PA – Capítulo 110

Sanji, a Viúva

 

 

Não havia muita coisa na mochila. Além de um sabre, um saco feito de papel branco chamou a atenção dela. Quando o abriu, viu o familiar brilho cintilante vermelho. Aparentemente, eram mais daqueles chicletes anti-radiação, e haviam dez deles.

Os efeitos do sangue de Dan só duravam um dia e os efeitos dos dez chicletes durariam três dias. Para piorar as coisas, Sanji só conseguiria recuperar energia suficiente para se mover se os usasse ao mesmo tempo. Para ela, isso significava que teria que superar suas emoções e rematerializar o cadáver de Dan todos os dias para tirar sangue de seu corpo e depois transformá-lo novamente em uma carta…

Quando ela convertia itens em cartas, eles mantinham o mesmo estado em que estavam no momento da conversão. Felizmente, os itens armazenados em cartas só eram expostos aos efeitos do tempo quando materializados, caso contrário, Sanji não saberia o que faria se o sangue no cadáver de Dan coagulasse. Mesmo assim, ela percebeu que tinha apenas mais uns seis dias para encontrar mais chicletes. Ela sentia que seu futuro seria sombrio.

Sanji massageou as têmporas doloridas e transformou o pacote de chicletes em uma carta. Então, se desculpou suavemente com a carta do corpo de Dan e guardou as duas cartas em seu corpo. Sentia-se bastante impotente sobre toda a situação com os cadáveres. Sanji se perguntou qual santo tinha ofendido. Por que diabos ela tinha que coletar um cadáver de cada Novo Mundo?

Ela viu uma garrafa térmica de aço inoxidável suja no canto da mochila e basicamente desperdiçou uma utilização da conversão em cartas, por que a descrição simplesmente dizia [Água Contaminada]. Bem ao lado da garrafa térmica, havia algumas fatias repugnante de algum tipo de carne, embrulhadas em papel. Como Sanji ainda tinha bastante carne de peixe que havia coletado do mar, a carne embrulhada no papel não a interessava. Ela jogou de volta na mochila e ouviu um ‘baque’. Imediatamente enfiou a mão no fundo da mochila e tateou, encontrando um objeto duro, circular, parecido com um prato, escondido debaixo do tecido.

Se ele precisou esconder isso, provavelmente é algo valioso, certo?

Com isso em mente, Sanji tirou da mochila um [Frisbee Canino] laranja, o mesmo era decorado por pequenas luzes criando um círculo ao redor do frisbee.

[Frisbee Canino]

Descrição: Não importa o quão longe o dono jogue este frisbee, o cachorro sempre consegue trazê-lo de volta… Não acham isso incrível? Por que o cachorro não se perde no caminho? A resposta está no frisbee!

Instruções: Há uma área na borda do frisbee que é projetada especificamente para morder. Quando o usuário morder essa área, as luzes LED correspondentes no frisbee acenderão, apontando o usuário na direção certa para o “dono”. O “dono” é na verdade um marcador geográfico. Quando o usuário segurar o frisbee em sua boca, o frisbee direcionará o usuário de volta ao local onde o marcador geográfico foi colocado. Quando o usuário chegar a esse local, as luzes serão desligadas automaticamente.

— Isso significa que eu sou o cachorro?

Estado: já existe um marcador geográfico definido. Por favor, verifique o nome do seu marcador quando chegar ao seu destino.

— Se você conseguir encontrar o lugar definido, que diferença faz saber o nome? — Sanji murmurou enquanto testava o frisbee, segurando-o na boca usando os dentes. Assim como esperado, uma luz na borda esquerda se iluminou. Depois que determinou a direção, tirou o frisbee da boca e pegou o capacete no chão.

Dan obviamente sabia que tinha que segurar o frisbee na boca, mas optou por usar o capacete. Assim, foi fácil inferir a importância do capacete para ele. Quando Sanji olhou para a carta em sua mão, um leve sorriso apareceu em seu rosto.

[Capacete da Ambição]

Descrição: Inspirado por MMOs, a Corporação Locke desenvolveu uma linha “Armaduras Desficcionalizadas”, transformando as armaduras fictícias do jogo em realidade. Este capacete é um dos itens do [Conjunto de Armadura da Ambição]. Os efeitos são duplicados quando o usuário usa o conjunto completo.

Características Principais: O capacete estimula o cérebro do usuário com raios infravermelhos. Aumentando a taxa de fluxo sanguíneo no cérebro do usuário, o usuário se sentirá mais alerta e enérgico.

Características Adicionais: Reduz o dano físico sofrido em 15%, inclui visão termográfica, fornece uma pequena quantidade de proteção contra radiação.

— Eles confundiram as características principais com as adicionais? — Sanji comentou enquanto examinava o interior do capacete. Seus braços tremiam um pouco enquanto segurava o capacete, apesar de pesar menos de 5 kg. — Que tipo de tecnologia sombria isso usa? — Sanji sorriu para si mesma, dando o seu melhor para ignorar sua fadiga.

Ela se sentiu tão desconfortável depois desse curto período de atividades que foi forçada a fazer uma pausa. Mas seu maior problema não era o estado fraco de seu corpo, que parecia que acabara de se recuperar de alguma doença grave, seu maior problema era que não sabia para onde ir em seguida.

Logicamente falando, se ela quisesse obter mais chicletes, deveria ir para a cidade atrás dela. Porém, ela não viu nenhuma entrada visível na cidade e os moradores não pareciam querer deixá-la entrar. Mesmo que Sanji já houvesse se preparado para aceitar esse fato, ainda tentou bater no vidro por um bom tempo antes de finalmente abaixar os punhos. Ela deu uma última olhada na bela e limpa cidade antes de se virar e se afastar.

