PA – Capítulo 85

Quem é?

 

 

Depois de chegar a uma sequência de becos sem saída, Sanji não teve escolha senão voltar atrás. Devido à condição física de Junkai, Sanji já o havia perdido em algum cruzamento. Dentro desse maciço labirinto com um número aparentemente infinito de caminhos, ela só conseguia ouvir sua própria respiração fraca.

Sanji não tinha energia para correr, então a única coisa que conseguia fazer era se arrastar para frente. Apoiando-se nas paredes, avançando passo a passo, ela não tinha ideia de onde estava indo. Quando chegou a uma bifurcação mais uma vez, não conseguia aguentar mais e sentou-se pesadamente no chão. Depois que encontrou os cadáveres de Wang e Lara, ela se forçou a se mover mais rápido, mas ainda não conseguiu encontrar aquela área específica mesmo depois de dez minutos.

Isso eram mais dez dias sem comida. No total, ela não comia há quase dois meses. Uma pessoa normal já teria morrido há muito tempo. Mesmo que ela ainda não estivesse morta, Sanji sentia como se fosse morrer mesmo com o seu Aprimoramento Físico Completo. Sua visão já estava embaçada fazia bastante tempo, e ela sentia ataques de tontura, e também podia ouvir sons ilusórios de ondas em seus ouvidos ficando cada vez mais altos.

Se isso continuasse, sabia que ficaria inconsciente e depois morreria.

“Ssss!” Sanji sentiu uma dor aguda na perna, que a despertou de seu devaneio. Ela abriu os olhos e percebeu que havia caído no chão. Sua mão tremia quando alcançou sua coxa.

— O que… o que?

Sanji tirou o Coelho do bolso, o segurando pelas orelhas. Ele provavelmente havia acabado de acordar e seus olhos ainda estavam desfocados. Sua boca ainda estava se movendo e ele estava mastigando. Sanji o levantou e repreendeu com uma voz rouca:

— Por que você mordeu minha perna?

O coelho despertou um pouco.

— Huh? Huh? Aquilo era a sua perna. Eu achei que fosse grama…

Esse é apenas o desenho das minhas calças!

Sanji queria gritar isso, mas não tinha forças para mover a boca.

— Ei, você me salvou? — perguntou o coelho, enquanto recuperava a consciência, embora ainda parecesse que estava perto de seu leito de morte. — Obrigado… Obrigado.

— Um… — Sanji tinha uma aparência horripilante com seus lábios pálidos.

Ambos estavam tontos de fome. Eles se deitaram no chão por um tempo e finalmente começaram a beber bastante água das poças no chão. Depois de engolir aqueles goles de água barrenta, pareciam ter enganado seus estômagos, por isso se sentiram um pouco melhor. Esta deveria ser a razão pela qual Sanji ouviu que as pessoas recorrem a comer lama quando estão famintas.

Já que conseguiam pensar novamente, eles tinham que continuar procurando. Sanji queria continuar se movendo enquanto ainda tinha forças para tal.

— Espere! — O coelho, que estava sentado no ombro dela, disse de repente. Ele ergueu o nariz no ar e estremeceu rapidamente como se tivesse sentindo um cheiro.

Mesmo que seus aprimoramentos físicos não pudessem se comparar aos de Sanji, como um coelho, sua audição e olfato eram naturalmente superiores aos dos humanos. Depois de alguns segundos, o coelho se virou para Sanji e disse:

— Posso sentir um leve cheiro de sangue do caminho da esquerda.

— Vamos dar uma olhada! — Sanji imediatamente se animou.

O caminho da esquerda era muito longo e, depois de algumas curvas, eles alcançaram outra bifurcação. Se o coelho não tivesse liderado o caminho, seguindo aquele cheiro indetectável de sangue, Sanji teria se perdido. Ela mobilizou toda a energia que tinha e correu por cinco minutos até sentir que perderia a consciência no segundo seguinte. Finalmente, ela notou algo estranho.

— Sangue… manchas de sangue? — O corpo de Sanji só teve lama para digerir naqueles cinco minutos ou cinco dias. Ela estava realmente no seu limite, e isso era perceptível pelas suas bochechas fundas. O coelho não tinha forças para ficar no ombro de Sanji, então ela o colocou no bolso. Ele colocou a cabeça para fora do bolso e olhou para o caminho à frente.

