Arifureta Zero – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 3 de 11)

— Você já é um artesão melhor do que eu. Raios, você me deixou comendo poeira anos atrás. Suas habilidades estão em um nível completamente diferente.

— …… — Oscar não sabia como responder a isso. Afinal, tudo o que Karg disse era verdade.

— Na primeira vez em que te conheci no Orfanato Moorin, soube que você era especial. Os brinquedos que você fez para as outras crianças eram bem melhores do que alguns dos melhores trabalhos que minha oficina criou… Para ser honesto, não pude acreditar no início.

Oscar fora largado em frente ao Orfanato Moorin quando era um bebê. Embora não houvesse guerras em larga escala nas últimas décadas, pequenas escaramuças fronteiriças aconteciam quase todos os dias. A instabilidade política dentro dos reinos humanos agravava o problema ainda mais. O combate constante deixara a terra cheia de órfãos, e muitos orfanatos novos apareciam para cuidar deles.

Havia chegado ao ponto em que o país não conseguia mais financiar todos eles. Karg já se tornara o chefe da Oficina Orcus quando os orfanatos começaram a aparecer. Ele era amigo de Moorin, então, quando ouviu que seu orfanato estava com dificuldades, ele decidiu ajudar a financiá-lo.

O dia em que ele conheceu Oscar foi como qualquer outro. Ele havia ido entregar um pouco de dinheiro para o orfanato, e ver como Moorin e suas crianças estavam.

Quando ele olhou ao redor do orfanato, reparou que existia muito mais brinquedos do que antes.

Ele perguntou a Moorin se ela havia conseguido outro patrocinador e recebeu uma resposta inesperada.

Oscar, que acabara de fazer dez anos na época, foi a pessoa que fez todos aqueles brinquedos.

Karg partira do princípio que Moorin encontrou um patrocinador rico, então ele ficou chocado ao saber que os brinquedos foram transmutados por um garotinho. Os brinquedos eram de tal qualidade magistral que ele estava certo de que ela havia comprado eles.

Os blocos de construção se encaixavam perfeitamente. Os bonecos eram tão precisamente elaborados que Karg quase os confundiu com crianças de verdade. As espadas de brinquedo eram perfeitamente equilibradas. Até as louças falsas que ele fez para as meninas brincarem de casinha eram boas o suficiente para se cozinhar.

Todas essas obras de arte foram criadas por um garoto de dez anos. Karg não conseguiu acreditar. Ele trouxe Oscar e lhe pediu para fazer uma demonstração ao vivo. Quando Oscar criou um daqueles brinquedos bem na sua frente, Karg não teve escolha senão aceitar a realidade. Aos dez anos, ele já era tão habilidoso quanto os melhores Sinergistas do país.

Quando Karg perguntou onde Oscar havia aprendido suas habilidades de Sinergista, isso foi o que ele disse:

— Quando vi você consertar aquela panela da última vez, pensei que poderia fazer também, então só tentei.

Karg se lembrava daquele incidente. Ele de fato foi lá um mês antes para consertar uma panela quebrada. E, olhando para trás, Oscar esteve observando com grande interesse.

Karg congelou. Ele sentiu um frio súbito, como se alguém tivesse passado um cubo de gelo pelas suas costas.

Depois de vê-lo transmutar só uma vez, ele havia dominado isso sozinho? E em apenas um mês? Ele alcançara o nível de um mestre artesão por tentativa e erro? Se isso fosse verdade, então, quão melhor poderia ficar se recebesse a instrução adequada? Karg ficou tanto animado quanto aterrorizado com a perspectiva.

Ele decidiu naquele momento… que iria tornar Oscar no próximo Orcus.

Depois de tutorar ele pessoalmente por três anos, Karg o admitiu na Oficina Orcus.

— Já faz muito tempo desde que você entrou na oficina. Por todas as razões, você deveria ter herdado o nome Orcus anos atrás. Mas você sabe, Oscar, não quero te forçar. Eu te impedi da última vez quando disse que queria parar de trabalhar como Sinergista, mas se ainda acha que isso não é para você, fique à vontade para partir. Acredite ou não, não quero te fazer sofrer.

— Sou muito agradecido a você, vovô. Sei que os outros artesãos não gostam de mim, mas não há nada que eu possa fazer em relação a isso. Eu já aceitei. Trabalhar aqui não é assim tão ruim, na verdade.

— Mesmo assim…

Karg fez uma careta, mas Oscar continuou:

— Eu gosto de ser um Sinergista. Posso ajudar todos na cidade com meu trabalho e ainda consigo enviar dinheiro de volta ao orfanato… O que mais eu poderia pedir?

