OPV – V2 – Capítulo 8

Na manhã seguinte, depois de passar a noite sob a hospitalidade deles, despedi de Tom, John e os outros aldeões e parti para recuperar a aldeia.

Guiado por Menel, fomos para o nordeste. Depois de uma distância razoável, encontrei uma ramificação do rio, passei por ela e segui pela floresta. Pisando em folhas mortas e troncos musgosos de árvores caídas, segui Menel com um nível apropriado de cautela.

Eu me acostumei rapidamente a seguir sua trilha. Essa floresta tinha uma visibilidade tão ruim que eu estava quase perdendo o rumo, mas Menel seguiu em frente sem hesitação. De tempos em tempos, ele chamava as fadas, e as moitas e arbustos saíam do caminho.

Sanguinário uma vez me disse para nunca entrar em uma briga com um elfo em uma floresta, e agora entendi claramente o porquê: as chances eram tão grandes que você nem sequer teria uma “briga”; você seria apenas espancado e morto.

Fazendo pausas periódicas, avançamos pela floresta muito rapidamente.

— Vamos acampar aqui, — o meio-elfo disse.

O sol começou a se pôr. Disseram-nos que era cerca de um dia de distância da aldeia vizinha, por isso o nosso destino provavelmente era muito próximo.

— “Povo de verde, me conceda um abrigo da noite. Um leito de grama e telhado de árvores, e paciência para com um convidado repentino.” — Ele conjurou um feitiço para chamar as fadas, e as árvores ao nosso redor se curvaram em uma cúpula. A grama macia cresceu a nossos pés, e os arbustos se aglomeraram no exterior para nos proteger.

— U…Uau, incrível! — Era digno de ser chamado de tenda de árvores. Como as técnicas elementares eram, isso deve ser bem difícil, não é?

— Não é tão impressionante assim. Vá dormir.

— Não precisamos de alguém vigiando?

— Nós vamos deixar isso para as fadas. Se alguma coisa acontecer, elas vão nos alertar.

A quantidade de esforço que eu tive que fazer para acampar até agora parecia ridícula.

Menel era um caçador habilidoso e um especialista elementar. Como inimigo, ele era assustador, mas como aliado, era um grande trunfo. Agora, se ele se abrisse um pouco mais para mim…

— Hmph. — Lá vem ele de novo.

— Eu fiz alguma coisa errada?

— Eu sou o que você chama de mal-educado, acho. Não gosto de caras como você, que parecem ter uma boa educação. Pagarei minhas dívidas e farei meu trabalho adequadamente, mas isso é o máximo possível.

Tão inacessível, pensei.

— Estaremos na aldeia amanhã de manhã. Estou te guiando e isso é tudo. Não planejo ajudar você a espancar demônios.

— É, eu sei.

Menel tinha um olhar triste no rosto. Tivemos a sorte de nos conhecer e, embora tivéssemos cruzado espadas, queria que nos entendêssemos. Mas não estava fácil.

Um tempo depois que nós dois ficamos em silêncio, Menel estava preguiçosamente olhando na direção que nós estaríamos indo amanhã. Depois de ver seu olhar doloroso, não consegui me intrometer e perguntar sobre o relacionamento que ele teve com as pessoas daquela aldeia.

Ficamos deitados em silêncio no macio leito de grama e lentamente adormeci. O toldo mágico da folhagem parecia muito reconfortante.

Na manhã seguinte, uma névoa espessa preencheu o ar gelado; talvez fosse porque estávamos ao lado de um rio. A maneira como a névoa branca como leite flutuava lentamente entre as árvores parecia como se eu tivesse entrado em um lugar que não era deste mundo.

Enquanto eu seguia em frente seguindo Menel, as fundações de um antigo muro de pedra apareceram.

— Uma ruína?

— Sim. Nas proximidades.

Devido a fatores como a disponibilidade de água e transporte, os locais mais adequados para estabelecer um assentamento não eram muito diferentes agora do que no passado. E se houvesse uma antiga ruína próxima, ela poderia ser desmontada e suas pedras reaproveitadas. Era uma maneira inteligente de construir uma aldeia.

Arqueólogos do meu mundo anterior provavelmente teriam deplorado o desmantelamento de uma ruína, mas felizmente (ou talvez infelizmente), não havia ninguém neste período da história que lamentasse a perda.

Constantemente nos aproximamos da aldeia, mantendo-nos escondidos atrás das velhas paredes de pedra da ruína e dos prédios em ruínas. Eu podia ouvir várias criaturas se movendo.

— São eles, — Menel disse calmamente.

Eu assenti.

— Eu vou fazer reconhecimento. Espere aí, — ele disse e avançou com passos completamente silenciosos. Ele havia aperfeiçoado isso a um nível que deixaria os exploradores mais experientes envergonhados.

Sanguinário me ensinou as técnicas de reconhecimento até certo ponto, mas a julgar isso, sim, Menel provavelmente era melhor do que eu. Como regra geral, os treinados são melhores que os não treinados em qualquer campo. Isso era óbvio demais.

Com a lança na mão, esperei na sombra de uma das paredes da ruína. Depois de pouco tempo, Menel retornou.

— Eles estão fazendo algum ritual estranho nos restos do templo do lado de fora da aldeia.

— Como é o templo? Como os demônios são?

— O templo é algo assim. — Menel começou a desenhar o esboço no chão com um galho. — Não tem mais teto, e as paredes desmoronaram em vários lugares. Eles estão no meio aqui realizando o ritual. Dois comandantes, parecem lagartos. Como eles eram chamados mesmo?

— Vraskuses? Com escamas e uma cauda espetada?

— Sim, assim mesmo.

Eu lutei contra um vraskus quando peguei a Lua Pálida, a lança que eu estava segurando. Então, havia dois deles, e…

— O que mais?

— Tem alguns soldados circulando fora do templo. Consegui localizar uma besta lá dentro, mas pode ter mais.

— Algum detalhe sobre a besta?

— Seu rosto parecia uma espécie de pessoa. Tinha um corpo como um leão, asas de morcego e um corpo do tamanho de um cavalo.

— Isso é uma manticora.

Bestas com caudas espetadas perigosas. Ouvi Sanguinário falar uma vez que elas eram “um pouco perigosas”… “Um pouco” para Sanguinário às vezes seria meu “razoável” ou “considerável”… Então eu teria que me preparar.

Menel estava olhando para mim com uma expressão confusa.

— O quê? — Perguntei.

— Você sabe muito sobre isso.

— Aprendi muita coisa.

Gus fez um grande esforço em suas aulas de história natural, e Sanguinário adorava contar histórias sobre quando ele estava vivo. Ambos me disseram que, ao ir contra um monstro, era importante ter conhecimento prévio sobre suas fraquezas e métodos de ataque. Os inimigos desconhecidos eram os mais mortais.

— Bem, tudo bem, — eu disse. — Estou feliz que é só isso que estamos lidando.

— Só isso?

Eu tinha experiência em lutar contra demônios, mas nenhuma contra aqueles classificados como Generais ou superiores. Se eu tivesse que lutar contra um desses, teria ficado preocupado com o risco. Mas se fossem apenas dois Comandantes acompanhados por Soldados com uma besta, tendo a vantagem de conhecer a situação de antemão, havia muitas maneiras de acabar rápido.

— Vamos esmagá-los.

Erudhir
"Se olhar ao redor e não souber quem é o alvo, então o alvo é você."

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