PA – Capítulo 112

Para Onde ela Será Enviada?

 

 

No Jardim do Éden, mulheres eram mercadorias valiosas.

Esta foi a conclusão que Sanji tirou do que Yuzi havia falado quando alguém puxou violentamente o capacete de sua cabeça. Ela podia sentir as pontadas de dor em seu joelho. Felizmente, o musculoso careca provavelmente se segurou, de modo que a patela ainda estava intacta.

Esta era a primeira vez que Sanji não tinha forças para se defender. Ela caiu no chão enquanto seus músculos pulsavam de dor. Enquanto o careca segurava o capacete nas mãos, os olhos de Yuzi imediatamente seguiram o item. Yuzi riu ingenuamente.

— Em relação a esse capacete, nós já combinamos…

— Eu sei. É seu. Não vai a lugar nenhum.

Apesar de dizer isso, o careca continuou segurando o capacete. Yuzi não se atreveu a provocá-lo e ele não estava com pressa. O homem olhou para o rosto de Sanji cuidadosamente por algum tempo, como se julgasse uma mobília.

— As características faciais dela não são ruins, mas ela tem um temperamento irritante, — ele reclamou. — Olhe para aquele cabelo curto e desleixado. Ela não parece gentil. É melhor que as mulheres sejam bonitas e delicadas…

— Bróder Movediço, o maquiador pode esconder essas pequenas falhas. Você não concorda? — Yuzi disse ansiosamente, rindo.

Movediço parecia concordar enquanto assentia e levantava o queixo de Sanji. Ele olhou para o rosto dela de perfil pela esquerda e depois pela direita, antes de mudar de tom subitamente.

— Mas essa não é a questão principal! Não posso acreditar que você não tenha me dito isso antes.

O coração de Sanji batia rapidamente. Ela não podia esperar pela hora que aquele homem caísse no chão e morresse.

Infelizmente, as coisas não aconteceram como ela esperava. Por alguma razão, o Veneno Versu em seu corpo não afetou o careca. Já haviam se passado dez segundos, mas Movediço ainda estava discutindo com Yuzi.

— O Valor Potencial de Crescimento dessa mulher é muito baixo. É por isso que a resistência à radiação dela é tão patética. Olhe para ela. Eu nem precisei fazer nada e ela está já está fraca desse jeito. Se ela é tão fraca, como podemos usá-la?

Usar? O que eles estão tentando fazer?

Sanji pensou consigo mesma furiosamente.

Depois que o gravador foi tomado e de sua breve resistência, Sanji perdeu a pouca energia que tinha acumulado anteriormente, o que mal era suficiente para mantê-la em acordada. Agora mesmo, até mesmo respirar era difícil para ela.

Então, quando a descrição mencionou 10 chicletes, realmente não podia faltar nem um só.

Embora ela tivesse convertido a mochila de Dan e os outros chicletes em cartas e os armazenado em seu corpo, não tinha como ela comê-los agora. Movediço já a havia pressionado contra o chão e rapidamente amarrado as mãos dela nas costas, como se já tivesse feito isso várias vezes.

Yuzi estava apenas um pouco preocupado antes, mas quando ele viu a ação de Movediço, seu rosto ficou vermelho de raiva.

— Bróder Movediço, você deve estar brincando. Assim que entrarmos no Jardim do Éden, isso não será mais um problema…

Movediço olhou-o com desprezo, mas não parou. Ele enfiou uma esponja preta na boca de Sanji enquanto respondia.

— Não será mais um problema? Eu ainda terei que alimentá-la com chicletes anti-radiação, não é? Quem sabe quantas doses ela precisará antes de sua vez? Além disso, se a radiação em seu corpo já estiver muito alta, eu vou é levar prejuízo.

— Bróder Movediço, apenas fale o seu preço. Quer dizer, nós já estamos trabalhando juntos…

— 60%, assim como a negociação anterior. É pegar ou largar. — Movediço sorriu e continuou. — E não esqueça, você quer este capacete…

A esponja preta na boca de Sanji estava molhada e tinha um gosto amargo. Quando Sanji percebeu que a esponja estava encharcada de anestésico, já era tarde demais. Sua visão começou a embaçar. Mesmo que se recusasse fortemente a aceitar a situação como estava, não pôde evitar fechar os olhos. Antes de perder a consciência, a última linha que ouviu foi:

— Vou colocá-la com as outras e podemos mandá-las todas para o Jardim do Éden amanhã…

Jardim do Éden.

