OPV – Volume 1 – Capítulo Quatro (Parte 6 de 12)

— Esse é o meu propósito. Há muita tragédia neste mundo. A morte não é linda; é principalmente acompanhado de dor e medo que desafiam a imaginação. O amor não é recompensado, antes punido, pelo sofrimento do ente querido e pela separação da morte. Heróis poderosos e santos nobres são evitados e mortos, precisamente por causa de seu poder, precisamente por causa de sua nobreza.

— O deus da morte, Stagnate, já foi aliado das forças do bem. Ele se desviou desse caminho quando não aguentava mais ver as tragédias da vida e da morte. Seu desejo é criar um mundo eternamente estagnado sem tragédia, transformando almas talentosas de todos os tipos em imortais. Ele nos vigiou — Maria disse, com voz positiva.

Eu me lembrei das palavras de Maria. Ela certamente disse isso para mim.

— Você não acha injusto? Este mundo contém muita tragédia. Eu gostaria de colocar um fim nisso. Quero fazer um mundo que seja eternamente gentil, onde a ameaça da morte não exista mais.

Suas palavras tinham uma ternura. Ele provavelmente não estava mentindo. Se um mundo como esse pudesse realmente ser criado…

Se pudesse

— Venha, Will. Faça um contrato comigo, como eles fizeram.

Ele produziu um cálice e uma adaga de algum lugar. O cálice era de prata opaco e a adaga era clara, mas uma forte divindade habitava dentro de ambos. Segurando o cálice em posição, o deus da morte submeteu um corte raso em seu próprio pulso. Seu sangue negro silenciosamente começou a encher o cálice.

— Beba meu sangue. Faça isso e você pode se separar da morte.

Ele ofereceu para mim. Imaginei que beber esse sangue era o que fazia você um morto-vivo. Balancei a cabeça. Coloquei minha lança no chão e caminhei em direção ao cálice como se estivesse em transe hipnótico. Então, com um único movimento, desembainhei minha espada e cortei seu pulso.

Seu rosto se encheu de choque e confusão. Algo parecido com uma videira carmesim espinhosa serpenteava da lâmina preta da Devoradora e se enredou na ferida.

Senti a força fluindo para mim pela minha mão direita, na qual a espada estava sendo segurada. Meu cansaço me deixou, os pequenos cortes que eu tinha foram curados, e a energia imediatamente começou a percorrer por mim. Mesmo antes que meu cérebro tivesse tempo de entender que era assim que a força vital restauradora era, meu corpo bem disciplinado estava trazendo de volta a lâmina. Durante um momento de confusão, o ataque ideal não foi o pescoço, mas um golpe direto no maior alvo. O torso!

O deus da morte gemeu em aparente dor. O ataque acertou. Ataque direto. Os espinhos vermelhos se enredaram em seu torso também. Estava funcionando! Uma última pancada, de sua axila até o pescoço, eu tinha certeza de que era tudo que eu precisava!

Algo puxou minha perna com força assustadora, e eu caí. O chão me atingiu com força. Eu podia sentir ele se esvaindo. Olhei para a minha perna. Uma cobra encharcada de sangue estava envolvida em torno dela. A cobra estava escorregando do cálice que caíra no chão junto com o pulso.

Porcaria. Ele estava escondendo um substituto em um lugar assim?!

— Ghh… Primeiro o Sábio, agora você… Ratos traiçoeiros…

Eu podia ouvir sua voz. A cobra estava apertando minha perna com uma força inimaginável de seu corpo magro. Ele olhou para mim com suas pupilas sem emoção, verticalmente divididas, suas presas pingando com o sangue do deus da morte. A cobra sibilou. O deus da morte respondeu enquanto gemia de dor.

— Você pode. Ataque!

