OPV – V2 – Capítulo 7

Levantei minha voz o mais alto possível, e para meu alívio, todos se viraram em minha direção. A enunciação era importante para usar a magia das Palavras de forma eficaz. Eu estava usando o treinamento que Gus tinha me dado ao máximo.

Espalhando meus braços exageradamente para chamar ainda mais a atenção, escolhi minhas primeiras palavras cuidadosamente…

— Isso pode ser resolvido com dinheiro?!

Os olhos dos aldeões pareciam como se pudessem sair de suas órbitas. Continuei, tentando ficar um passo à frente de sua compreensão.

— Compensação. Dinheiro de indenização. Vocês têm esse tipo de costume?

De acordo com Gus, era costume em muitas regiões que quando algum tipo de erro fosse cometido, o assunto poderia ser resolvido com um pagamento de prata ou gado em vez de sangue. O conhecimento que eu tinha da minha vida anterior apoiava essa afirmação. Tais costumes eram seguidos em regiões de todo o mundo, da germânica à celta, ao russo e ao escandinavo. Eu li em algum lugar que ainda existia em algumas áreas islâmicas dos dias modernos, onde você poderia escolher entre qisas ou diya… Retaliação ou compensação.

Nesse ritmo, o sangue seria derramado. Se pudesse resolver isso com dinheiro, então era isso que eu ia fazer. Eu podia imaginar o que Gus diria: “Como o dinheiro é maravilhoso… Pode até comprar sangue e retribuição!”

— Es… Espere, espere! Claro, nós fazemos isso, mas quem diabos vai pagar?

— Esses caras não têm mais do que as roupas em seus corpos!

Eu tenho uma resposta. Além do mais, não era “dinheiro de indenização?! Como você se atreve!”, mas sim uma questão prática de quem pagaria. Se eles tivessem rejeitado a ideia, as coisas ficariam complicadas, então agradeço muito pela oportunidade que me deram.

Dentro da minha cabeça, a maquinaria mental que Gus havia me equipado estava sendo acionada.

— Eu vou pagar!

Murmúrios novamente se espalharam pela multidão.

— Acalme-se, todos. — Tom acalmou os aldeões, então me perguntou: — Por que, guerreiro sagrado?

— É porque os demônios são meus inimigos mortais e causaram a morte de meus pais. — Enquanto eu exagerava um pouco para parecer mais convincente, não era mentira. Era verdade que Maria e Sanguinário morreram, pois enfrentaram as forças demoníacas. — E eu sou um clérigo que tem a proteção de meu deus. Fiz um juramento ao meu deus, o deus da chama, para afastar o mal e trazer a salvação para aqueles que estão tristes. Se demônios malignos fizeram mal a essas pessoas, então essas pessoas terão meu auxílio.

Eu declarei minha posição enquanto me levantei e gesticulei dramaticamente. Esses truques falados também vieram de Gus.

— Além disso, os demônios não podem ser deixados de lado e ocupar aquela aldeia. Eu vou lá para acabar com eles. Sendo esse o caso, você, o homem ali… — Eu apontei para Meneldor. Ele estava olhando para mim, estupefato. — Você é um caçador talentoso que conhece a floresta, não é? Eu gostaria de contratá-lo para rastrear os demônios. Você será bem pago.

O zumbido de conversas surgiu dos aldeões mais uma vez. Se eles pudessem recuperar sua aldeia sitiada, não haveria necessidade de lutar entre si. O rancor excepcional poderia ser resolvido com dinheiro de indenização. Todos ganham, com a única exceção de um guerreiro sagrado benevolente que ninguém conhecia de Adão, que sofreria uma perda razoavelmente grande.

Eles conversaram entre si e não demorou muito para que chegassem ao mesmo entendimento. O fato de eu ter jogado algumas moedas de ouro e prata na frente deles também deu um empurrão efetivo.

— Cê tem certeza disso, sinhô? — John me perguntou. — Esse acordo é bão pra nóis, mais naum pro sinhô…

Eu sorri de volta para ele.

— Se você ganhar com essa situação, então foi os deuses abençoando a todos por suas boas naturezas, — eu disse enquanto orava ao meu deus por um pequeno milagre. — Gracefeel, deus da chama, soberano das almas e samsara, está cuidando de suas vidas com olhos de misericórdia.

Enquanto eu falava essas palavras, o milagre que desejei apareceu. Uma pequena chama se levantou diante do santuário da praça da aldeia dedicada aos deuses virtuosos. Um suspiro baixo veio dos espectadores, que gritavam palavras de gratidão e ofereciam suas próprias orações.

Eu ajudei pessoas em uma crise derramando o mínimo de sangue possível. E embora eu possa ter exagerado um pouco na apresentação, lembrei a eles que Você existe também. Sofri uma pequena perda financeira, mas como Suas mãos, como Sua lâmina… Talvez a maneira que eu superei essa situação não foi tão ruim…?

Depois que eu sussurrei isso em minha mente, tive a sensação de que em algum lugar, meu deus tinha me dado um pequeno sorriso.

Conversei com todos, e nós tivemos um representante de cada aldeia participando de uma cerimônia para resolver o mal-entendido.

Assim que isso foi feito, comecei a proteger os sobreviventes da aldeia atacada por demônios que eram fisicamente incapazes de participar do ataque, como mulheres, idosos e crianças. Eles estavam amontoados ao redor de uma fogueira na floresta, tremendo de frio. Estavam com medo de mim no começo, mas depois que pedi para que Menel explicasse a situação, rapidamente entenderam.