As poucas gotas de sangue no chão formavam uma trilha que continuava pelo caminho. Por um momento, um pensamento, que a deixou espantada, passou pela sua mente — Se não tiver comida, seria bom ter até mesmo um pouco de sangue para beber. — Sanji teve que se esforçar bastante antes de recuperar sua sanidade.

— Devemos ir? — O coelho perguntou fracamente. — Pode ser perigoso.

— De qualquer maneira, se a gente não for, não vamos durar muito tempo. — Sanji estava muito tonta e não sabia como ainda conseguia andar. Ela se apoiou nas paredes e seguiu o rastro de sangue. Pouco a pouco, entrou naquele caminho mal iluminado com as pernas bambas.

Ela sentiu que devia ter se encontrado com a morte várias vezes. Suas vistas estavam falhando, com borrões pretos preenchendo seu campo de visão. Ela avançou mecanicamente e apertou os olhos subconscientemente. De repente, percebeu que estava caminhando em direção a uma luz brilhante.

Luz? De onde veio?

— É… É outra pessoa vindo?

Sanji ouviu a voz de uma mulher desconhecida, a voz dela era suave e rouca, como se fosse preciso muita energia para aquela pessoa falar aquilo. Sanji estremeceu um pouco quando olhou para cima e percebeu que algo estava errado.

Ela seguiu em frente confusa, e nem percebeu que haviam muitas outras pessoas de pé no mesmo caminho. A mulher com a minissaia vermelha estava mais próxima de Sanji. Sua minissaia estava coberta de poeira e ela era obviamente a pessoa que havia falado momentos antes. Haviam também outras duas pessoas, uma era alta e a outra era mais baixa. Era Hai, cujo rosto ficou verde devido à fome, e Changzai. O perdedor do primeiro jogo estava encostado na parede enquanto olhava para Sanji de forma sombria.

Sanji poderia facilmente dizer quem era o dono do sangue. Pertencia ao camisa florida com uma perna quebrada causada pela Sanji. Aquele homem estava deitado no chão rigidamente, e suas mãos estavam apertando firmemente sua garganta. O sangue, que jorrou de sua garganta, cobriu uma longa distância. Ele estava definitivamente morto.

No entanto, tudo isso não atraiu tanta atenção quanto aquela luz quente vinda de sua esquerda.

Atrás de uma porta de vidro transparente, uma lâmpada iluminava um espaço fechado com uma luz quente e alaranjada. Sob tal iluminação, a mesa de jantar coberta com um pano branco parecia ainda mais atraente, e os copos de vidro brilhavam como diamantes. Logicamente falando, a porta deveria ter bloqueado a fragrância da comida, mas Sanji estava convencida de que podia sentir o cheiro delicioso da comida dentro daqueles cloches.

Aquela era a mesa de jantar!

Sanji olhou para ela com os olhos arregalados, e, quando estava prestes a se mover, ela viu algo metálico voando em sua direção. Talvez por causa da motivação, que ganhou com a comida à sua frente, Sanji sentiu uma onda de energia. Ela invocou sua carta e pegou a boca do degenerado, golpeou o ar e bloqueou o ataque, tudo isso no tempo de uma única respiração.

“Pang!” O item caiu no chão, e Sanji descobriu que era uma agulha de aço.

A saia vermelha tinha uma expressão ameaçadora e fez um gesto quando outra agulha de aço apareceu em sua mão. O outro jovem também se adiantou, cerrando o punho firmemente.

— Você é realmente muito azarada! — Embora a mulher de saia vermelha conseguisse apenas sorrir fracamente, não encobriu a maldade no sorriso. — Nós até nos livramos do nosso outro companheiro… Você acha que pouparemos um adversário como você!?

Apesar de saber desde cedo que a mulher não era alguém que deveria subestimar, Sanji ainda estava atordoada.

— Pode haver apenas quatro porções de comida, mas se todos compartilharmos a comida, nós ainda sobreviveríamos. Por que você tem que matar?

