PA – Capítulo 134

Sorvete Napolitano (2)

 

 

Carregar a bêbada era como carregar uma pedra grande. Embrulhada em um vestido longo e bonito, ela definitivamente pesava mais do que o normal. Apesar disso, não era tão difícil para Sanji carregar Lila para dentro da casa.

— Ah… você é tão forte, — Lila falou, mandando uma baforada de álcool na direção de Sanji. A mesma virou a cabeça para o lado e Lila riu encostando no rosto da outra mulher, — Ah, se você fosse um homem… Ia ser otchymo.

Felizmente, o [Veneno Versu] no corpo de Sanji havia sido usado por completo no Jardim do Éden, caso contrário, Lila teria morrido tragicamente. Sanji manteve o rosto sério e ignorou a mulher. Andou sem palavras pelo jardim até chegar à porta lateral de um pequeno castelo. Bateu a porta com o corpo e a porta de madeira se abriu. Lila devia ter deixado ela aberta.

— Suba as escadas. Suba as escadas. Meu quarto é no andar de cima, quero que você veja meu lindo quarto…

Sanji suspirou e colocou a mulher em seu ombro, carregando-a como um saco de batatas. Enquanto Sanji subia as escadas, Lila acendeu as velas na parede, mesmo embriagada.

Sob a luz bruxuleante das velas, o teto gótico do castelo parecia mais alto e ainda mais misterioso. Lila não estava exagerando. O interior do castelo tinha uma arquitetura requintada. Havia todo tipo de tapeçarias de algum estilo desconhecido nas paredes. Castiçais de prata decorados com flores esculpidas enchiam todo o castelo. Havia um relógio coberto de joias e pedras preciosas…

De alguma forma, o céu havia escurecido. Quando Sanji jogou Lila em uma cama grande, pôde ver pela janela do quarto que o céu já estava azul-escuro. Lila deitou na cama, de bruços. Murmurou alguma coisa e finalmente ficou quieta. O cômodo de repente ficou em silêncio.

— Você nem sequer tem um único servo? — Quando Sanji viu que Lila havia adormecido, massageou suas próprias têmporas. Não sabia o que deveria fazer em seguida. Considerando suas circunstâncias atuais, parecia que teria que ficar aqui por enquanto. Com a personagem principal do enredo perto dela, tinha certeza que encontraria algumas pistas em breve…

— Quando o Barba Azul voltará? — Sanji murmurou. Caminhou até a janela e puxou as cortinas de veludo vermelho.

No momento em que encostou nas suaves cortinas, a sensação desapareceu e de repente se viu pisando em um galho seco. Ele quebrou com um som nítido que rapidamente se espalhou pela floresta escura e silenciosa.

Uma menina com uma capa vermelha e uma cesta estava a uma certa distância à sua frente. Sanji ficou estupefata enquanto examinava seus arredores.

Embora esta não fosse a primeira vez, não conseguiu evitar o espanto. O quarto de Lila tinha desaparecido e quando Sanji olhou para cima, só podia ver os galhos de inúmeras árvores antigas formando o dossel da floresta que bloqueava o céu. Quase não havia luz na floresta, então sua camisa branca agora estava mais perto de um tom de azul escuro.

Uma brisa virgem, fresca, sem graça e que vive botando banca percorreu a floresta, farfalhando as folhas das árvores, fazendo com que o lugar se tornasse ainda mais isolado e sombrio do que realmente era.

— O que foi? Se não nos apressarmos, estará escuro em breve. — Chapeuzinho Vermelho se virou, olhando para Sanji.

— Não é nada. Só estou distraída, — Sanji disse baixinho, suspirando novamente.

— Ei, falta só um pouquinho, chegaremos em breve. — Chapeuzinho Vermelho falou enquanto apontava para algum lugar ao longe. Aparentemente, ela não ouviu a resposta anterior de Sanji. Sanji fez um som afirmativo e olhou na direção que a menina apontou. Em meio às velhas árvores, conseguiu distinguir o telhado de um chalé de madeira.

— O céu está um pouco nublado. Espero que não chova. — Chapeuzinho Vermelho olhou para o céu, puxou o capuz para perto do rosto e acelerou o passo. — Minha avó odeia dias chuvosos.

— Por quê? — Sanji perguntou casualmente.

— Porque há menos visitantes em dias chuvosos.

— Visitantes? — Sanji tinha certeza de que a história original não mencionava que a avó tinha algum tipo de negócio…

— Ah, eu não te contei,— Chapeuzinho de repente ergueu o queixo, os olhos brilharam e ela disse com orgulho: — Minha avó é uma dançarina erótica.

— Dançarina… o que?

Chapeuzinho Vermelho parecia alegremente inconsciente do impacto que suas palavras tiveram em sua ouvinte.

— Isso mesmo! Mesmo que minha mãe não goste do trabalho da vovó, e eu não deveria falar sobre isso para outras pessoas, eu acho que minha vovó é tão legal!

Se a avó da menina fosse uma adolescente quando engravidou, então poderia ter trinta e tantos anos. Se cuidasse bem de seu corpo, não seria tão irracional que fosse uma dançarina…

O pensamento inicial de Sanji era que poderia obter algumas pistas de como sair desse Glitch se seguisse os personagens principais das histórias, mas agora realmente queria encontrar a avó de Chapeuzinho Vermelho.