Naquela única palavra, a cobra pulou no meu pescoço. Levantei um braço por reflexo. A cobra enrolou-se em volta e senti uma dor aguda em uma lacuna na minha armadura. Tentei tirar a cobra, mas suas presas estavam afundadas no meu braço. Ele tinha dirigido suas presas, tingidas com o sangue do deus que transformava uma pessoa em morto-vivo, na minha pele. Um frio anormal se espalhou da ferida em um ritmo terrível, e logo senti em todas as partes do meu corpo.

Meu corpo começou a endurecer. Eu tentei lutar, mas meu corpo já não me obedecia. Minha visão ficou embaçada. Minha mente ficou embaçada. Algo estava errado com o meu senso de equilíbrio, o chão estava balançando, torcendo…

Eu gritei meio vogal e caí. Minha visão estava nadando, mas em meio ao borrão eu pude ver os mortos-vivos apontando suas armas para mim. Eu arranhei fracamente o chão e me mexi imperceptivelmente.

N… não posso… deixar isso…

Mas eu não conseguia me mexer. Por mais que tentasse, não conseguia me mexer.

Mas eu… tenho que… protegê-los…

Minha visão ficou gradualmente mais escura e eu apaguei.

Eu cheguei sob um céu estrelado de fosforescência dançando.

Eu dei algumas olhadas antes de perceber. Minhas mãos pareciam… flutuantes. Como o corpo espectral de Gus… espere, não “como”. Era exatamente igual. Acho que morri, então? De uma reação adversa ao sangue dele ou algo assim.

Hmm.

Este lugar estava começando a parecer familiar. Como se eu tivesse passado por aqui antes. Meus olhos olhavam para o chão e notei. O que estava abaixo de mim estava escuro e refletia as estrelas, como um vasto plano de água, e em sua superfície havia o reflexo grande e distorcido de uma luz fraca, que vinha de trás de mim.

Eu me virei para ver uma figura segurando um lampião com um longo bastão. A figura usava um manto com capuz que cobria os olhos, mas eu já sabia quem era.

— É muito bom ver você de novo, deus da chama. — Eu inclinei minha cabeça. Memórias estavam começando a voltar.

Eu andei sob este céu estrelado antes. Este “deus da chama” me mostrou o caminho.

— …

Não é muito de falar. Se bem me lembro, nem uma única palavra foi falada comigo antes. O deus da chama simplesmente liderou o caminho e nada mais. Mas eu me lembrei daquela caminhada, daquela caminhada cuidadosa, sempre certificando-me de que não estava ficando para trás e do quão cheio de carinho e afeição era.

Algum tempo se passou em silêncio e cheguei a outra conclusão. Aquelas não eram estrelas que flutuavam na escuridão. Eles eram mundos. Mundos contendo numerosos universos, incontáveis estrelas e planetas infinitos, movendo-se lentamente como estrelas numa gigantesca esfera armilar.

Libertado das correntes do meu corpo físico, meus sentidos expandidos perceberam tudo. Ocasionalmente, dois dos mundos se aproximavam, e um leve pó de luzes flutuava deles, e depois era absorvido pelo outro. Embora as luzes fossem muito fracas, não conseguia pensar nelas como frágeis. Na verdade, até senti força delas.

— O que é isso…?

— A circulação das almas. Eles passam por mundos, aquela estagnação não acontece com todas as coisas.

Uma resposta voltou. Por alguma razão, não achei surpreendente. De alguma forma, eu senti que o deus da chama me responderia agora.

— Ah… Então deve ser assim que eu saí do meu mundo e como cheguei a este.

Quando olhei para o céu estrelado, uma nuvem de luzes se ergueu de outro mundo. Sem peso, mas fortes, elas brilhavam enquanto iam para outro mundo. Inumeráveis mundos derivaram como estrelas no céu noturno, e dentro delas, inúmeras almas, vivendo, morrendo e atravessando. Batendo como batidas do coração, circulando como sangue. A vida sendo girada como um fio infinito. Era uma visão profundamente solitária e bonita.

— Como eu poderia ter esquecido essa visão?

Erudhir
"Se olhar ao redor e não souber quem é o alvo, então o alvo é você."

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