Essas três palavras foram gravadas tão profundamente em sua mente que elas foram a primeira coisa que Sanji pensou quando recuperou a consciência.

Infelizmente, o que viu quando abriu os olhos era completamente diferente da imagem que as três palavras normalmente invocariam.

Ela estava em uma sala extremamente grande, na qual as paredes e o piso muito finos eram feitos do mesmo material verde homogêneo que não era nem metal nem madeira. Provavelmente já era de manhã quando a sala foi inundada por uma luz branca opaca. A janela do cômodo era tão alta que quase tocava o teto e fazia com que ela se sentisse em uma prisão.

Havia uma fileira de cápsulas enormes embaixo da janela. As cápsulas tinham pelo menos dois metros de altura e foram colocadas na posição vertical. A metade de cima da cápsula era transparente e a metade inferior era preta. Cada cápsula também tinha uma pequena porta.

Algumas mulheres estavam inconscientes no chão em frente às cápsulas, jogadas como cordeiros para o abate. Os olhos delas estavam fechados, mas estavam claramente respirando. Quando Sanji olhou ao redor, percebeu que tinha pelo menos dez mulheres em volta. Alguns delas, como ela, estavam começando a despertar, enquanto outras ainda estavam dormindo. Notavelmente, todas elas, incluindo Sanji, tinham as mãos e as pernas bem amarradas e esponjas em suas bocas.

Uma garota de pele clara com cabelos longos chamou sua atenção. Ela tinha uma franja lambida e seu cabelo preto fluía sobre os ombros brancos como a neve, criando um belo contraste. Sua aparência deveria ser considerada esteticamente agradável, mas com sua expressão distorcida de medo acompanhada de seus olhos vermelhos e seu rosto coberto de suor, saliva e muco por causa do choro, era simplesmente estranho.

As pessoas que conseguiam sobreviver no Jardim do Éden certamente não eram novatos em seu primeiro Novo Mundo. O fato da garota estar tão assustada significava que ela definitivamente sabia de alguma coisa. Com muito esforço, Sanji se apoiou nos ombros e, com um baque surdo, se aproximou da garota.

O corpo da garota recuou tremendo e com muito medo antes de olhar para Sanji.

Inesperadamente, Sanji sentiu uma sensação nauseante de fraqueza em seu corpo depois de executar aquela simples manobra. Tudo ficou preto e não conseguia ver nada mesmo depois de alguns minutos.

Por um instante, ela sentiu seus poros queimando. Depois de algum tempo, sua visão retornou gradualmente. Sanji olhou para o peito e notou que o sangue de Dan já havia secado. Ele formou crostas em sua pele, que caíram enquanto ela se movia. Fazia mais de um dia e o sangue de Dan não era mais eficaz.

Antes que Sanji pudesse superar o horror anterior de perder a visão, se encontrou mais uma vez nas portas da Morte. Instantaneamente, perdeu a motivação para obter mais informações da garota. Ela não se atreveu a mover seu corpo nem um centímetro e momentaneamente não conseguia pensar em nenhuma maneira de se salvar. A única coisa melhor sobre sua situação atual agora era que havia comido nove balas anti-radiação. Por causa disso, seu corpo ainda poderia durar por um tempo.

Algumas outras mulheres começaram a despertar de seu estupor, talvez chocadas com o “baque” que Sanji criou. Dentro de alguns curtos minutos, a sala foi preenchida com uma cacofonia contínua de ruídos.

— Acho que a maioria delas está acordada… — uma voz pegajosa de um homem veio de fora da porta, claramente se aproximando delas.

— Seja um pouco mais gentil, entendeu? — Movediço gritou irritado. Em seguida, as mulheres ouviram os sons estridentes das fechaduras da porta. Um grupo de homens abriu as portas e a luz inundou o lugar.

