podia ver o que restava de um muro de pedra que atravessava.

Uma fada fosforescente dançou levemente pela minha visão. Segui o piscar momentâneo com os olhos e, quando olhei para cima, vi, quase inteiramente escondido por árvores, os restos de um edifício pequeno e desgastado pelo tempo que poderia ter sido uma antiga torre de vigia.

Construída sobre uma pequena colina que poderia ser usada como um ponto de observação, a estrutura tinha desmoronado, deixando apenas a base para trás, em torno da qual as fadas estavam piscando como vaga-lumes. Como se estivessem preocupadas com alguém, elas estavam sussurrando umas para as outras enquanto olhavam para dentro.

Não havia dúvida em minha mente, ele tinha que estar lá.

Subi a ladeira com cuidado, prestando atenção extra aos meus pés e às pedras soltas e musgosas. Quando cheguei ao topo, circulei a parede de pedra parcialmente desmoronada e meu campo de visão se alargou.

— Ah.

Quando olhei para baixo da colina, vi a cidade construída de pedra abaixo de mim. As inúmeras casas ao longo das ruas que se estendiam do rio haviam envelhecido, desmoronado e sido tomadas pela floresta, e agora ficavam apenas como um lembrete da antiga prosperidade da cidade. A cor do pôr do sol, mudando a cada momento, iluminava-as suavemente.

— Ei, Will.

Lá estava ele, sentado com um joelho para cima, encostado na base de uma árvore perene que espalhara suas raízes entre as pedras da torre de vigia destruída. Um olhar triste em seus olhos de jade, sua pele clara era iluminada pelo pôr do sol, e suas orelhas levemente pontudas saíam de seu cabelo prateado. A fosforescência das fadas ocasionalmente dançava ao redor dele.

— Menel…

Mesmo quando ele estava se sentindo para baixo, sua imagem era perfeita. Pessoas atraentes, pensei aleatoriamente.

— Posso sentar aqui?

— Faça o que você quiser.

Eu me sentei ao lado dele.

— Esta é uma bela vista.

— Sim, do lado de fora.

Olhei para ele confuso.

— Essa ruína é um covil de mortos-vivos. Devorou inúmeros aventureiros. Ninguém jamais voltou de lá vivo.

É assim mesmo.

— Então é melhor eu ir lá mais tarde e devolvê-los para o ciclo de renascimento.

— O quê? Você estava ouvindo?

— Sim, você disse que é um lugar perigoso. Então eu tenho que fazer algo sobre isso.

Menel balançou a cabeça e colocou a mão na testa como se estivesse tentando lidar com uma dor de cabeça.

— Claro que você diria isso. Esqueci com quem eu estava lidando. — Ele soltou um suspiro enorme. — Estar com você me joga fora do meu ritmo. Pensei que era, sabe, mais legal e calmo do que isso.

— Legal?

— Sim, legal! Desgraça!

— Hahahah… — Eu o tratei com uma risada deliberadamente zombeteira. Ele rosnou em frustração.

Fiquei surpreso com o quão divertido era provocá-lo, ainda mais, assistir suas reações.

Eu estava tendo muitas… Descobertas, acho, conversando com Menel. Primeiro pensei que ele era um cara muito legal; então ele tentou me matar sem qualquer hesitação. Isso foi algo. Então pensei que ele era teimoso e difícil, mas ele era realmente genuíno, com um lado engraçado também.

Isso provavelmente não estava limitado a Menel. Os humanos em geral são muito multifacetados. Têm lados severos e desconcertantes, e têm lados encantadores que colocam um sorriso em seu rosto. Há muito o que ver, contanto que você esteja disposto a procurá-lo. Talvez confrontar esse tipo de coisa fosse o que significava construir um relacionamento com outra pessoa.

Enquanto esses pensamentos passavam pela minha cabeça, Menel e eu nos provocávamos. A última vez que eu tive esse tipo de diversão com alguém da minha idade foi quando eu era criança na minha vida anterior.

Depois de passarmos um tempo, perguntei:

— Então, que tipo de pessoa Marple era?

Erudhir
"Se olhar ao redor e não souber quem é o alvo, então o alvo é você."

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