Nuvens cinzentas pairavam sobre as cabeças delas como se fosse chover a qualquer momento. As duas caminharam por algum tempo e finalmente o cenário verde ao redor delas diminuiu, revelando um terreno aberto. Uma pequena cabana de madeira estava situada no meio de uma clareira na floresta. Parecia velha e a pintura nas paredes de madeira estava descascando. O único sinal de que alguém morava naquela casa era uma única flor vermelha em um vaso ao lado da porta. Não muito longe delas, haviam algumas outras casas escondidas dentro da floresta.

— Esta é a casa da sua avó? — Sanji apontou para o chalé em ruínas.

— Sim! As outras casas são cabanas usadas pelos caçadores da região. — Chapeuzinho Vermelho notou que Sanji parecia curiosa sobre as outras casas, então explicou. — Mas eles são pessoas estranhas.

— Por quê?

— Eles sempre falam mal da minha avó. Mas quando ela passa por eles, eles só olham. — Chapeuzinho Vermelho de repente usou um tom sério, — Sabe, minha avó é realmente incrível! Ela dançou para o rei no passado. Você nunca viu o rei antes, não é?

Sanji furtivamente materializou a boca do degenerado atrás de suas costas. No conto de fadas, o lobo estava fingindo ser a avó a essa altura, e embora não tivessem encontrado qualquer tipo de pessoa parecida com um lobo em sua jornada até ali, Sanji pensou que era porque era um Glitch.

Uma mulher tossiu.

— Chapeuzinho Vermelho, é você? Por que você veio de tão longe para cá? — uma mulher perguntou por trás da porta. Sua voz soou nasal.

A pessoa abriu a porta enquanto falava isso e um rosto feminino normal apareceu por trás da porta. Como Sanji havia adivinhado, a mulher talvez tivesse apenas trinta e tantos anos e seu cabelo era de um castanho saudável. Embora a mulher parecesse pálida, ela tinha um par de olhos sedutores e levemente curvados para cima e uma aura de beleza amadurecida.

Não é o lobo mau.

Sanji suspirou aliviada e transformou a arma novamente em uma carta.

A avó de Chapeuzinho Vermelho olhou para Sanji, intrigada.

— Está é?

— Eu falei para você sobre ela. Ela é uma viajante de um lugar tão tão distante, — Cinderela falou cordialmente em sua voz gentil para uma mulher de meia-idade, mas havia cautela em sua voz.

Sanji estava prestes a entrar na casa de madeira quando puxou novamente o pé para trás. Perdeu o equilíbrio e quase caiu no chão. Isso imediatamente chamou a atenção da mulher de meia-idade e das duas mulheres mais jovens atrás dela.

Sanji viu uma sala de estar bem decorada com um grosso tapete de lã no chão. A madeira na lareira da sala de estar queimava ruidosamente. Sanji observou os olhos críticos da mulher mais velha e recuperou o equilíbrio enquanto as irmãs de Cinderela riam. Ela revirou os olhos e respirou fundo.

— Hum, olá madame. — Sanji sentiu como se ainda pudesse ver as imagens posteriores da cabana de madeira na floresta, apesar do fato de que a situação havia mudado.

A mulher de meia-idade provavelmente estava um pouco preocupada com a mulher estranha e desajeitada. Ela se sentou em seu confortável sofá e olhou para Sanji.

— Você deseja ficar em nossa casa por uma noite?

— Sim, — Sanji lembrou o que havia falado para Cinderela. — Se você me deixar ficar aqui por uma noite, eu deixo você e suas filhas escolherem algo dentre meus muitos tesouros.

A mulher de meia-idade imediatamente se recostou na cadeira e franziu os lábios.

— Eu não ligo para o seus tesouros. Como você pode ver, nós somos ricos. — Enquanto falava isso, balançou a mão na direção de Cinderela, como se estivesse tentando afastar um cachorro. — Mas estou interessada em coisas exóticas…

Pelo tom, Sanji sabia que a mulher queria ver o que a visitante tinha para oferecer. As duas irmãs da Cinderela não eram tão contidas quanto a mãe. Eles pediram para Sanji mostrar o que trouxe.

— Ok. Ok. Minha bolsa está lá fora, então eu só tenho que pegar…

Sanji não materializaria suas coisas do nada na frente das mulheres, então inventou uma desculpa e caminhou para a porta enquanto considerava os itens que tinha.

Enquanto isso, Anastasia e Drizella cochicharam pelas costas de Sanji, embora a mesma pudesse ouvir facilmente a conversa.

— Será que ela realmente tem alguma coisa boa?

— Eu gostaria que ela tivesse alguns acessórios de cabelo…

— Oh, ou talvez alguns tecidos maravilhosos. Assim como o vestido que a princesa usou na semana passada…

Sanji parou e rapidamente se virou para trás em choque.

— Qual princesa? De onde ela é? Ela é tão inacreditavelmente linda que o príncipe passou a noite inteira dançando com ela e com mais ninguém?

Então a Cinderela já dançou com o príncipe? Quantas vezes ela dançou com o príncipe? Ela já perdeu seu sapatinho de cristal?

Enquanto pensava sobre isso, se viu entrando no quarto de Lila.

Ela estava realmente enlouquecendo…

Berjkley
Analista de Sistemas, Game Developer, Mestre de RPG. Gosta de Doctor Who, Não gosta de Vampiros Purpurinados.

3 Comentários

  1. Acho que são histórias alternativas e ela precisa termina-las para sair do Glitch. Mas oq tá acontecendo? O autor decidiu jogar tudo pro ar?? Ou vai fazer um plot twist? Hj no globo repórter

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