PA – Capítulo 55

A Razão Pela Qual não se Deve Matá-lo

 

 

Quando Sanji saiu da Escola da Elevação da Consciência, ela, que tinha gastado toda a sua energia e não tinha dormido bem nos últimos dias, adormeceu profundamente. Quando acordou novamente, já tinha passado da hora de se levantar.

O “Sétimo” atual não é o verdadeiro.

Este pensamento apareceu em sua cabeça assim que ela abriu os olhos. Sanji não tinha nenhuma dúvida sobre isso.

— Ji, você também está acordada?

Depois de levantar as cortinas e sair da porta, ela encontrou a Dani que, coincidentemente, tinha saído do seu cubículo ao mesmo tempo. Sanji olhou Dani dos pés à cabeça e tentou buscar todas as informações do seu subconsciente. Ela imediatamente entendeu o que a Sofia queria dizer.

Uma habilidade observacional super poderosa combinada com os seus cinco sentidos aprimorados, seus olhos, pele, ouvidos… a cada segundo, a todo momento, eles gravavam uma quantidade absurda de dados do mundo externo… era como se ela tivesse aberto uma porta que nem sabia que existia.

— Se você odeia aquele sujeito tanto assim, você deveria rejeitá-lo diretamente. — Depois de juntar um pouco de informações do seu banco de dados em sua mente, Sanji falou subitamente.

— Hã? O que… o que você quer dizer? — O rosto da Dani ficou vermelho de repente.

Sanji olhou para ela.

— E mesmo que eu esteja do seu lado, o seu pretendente ainda assim pode te seguir.

— Hein? C-como… como você sabia? — Atordoada, Dani perguntou gaguejando.

Sanji sorriu. Quando ela ainda estava dormindo, não tinha nenhum barulho vindo do cubículo da Dani. Entretanto, assim que a Sanji saiu da cama, houve também uma barulho da cama no cubículo ao lado. Posteriormente, ela ouviu a Dani correndo para a porta. Claramente, a outra mulher estava esperando a Sanji sair.

Neste momento, Sanji era como um mainframe dando instruções. Com um único pensamento, ela buscou todos os dados gravados pelo seu corpo enquanto ela estava dormindo. E é claro que ela também buscou informações de quando ela tinha aberto a cortina. Sanji viu uma carta rosa no chão, e só de olhar para as palavras escritas, ela tinha certeza que eram de um pretendente incansável. A razão pela qual a Dani estava planejando acompanhar a Sanji era justamente porque o pretendente estava esperando por ela.

Infelizmente, depois de imaginar alguns cenários e recordar as imagens, Sanji não teve escolha senão suspender a habilidade para que conseguisse recarregá-la novamente. A sua 【Escola da Elevação da Consciência】 tinha acabado de se formar e o tempo pelo qual ela conseguia usar a Consciência Elevada ainda era desagradavelmente curto. Sanji mal tinha ativado a habilidade e parecia já ter usado todo o “combustível”.

Assustada, Dani perguntou:

— Como você sabe que eu não gosto dele?

— Eu acordei tarde, então a maioria das pessoas já devem ter saído para jantar. Mas ainda assim você preferiu esperar por mim mesmo com o estômago vazio… não é óbvio?

Havia um longo estojo retangular saindo do bolso da calça da Dani. Era o estojo dos Chopstick. Já que ela estava carregando eles, significava que ela ainda não tinha comido. Observando o rosto espantado da outra mulher, Sanji acrescentou:

— Oh, e o jantar hoje são os maravilhosos cogumelos ensopados que você odeia.

— Hã? Mas você não acabou de acordar? Como você sabe?

Bom, é porque… os cozinheiros do Oásis não são lá grande coisa. Ao cozinhar os cogumelos, eles exalam um cheiro forte de terra. Esse cheiro fica impregnado em qualquer um que já tenha jantado.

Mas Sanji não falou nada disso porque ficou meio tonta só de recuperar essa simples informação. Aparentemente, a habilidade era muito desgastante.

Assim como o cérebro atenua a sensação que uma pessoa tem devido à sua roupa encostar em sua pele, as sensações que ela sentia também tinham sido diminuídas no passado pelo seu cérebro. Por que senão, nem mesmo um supercomputador daria conta de processar todas as informações acumuladas durante o dia e queimaria.

Mas agora, ela sentia que todas essas informações e a sua consciência organizadas e salvas no fundo de sua mente. Se a habilidade ficasse mais forte, ela certamente poderia buscar ainda mais informações do seu subconsciente… se não fosse pela limitação do “combustível”, seria uma habilidade extremamente assustadora.

Parecia que tanto o ‘Sétimo’ quanto a ‘Marcie’ tinham ido jantar sem ela. Enquanto Sanji e Dani caminhavam para a saída do subterrâneo, Sanji se virou para olhar para a Dani, que parecia estar se preparando para encontrar seu maior inimigo. Sanji riu:

— Ei, eu vou te ajudar a se livrar do seu pretendente, você pode me ajudar também?

Dani ficou extremamente agradecida, embora Sanji não soubesse o motivo pelo qual a outra odiava tanto aquele pretendente lamentável.

— É só me falar o que você precisa eu vou dar o meu melhor para te ajudar!

