RdI – Capítulo 39

Seguindo em frente

 

— ONDE VOCÊ ESTAVA??? — Quando Amira apareceu de volta na clareira depois de alguns minutos após sumir do nada, várias vozes diferentes gritaram ao mesmo tempo. Nilo pulou em cima dela, quase jogando-a no chão

— Você quase nos matou de preocupação! Eu cheguei a pensar que F…Franz tinha te levado de nós…

— Eu descobri!

—…e feito alguma coisa… descobriu o que? — Nilo perguntou assim que se deu conta do que ela havia falado.

— Como fazer a chave funcionar… — Amira completou.

— Sério? Isso é ótimo, é maravilhoso, é… é uma ótima notícia! — Breno disse em êxtase. Depois de vários dias com Andirá e Nilo, ele já não duvidava das capacidades mágicas da joia.

Amira contou para todos sobre a conversa com Metatron, até que chegou na parte da conversa que não queria falar.

— Independentemente do quê, agora que eu sei como fazer para usar a chave terei que ir para outro lugar… Além do mais, precisamos nos preparar para lidar com Franz. Se ele nos encontrar, ele pode nos matar…

— Então nós realmente iremos partir? — Breno perguntou animado, ainda esperançoso.

— Não. Não posso mais levar vocês. Eu irei apenas com Nilo e Andirá. Quando Franz apareceu para mim, ele ameaçou machucar vocês, caso eu não entregasse a chave para ele. É muito arriscado ficar aqui. Eu não quero comprometer a segurança…

— Quem foi que pediu segurança? – Breno disse com o tom de voz levemente alterado.

— Breno, calma. — Bianca pediu vendo a tensão do irmão. — De qualquer forma, Amira, você nos deve uma explicação. Por que essa atitude de repente?

Amira abriu a boca várias vezes tentando dar uma explicação, mas por fim, não teve coragem de admitir o motivo de abandoná-los. Se fosse por decisão própria, ela não exitaria, mas aquilo não tinha sido exatamente decidido por ela. Amira não queria brincar com a vida de Breno e Bianca, e não tinha coragem de assumir que tinha posto os dois em uma situação tão delicada. Então ela apenas abaixou a cabeça e disse culpada:

— Eu prometo que assim que conseguir me organizar, eu volto para buscar vocês…

— Você sempre quis isso, não é? — Breno acusou magoado. — Eu não me importaria de passar o resto da minha vida nessa vila esquecida com vocês, desde que fosse com vocês. Mas você sempre deixou claro que queria nos abandonar.

— Você não está sendo justo, Breno… — Amira respondeu.

Nilo fez alguma menção de intervir na conversa, mas Andirá teve a delicadeza de pará-lo, e o levou para longe

— Como eu não estou sendo justo? Você sempre deixou bem claro que nos abandonaria!

— Então você poderia usar a sua cabeça e perceber que eu não fui clara agora! — Amira respondeu pondo-se de pé.

Breno que também já estava de pé, parou quando ouviu as palavras de Amira. Era verdade. Amira nunca deixaria pontas soltas. Se ela quisesse abandoná-los, ela não exitaria em dizer, mas a primeira coisa que ela disse, foi que voltaria. Ela devia ter um motivo. Breno voltou atrás com a raiva e estava prestes a se desculpar, quando Amira, que ainda olhava para o chão cheia de pensamentos revoltados, se virou na direção de Nilo e Andirá e disse se afastando:

— Esqueça, não há por que continuar discutindo sobre isso.

— Amira… — Bianca a chamou esticando o braço na direção da amiga.

— Não, já chega. Eu sinto muito por tudo.

— O que quer dizer? — Bianca perguntou preocupada. Ela poderia dizer facilmente que a amiga já havia tomado uma decisão.

