OPV – V2 – Capítulo 4

De repente, lá estava. Eu podia ver a área aberta fora da floresta. Havia campos com fileiras de sulcos e, além delas, na escuridão da noite, quase conseguia distinguir os contornos de várias casas cercadas por uma cerca de madeira. Parecia que nada havia acontecido.

Eu… não cheguei tarde…?

Não… Havia uma chance, uma boa chance, de que a tragédia já tivesse acontecido. Não sabia a causa do que eu tinha visto nessa revelação. Poderia ser um demônio, um goblin, uma criatura morta-viva, uma besta… Se me aproximasse descuidadamente, era possível que eu fosse atingido antes de estar pronto.

Conjurei várias Palavras e matei a luz que ficava na lâmina da Lua Pálida. Primeiro de tudo: observar. Eu decidi ficar em alerta e me aproximar com cautela. Mantendo meu corpo no chão, saí da floresta e me aproximei abaixado. Então ouvi uma conversa.

— Pensei ter visto algo brilhando na floresta…

— Você não está vendo coisas?

Havia dois lampiões e eles estavam se aproximando. Segurando as luzes estavam dois homens, um de meia-idade e um adolescente, cada um vestindo uma bata de pele sobre uma túnica desbotada e carregando um porrete na mão. Meu primeiro pensamento foi que eles poderiam estar na patrulha noturna da aldeia. Pelo menos, eles não pareciam no limite como teriam se um desastre como esse tivesse acontecido.

Então as coisas ainda não eram como eu as tinha visto na revelação, afinal de contas. Graças aos deuses.

— Hm?

Quando comecei a relaxar, o mais velho dos dois homens percebeu minha forma pelo seu lampião. Sorri desajeitadamente para ele e decidi me aproximar. Percebi que se eu me nomeasse um conhecido de Menel, eles não seriam imediatamente rudes comigo. Eles me olharam e mal haviam aberto a boca para falar quando eu dei um passo à frente e me lancei com a minha lança.

— O quê…?!

— Hyeeek!

Houve um eco de metal colidindo. Eu me aproximei novamente e balancei minha lança para o lado sem interromper o fluxo. Houve outro choque metálico.

— Para trás! — Fiquei na frente dos dois para protegê-los, bloqueando o que quer que estivesse voando para nós com meu escudo.

O atacante…! Se eles estavam usando uma arma de projétil, então eles não eram bestas. Isso então deixava apenas demônios, goblins e mortos-vivos na equação. Eu rapidamente olhei para o que tinha caído, esperando ser capaz de identificar o meu oponente.

Era uma flecha com penas brancas.

Minha mente congelou. Naquele mesmo instante, houve um barulho repentino. O som de uma corda de arco! Eu levantei meu escudo e desviei a flecha.

Flechas vindo de frente eram difíceis de ver. Era muito difícil acertá-las com uma lança. Enquanto protegia as áreas mais vulneráveis do meu corpo, eu expandi minha luz conjurada e olhei de onde elas vieram.

No final da minha linha de visão… Franzindo a testa com um olhar sério no rosto… Era um meio-elfo de cabelo prateado com uma flecha encaixada na proa da mão.

Atrás dele, havia mais dez homens com roupas um pouco sujas, armados com porretes e lanças. Não havia dúvidas.

— Menel…

Vila do Menel? Um desastre ia acontecer com ele? Eu tinha que me apressar e salvá-lo? Quão tolo fui…

Menel… Meneldor não seria uma vítima da tragédia que eu testemunhei.

Ele era o autor.

Meu cérebro não conseguia acompanhar. Por que Menel… Nós compartilhamos risos e sorrimos juntos, não é…?

— Vão. Ataquem a aldeia, — Menel ordenou. — Eu vou lidar com ele.

Os homens atrás dele começaram a se dispersar.

— Espe… — eu tentei me mover para pará-los quando outra flecha voou em minha direção. Se eu me esquivasse, a flecha acertaria um dos dois atrás de mim. Desviei a flecha com meu escudo.

— Eu disse para não me seguir… Sério, irmão… — Algum tipo de emoção brilhou nos olhos de Menel, mas desapareceu no instante seguinte. — Morra.

O feito que vi no momento seguinte foi incrível. Ele disparou três flechas, mirando o meu rosto, braço e perna, em um movimento único, fluído e ininterrupto.

