OPV – V2 – Capítulo 32

Sob um dossel montado em um terreno baldio que havia alugado em uma das aldeias, eu estava inspecionando Lua Pálida, verificando se o pescoço da lâmina e o colar de metal estavam em boa forma. Enquanto me perguntava à toa se o verão começaria a fazer efeito logo, uma voz rouca chamou a atenção. Olhei para cima e vi que Reystov se aproximou.

— O grupo de Pip não voltou, — ele disse. — Eles são do grupo que foram para o oeste.

Pip… Se bem me lembrei, ele era um jovem rapaz que vinha de uma fazenda. Ele esteve em um grupo com dois outros homens, Harvey e Brennan. 

— Há quanto tempo eles saíram?

— Eles disseram que levariam dez dias no máximo. Já passaram 2 semanas. E esses caras têm habilidades. — Ele estava obviamente implicando que algo deveria ter acontecido para que demorassem tanto.

— Tudo bem. Vamos sair e procurá-los. — Pensei por um momento sobre quem deveria ir. Era possível que tenha acontecido algum tipo de acidente ou tivessem sido atacados por bestas selvagens. Mas havia também a possibilidade remota de que o grupo de Pip fossem pegos pelos demônios. Nesse caso, precisaríamos de membros do grupo com habilidades de combate. Além disso, para ter certeza absoluta de que poderíamos seguir a trilha deles, precisaríamos de um caçador ou ranger habilidoso em rastreamento.

— Eu, Menel, e você é definitivo. Além disso, quaisquer que sejam as duas partes que você julgue mais habilidosas em exploração florestal, gostaria de mesclar essas também à nossa equipe de busca. Você está bem com isso?

Reystov assentiu para dizer que estava feliz com a minha sugestão. 

— Vou reunir todos imediatamente.

Os membros do nosso grupo se reuniram rapidamente na praça da vila. Expliquei a situação para eles. Eu poderia falar sobre os detalhes quando estivéssemos em movimento.

— Pip e os outros já passaram dois dias da data de retorno. Vamos procurá-los, mas existe a possibilidade de que houve mais do que apenas um acidente. Eles podem ter sido pego pelos demônios. Se esse for o caso, também podemos acabar em uma batalha contra os demônios. — Quando eu disse isso, notei que os rostos de todos estavam visivelmente tensos.

— Ficará um pouco mais tranquilo por aqui se acabarmos com eles. — Menel assentiu em resposta.

Não havia certeza de que haveria demônios, poderia ter sido um simples acidente que os atingira, mas a tensão no ar era palpável enquanto todos se preparavam e saíam.

— Hey, uh. — Menel me chamou enquanto estávamos andando. Tínhamos seguido a trilha do grupo de Pip e estávamos prestes a entrar onde eles estavam planejando fazer buscas. — Eu tenho que… obrigado.

Estávamos nos afastando do grupo. À nossa frente, Reystov e os outros aventureiros discutiam profundamente sobre as folhas pisoteadas espalhadas pelo chão da floresta.

— Hmm… pelo quê?

— Um monte de coisas. — Os olhos de jade de Menel não estavam olhando para mim. Na verdade, ele estava praticamente de frente para o outro lado enquanto falava. — Sem você, eu teria atingido o fundo do poço. E agora estou vivendo por algo bom, e isso é por sua causa. Então… Uh… Sim. — Ele fez uma pausa sem jeito por um momento, tentando expressar as palavras. — Obrigado, irmão, — ele disse, ainda olhando na outra direção.

Senti algo quente enchendo meu peito. 

— Sou eu quem deveria agradecer. Obrigado por me ajudar quando eu era tão ignorante sobre o mundo. — Sorri e assenti. — Mas…

— O quê?

— Fale de novo enquanto olha para mim.

— Cai fora! — Ele se afastou, ainda se recusando a me olhar nos olhos ou até virar o rosto em minha direção. Os outros aventureiros coletivamente olharam em nossa direção.