Mas em um piscar de olhos, Amira havia desaparecido novamente. Breno e Bianca se espantaram novamente pelo desaparecimento repentino da menina, e Nilo já estava para ter um segundo ataque de pânico à distância quando percebeu que dessa vez, o cheiro dela não havia desaparecido. Ela tinha se teletransportado até o próprio quarto na casa da árvore.

Nilo rapidamente montou nas costas de Andirá, que voou em direção ao quarto.

— Ei, o que foi isso? — Nilo reclamou ao chegar, vendo Amira sentada na própria cama, abraçada à uma mochila enquanto olhava para eles com uma expressão perdida.

— Eu… precisamos partir agora.

— Quê? Agora? — Nilo respondeu em choque.

— Para onde iremos? — Andirá perguntou de forma mais objetiva sem hesitar.

Amira pensou em dizer imediatamente que deveria ir até o tal lugar chamado Ain Sof. Mas não tinha certeza se seria seguro ir até lá sem saber exatamente o que esperava por eles. E ela temia que se demorasse mais para partir, iria acabar magoando ou sendo magoada por Breno e Bianca. E ela não queria esperar para ver isso acontecer. Amira os conhecia há tempo demais para saber que Breno seria irredutível quanto a ir com ela, não importa que razões ela desse.

— Nilo, por favor, nos leve até o lugar onde morávamos! — Ela disse de repente.

Essa talvez fosse uma decisão mais tola do que seguir direto para Ain Sof, mas Amira se recusava a acreditar que Franz tivesse permanecido naquele lugar depois de atacar a própria família.

Amira já tinha preparado as malas há muito tempo. Ainda era a mesma bolsa que tinha trazido com as coisas da casa de Liana. Ela tinha que levar apenas o essencial. Pegou um pedaço de papel e escreveu uma nota breve para Breno e Bianca que não os levaria por que não podia, e não por que não queria. Esse seria o máximo de explicação que iria deixar para trás.

— Nilo! — Amira chamou novamente.

— Você tem certeza disso? — Nilo perguntou preocupado sem entender a urgência de Amira. — Aqueles dois ainda estão lá embaixo esperando você voltar.

— Sim, eu tenho certeza… — Amira disse sem hesitar.

— Certo… como que eu faço isso? — Nilo perguntou se aproximando de Amira.

— Ahh… apenas pense no lugar, eu faço o resto. Você vem Andirá? — Amira estendeu a mão para Andirá que aguardava ao lado.

— Sempre… — A quimera respondeu.

Amira segurou as mãos de Nilo e Andirá, desejando com todas as forças que nada desse errado. Assim que pensou em ativar o poder da joia, ele fielmente funcionou.

Em um piscar de olhos, os três estavam em um grande pátio completamente depredado. O mato subia por cima das construções e o jardim já não existia mais. No meio do pátio havia uma casa que outrora devia ter sido grande e imponente. Metade dela estava completamente destruída provavelmente por um grande incêndio.

Os três pararam debaixo de uma grande árvore na frente da casa, que pareceu ser a única coisa a ter resistido ao tempo, e ter se mantido bela e intocada. Os muros estavam caídos em algumas partes e cobertos por plantas que acabaram crescendo sem controle.

Andirá e Amira começaram a caminhar observando o novo ambiente ao redor com cautela, mas Nilo permaneceu parado, em choque, olhando para a casa. Ele olhava em volta, ofegava, e sem coragem de seguir em frente, acabou tropeçando em uma raiz da árvore que crescia para fora do chão.

Nilo encolheu-se no chão, onde estava e começou a chorar. Tudo estava muito diferente de como era, mas não tinha dúvidas de que estava onde pensava estar. Aquela era a casa de Amira, era o lugar em que viu Naomi e Bran morrerem. Era ali que estavam morando felizes há pouco mais de um mês, só que anos haviam passado e corroído tudo.

Aquela era a mansão Dáler.

Azure Poison
Eu não sou louco. Apenas a minha realidade que é diferente da sua.

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