— Durante o jantar, procure a Marcie e diga que está com dor de cabeça. Então, vá com ela para a enfermaria para pegar o remédio. Simples, certo? —  Sanji estreitou os olhos e continuou: — Se ela perguntar por mim, diga que eu estou ajudando a equipe de manutenção da cisterna.

Dani não percebeu nada, e mesmo que ela achasse o pedido um pouco estranho, ela concordou com a cabeça e falou:

— Sem problemas!

Conversando ao longo do caminho, elas saíram do subsolo e encontraram um homem de cabelo dividido ao meio sentado nas escadas. Quando ele viu elas, seus olhos brilharam e ele correu em direção às duas mulheres. Entretanto, antes dele chegar perto, foi interrompido pela Sanji. Ela olhou para ele com o rosto fechado. A expressão dela juntamente com o curativo no pescoço dava uma aura inquietante. O homem engoliu em seco e engoliu as palavras que estava prestes a dizer.

— É melhor você ficar longe dela hoje.

Todas as criaturas vivas tinham um instinto natural para detectar um inimigo poderoso. Sanji ficou bastante satisfeita que o homem ainda tivesse o bom senso de parar. Mesmo que a expressão dele fosse desagradável e as veias em sua testa estivessem aparecendo, ele não as seguiu. Dani ficou espantada, mas isso não a atrasou. Ela correu para a cantina, enquanto a Sanji esperava do lado de fora, em um lugar escondido.

Vinte minutos depois, Marcie estava ajudando a Dani, que parecia estar sentido dor, a caminhar para fora da cantina. Sanji continuou escondida, observando a entrada do lugar. Depois de um tempo, ela viu o Sétimo saindo, enquanto ele limpava os dentes com um palito. Parando para pensar, essa era a primeira vez nesses últimos dias que a Sanji via o Sétimo sozinho. Ele caminhava vagarosamente em direção ao dormitório, bocejando sem nenhuma preocupação. Recentemente, eles não tinham sido enviados em nenhuma outra missão. Ao invés disso, eles tinham basicamente se tornado parasitas. Rápida como um gato preto durante a noite, Sanji se moveu.

O espaço entre os prédios das fábricas era bastante estreito. Sem suspeitar de nada, Sétimo cantarolava ao passar por um dos prédios. De repente, depois de tomar um chute, ele perdeu o equilíbrio, caindo no corredor entre os dois prédios. Antes mesmo que ele pudesse xingar, uma mão fria segurou seu pescoço, e empurrando ele contra a parede.

— Cof, cof. Quem… quem é você … —  O beco estava muito escuro e ele ainda era incapaz de identificar claramente seu agressor. Sanji deu-lhe um sorriso sem humor, seus dentes brancos eram a única coisa visível em meio à escuridão. Então, ela disse com uma voz suave:

— Se você não consegue ver claramente, por que você não pega seu celular e ilumina este lugar? Minbo.

O homem que ela estava empurrando contra a parede ficou calado por um momento. Com as pernas tremendo, ele finalmente falou:

— J-Ji? O que você está falando? Eu… eu…

— Cala a boca! Não pense que eu não vou fazer nada só por que o Sétimo mudou a sua aparência. — Sanji sibilou, se aproximando, suas palavras saindo através dos seus dentes cerrados. — Por que eu não te apunhalo repetidamente para ver se você vai voltar à sua aparência original?

O homem não falou mais nada. Ao invés disso, ele começou a lutar o mais forte que podia. O Ratinho já tinha aprimorado a sua força, desta forma, Sanji não podia permitir que ele continuasse a resistir. Com um brilho prateado, ela segurou a faca do chef contra o pescoço dele. Imediatamente, ele parou de se mover, diferente do calor ao redor, ele podia claramente sentir o metal frio contra a pele.

— Eu não estou mentindo, — a voz dela era perigosamente calma, — você não vai ter tempo nem de ligar para o 190. Eu não tenho nenhum motivo para te deixar vivo. — O homem desabou sobre a pressão assassina que sentia. “Sétimo” desabou chorando e gritando:

— Espera, espera… não foi minha ideia te enganar assim… — Mesmo que o Ratinho estivesse implorando pela sua vida, ele ainda estava com a aparência do Sétimo. Aparentemente, ele não tinha como desfazer a transformação. Sanji estava totalmente repugnada com ele. Ela sorriu ligeiramente.

— Eu não preciso te matar. Eu só preciso quebrar as suas pernas e te entregar para o Hei.

Em uma fração de segundos, o rosto do Ratinho ficou pálido. Ele nunca teria imaginado que a Sanji conhecesse o Hei. Se ela fosse entregar ele para aquela pessoa, seria melhor morrer rapidamente pelas mãos da Sanji. Tremendo, ele falou:

— Você não pode fazer isso!

— Ah, é? Por quê?

Com muita dificuldade, ele tirou um papel do bolso e levantou-o fracamente:

— Porque eu sou um cônsul!

Berjkley
Analista de Sistemas, Game Developer, Mestre de RPG. Gosta de Doctor Who, Não gosta de Vampiros Purpurinados.

3 Comentários

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
error: O conteúdo deste site está protegido!