Minha mente ainda estava confusa, mas meu corpo, treinado por Sanguinário, reagiu com precisão ao ataque incrível de Menel. Enquanto usava meu escudo para derrubar as flechas que vinham em meu braço e rosto, puxei minha perna para trás e virei meu corpo para o lado, desviando da última flecha.

— Ah… Ah… — Os suspiros sem palavras dos dois atrás de mim começaram a se transformar em gritos. Eles finalmente começaram a entender a situação.

— Todos! Acordem! Acordem!

— ESTAMOS SOB ATAQUE! Tragam as armas! Escondam as mulheres e as crianças!

— Tch! — Os gritos pareciam colocá-lo sob pressão, Menel disparou mais flechas contra mim. Cada uma foi brutalmente precisa. Tinha certeza de que, se não tivesse um escudo, já teria várias flechas no meu corpo. E pensar que eu considerei não trazê-lo; como se viu, essa coisa estava salvando minha vida.

Enquanto avançava, mantendo minha defesa, Menel recuou, mantendo a mesma distância entre nós.

Se esta era a sua distância ideal, então… Eu diminuiria essa distância!

Acceleratio! — Uma explosão de velocidade.

— “Gnomos, gnomos, ande sob os pés!” — Menel gritou quase ao mesmo tempo. O chão subitamente se contorceu, tentando puxar minhas pernas para baixo.

Com toda probabilidade, era o Escorregar, um feitiço que usava gnomos, os elementais da terra. Eu ainda estava acelerando; se meu pé fosse pego, provavelmente me machucaria.

Eu podia ver Menel sorrindo com satisfação. Ele usou esse poder elementar no momento absolutamente perfeito, e eu não tinha uma estratégia imediata para lidar com esse tipo de coisa. E como eu não tinha estratégia…

— SSEHHH-HNG!! — Eu bati meu pé com todas as minhas forças. Houve um barulho estrondoso. O chão tremeu poderosamente e os gnomos pararam seu trabalho como se tivessem medo da quietude.

— O quê?! — Menel ficou boquiaberto. O mesmo aconteceu com os homens que tentavam atacar a aldeia. Mesmo os homens que tinham saído com armas, com a intenção de revidar, estavam olhando para mim com os olhos arregalados.

Eles estavam todos evidentemente inconscientes, que se você fosse forte, poderia resolver praticamente tudo pela força!

— Filho d…! — Menel recuou ainda mais, amaldiçoando.

Depois de atirar flechas em minha direção em rápida sucessão, ele pendurou o arco sobre o ombro e começou a atirar facas. Elas vieram em minha direção em parábola, talvez ele tivesse uma maneira especial de jogá-las, ou talvez as próprias facas tivessem algum truque em seu design, curvando-se em minha direção da esquerda e da direita. Aquelas que eram seguras para evitar, me esquivei virando meu corpo; aquelas que não davam, desviei com o meu escudo. Pressionei ainda mais. Escudos realmente eram convenientes. Eu estava feliz por ter trazido um.

Menel parecia que finalmente havia se resignado a me encarar. Ele segurava o machado pronto para atacar e depois…

— “Salamandra! Queime-o!”

Por trás, Respiração de Fogo veio em minha direção pelo lampião do homem de meia-idade. Sem me virar, estiquei minha lança e esfaqueei as chamas, dispersando-as.

Eu praticamente vi chegando.

— De jeito nenhum. — Menel parecia estupefato.

Sua finta era positivamente direta em comparação com o deus da morte e os truques que Gus e Sanguinário tinham feito quando ficavam sérios.

Enquanto Menel estava parado lá, diminui a distância.

— Você é forte pra porra… — Ele disse com um sorriso amargo no rosto.

Eu enfiei o cabo da minha lança em seu plexo solar.

Eu ouvi o ar sendo forçado para fora de seus pulmões, e ele caiu de joelhos. Seu diafragma estava subindo e descendo e ele não conseguia controlar sua respiração. Ele não seria capaz de se mover adequadamente por um tempo. Enquanto isso, conjurei a Palavra de Teia para contê-lo.

Eu olhei para a aldeia. Não teve batalha; todo mundo assistiu a nossa luta com espanto. Considerei-me bem sortudo.

Eu decidi capturar o resto dos invasores antes que alguém se machucasse.

Erudhir
"Se olhar ao redor e não souber quem é o alvo, então o alvo é você."

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