— Por quê, Oscar? Por que esconde o quão talentoso você realmente é? Se eles soubessem, iriam concordar que nem mesmo o título de Orcus faria jus às suas aptidões. É que não gosta de fazer armas? Ou não acha que esteja apto para ser um líder? Deve ser ambos, na verdade. Mesmo assim, sabe, Oscar, não me subestime. Eu sei que há outra razão para você não querer pegar o título. Achou que eu não iria reparar?

— …… — Oscar apenas sorriu com seu sorriso habitual. O sorriso que dizia: “Eu não vou discutir, então só diga o que quer”.

— Sei que pode ser um pouco presunçoso de mim, mas… penso em você como o meu próprio filho. Só quero que você atinja o sucesso e mostre às pessoas quem você realmente é. Mas acho que não é isso que você quer, é?

Oscar conhecera Karg há muito tempo, então ele compreendia os sentimentos de Karg.

Oscar nunca admitiria isso a ele, mas ele havia começado a chamar Karg de “vovô” em vez de “Karg-san” porque ele pensava em Karg como seu verdadeiro pai também.

Honestamente, Oscar estava feliz que Karg possuía expectativas tão grandes em relação a ele.

Doía-lhe não poder dizer a Karg a verdadeira razão pela qual escondia seus talentos.

Mesmo assim…

— Vovô… Você disse que as minhas habilidades estavam em um nível completamente diferente, mas isso não é verdade.

— Não há necessidade de agir humildemente comigo. Eu sei o quão bom você realmente…

— Elas não estão em um nível diferente… Elas são completamente anormais.

— …… — Karg se calou. A escolha de palavras de Oscar deu a Karg uma vaga ideia da verdadeira razão pela qual Oscar escondia suas capacidades.

Ele nunca viu Oscar assim antes. Ele possuía uma expressão sombria no rosto e estava com um olhar distante. Era como se ele estivesse olhando para o futuro que o aguardava, em que revelava as suas habilidades.

Karg também sabia que não seria tão maravilhoso quanto descreveu. Ele não sabia o que deveria dizer, mas sabia que tinha que fazer algo. Mas antes que pudesse, Oscar continuou:

— Enfim, eu aprecio o trabalho que já faço. Não faça de conta que não sabe. Todas as ferramentas e móveis que fiz foram bem-recebidos pelas pessoas da cidade. De certa forma, ainda estou ajudando a aumentar a fama da Oficina Orcus. — Oscar falou com entusiasmo, tentando dissipar a melancolia que se instalou na sala.

Karg percebeu que isso era o máximo que conseguiria com a conversa de hoje e concordou com um suspiro.

— Haaah… Tem razão. Nem a Oficina Limster nem a Oficina Vagone se incomodam em fazer coisas para o cidadão comum. Apesar de ser o trabalho duro deles que permite nos concentrar exclusivamente em nossa produção. São eles que nos proporcionam o minério que usamos e os alimentos que consumimos. — As oficinas que Karg falou eram outras duas grandes oficinas em Velnika. Ambas só pegavam ordens de nobres, realeza e comerciantes ricos.

Como foi dessa forma que escolheram se especializarem, ninguém poderia os culpar tanto. Mesmo assim, isso não significa que as pessoas da cidade gostavam. De fato, a maioria estava muito zangada com as outras oficinas. Enquanto todas as outras ajudavam umas às outras, elas só procuravam a obtenção de lucros.

Em contrapartida, a Oficina Orcus não possuía restrições a quem poderia fazer um pedido. Por uma questão de princípios, eles eram forçados a priorizar os pedidos dos nobres, mas se houvesse artesãos livres, eles iriam fazer o pedido do cidadão comum. Além disso, o atual Orcus havia começado a doar os fundos excedentes da oficina para os vários orfanatos.

Mais importante ainda, a oficina agora possuía um artesão cuja única tarefa era lidar com os pedidos dos cidadãos. Por causa disso, a Oficina Orcus era bem respeitada entre os camponeses.

Esse artesão era, é claro, Oscar. Ele era conhecido por ser rápido, habilidoso e capaz de se adaptar às necessidades de qualquer pedido. Graças a isso, as pessoas da cidade ajudavam frequentemente a oficina durante tempos de crise. Eles iriam trazer comida para os artesãos, vender suas matérias-primas com taxas inferiores, lhes dar prioridade aos negócios grossista de suprimentos que eles tivessem pouco, e até mesmo trazer uniformes e cobertores reservas.

Embora o trabalho de Oscar não se destacasse, ele estava fazendo muito para ajudar a oficina. Na verdade, era precisamente por ele não se destacar que tão poucas pessoas apreciavam.

— Vovô, eu ainda preciso entregar meus pedidos.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

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