OPV – Volume 1 – Capítulo Quatro (Parte 10 de 12)

— Gracefeel, deus da chama! Paz e orientação! — Eu imediatamente tomei a decisão de usar a bênção. E estava apontando para Maria e Sanguinário.

— O q…?!

O deus da morte olhou com os olhos arregalados em um claro estado de choque. Ele certamente não tinha previsto que eu iria usar um dos meus movimentos para as pessoas que eu estava tentando proteger. A bênção que eu estava usando era a Tocha Divina: o pulso invisível e sagrado que devolvia as almas ao ciclo de reencarnação.

— Tch! Stagnate, samsara! Desvie-se, orientação!

Ele sabia o que eu estava pretendendo e desencadeou um pulso profano de natureza contrária, anulando-o. Ele estava em pé na frente de Maria e Sanguinário, protegendo-os.

Era uma visão estranha de se ver, mas porque eu estava mirando em Maria e Sanguinário, ele não tinha escolha senão protegê-los. Se eu lançasse ataques contra ele, ele provavelmente tentaria levar suas duas almas enquanto isso, confiando que, como um fragmento de um deus, poderia sobreviver apenas o tempo suficiente para completar a tarefa antes de ser aniquilado.

Quanto aos deuses, seus Ecos eram descartáveis. Eles exigiam tempo e esforço para trazer ao mundo, mas certamente poderiam ser substituídos. Ele trocaria alegremente a aniquilação por Maria e Sanguinário.

Mas se eu conseguisse atingi-los com a Tocha Divina, seria uma história completamente diferente. Eu tinha certeza de que eles não resistiriam. Eles escapariam de suas garras e voltariam para a roda eterna.

Se isso acontecesse, toda a razão pela qual ele se deu ao trabalho de enviar um fragmento para essa dimensão em primeiro lugar, evaporaria. Acabaria sendo um completo desperdício de esforço. A fim de evitar que isso acontecesse, o deus da morte foi obrigado a entrar nessa situação estranha, onde ele tinha que proteger Maria e Sanguinário de mim enquanto o foco da minha bênção permanecesse sobre eles.

Ironicamente, sua situação era exatamente a mesma de um super-herói, em pé diante dos cidadãos que precisam ser protegidos, em face dos ataques do vilão. Sua única escolha era colocar seu corpo na frente deles, e protegê-los de ser atingidos pela minha bênção. Sua atenção estava dividida, distraída com a tarefa de anular completamente meus movimentos.

Com um grunhido ofegante, Sanguinário transferiu toda a força que restava em seu corpo ferido para um único movimento descendente de sua espada favorita de duas mãos. Mesmo que não fosse tão impressionante quanto Devoradora, a arma favorita de Sanguinário era em si uma espada demoníaca e uma digna de suas habilidades com uma espada. Não podia ser ignorado.

Menos de um segundo que o deus da morte se submeteu em uma fuga reacionária…

— Acceleratio!

…seria mais que o suficiente para eu voar pelo templo!

V-Vas…

Ele tentou conjurar a Palavra da Destruição.

Tacere, os!

Um instante de silêncio foi forçado em sua boca. Foi Gus. Ele ainda estava preso na parede pela névoa negra, e estava dando o sorriso do mundo. O poder que Gus poderia exercer naquele momento era obviamente extremamente limitado e, no entanto, ele interferiu da melhor maneira possível no melhor momento possível.

Apenas aprenda a usar pequenas quantidades de magia, de maneira sensata e precisa.

Lembrei-me das palavras que ele me ensinou todo esse tempo. Esta Palavra de Silêncio, este ataque glorioso e covarde, simbolizava Gus muito melhor do que a grande magia que era a Palavra da Obliteração de Entidade.

Meu pé direito encontrou o chão. Chutei para frente novamente, diminuindo a distância como um projétil. Pé esquerdo. Pé direito. As paredes de cada lado de mim correram para trás como flechas em voo.

Eu já estava em cima dele…

Eu dei um grito de guerra e depois…

Resistência. Impacto.

Devoradora foi enterrada em seu peito.

— Gahk…!

Puxei para fora e golpeei novamente. Então outra vez e outra. O deus da morte tentava fugir e defender, mas a essa distância eu estava no controle total.

— Por que, você… Droga!

Golpear. Golpear. Golpear. Os espinhos vermelhos disparados da espada demoníaca atormentavam seu corpo.

— Will… Will, filho de Maria e Sanguinário… Will, discípulo de Gracefeel!

Ele olhou para mim, seus olhos escuros cheios de ódio. Não era o falso ódio e sede de sangue de antes. Era verdadeiro ódio, verdadeira sede de sangue.

— Eu não vou esquecer o seu nome! Se você não se render a mim, vou me certificar de que nunca mais dormirá facilmente!

Ele tinha me marcado agora com certeza.

— Você soa como um vilão de dois bits, — Disse sem rodeios, e o deus da morte explodiu, coberto de espinhos vermelhos, com todo o resto de poder purificador que eu poderia extrair do deus da chama.

Por fim, o formidável Eco do deus da morte começou a desmoronar.

Se eu tivesse medo de me fazer um inimigo de um deus, não teria desafiado um em primeiro lugar.

— Eu juro pela chama de Gracefeel… — Apontei a ponta da minha espada demoníaca para o deus da morte enquanto ele gradualmente desaparecia. — Você não vai me possuir. Vou viver e morrer como deveria ser.

Essa foi minha declaração pessoal de hostilidade e minha despedida final do desaparecimento do fragmento do deus da morte. O Eco respondeu às minhas palavras com um olhar cheio de ódio, seus olhos estavam fixos nos meus quando ele virou pó. Eu não quebrei seu olhar até que ele se foi.

Depois que o Eco do deus da morte foi aniquilado, passei um tempo em estado de alerta, meio que esperando um terceiro fragmento, ou mais inimigos. Quando finalmente tive certeza de que havíamos vencido, não foi uma alegria que me encheu, mas sim uma sensação de alívio tão esmagadora que desabei no chão do templo.

Sentei-me ali, o templo à minha volta em péssimo estado da batalha anterior, e soltei um longo suspiro. Ele foi um adversário forte, sem exagero.

Estranhamente, qualquer sentimento impressionante de realização pessoal estava totalmente ausente. Talvez tenha sido porque muitas das razões pelas quais vencemos foram o trabalho de outras pessoas.

Empunhei a espada demoníaca de alto nível que eu recebi de Sanguinário, Devoradora. Gus destruiu o outro fragmento do Eco, que deveria ser seu último. O deus da chama me protegeu como meu guardião. E a divindade guardiã de Maria, Mater, a Mãe-Terra, nos pagou o tempo justo quando era mais necessário.

Isso não foi tudo. Havia todas as coisas que Sanguinário, Maria e Gus haviam generosamente compartilhado comigo, o que me deu minha familiaridade com espadas, magia e orações. Esses dons incluíam algo ainda mais importante do que habilidade de batalha, algo humano, profundo em meu ser.

Levou todas essas coisas, empilhadas umas sobre as outras, para alcançar essa mais difícil das vitórias difíceis. Eu poderia facilmente ter morrido, e se qualquer um desses elementos estivesse faltando, eu não teria tido uma chance. Foi graças à proteção do meu deus e, acima de tudo, graças a esses três. Fui abençoado por ter essas pessoas ao meu redor.

Erudhir
"Se olhar ao redor e não souber quem é o alvo, então o alvo é você."

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