OPV – V2 – Capítulo 9

Eram os restos de um pequeno templo envelhecido. O teto havia caído e o espaço interior era do tamanho das salas de aula que eu conhecia no meu mundo anterior.

Alinhados na parte de trás do prédio, havia estátuas dos deuses, entre eles o deus do relâmpago, Volt, e a Mãe-Terra, Mater. Seus rostos foram raspados. Provavelmente foram os demônios que fizeram isso.

Era preciso muito esforço para destruir uma estátua; arranhar seus rostos ao invés de transformá-las em “ninguém” era algo que eu também encontraria na história do meu mundo passado.

Louvores aos deuses, que certamente deveriam estar presentes na parede, também foram apagados. Em seu lugar havia muitas Palavras escritas grandes e sinistras. Aquelas Palavras, escritas em sangue negro, eram elogios a Dyrhygma, o deus das dimensões adorado pelos demônios. Esticada e esmagando as flores sob o brasão de Dyrhygma, que exibia braços segurando o ciclo eterno, estava a manticora que Menel mencionou.

Mais à frente, no centro do templo, no chão de pedra, com grama crescendo em suas rachaduras, havia uma pilha de corpos humanos.

Com os cadáveres, a besta e a crista diante deles, os dois demônios, uma mistura selvagem de humanos e crocodilos, conjuravam Palavras blasfemando os deuses virtuosos em vozes severas e sonoras. Eu poderia dizer que era algum tipo de ritual, mas não sabia exatamente que tipo. Isso não era surpreendente, dado que mesmo o conhecimento de Gus não cobria os detalhes intrincados desses tipos de cerimônias sombrias. Por enquanto, tudo o que eu sabia era que não podia deixar isso continuar.

Escondendo o som dos meus passos, eu rastejei para frente, preparei minha lança e simplesmente a empurrei no pescoço de um dos vraskuses. Assim, a criatura desmoronou e virou pó.

— …■■■?! — Surpreendido, o outro vraskus gritou algo no idioma demoníaco, sacou sua espada curva e girou ao redor.

Sua reação ao ataque surpresa foi mais rápida do que eu esperava. O grande movimento que tive que fazer para evitar sua lâmina quebrou o efeito da Palavra que lancei em mim: a Palavra da Invisibilidade. Ela joga truques na percepção visual do usuário, tornando-o extremamente eficaz ao emboscar inimigos que dependem da visão.

Usei essa magia para escapar de ser visto pelos Soldados do lado de fora e ir direto para o local do ritual. Eu não queria entrar em uma situação em que tivesse que lidar com dois vraskuses totalmente preparados e uma manticora enquanto eu estava lidando com Soldados. Isso realmente seria perigoso. Em vez disso, eu estava usando o método que Gus e Sanguinário me ensinaram: surpresa, iniciativa e divisão.

Cadere Araneum. — Enquanto a manticora estava prestes a avançar, eu a acertei com uma teia para restringir seus movimentos e entrei em combate com o vraskus.

Eu desviei o corte horizontal de sua espada com o meu escudo e apunhalei repetidamente com minha lança. Levando em conta as escamas duras do vraskus, a pele emborrachada e os músculos grossos, mirei em suas articulações, infligindo de maneira eficiente uma ferida após ferida.

Nessa altura, os Soldados do lado de fora pareciam ter notado minha intrusão também.

— Currere Oleum.

Coloquei graxa perto da entrada do templo para me comprar um pouco de tempo. Quando o rabo do vraskus veio em minha direção de um ponto cego, eu o cortei com a lâmina da minha lança sem nem olhar, e com o balanço de retorno cortei sua garganta. Dois já foram pro saco.

Segundos depois, a manticora rasgou a teia e rugiu.

— Acceleratio!

Saltei e mirei a lâmina da lança em seu pescoço.

A manticora, soando como se estivesse engasgando, atacou furiosamente com os braços, tentando resistir. Aumentei minha pressão, forçando a lâmina e prendendo a besta na parede do templo. Um golpe de suas garras descontroladamente se arrastou através da minha cota de mithril. Ainda presa, tentou balançar a cauda espetada em mim.

Tendo mirado em seu corpo, conjurei a Palavra “Vastare” e explodi um vórtice de destruição diretamente nela. O rugido da explosão combinou com o rugido da besta, quando suas entranhas se transformaram em polpa. Finalmente, ambos desapareceram e ficou tudo em silêncio.

Um ataque mágico grande e vistoso como aquele vinha com riscos, então eu não queria muito usá-lo, mas a manticora estava lutando muito. Tentar acabar com apenas uma lança teria demorado demais.

— E isso só deixa…

Permanecendo vigilante, puxei a lança para trás e a segurei. Restavam apenas alguns. Eles podem ser apenas Soldados, mas eu tinha que manter o meu juízo sobre mim até que terminasse. No entanto, enquanto estava pronto para lutar, não havia sinal dos inimigos entrando no templo.

Confuso, eu saí para ver os Soldados se transformando em poeira e se espalhando. Flechas brancas estavam saindo de seus peitos e pescoços.

— Oh! — Execução perfeita como sempre, mas…

— Pensei que você não ia se envolver? — Perguntei.

— Você tinha tudo na palma da sua mão. Só economizei tempo. — Menel apareceu das sombras, deu uma olhada ao redor e franziu a testa. — Tenho certeza que você não pode simplesmente entrar e bater em caras como esses sozinho… Normalmente…

— Sim. As condições eram perfeitas. Se eu tivesse investido e tentado lutar contra tantos inimigos de frente, uma batalha muito próxima e desesperada seria inevitável. Observe primeiro o oponente, surpreenda-o e extermine-o sem permitir que ele use suas forças. Tudo isso fazia parte das táticas de batalha de um guerreiro.

— Não, mesmo com isso, esse tipo de força não é normal. Você fez algo especial?

— Uh… Comi um monte de pão sagrado? — Maria orou por um pão para me dar algo para comer, então havia uma chance de ter mudado minha constituição. O deus da morte disse algo do tipo também.

— Comer pão não faz isso, irmão.

— Eu acho que não. — Menel estava certo. Você não pode construir músculos apenas comendo muito pão sem fazer nenhum treinamento.

— Seja o que for, pão não é suficiente. Templo limpo. Acha que é seguro presumir que você eliminou a maior parte deles?

— Vamos dar uma passada pela aldeia, limpar o que tenha sobrado, e seguir em frente, eu acho.

Se iríamos enterrar os corpos ou procurar a área para ver se havia mais sobreviventes, seria difícil em um lugar onde os inimigos ainda pudessem estar à espreita. Pensei que nós estávamos provavelmente bem agora, eu não podia sentir mais demônios, mas nós precisaríamos passar pela aldeia uma vez para ficarmos a salvo.

Eu rezei pelos corpos empilhados no templo, e então nós dois caminhamos em direção à aldeia.

De qualquer forma, nós vencemos. Vencer a batalha era a nossa maior fonte inicial de preocupação, por isso, embora ainda houvesse muitas razões para ficar apreensivo, achei que Menel e eu estávamos aliviados.

— Espero que tenha pelo menos alguém que ainda esteja bem, — Menel disse, parecendo ansioso.

— Yep.

Mas, naquele momento, ouvimos uma voz débil e infantil.

— Men… el…

A expressão de Menel congelou.

Erudhir
"Se olhar ao redor e não souber quem é o alvo, então o alvo é você."

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