Muitos deles ficaram feridos ou começaram a pegar resfriados, então os curei usando as bênçãos Fechar Feridas e Curar Doença. Então, pedi para a primeira vila para abrigá-los temporariamente, com a promessa de que seria apenas até que eu retome a vila que foi atacada.

Eles os abrigaram de braços abertos, embora eu tivesse certeza de que não havia um pingo de boa vontade no motivo pelo qual eles o faziam. Foi só que nós fizemos um acordo; eles provavelmente também estavam considerando o valor de mantê-los como reféns contra os homens, que eles também foram forçados a aceitar por enquanto. Dito isto, a proteção era proteção, e fiquei feliz por isso.

Imaginei o que aconteceria se eu morresse tentando recuperar a vila. Era possível que eles se tornassem incapazes de apoiar as pessoas que abrigaram e fossem forçados a matá-las. Enquanto orava pelo santuário, pensei em como eu tinha que vencer a todo custo.

Meneldor se aproximou de mim.

— Qual é o seu objetivo?

― Hm? É o que eu disse. Não estou escondendo nada. — Eu não podia ignorar a propagação dos demônios, e queria impedir que todos matassem uns aos outros. Tudo o que fiz foi tomar as medidas necessárias para que isso acontecesse.

— Oh, certo, já estou trabalhando para você. Acho que é mais fácil pedir perdão do que permissão.

Oops. Não era assim que deveria ser. Senti que era importante conseguir a aprovação de Menel.

— Posso contratá-lo para recuperar a vila e rastrear os demônios?

Ele franziu a testa.

— Uh, irmão? Eu incitei pilhagem e assassinato. Tem certeza de que não precisa julgar-me, ó guerreiro sagrado?

— Eu já fechei o livro, pagando-lhes uma compensação. E você não fez isso por escolha, certo? Você não podia abandonar a vila… A vila que ajudou você… Em sua hora de necessidade.

Eu poderia dizer que um pecado era pecado. Todos eles, inclusive Menel, tecnicamente tinha a opção de deitar e morrer sem machucar ninguém, e se fossem capazes de escolher essa opção, isso seria muito nobre.

Mas escolher roubar de outro em vez de aceitar a morte não era desprezível; era natural. Ainda mais se tivessem pessoas como mulheres e crianças, que eles sentiam a obrigação de proteger.

— Eu prefiro não julgar uma pessoa normal tomando uma decisão normal se eu puder ajudar…

Ele disse desanimado:

— Já pensou que eu poderia guardar rancor e te esfaquear pelas costas?

— Se eu morrer, são os aldeões que sofrem. — Pelo menos até eu recuperar a vila dos demônios. Eu não podia imaginar que o caçador de cabelos prateados na minha frente fosse incapaz de pesar os ganhos contra as perdas.

Menel finalmente desviou o olhar.

— Você é uma presa fácil. Alguém vai roubar você em breve, e isso será o seu fim.

— Talvez sim. — Eu não pude deixar de sorrir. Esse era um futuro que eu poderia imaginar. Lembrei-me de que não podia continuar tirando do presente de Gus; tenho que ganhar dinheiro em algum lugar para recuperar a quantia que gastei.

— Keh. Seja como for, irmão. Trabalharei para você. Preciso do dinheiro para eles, de qualquer maneira.

— Yep. Obrigado por sua ajuda.

Os lábios de Menel se curvaram cinicamente e ele assentiu.

— Sobre esse assunto, o que vamos fazer então, mestre?

— Seguir em frente, eu acho? Não podemos nos dar ao luxo de perder tempo…

Isso foi seguido por um silêncio e um olhar de repreensão.

Eu… Eu tinha um plano… De sorte… Mas talvez eu devesse ter esperado que ele fosse contra isso. Talvez eu tenha sido um pouco descuidado…

— É, você está certo. — Surpreendentemente, ele assentiu. — É melhor nos movermos rápido. Quer dizer, há uma boa chance de os caras da aldeia se tornarem mortos-vivos.

Fiquei em silêncio. Eu tinha esquecido.

Assim como este mundo era preenchido com a proteção dos deuses virtuosos, ele também era preenchido com a proteção benevolente do deus da morte, Stagnate.

Era extremamente raro o deus da morte invocar diretamente heróis talentosos, fazer um contrato com eles e criar mortos-vivos de alto nível, como aconteceu com Maria e Sanguinário. No entanto, devido à natureza generalizada da proteção dos deuses, não era nada especial para uma pessoa que morreu com arrependimentos persistentes se levantar novamente como um dos mortos-vivos, e isso poderia acontecer por qualquer razão, incluindo inimizade, confusão ou simplesmente a morte vindo de repente.

— Não há necessidade de dar aos caras da aldeia uma visão de seus pais, irmãos e filhos mortos-vivos. Nós provavelmente devemos matá-los rapidamente se pudermos.

Eu balancei a cabeça em concordância.

— Tenho que devolvê-los ao samsara antes que comecem a vagar e se percam.

Eu só precisava localizá-los, e poderia devolvê-los ao samsara com a bênção do deus da chama. Mas eu não podia fazer nada sobre almas perdidas que não tinha como encontrar. Eu tinha que agir antes disso acontecer.

— Mas nós temos uma chance contra os demônios na vila? — Menel perguntou. — Se há um grupo inteiro deles, e eles também têm bestas…

— Sim.

Bem… Sim, pensei. Eu não acho que essa parte será um problema, Menel. Afinal, eu estava acabando com demônios mortos-vivos dia após dia, sob aquela cidade dos mortos, então agora

— Estou acostumado…


Esse capítulo seria o final do capítulo 1. Capítulo 8 seria o capítulo 2.

Erudhir
"Se olhar ao redor e não souber quem é o alvo, então o alvo é você."

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