Sua pergunta foi respondida por um ataque do perdedor. Ele segurava uma arma parecida com uma foice em sua mão e a moveu para o rosto de Sanji. Mas, antes mesmo de chegar perto do rosto de Sanji, o jovem foi atingido por um braço musculoso. Ele voou para trás batendo na parede negra e o sangue jorrou de sua boca. Quando ele deslizou da parede, ambos os olhos estavam fechados. Ele havia perdido a consciência.

— O que você está fazendo? — A mulher de pernas compridas estava espantada. Ela se afastou de Hai. — Por que você está ajudando ela?

— Desculpe, ela é na verdade nossa companheira.

Hai não disse nada. Em vez disso, foi Changzai que respondeu, enquanto ele assentiu, desculpando-se.

— Vamos tentar terminar o jogo antes que você morra de fome.

— Você deve estar brincando! — A mulher de minissaia rugiu com raiva, mas suas pernas tremiam incontrolavelmente. — Vocês são idiotas? A equipe derrotada perderá tudo… Qual de vocês está disposto a perder este desafio? Companheiro? Companheiro meu c*!

Mesmo que Changzai estivesse muito pálido, ele estava muito composto. Ouvindo o que aquela mulher falou, ele olhou para Sanji e reposicionou seus óculos.

— Tem certeza de que você tem uma maneira de lidar com isso?

— Estou confiante. — Sanji ofegou e riu levemente. Nesse momento, um coelho apareceu do bolso e cumprimentou Hai.

— Oi, Executivo Hai.

— Parece que não te vejo há muito tempo, coelho. — Hai parecia aliviado depois de ver o coelho. — Bem, finalmente estamos juntos novamente.

A mulher de pernas compridas desmoronou no chão sem esperança, ao perceber que a vantagem que tinha havia desaparecido. Ela murmurou algo para si mesma, mas era inaudível para o resto.

Sanji não conseguia sentir piedade da mulher cruel à sua frente, mas não conseguia entender o desespero que aparecia no rosto da mulher. Apenas quando se virou para Changzai com uma expressão confusa, foi que ele fez uma careta.

— Não é que não queremos compartilhar a comida, mas… olhe.

Sanji olhou para onde ele apontou e viu algumas palavras na porta de vidro:

“Uma mesa projetada para quatro pessoas deve ser para quatro pessoas. Apenas quatro pessoas podem passar por esta porta. Jogar comida fora desta porta é proibido e punível com a morte”.

Sanji agora conseguia compreender o desespero da minissaia. A morte por inanição parecia ser um destino inevitável para aquela mulher…

Sanji pensou sobre isso, sentindo-se perplexa. Ela seguiu seus companheiros e sentou-se à mesa. Apenas alguns minutos antes, estava indo contra seus próprios membros da equipe dentro dos confins escuros do labirinto, tinha testemunhado seus membros da equipe envenenados, e então ela foi confrontada pela equipe mortadela. No entanto, agora eles se encontravam em um espaço limpo e decorado. Estavam sentados sob uma luz brilhante, estavam segurando seus talheres e se preparando para uma refeição. Isso tudo parecia muito irreal para ela.

Sanji ergueu o cloche e sentiu um aroma quente e apetitoso. Seu coração batia tão rápido que pensou que teria um ataque cardíaco. Ela sentiu como se houvesse um monstro em seu estômago que estava uivando para ela engolir a comida na frente dela.

— Hã? — Sanji hesitou, segurando uma concha na mão.

Todos os pratos estavam cobertos com um filme plástico. Quer fosse aquela sopa vermelha morna, de aparência luxuosa, com fatias flutuantes de cenoura, aquele pão suave, ou aquela salada verde e refrescante…

Algumas palavras atraentes foram escritas em um pedaço de papel amarelo preso ao topo dos envoltórios de plástico.

Quarto jogo: [Entre vocês quatro, quem é o Sr. Ponto?]

Berjkley
Analista de Sistemas, Game Developer, Mestre de RPG. Gosta de Doctor Who, Não gosta de Vampiros Purpurinados.

5 Comentários

  1. Aaahh vsf ponto se eu tivesse aí faria questão de fazer picadinho dele e distribuir de comida para os porcos!!!!

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
error: O conteúdo deste site está protegido!