PA – Capítulo 100

McDonald’s

 

 

Marionetista mencionou que Sanji teria mais sorte se morresse de fome nas profundezas do oceano. Porém, nas circunstâncias atuais, provavelmente não aconteceria porque…

Sanji estava bem na frente das portas de um McDonald’s…

Já havia se passado um mês desde que quase foi capturada pelo Marionetista. Sanji não teve sequer uma noite de sono decente nesse mês. As olheiras eram óbvias. Como não conseguia encontrar água portátil, ela só conseguia se sustentar com café, desta forma, estava constantemente com insônia e hipersensibilidade. Apesar disso, não desistiu de procurar pistas sobre o paradeiro do coelho e dos outros.

O Marionetista provavelmente decidiu se estabelecer no cais, pois seus manequins ocupavam toda a área costeira. Devido a esta situação, Sanji não teve coragem de chegar perto da costa. Ela só podia procurar de maneira circular enquanto continuava a entrar no oceano.

No entanto, sua busca foi inútil e ela acabou até se perdendo.

Logicamente falando, era bastante previsível. Se uma pessoa fosse jogada no meio do oceano sem uma bússola ou qualquer outro instrumento para indicar a direção, eles definitivamente se perderiam. Atualmente, Sanji não sabia para que lado ficava a costa, e isso poderia ser um problema ameaçador.

Sem água, o leito do mar queimado pelo sol emitia um cheiro estranho de peixe que não desaparecia. O fundo do mar não era totalmente plano, e logo ela viu mais montes de montanhas e colinas até o terreno parecer uma floresta de colinas ondulantes. Depois de subir algumas dessas colinas, Sanji estava na metade da “montanha” mais alta e começou a sentir uma vaga sensação de ansiedade.

Ela fez um balanço de seus suprimentos e percebeu que tinha apenas mais três caixas de chocolates. Estava quase sem comida, mas ainda não sabia como deveria continuar dali para frente.

Quando chegou ao topo, olhou ao redor e viu que havia uma fissura no chão, a cerca de um quilômetro de distância, e ela não fazia ideia do que poderia ser, porque de longe não parecia nada mais do que uma mancha negra. Ela só sabia que era uma trincheira oceânica.

Depois de descer a colina, ela caminhou até a beira da trincheira.

Mesmo que a probabilidade de encontrar comida no fundo do mar fosse ainda menor, Sanji estava muito curiosa, pois nunca tinha visto uma trincheira oceânica antes. Ela se inclinou sobre a borda e olhou para baixo. O fundo do mar despencava instantaneamente, e era como se seus pés estivessem perigosamente perto da borda de um penhasco. A trincheira caia abruptamente milhares de metros para dentro da escuridão, sem um único declive suave. Era impossível para a luz das estrelas no céu noturno alcançar a trincheira, então Sanji só podia ver uma escuridão indiscernível e o precipício extremamente íngreme.

Qualquer um que ainda queira ir lá embaixo depois de ver isso deve ser maluco…

Sanji se repreendeu enquanto segurava em pedras salientes com alguma dificuldade e descia com cuidado. Suas palmas das mãos doíam muito quando eram arranhadas pela superfície abrasiva das pedras e os cristais de sal sobre elas. Até mesmo escaladores profissionais pensariam duas vezes antes de enfrentar uma escalada tão desafiadora. Se seu corpo não fosse fisicamente melhorado, essa trincheira teria sido facilmente seu cemitério.

— Que tal ir embora agora? — Ela se perguntou um pouco arrependida.

E daí se eu estou perdida. Se eu continuar andando em direção às áreas mais planas, as chances de sobreviver devem ser melhores do que nessa trincheira, certo?

Justamente quando decidiu voltar, ela ouviu um barulho familiar. Um barulho que ela não ouvia desde que o novo mundo havia chegado. Era o barulho de água.

Soava como ondas batendo suavemente nas laterais da parede de pedra. Sanji se agachou por um momento, olhando para o abismo abaixo, imaginando o estado da água do mar. Mesmo que quase todo o mundo tenha morrido, nas profundezas do oceano, ainda havia água, e ela ainda estava viva. Assim como a humanidade ainda sobreviveria.

O som das ondas lembrou Sanji de sua vida pacífica, comum e até um pouco chata. Ela se encostou na parede rochosa, parando para ouvir as ondas por um bom tempo.

Claro, isso por si só não a faria mudar de ideia, já que ela havia se convencido de que nunca iria descer.