Pensando nisso, concluiu que as pessoas não abririam o abrigo tão facilmente, pois comprometeria sua capacidade de protegê-las da radiação externa…

Se esse é o caso, como Dan conseguiu esses chicletes se ele não tinha como entrar na cidade?

No final, Sanji pegou o frisbee depois de contemplar por algum tempo.

Embora ela não soubesse onde o [Frisbee Canino] a levaria, decidiu usá-lo, já que estava sem opções.

Se Dan definiu essa localização como um marcador geográfico, isso deve ser importante para ele, não é? Talvez eu possa encontrar alguns suprimentos lá…

Embora não houvesse ninguém ao redor dela, Sanji sentiu vergonha quando colocou o frisbee entre os dentes.

— Quem pensou nesse formato horrível… — ela reclamou com uma voz abafada.

Enquanto o último raio do crepúsculo espiava pelo horizonte, os céus cinzentos pareciam mais sombrios do que antes e seus arredores afundavam em alguns tons de cinza sem vida. Como o corpo de Sanji ainda estava à beira do colapso total, ela tinha que descansar de vez em quando depois de caminhar por uma curta distância. Só andou por cerca de meia hora, mas o suor escorria de sua testa profusamente. Suas pernas estavam tão fracas que mal conseguia ficar de pé. Quando viu uma casa parcialmente danificada por perto, se apressou e sentou-se nos degraus da entrada, ofegando pesadamente. Havia apenas metade do telhado na casa, o resto havia desmoronado na sala. Um pequeno pedaço de grama selvagem estava crescendo do lado das paredes. Sanji olhou para a grama, mas seu desconforto tirou a atenção dela.

Ela se perguntou se estava se sentindo cada vez mais desconfortável porque não comeu a dose recomendada de dez chicletes. Depois de confirmar a direção que o frisbee estava apontando, o trocou pelo capacete. Mesmo que o capacete fosse muito pesado, ela se sentiu melhor depois de alguns minutos usando-o. Sanji começou a se sentir um pouco mais enérgica. Havia um pequeno botão no nível dos olhos do capacete e Sanji o pressionou para testar sua função. Sua visão mudou imediatamente, à medida que seus arredores foram reduzidos a seus contornos gerais e traçados com amarelos e azuis. Quando olhou para o braço, ele parecia vermelho devido ao calor de seu corpo.

Ela nunca tinha tentado usar um scanner termográfico antes, então não podia deixar de olhar em volta, inquisitivamente. Não esperava que sua ação casual fizesse com que visse uma silhueta vermelha e vaga, agachada em um pedaço de grama nas proximidades. Sanji não sabia quanto tempo essa silhueta estava escondida perto dela. Ela se afastou rapidamente da grama, desligou o scanner termográfico e pegou o sabre de Dan. Pelo tamanho da criatura, definitivamente não era um humano.

A criatura provavelmente sentiu o movimento de Sanji porque saltou para fora da grama negra. A criatura era um roedor branco acinzentado que parecia um rato, mas era do tamanho de uma criança de cinco anos. Estava coberto de manchas brancas e tinha as costas sem pêlos. Olhou para Sanji com seus sinistros olhos vermelhos. A parte mais horripilante era a enorme pústula, que se projetava das costas desta coisa. Sanji podia ver o fluido na pústula, envolto pela pele parcialmente transparente e esticada. Quando olhou para a coisa cuidadosamente, podia até mesmo ver uma criatura menor com um rosto similar dentro do fluido.

Esta coisa maldita está prenha?

Sanji tentou conter o nojo enquanto segurava o sabre.

— Não a mate! — uma voz saiu de dentro da casa dilapidada. Ela fez uma pausa e recuou desajeitadamente. Um homem gordo de rosto redondo olhava por trás de uma parede quebrada. Ele correu em direção a ela ansiosamente, acenando com as mãos. — É meu animal de estimação! Não toque nele!

Antes que Sanji pudesse reagir, o gordo assobiou. O roedor gigante acinzentado hesitou por um segundo antes de se afastar dela e correr para a casa. Por um momento, Sanji não sabia se devia lamentar o fato de não poder sentir a criatura, mesmo estando tão perto dela, ou que alguém realmente mantivesse uma criatura tão feia como seu animal de estimação.

De qualquer forma, era bom evitar uma batalha. Ela lentamente abaixou o braço, embora ainda pudesse sentir os músculos em seu braço pulsando. No passado, tal “esforço” não teria sido nada para ela. O homem pareceu sentir sua fragilidade e seu tom tornou-se mais áspero.

— O que há de errado com você? Como você pode agir de forma tão impulsiva? Essas “galinhas caipiras” não são mais encontradas na natureza, como você pode matar uma só porque está com fome?

Ele obviamente queria continuar a repreendê-la, mas estreitou os olhos de repente.

— Espere, esse capacete… pertence ao Dan, não é?

Droga!

Sanji amaldiçoou em seu coração.

O homem gordo a olhou desconfiado. Sanji definitivamente parecia suspeita. Ela estava usando o capacete de outra pessoa, segurando o sabre da pessoa, e seu corpo estava coberto de sangue… Não seria surpreendente se aquele homem gordo imediatamente a atacasse.

Enquanto Sanji segurava sua carta [Gravador] firmemente em suas mãos, o homem de repente bateu em sua coxa.

— Entendi! Você é a mulher de Dan, certo?

Berjkley
Analista de Sistemas, Game Developer, Mestre de RPG. Gosta de Doctor Who, Não gosta de Vampiros Purpurinados.

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