Movediço entrou primeiro no lugar e franziu a testa sem se virar para os homens atrás dele.

— Façam o seu trabalho. E não se atrevam a fuder com a parada! — ele comandou.

Havia cinco homens atrás dele e eles olharam depravadamente para as mulheres no chão sem qualquer restrição. Um homem magro entre o grupo esfregou as mãos antes de beliscar a cintura de uma mulher deitada perto dos seus pés.

— Bróder Movediço, é um desperdício enviá-las sem fazer nada…

Movediço cuspiu e respondeu.

— Eu não tenho ideia de quais habilidades essas mulheres têm. Se você tiver, então vá em frente.

Os cinco homens ficaram em silêncio. Ser homem ou mulher não fazia nenhuma diferença em relação às habilidades de uma pessoa, diferentemente de como as mulheres são naturalmente fisicamente mais fracas que os homens. Se eles soltassem essas mulheres, não daria para prever qual o resultado se elas resolvessem resistir.

Os olhos do magrelo, que ainda estava “massageando” a mulher a seus pés, se iluminaram.

— Bróder Movediço, você não mencionou que uma das mulheres tem uma resistência muito baixa à radiação? Com ela, deve ser de boa, né?

Sanji congelou. Enquanto sua intensa intenção assassina aumentou, ela estava antecipando o momento que aquele homem tocasse em sua pele. Surpreendentemente, movediço disse algo que Sanji não esperava.

— O corpo daquela mulher está envenenado. Você vai morrer se encostar nela, mas tenta a sorte.

O magricela ficou visivelmente desapontado quando ouviu isso. Falando sobre Sanji, Movediço olhou para ela e xingou.

— Merda! Eu sabia que não deveria ter comprado ela… Eu não acredito que a vaca está sangrando.

Sanji apenas sentiu uma ligeira coceira sob o nariz quando ouviu as palavras dele, percebendo o sangue escorrendo de seu nariz. Enquanto Movediço reclamava, pegou um punhado de chicletes de uma pequena bolsa antes de contar cuidadosamente dez preciosos gomos. Ele ergueu o queixo e enfiou-os na boca dela.

Movediço sorriu quando percebeu a expressão dela.

— Eu não sei o que você tem em seu corpo, mas com minha proteção ativada, seu veneno é inútil contra mim.

Quando os chicletes chegaram ao estômago Sanji, ela rapidamente se sentiu muito melhor.

Movediço limpou as mãos e se levantou. Olhou para seus homens e ordenou:

— Embalem-as. Vamos enviar as mercadorias agora.

Antes de as mulheres começarem a chorar, o grupo de homens correu e puxou cada uma delas como se fossem porcos, arrastando-as pelas pernas. Cada mulher foi jogada em uma cápsula. Como Sanji tinha veneno nela, nenhum dos homens se atreveu a tocá-la. No final, Movediço agarrou seus braços e colocou-a em uma cápsula.

Havia duas rodas no fundo das cápsulas e quando uma pessoa segurava as alças pela frente, as cápsulas podiam ser movidas como carrinhos de mão. Dessa maneira, as mulheres foram levadas para fora dali.

Apesar dos sons de soluços das mulheres e do barulho de seus corpos batendo contra as paredes da cápsula… os dez pares de rodas continuaram em frente sem hesitação.

A luz do sol refletia nos olhos âmbar de Sanji, mas tudo o que ela viu foram os céus cinzentos e o ambiente sombrio do mesmo tom. Os homens caminharam com as cápsulas por algum tempo até que Sanji finalmente ouviu os sons das pessoas que os recebiam. Ela esticou o pescoço e olhou o destino que a aguardava.

Ao longe, viu a cidade mais limpa e mais bonita que já vira em toda sua vida.

Berjkley
Analista de Sistemas, Game Developer, Mestre de RPG. Gosta de Doctor Who, Não gosta de Vampiros Purpurinados.

2 Comentários

  1. Interessante essa perspectiva de tráfico humano, pq geralmente em isekais genéricos o MC “salva” a protagonista feminina de ser traficada, mas aqui é a MC sendo traficada, vamos ver como ela vai sair dessa :3

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