Porém, enquanto estava olhando fixamente para o fundo da trincheira, ela viu algo passando na escuridão. A luz piscou algumas vezes, como se houvesse uma rede elétrica ruim antes de finalmente se estabilizar. A atraente e brilhante luz amarela iluminava uma placa em forma de M, com arcos dourados familiares.

[McDonald’s.]

Por uma fração de segundo, Sanji pensou que finalmente teve um colapso nervoso devido aos vários eventos que passou depois do apocalipse. Não fazia sentido que houvesse uma placa do McDonald’s no fundo do mar quando o mundo inteiro já havia sido destruído.

Não. Não é apenas uma placa.

Sanji ficou perplexa quando viu mais dois flashes de luz ao lado da placa em forma de M. Como se ela pudesse ouvir o “Bzzt!” enquanto a eletricidade passava pelas luzes fluorescentes, um restaurante do McDonald’s se iluminou na escuridão, bem diante de seus olhos.

A entrada era iluminada por uma luz amarela quente e aconchegante, e como estava muito longe, Sanji não conseguia ver claramente o restaurante, mas podia ler claramente a placa iluminada em branco e vermelho “McDonald’s”.

Depois de um mês inteiro sem beber nada além de café, Sanji, a insone, não pensou muito, apesar de ter um pressentimento de que havia algo errado, apenas pisou na próxima pedra saliente e continuou seu caminho em direção ao fundo da trincheira.

Seu apetite, que havia desaparecido por causa da sua dieta de chocolate derretido, ganhou vida novamente, e seu estômago começou a enviar sinais de fome para seu cérebro. Quando ela desceu, não pôde deixar de pensar naqueles saborosos McNuggets.

Escalar alguns milhares de metros de tal precipício era uma atividade extenuante, mesmo para um pós-humano. A lâmina da faca que Sanji usava enquanto descia já estava toda torta. Havia muitos ferimentos em seus dedos e, para piorar as coisas, suas mãos estavam cobertas de sal, de modo que a dor que sentia era imensa. Quando estava perto do fundo, ela tropeçou ao invés de escalar. Sem camisa, Sanji percebeu que todo o seu corpo estava coberto de hematomas e escoriações quando ela ficou de pé mais uma vez.

Felizmente, ela havia chegado ao fundo da trincheira.

O McDonald’s, com suas luzes acolhedoras, a 200 metros dela, era como um lindo sonho. Através das portas de vidro cristalino, Sanji podia ver o brilhante piso de azulejos vermelhos limpos, a brilhante bancada de metal e o cardápio bem iluminado… Um Big Mac perfeito nas fotos, tão grande que não dava nem para morder corretamente, estava em um cartaz. Aquela carne suculenta, os legumes, o queijo… Era como uma sereia sedutora.

Sanji andou em direção a imagem atordoada. Ela pisou na areia molhada e macia, depois entrou na água do mar com um esguicho.

Há algo errado. Há realmente algo de errado. Como poderia haver um McDonald’s limpo com luz funcionando aqui? Mas, o que é que eu estou vendo?

Ela não precisava se beliscar porque a dor de suas múltiplas feridas eram prova suficiente de que ela não estava sonhando.

A porta de vidro a detectou se aproximando e imediatamente abriu sem fazer barulho. O aroma de comida a invadiu instantaneamente, e Sanji entrou no McDonald’s como se estivesse dormindo. Então, a porta de vidro se fechou atrás dela.

Sanji olhou em volta, sentindo-se desnorteada. Não havia ninguém no restaurante, mas o delicioso cheiro de comida continuava flutuando em sua direção. Sanji pegou sua arma e começou a caminhar em direção ao balcão cautelosamente.

De onde ela estava, ela não conseguia ver nada. A fritadeira para as batatas fritas estavam vazias. Sanji achou sua decepção hilária. Como poderia haver comida em um restaurante no fundo do mar?

No entanto, não conseguia se controlar, andando ao redor do balcão e indo para a cozinha nos fundos. Ela estava quase chegando quando ouviu um barulho repentino. Parecia vir do fundo da cozinha.

Sanji parou e virou o ouvido em direção ao barulho, tentando escutar mais uma vez, mas não ouviu nada. A situação era muito estranha, sentiu que não estava pensando com clareza e que não era prudente agir precipitadamente naquele momento, então hesitou e não entrou na cozinha. Em vez disso, subiu no balcão, esticou o braço e colocou o [Sistema de Defesa Teru Teru Bozu] no teto.