A busca pelo grupo de Pip continuou.

Demorou vários dias até encontrarmos seus corpos.

Vários dias depois de deixarmos a vila em busca do grupo de Pip, a densa vegetação da floresta que estava ao nosso redor há tanto tempo desapareceu e um céu azul apareceu. O que estava à nossa frente depois que saímos da floresta verde era um vale de rochas escarpadas. Além do vale, havia mais floresta e, além disso, via uma cordilheira marrom-avermelhada: as Montanhas Rust. Provavelmente era seguro supor que esse vale havia sido criado por um fluxo de água que descia a encosta da montanha. O fluxo havia mudado ou secado, e apenas o vale e as rochas haviam sido deixados para trás. O vale não era tão profundo, mas corria por uma boa distância, e onde o leito do rio deveria estar, havia muitas pedras redondas.

Pip e os outros estavam espalhados por aquela área. Parecia o tipo de bagunça deixada para trás após a brincadeira de uma criança pequena, como se uma criança tivesse colocado as mãos em algo insignificante, como uma boneca de papel, e desajeitadamente a separasse, rasgasse em várias peças de tamanho aleatório, as jogasse em todos os lugares, e depois passasse para outra coisa.

Menel e os outros espantaram os pássaros e outros animais que haviam se reunido ao redor. Corvos voaram, suas asas negras batendo ruidosamente, e outros comedores de carniça grandes e pequenos dispararam em todas as direções.

— Olhe para isso. — Os olhos de Menel pararam em algumas pegadas. Eram pegadas de uma besta, manchada de sangue, cada uma do tamanho do escudo que eu tinha nas costas… — Extremamente grande. Que tipo de besta é essa? — Menel perguntou, e os outros aventureiros também se reuniram e olharam fixamente para as pegadas.

— Hm… não tenho certeza.

— É grande. Maior que uma manticora.

— Uma criatura selvagem que vive no vale? Ou…

A fortaleza dos demônios estava em algum lugar profundo neste vale? Cheguei tão longe no meu pensamento quando um dos aventureiros disse com uma voz alegre: 

— Bem, eles tiveram que lutar contra um monstro. Bom caminho a percorrer. Aposto que Pip, Harvey e Brennan estão muito satisfeitos com isso.

— Sim. Aposto que estão dizendo: “Quão incrível teria sido se conseguíssemos ter matado isso?!”

— Eles morreram com honra. Mortes de aventureiros!

— Ó deuses da boa virtude, por favor, conceda repouso à sua alma!

— Vamos beber um último copo, rapazes — disse um dos aventureiros, tirou uma garrafa do bolso interno e derramou o conteúdo sobre as partes espalhadas do corpo. Também fiz minha parte, usando a bênção da Tocha Divina para garantir que seus corpos não se tornassem mortos-vivos. Menel e vários outros conversaram e ficaram de olho ao redor, enquanto Reystov percorria os corpos coletando pedaços de cabelo, que muitas vezes eram mantidos como lembranças.

— Hmm? — Reystov parecia confuso. — Restaram apenas 2 cabeças. Elas foram tão danificadas que é difícil dizer, mas…

Eu olhei em volta. Agora que ele mencionou, eu estava sentindo que deveria haver mais aqui. 

— Provavelmente acabou servindo de comida, certo?

— Provável.

— Não… espere, — Menel disse, levantando a voz. Ele notou algo. Olhei na direção em que ele estava apontando e vi que havia uma espada, um escudo e manoplas espalhadas pelo chão ao longo de uma linha que parecia estar indo para o vale.

— Ele… fugiu largando os equipamentos?

— Por que no vale?

— Se isso o impedisse de entrar na floresta, ele provavelmente não teria outra escolha.

— Bom ponto. — Todos assentimos um com o outro e descemos ao vale para verificar.

Erudhir
"Se olhar ao redor e não souber quem é o alvo, então o alvo é você."

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