Uma vez ativado, um apito alto e agudo soou no ar. O Teru Teru Bozu girava em círculos rapidamente, incapaz de identificar a direção exata do perigo. Estava girando tão rápido que era quase apenas um borrão. Chocada, a mente de Sanji ficou imediatamente mais clara. Ela pegou a boneca, pulou do balcão e correu para a porta.

A porta de vidro não se abriu.

— Que merda está acontecendo aqui?

A porta de vidro, que parecia frágil, não tinha nem mesmo uma única rachadura, mesmo depois que Sanji a atingiu várias vezes com sua força máxima. Ela olhou ao redor apressadamente, tentando encontrar uma janela, mas percebeu que não havia janelas neste McDonald’s. Infelizmente, o Teru Teru Bozu parecia perturbado, e continuou com seu apito agudo e choroso mesmo depois de Sanji tê-lo tirado do teto, deixando Sanji ainda mais ansiosa.

A água começou a jorrar pelos ladrilhos vermelhos no chão, e o chão ficou pegajoso e escorregadio. As luzes começaram a piscar, e então a escuridão a encobriu. Sanji não podia ver muito, e a coisa mais assustadora era que o chão estava lentamente começando a se inclinar. O chão rapidamente alcançou uma inclinação muito íngreme, como se alguém tivesse levantado o restaurante e inclinado para o lado, como se estivesse ansioso para que Sanji deslizasse para a cozinha.

O chão começou a inclinar ainda mais, e Sanji caiu. Ela tentou se agarrar ao chão, tentando não escorregar, mas era inútil. Ela só sentia uma umidade escorregadia e nada mais.

Como se sentisse o corpo dela escorregando, o balcão desapareceu sem deixar rastro, criando um caminho livre em direção à cozinha. Sanji não queria pensar no que havia lá no fundo.

Enquanto ela estava lutando insanamente para não escorregar mais, o restaurante parou de repente.

O chão tremeu violentamente por um momento antes de lentamente se endireitar novamente. Mesmo que estivesse muito escuro para ver qualquer coisa, Sanji sentiu uma rajada de vento com o cheiro da água do mar vindo da direção da porta; a porta provavelmente estava aberta. O imprevisto terminou tão rápido quanto começou. Sanji ficou deitada no chão, ainda atordoada.

De repente, algum tipo de líquido fedendo peixe jorrou da parte de trás do restaurante e a jogou para fora pela porta involuntariamente.

*Splash*

Ela foi jogada na água do mar do lado de fora.

Sanji se esforçou para se levantar. Não havia nenhuma luz ao redor dela, então não entendia o que tinha acabado de acontecer. O silêncio em torno dela fazia parecer que entrar naquele estranho McDonald’s havia sido apenas um sonho.

Seria ótimo se tivesse luz.

Este pensamento surgiu em sua mente, e ela de repente se lembrou de algo. Rapidamente pegou uma carta e uma luz prateada apareceu em sua mão. Uma ampla área ao redor dela foi instantaneamente iluminada. A coisa na mão dela era o [Agente Aprimorador de Habilidade] que ela tinha pegado do cadáver de Ren Nan.

Sob a luz prateada cintilante, ela olhou para a coisa diante de seus olhos, estupefata. Não conseguiu dizer uma palavra.

Era um peixe gigantesco.

O peixe estava olhando para ela com um par de olhos brancos sem pupilas. Sua boca, do tamanho de uma vagão de trem, estava entreaberta, revelando seu conjunto de dentes densos e irregulares. Apenas metade do peixe estava acima da superfície da água, e o sangue jorrava da pele escura. Como incontáveis ​​pequenas fontes de água, o sangue do peixe se derramava na água do mar.

O que atraiu sua atenção foi o longo apêndice em sua mandíbula, que parecia um tubo fluorescente.

 

 

— Sanji? Você matou este Peixe-dragão-do-mar-profundo?

De repente, Sanji ouviu uma voz na escuridão, vindo de trás da enorme cabeça do peixe.

Berjkley
Analista de Sistemas, Game Developer, Mestre de RPG. Gosta de Doctor Who, Não gosta de Vampiros Purpurinados.

5 Comentários

  1. Mais o que diabos acontece agora. Num tô entendendo nada. Esse autor deve ter fumado alguma coisa pra pensar nessa saída mirabolante.
    De qualquer jeito, parabéns por chegar no cap 100 Berjkley

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